quinta-feira, 24 de maio de 2012

RECIFE EM FOCO


“Quando os seus pés vão se encontrar com os meus...” (China)

Acho que gostei de Recife desde a primeira vez que sobrevoei a cidade. Um típico caso de amor à primeira vista, podem dizer. Mas acontece que só agora, dois anos depois, me dou conta disso. Estávamos eu e um grupo de amigos a caminho de João Pessoa na Paraíba e por conta de uma conexão perdida em Brasília, tivemos de tomar um voo que nos levaria para Recife no lugar de enviar-nos direto para nosso destino. Era uma manhã de quarta-feira ensolarada e logo à primeira visão da capital pernambucana, fiquei inesperadamente encantada com o sobrevoo espetacular sob o mar, o jeito como os rios fazem curvas pela cidade.

Acompanhei o movimento do avião dando voltas pela praia de Boa Viagem em câmera lenta e quando descemos fiquei me perguntando por que nunca tinha pensado no quanto Recife merecia uma visita. Recolhemos nossas bagagens e saímos do aeroporto para embarcar na van da companhia aérea, que nos levaria por terra até Jampa. Do aeroporto para a saída da cidade, achei o trânsito nervoso e fiquei tensa por alguns minutos, esquecida da visão deslumbrante que a cidade tinha do alto. Estar com os pés nas nuvens nunca vai ser como ter a mente no chão, literalmente. E assim me despedi de meu primeiro encontro com Recife.

Quando o tempo passa, arranca de nós algumas lembranças mínimas, vividas na palma do que é fugaz. Nessa leva, a visão de Recife adormeceu em mim pelo ano seguinte, até que soube que a etapa nacional do congresso que costumo participar seria sediada pela capital de Pernambuco. Logo me animei a planejar meu retorno, quando ficaria desta vez por quase uma semana na cidade. E quando chegou o dia, de passagens na mão e bagagem bem fechada, rumei para o aeroporto com os amigos ainda de madrugada, para um voo que pararia ainda em Teresina e nos deixaria soltos por cinco horas em Fortaleza antes de nos presentear com aquela visão que eu já experimentara.

Para nosso desconforto, o voo não correra exatamente como o desejado e passei muito mal no banheiro em Fortaleza, vítima de um voo cheio de paradas iniciado numa madrugada sem direito a café da manhã, justamente minutos antes de embarcamos finalmente para Recife. Voei achando estar para morrer, variando entre achar graça de fazer a passagem já estando no céu e o desespero em saber se haveria um médico a bordo pra me trazer de volta ao chão de mim.

Resumindo, fiz o trajeto Fortal - Recife com a cabeça parecendo pesar toneladas, vendo de pouco em pouco a visão turva da aeromoça se aproximar oferecendo um copo descartável cheio de cubos de gelo para eu enganar o enjôo. Como meus amigos acharam justo que a menor distância entre o banheiro e um passageiro fosse uma linha torta percorrida por mim, viajei no assento que dava para o corredor, bem longe da janela e do meu sobrevoo por Boa Viagem. Mal lembramos que era tudo o que eu precisava e duplamente não tive.

Mal senti o avião tocar o chão. Desci cambaleante, surpresa por ter sobrevivido. Quem lesse por dentro de minha mente de ideias embaralhadas acharia que o voo tinha sido dos piores. É que vivi turbulências dentro de mim, dispensando as externas, que todo mundo sentiria. Mas logo tudo mudou porque ao passarmos pelo portal do desembarque, onde as pessoas esperam pelas outras, um senhor com traços familiares acenou decidido para mim e veio logo me cumprimentando e pegando minha bagagem. Era meu tio que eu ainda não conhecia, mas logo pude reconhecer. Vi um pouco de papai, seu irmão, no jeito dele. A cabeça que pesava, logo sorriu junto com meu esforço para acreditar que estava sendo recebida por um parente. Em minutos, meu primo que eu só conhecia de foto, se aproximou sorrindo e me abraçou falando com aquele sotaque irresistível que é o recifês. Meu tio carregou minha mala até o carro e nos levou para o hotel, falando da cidade pelo caminho e perguntando pelos meus pais. Essa recepção foi tão acolhedora que até me convenci que não era só pelo céu ser possível flutuar por Recife.

Os dias que seguiram trouxeram um congresso produtivo, reunindo pessoas de todo o país e revelando passeios interessantes por uma cidade que tem potencial de encantar a gente. Conheci o Recife Antigo, o Marco Zero, a Casa da Cultura, o Mercado São José, Olinda, a Rua da Aurora, a praia de Boa Viagem e o delicioso restaurante Só Caldinho de quem fomos fregueses pelos dias em que passamos na cidade. Visitamos o espetacular castelo do Instituto Ricardo Brennand e até esticamos até Porto de Galinhas. Foram dias muito felizes.

Partir foi, como deveria ser, a parte mais difícil. Deixei gente querida na cidade e ao voltar para casa senti que havia criado um laço afetivo com Recife, com direito a endereço e novos programas por fazer. Retornar logo seria uma necessidade.

Pois cá estou, menos de um ano depois, às vésperas de reembarcar para Recife. Desta vez, é a etapa regional do congresso que me leva de volta para Pernambuco. Tudo se desenhou para que eu pudesse voltar. Enquanto isso, tratei a saudade com muita música devidamente cantada em recifês (muito encantada com o som que vem dessa terra, indico demais: China, Araçá Blu, Tibério Azul, Igor de Carvalho e Mombojó) e o presente de publicar um conto em uma revista editada por um jovem pernambucano.

Pois me aguarde terra formosa, logo meus pés vão se encontrar com os teus. E vamos flutuar um pouco mais.




sexta-feira, 4 de maio de 2012

REVISTA EM FOCO


Conheça a Mescla, revista colaborativa que a cada edição aborda um só tema a partir de vários olhares

No  começo de abril recebi um convite inesperado: escrever um conto que de alguma forma abordasse Nova Iorque, para a seção de literatura da 12ª edição da Revista Mescla. A proposta veio de Silvano Filho, designer pernambucano que edita a revista digital desde 2010 com a colaboração de fotógrafos, designers, ilustradores, escritores e pessoas interessadas em arte que produzam um material sobre um tema indicado e explorado a cada edição.

Aceitei o desafio e optando por brincar com a Nova Iorque que habita nosso imaginário, escrevi "Conexão Nova Iorque", conto que liga duas cidades homônimas através de sonhos, cores e imaginação. O resultado do conto junto com uma entrevista bem legal sobre meu livro "Vila Tulipa" integra a segunda edição de 2012 da revista, que já está disponível para leitura e conta com material produzido pela equipe fixa Mariany Carvalho (Badulaques), Anny Carolyne (Moda), Beatriz Nogueira (Cinema), Mitsy Queiroz (Música) e Vicente Bernabéu (Ilustração Final) além das colaborações.

Na entrevista abaixo Silvano Filho nos conta mais sobre a Mescla, como surgiu a ideia de editar a revista e como tem sido desenvolver esse trabalho que vale a pena ser conferido.
 
1) A Mescla nasceu com a proposta de expor diferentes olhares sobre um mesmo tema. Como surgiu a ideia de editar uma revista com essa proposta?

Eu tive essa ideia no início de 2010 para que pudesse colocar em prática o que eu aprendia na faculdade sobre design editorial e com a possibilidade de usá-la como objeto de estudo da minha monografia ela tomou forma entre agosto e setembro do mesmo ano! E para chamar atenção das pessoas achei que ficaria legal reunir diferentes áreas como cinema, música, literatura, etc. olhando para um mesmo tema.Depois compartilhei com meus amigos e pessoas mais próximas que embarcaram comigo nesse projeto, alguns escrevendo textos, outros incentivando e estamos aqui hoje graças a Deus, porque sem Ele nada seria possível.

2) Em abril, a revista chegou a 12ª edição. Quais temas a Mescla já abordou e como é feita a escolha dos temas que cada edição vai explorar?

Os temas (em ordem cronológica) já foram: Spring, Música, Harry Potter, Lúdico, Zumbis, Anos Dourados, Gatos, Geeks, Circo, Amy Winehouse, São Paulo e agora Nova Iorque! A escolha é feita pensando em todas as seções da revista, se é possível abordarem o mesmo tema de forma interessante e escolhendo os temas que incentivem as pessoas a mandar seus trabalhos ou que estejam em grande repercussão como a edição sobre Amy Winehouse! Ao final da série Grandes Metrópoles a ideia é que a cada edição temas sejam colocados para votação para que o leitor possa escolher! Estamos nos organizando para isso.

3) A revista tem alguns colaboradores fixos. Essa equipe integra a Mescla desde o começo ou foram colaboradores que acabaram ajudando a moldar o que a revista é hoje?

Alguns são desde o começo (mesmo que não estivesse em todas as edições), outros foram chegando e transformando a revista no que ela é hoje! A ideia é sempre somar e levar um bom conteúdo para os leitores, não apenas ilustrações e fotografias bonitas, mas também bons textos, porque mesmo sendo virtual muita gente procura algo interessante para ler e não apenas ver imagens.

4) Quem pode colaborar e qual é o procedimento para enviar um material?

Todos podem colaborar. Normalmente em seções como entrevista, literatura, seção de fotos nós vasculhamos flickers, blogs e sites a procura de pessoas que aceitem expor seus trabalhos ou até criar algo exclusivo para a revista. A seção de cinema, música, moda e badulaques tem colaboradores fixos. Na seção galeria as pessoas podem mandar imagens que produziram sobre o tema proposto. Mas por exemplo, quem quer aparecer na seção de literatura pode mandar algum texto e poderemos entrar em contato para uma possível colaboração ou quem quer ser capa pode mandar um email com o seu portfólio. Nós temos um banco de dados e a qualquer momento uma pessoa pode ser chamada participar. Mas também estamos abertos para a criação de novas seções fixas, basta alguém demonstrar algum interesse e entrar em contato conosco.


5) Gostaria que falasse um pouco sobre a Série Grandes Metrópoles, iniciada este ano, e convidasse os leitores do blog a conhecerem a Mescla e quem sabe, colaborarem também!

Essa série foi pensada para homenagear essas grandes metrópoles, sabemos que existem muitas outras, mas escolhemos culturas distintas e representativas que povoam o imaginário das pessoas para que pudesse estimular os colaboradores! Quem ainda não conhece a revista, o link com todas as edições é esse: http://issuu.com/revistamescla e no blog (http://www.revistamescla.blogspot.com.br/) tem as regras para participar. Qualquer dúvida ou informação podem mandar e-mail para: revistamescla@hotmail.com e se você tem uma ideia para criar uma seção, uma sugestão ou crítica, se tem trabalhos que queira mostrar, indicações ou se quer divulgar algum evento, exposição, ser anunciante, pode mandar e-mail, todos serão respondidos!

Revista Mescla - Série Grandes Metrópoles: Nova Iorque (12ª edição)
 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

ESCOLA DE MÚSICA EM FOCO



Três perguntas para Ana Neuza Araújo, pianista e professora da EMEM

Professora destaca papel da Escola de Música na formação cultural do estado e registra a desaprovação de pais, alunos e funcionários com a suspensão das atividades da EMEM.

A Escola de Música do Maranhão Lilah Lisboa - Emem, instituição estadual de ensino de instrumentos e canto, teve suas atividades suspensas no início deste ano após vistoria da Defesa Civil, que constatou risco de desabamento na sede da escola, um casarão localizado na Rua da Estrela no bairro da Praia Grande.

A paralisação das atividades da Emem compromete o ensino da música no estado, adiando a formação dos músicos matriculados e impedindo o ingresso de novos alunos nos cursos oferecidos pela instituição.


Diante deste contexto, um grupo de professores, alunos e pais de alunos está se mobilizando para tornar pública a indignação com a situação atual da escola. Foram agendados para hoje (25/04) dois momentos de manifestação com o ato público 'Abraçando a Escola de Música', primeiro às 9h30 e depois às 15h30 (fotos), em torno do prédio da Emem.

Ensaios em Foco entrevistou Ana Neuza Araújo, que fala sobre o movimento contra a suspensão das atividades da escola em virtude da interdição do prédio.
 
1) Gostaria que nos falasse sobre a importância do papel de formação musical da Escola de Música do Maranhão Lilah Lisboa em nosso estado. Por que a paralisação de suas atividades prejudica o cenário cultural e educacional do Maranhão?

A Escola de Música "Lilah Lisboa de Araujo" existe há 38 anos e é o único estabelecimento de ensino formal de música de São Luis e do nosso Estado,  de nível profissionalizante, que oferece cursos técnicos em várias modalidades de instrumento e canto. Durante todos esses anos, esta escola tem formado instrumentistas que hoje já estão no mercado de trabalho, são professores ou músicos profissionais atuantes no cenário cultural da nossa cidade.

A paralisação das atividades da EMEM tornou-se URGENTE, pois os problemas estruturais do prédio em que funciona agravaram-se no decorrer dos últimos anos, oferecendo riscos à seguranças de todos os que ali transitavam - professores, funcionários e alunos.

Com essa paralisação as perdas são incalculáveis. Interrompe-se um processo de formação do aluno, um trabalho de anos de investimento em aulas, material de estudo e instrumentos, muitos deles em  fase de conclusão de curso. Tudo isso é muito negativo tanto para o aluno em seu projeto pessoal de vida profissional, quanto para a escola que investiu nesse aluno durante vários anos.

Embora nossos gestores culturais ainda pensem diferente, o trabalho desenvolvido pela EMEM faz e sempre fará muita falta para a nossa comunidade. Música erudita e popular é cultura tanto quanto várias outras manifestações artísticas que têm sido deixadas de lado por nossos gestores culturais. Nos últimos anos, duas manifestações têm sido aclamadas como a grande herança cultural do Maranhão: as festas do carnaval e do São João.

É preciso que se esclareça que o Maranhão também se manifesta artisticamente de várias outras formas e que estas também precisam de incentivo e merecem ser contempladas pelas políticas culturais do nosso estado. 

2) Quais eram as principais dificuldades encontradas por professores, alunos e funcionários da Emem antes da interdição da sede da escola? Com a suspensão das aulas, o que mais preocupa vocês?

Antes da interdição, já trabalhávamos com uma séria de limitações. Uma das mais principais é a falta de professores no quadro docente. Nos últimos anos, a EMEM adquiriu um grau de visibilidade maior dentro da sociedade e a procura por parte da comunidade tem sido maior que a nossa possibilidade de atendimento. Infelizmente, o percentual de alunos que podemos absorver é pequeno em relação à demanda. Nosso quadro de professores está defasado por vários motivos: aposentadorias, demissões, falecimentos. Há um pedido de concurso para novos professores que ainda não tem previsão de ser realizado.

Com a suspensão das aulas, o que mais nos preocupa é a situação dos nossos alunos. Essa paralisação é motivo de desmotivação e pode mesmo levar esse aluno à desistência do curso, o que significa perda para ambos os lados: tanto para o aluno quanto para a EMEM. O fato de não termos sequer uma previsão de quando poderemos voltar às aulas, já é um desestímulo muito grande para os corpos docente e discente. 

3) A manifestação desta quarta-feira pretende chamar a atenção das autoridades e da comunidade para o estado a que chegou o funcionamento da Emem. Além do caráter de mobilização para a causa, quais as atitudes que os músicos, professores e alunos esperam que sejam tomadas em relação à Escola de Música do MA?

Esperamos que sejam encontradas alternativas para que não se perca todo o ano letivo de 2012, uma vez que o 1º semestre já está perdido. Isso significa a busca de outros locais onde possamos desenvolver nossas atividades até que a reforma seja concluída e possamos retornar ao prédio da EMEM. Até o momento não nos foi apresentada nenhuma proposta nesse sentido, o que nos deixa ainda mais preocupados.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ILUSTRAÇÃO EM FOCO


O talento ilustrado pelas palavras da Mary



Uma moça discreta de sorriso reservado para as pausas certas, apesar do ar despojado em se vestir e expor com desenvoltura suas muitas ideias. Foi essa a primeira lembrança que me veio à mente assim que avistei Mariany Carvalho ao reencontrá-la para a entrevista que segue adiante. Conheço-a desde os bons tempos de eventos culturais no IFMA, antes mesmo de se tornar a blogueira do Badulaques, quando a mocinha era uma aluna promissora entre tantos garotos e garotas produtivos dos cursos técnicos em Design da instituição.

Numa certa tarde ensolarada de março deste ano, tomei um ônibus no Centro de São Luís rumo à praia. Apesar de morar em uma ilha, visito pouco a Avenida Litorânea, para onde estava indo naquela sexta-feira. O motivo, nobre, era visitar a Galeria Maggiorasca onde 18 ilustrações de Mariany compõem a exposição “O Feminino nos Traços da Arte” que segue aberta à visitação até 17/04, das 16h às 23h. Na oportunidade, conversei longamente com a jovem de 20 anos, Técnica em Design de Produto pelo IFMA e hoje graduanda do 5ª período de Design na UFMA. O registro desse papo infelizmente foi perdido após um problema em meu gravador (jornalistas deste mundo: quem nunca!? E que dor, gente!), mas a essência foi recuperada com a gentil disponibilidade de Mary em responder novamente por e-mail. E para nossa alegria (sem trocadilhos, por favor!), o resultado foi tão bom, ou melhor, porque nesse período novas boas notícias chegaram: a exposição foi prorrogada, Mary participou da I Mostra de Ilustração Temática do SESC e até produziu uma mini-exposição exclusiva para um evento em alusão aos dias Internacional (08/03) e Municipal (19/03) da Mulher da Secretaria Municipal de Administração.





Ilustrações expostas na Galeria Maggiorasca


Admiradora de René Magritte, Lygia Fagundes Telles, Celso Borges, Alceu Valença e Zé Ramalho, Mariany cultiva um gosto pela arte que aliado à sua formação em Design resulta em uma mente produtiva e desejosa de participar de um movimento de fortalecimento do cenário cultural de São Luís.


Na entrevista abaixo, nos conta mais sobre sua estreia como ilustradora, suas influências, inspirações e opina sobre o poder de comunicação da ilustração, arte cujo traço pretende consolidar. E apesar de toda a firmeza na articulação das ideias, lembro do que a gravação nem poderia registrar: a moça sorrindo humilde e declarando, já no fim da tarde, se considerar uma aprendiz de ilustração e design, pois crê ser presunção dar a si mesmo títulos precoces. Pode ser, mas no ritmo em que vem trabalhando, não será surpresa se o devido reconhecimento alcançá-la antes do que imagina.

1) Com quais artistas tu mais te identificas e crê serem tuas influências para ilustrar?
Busco sempre por muitas referências, mas sem dúvidas as pessoas com que mais me identifico quanto ao traço e à temática são a brasileira Camila do Rosário e a finlandesa Laura Laine. Ambas representam bastante a figura feminina, mas sobretudo se utilizam de traços leves e orgânicos pra construir suas composições.

2) O que exatamente costuma te inspirar a criar: situações, pensamentos, pessoas, objetos, cores... Com que frequência tu percebes que costuma produzir?

Geralmente idealizo as ilustrações em todos os detalhes possíveis antes de passar para o papel. Muitas vezes faço alguns rascunhos, e com frequência detalhes são adicionados no momento em que estou fazendo a ilustração definitiva. O que me inspira, em geral, são pensamentos, muitas vezes sonhos também, mas principalmente a exploração de alguma forma ou traço no papel e a possibilidade de misturar técnicas e cores livremente.

3) Quais técnicas costumas aplicar?

Em geral exploro bastante o desenho à mão, pois me identifico e gosto bastante dessa forma de expressar o que penso. Pra complementar essa técnica, utilizo marcadores e também colagens de recortes de catálogos e revistas, além de pintura com tinta acrílica e guache. Muitas vezes mesclo essas técnicas ou utilizo todas juntas, dependendo da composição.

4) Como você enxerga o poder de comunicação de uma ilustração? Isso te motivou a optar por este tipo de criação?
Entendo a ilustração como um meio de comunicar, mesmo que implicitamente, as intenções de quem a produziu ao observador. Apesar de tentar comunicar algo, em momento algum ela petrifica opiniões ou interpretações; o que me chama atenção é justamente essa capacidade de ser interpretada de múltiplas formas, muitas vezes diferentes da que imaginei inicialmente. Isso é um ótimo combustível até mesmo para criação.

5) Como tu te relacionas com as interpretações que tuas ilustrações podem gerar? Algumas tu intitulas, o que já direciona de certo modo para a mensagem que pretendes transmitir, mas mesmo assim, como você lida com a liberdade de expressão que esse tipo de arte possibilita?

Acho que toda interpretação é válida. Lidar com as diferentes maneiras de enxergar uma composição visual é algo que busco sempre vivenciar, e tento estimular os observadores a isso nas muitas vezes em que não intitulo algumas ilustrações. Entendo que cada um tem uma forma peculiar de ver as coisas, o que eu vejo pode não ser o mesmo que você e isso de maneira nenhuma deve ser refreado; pelo contrário, é uma oportunidade que damos à nossa criatividade para que ela atue.

6) "O Feminino nos Traços da Arte" é tua exposição de estreia que já nasce com uma temática em evidência no mês de março que é a mulher e as construções sociais em cima do universo feminino. Como surgiu a ideia de montar essa exposição - da criação à oportunidade de expor?

A ideia de montar a exposição foi surgindo aos poucos, uma vez que grande parte das ilustrações que eu já tinha produzido tinham a mulher em evidência. Após o convite de expor ter surgido, alguns trabalhos foram realizados já pensando na exposição, mas não fugiram muito da linha dos anteriormente criados. Tudo foi feito desde o início com a ideia de homenagear as mulheres, então o direcionamento da exposição sempre foi bem claro, até chegarmos aos 18 trabalhos que atualmente estão disponíveis à visitação do público e também à venda.

7) Como tem sido o processo de manter contato com público?

Super simples! As pessoas muitas vezes conversam diretamente comigo sobre o que acharam da exposição e dos trabalhos. Quando não pessoalmente, muitas vezes pela internet, comentando nos perfis online que tenho pra divulgação de trabalhos. No mais, não sou uma pessoa difícil de contactar.

8) Além dessa exposição, quais são tuas perspectivas em relação ao futuro: já pensas em novas exposições; tens produzido para eventos paralelos...

Durante esse período em que a exposição está em cartaz, continuei produzindo ilustrações também com temáticas variadas e outros formatos. Participei também da I Mostra de Ilustração Temática do Sesc, e tenho interesse em enviar trabalhos pro Salão de Artes da Func, pra ver se consigo participar, rs. Além disso, continuo ilustrando e comercializando os trabalhos e, se houver oportunidade de realizar outra exposição, participo com o maior prazer!

9) Como vês o cenário local nas áreas que te interessam seguir - tanto na arte quanto no design?

Tenho em mente, ao pensar nesse assunto, que São Luís tem um enorme potencial e capacidade de desenvolver um cenário cultural e artístico maduro, e vem trabalhando pra isso. Muitos projetos e eventos de Arte e Design tem acontecido nos últimos anos, e esse é um ótimo sinal de que a cidade caminha com os próprios pés quando o assunto é produção cultural. Eu acredito no potencial de São luís e tento participar disso da maneira que posso! 

Para conhecer mais:Portfólio no portal Zupi Fama
Galeria no Flickr