quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal em Foco...

Aos Amigos,
(Focas, profissionais, amigos, família, visitantes do Ensaios...)


o Natal é mais do que o tempo ou época do ano para se comprar presentes e cartões com mensagens prontas de sempre saúde, paz e sucesso. É mais do que uma data para se ter recesso na repartição ou lembrar de assistir à Missa do Galo.
É tempo de renovação, de despertar para os erros cometidos e reelaborar nossas atitudes para o ano que irá começar em pouco mais de uma semana. É data para reunir a família de um modo que se possa querer reunir sempre, em domingos ininterruptos e durante todo o ano. É época para lembrar que esse espírito que envolve o mês de dezembro é bom demais para se limitar a um único mês no ano.
Deve servir para repensarmos nosso modo de viver e dar mais importância à união da família e dos amigos, de praticar o bem, de montar grandes movimentações em prol dos desamparados, de querer realmente mudar para melhor o mundo em que vivemos.
Por que natal sem fome se as pessoas sentem essa necessidade o ano inteiro? Por que doação de presentes de natal se as crianças precisam brincar o ano todo? Por que desejar paz e saúde a quem encontrar de conhecido na véspera de natal se nem sequer olhamos direito para essa pessoa durante o ano? Por que lembrar de ser bom e querer o bem de todos só nessa época? Que sentido, que verdade terão essas palavras ditas por obrigação?
Não podemos deixar que tudo isso simplesmente se repita por mais um natal e mais uma virada de ano. Somos capazes sim de evitar que todo o sentimento que toma conta de nós no natal se desanuvie em primeiro de janeiro.
Temos de lembrar de levar o espírito de fraternidade e sensibilidade que temos no natal, por todo o novo ano, e sempre e sempre.
E sermos sempre desejosos de paz, saúde e sucesso a todos que encontrarmos e a todos os amigos e a toda a família. Sermos capazes de pensar no próximo e agir pelo próximo. Saber entender as pessoas e as suas atitudes e ter capacidade de perdoá-las.
Amar a cima de tudo.
Natal é dia de reflexão, renascimento que dá ênfase ao sentimento que deve prevalecer sempre, em todos os lugares e para todas as pessoas: o amor.
Que tenhamos um natal de boas e renovadoras reflexões, e que saibamos levar para toda a nossa vida o sentimento de amor expresso em nossas atitudes através da paz, fraternidade, sensibilidade, generosidade e do amor que dedicarmos às pessoas.
Que em 2009 possamos pôr todo o nosso espírito natalino em prática durante os 365 dias do ano.

Mas calma, 2008 ainda não acabou. Temos nas mãos um ano bissexto. Um dia a mais de vantagem para fazer toda a diferença. Ainda há tempo...

Feliz Natal e prósperos 2009, 2010, 2011...


É o que deseja o “Ensaios em Foco”!!!!!


Talita Guimarães

sábado, 20 de dezembro de 2008

Da arte que faz bem


Banda formada por estudantes do CEFET-MA revela uma turma de amigos, que em sintonia, produz música de qualidade com talento nato.

“Alessandro na guitarra, Pedro no contrabaixo, Fernando Bateria e Sfânio nos vocais. Banda Móbile...”. Com a apresentação dos integrantes cantada em ritmo de balada que Sfânio Mesquita e sua banda iniciam oficialmente a carreira da “Móbile” durante a I Mostra de Talentos do CEFET-MA. A banda em questão é uma reunião de três amigos que, fascinados por música, marcavam ensaios aleatórios para cantar e tocar suas preferências musicais por puro hobby. Com aproximadamente quatro meses de existência, “Móbile” ainda não havia realizado nenhum show, tampouco tinha nome definido. “Tivemos cinco minutos para pensar no nome da banda, então decidimos por Móbile”, o vocalista disse ao público pouco antes de começar a cantar. Em seguida, entoou os versos citados acima, que acompanhados pela banda resultaram em uma simpática apresentação .

Mas para quem imaginou que a banda seria aquela típica desafinação adolescente, de um contexto musical pouco definido com vozes e acordes de rebeldia juvenil, enganou-se. Os meninos da “Móbile” têm repertório rico, bem definido e contextualizado. Apresentaram Música Popular Brasileira com um olhar jovem, difícil de encontrar no atual cenário musical maranhense. No repertório, nomes como Paulinho Moska, Lenine, Vanessa da Mata, Jorge Vercilo, Zeca Baleiro, Nando Reis e sobretudo Djavan.

“Ensaios em Foco” conversou com o vocalista Sfânio Mesquita, que contou um pouco sobre a descoberta do talento para música desde as primeiras notas até a formação da banda. Sfânio estava na transição dos 16 para 17 anos quando ganhou um violão de presente do pai. No começo, não deu muita importância para o instrumento. Nunca tinha tocado e não sentiu muito interesse em aprender. “O violão deve ter ficado vários meses parado, sem que eu ligasse.” Mas, durante uma viagem para uma cidade do interior do Maranhão, carregou o instrumento junto e entediado com a monotonia do lugar começou a arriscar algumas notas. Cantou para acompanhar e descobriu um timbre bom, suave. Daí em diante começou a se dedicar ao violão como autodidata e logo percebeu que tinha jeito para música. Católico, levou o violão para missa e começou a tocar na Igreja. Desde então, não parou mais. Conheceu Pedro e Fernando no CEFET-MA, firmaram amizade e começaram a tocar juntos por prazer. Quem assistiu à banda na I Mostra de Talentos do CEFET-MA percebeu logo a sintonia entre os três, que conheceram o guitarrista Alessandro na hora, e nem perderam tempo em convidá-lo para unir-se ao grupo já naquela apresentação.

"Móbile" na I Mostra de Talentos do CEFET-MA. Da esquerda para direita:
Pedro (contra-baixo), Sfânio (voz e violão), Alessandro (guitarra) e ao fundo, Fernando (bateria)

A partir de agora, a Banda "Móbile" aguarda convites para shows e apresentações de seu trabalho. Quem quiser conferir o talento dos meninos, basta entrar em contato com o próprio Sfânio pelo telefone (098) 81649214 ou através do e-mail sfanio@gmail.com.

Para uma banda dita iniciante, "Móbile" em nada deixa a desejar, pelo contrário, deixa ao público o desejo pelo próximo show. Por tudo isso, “Ensaios em Foco” indica a banda pela qualidade do som e o foco na musicalidade incomum desses jovens amantes da MPB e da arte - que feita por quem sabe – só faz bem. Assim, vale conferir a proposta e creditar crescimento à iniciativa.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ensaios da Foca... (Reportagem especial)

Quando ensinar representa uma experiência de aprendizagem viva

Professor do CEFET-MA desenvolve, juntamente com jovens pesquisadores do ensino médio integrado ao técnico, projetos que envolvem arte e filosofia na construção de um conhecimento aplicável à vida dos alunos.

Por Talita Guimarães

Quando você pensa em ensino médio vem logo à mente a imagem de uma turma de meninos e meninas obcecados por fórmulas, cálculos, matemática, física, química e macetes que ajudem na hora de prestar um vestibular e que com efeito leve essa turma à aprovação? E se o ensino for técnico? Lembra imediatamente de um ambiente com seres programados para o cálculo exato, a objetividade e até para a frieza no tratamento de questões propostas?

Talvez o maior equívoco de muitas pessoas em relação ao ensino de ciência e tecnologia seja exatamente pensar que não haja espaço para disciplinas humanísticas em centros de ensino técnico. Engano de quem vê a educação de forma fragmentada e acredita haver separação entre técnica e ética, de modo que ciências humanas e exatas sejam hierarquizadas ou colocadas como rivais.

No Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão (CEFET-MA) o cenário que vem sendo construído há alguns anos tem ido contra esse pensamento com a presença de dois departamentos sólidos e com profissionais compromissados na área humanística: são os departamentos acadêmicos de Letras (DAL) e de Ciências Humanas e Sociais (DHS).

Da necessidade de apresentar a filosofia aos alunos até então “técnicos” de uma forma atrativa e instigadora, o professor Jorge Leão resolveu desenvolver uma metodologia de ensino diferente do sistema convencional. Como a própria matéria pede um olhar mais atento e crítico, coube ao professor aproveitar o talento dos alunos para as artes - desperdiçado nas cadeiras técnicas - para trazê-los para o universo da construção contínua do conhecimento do ser humano em torno do mundo que o cerca e sua própria existência. Para isso, trouxe manifestações artísticas como teatro, música, cinema, literatura e artes plásticas para a sala de aula e propôs à turma uma série de análises críticas com a aplicação dos conceitos estudados nas aulas de filosofia. O resultado não podia ser mais positivo: seis alunos formaram um grupo de pesquisa, que sob a orientação do professor Jorge Leão, desenvolveu o projeto de iniciação científica “Filosofia com Arte no Ensino Médio” onde produziram artigos científicos sobre a inserção de manifestações artísticas como cinema, música, arte e literatura nas aulas a fim de melhorar o ensino de filosofia. O empenho da turma foi tanto que, uma vez contemplados com a bolsa do Programa de Iniciação Científica do Fundo de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Maranhão (FAPEMA), conquistaram o 1° lugar no Prêmio Fapema na categoria Pesquisador Júnior.


Professor Jorge Leão e estudantes durante reunião semanal do grupo de estudo

Desde então, o grupo já apresentou o resultado da pesquisa em quinze locais diferentes, entre eles a 15ª SBPC Jovem, em Belém, no mês de julho de 2007, na I Mostra de Ciências das Escolas Públicas, no CEFET-MA, no mês de outubro de 2007, além dos relatórios parciais e finais da pesquisa, junto a várias escolas públicas do estado do Maranhão, realizados nos meses de maio e novembro de 2007, respectivamente.

Apresentação do "Filosofia com Arte" durante 60° SBPC: (da esquerda para direita)
Larissa , Dayana Gomes e Antônio Ciríaco

Pesquisadores do CEFET-MA em Campinas (SP): partipação na 60° Reunião Anual da SBPC em julho de 2008

Segundo o orientador do projeto, a iniciativa é fruto de experiências com apresentações de trabalhos desde 2002, quando uma turma do ensino médio realizou a dramatização do Mito de Édipo demonstrando interesse pela arte como elemento de aproximação dos conteúdos estudados com a realidade. Foi aí que o professor percebeu que o que faltava aos estudantes era um método que facilitasse o ensino de filosofia possibilitando o desenvolvimento de um posicionamento crítico e por conseqüência melhorando o aprendizado da turma.

“O professor tem que ser um mediador entre o aluno e a possibilidade de construção do conhecimento. Seu método tem que, sobretudo, dar sentido ao conteúdo”, afirma Jorge Leão sobre a importância de o professor estar comprometido com um diálogo interdisciplinar que propicie ao educando compreender a sociedade em que está inserido mediante uma contextualização aplicável à vida prática .

Inspirado no trabalho de Paulo Freire sobre a educação e fundamentado no livro “Pedagogia da Autonomia”, o atual projeto desenvolvido pelo professor visa à criação de uma rádio escola de caráter educativo no CEFET-MA. Os pesquisadores do projeto – todos alunos da segunda série do ensino médio integrado ao curso técnico em Alimentos – já trabalham na pesquisa há quase um ano e se aproximam dos relatórios parciais com a intensificação da pesquisa de campo e das primeiras ações da futura rádio na escola.

Com auxílio da bolsa da FAPEMA e do apoio dado pela coordenação do CEFET-MA, o grupo participou como congressista da 60° Reunião Anual da SBPC, realizada em julho desse ano em Campinas – SP, e já apresentou o trabalho no III CONNEPI em setembro, no CEFET-CE em Fortaleza. A apresentação mais recente feita pelo grupo no CEFET-MA foi no início de novembro em um Café Filosófico sobre a vida de Paulo Freire, educador brasileiro estudado nas reuniões semanais da primeira etapa do projeto, e seu livro “Pedagogia da Autonomia”.

No último dia 10/12, os jovens pesquisadores apresentaram seus estudos no colégio Liceu Maranhense, durante o Seminário PIBIC-Jr realizado pela FAPEMA de 09 à 11/12.

Sobre Paulo Freire, a Rádio Escola e o Sarau Musical

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção e construção”. Não só com a frase do sociólogo Paulo Freire bem colocada na camisa de divulgação do projeto intitulado “Música, Filosofia e Ciência: uma proposta educativa para a rádio-escola do Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão” que os cinco pesquisadores vestem literalmente a causa defendida pelo autor de “Pedagogia da Autonomia” na luta por uma educação capaz de modificar para melhor a realidade brasileira.
Durante a penúltima apresentação do relatório parcial da pesquisa, o grupo – diga-se de passagem, muito afinado - apontou toda a base teórica da pedagogia freireana na educação desde as metodologias de alfabetização de crianças e adultos passando pelo fantástico feito de alfabetizar 300 cortadores de cana em 45 dias, até o estabelecimento de um ensino dialógico, capaz de unir professores e alunos em um único grupo pela construção do conhecimento e da resolução de problemáticas cotidianas.

A pesquisa em si surgiu a um ano, no final de 2007, quando o professor de Metodologia Científica incumbiu à turma da primeira série do técnico em Alimentos, a elaboração de um projeto que resolvesse algum problema percebido pelos alunos em relação ao funcionamento da escola. Foi aí que os alunos André Mendes, Wanessa Carvalho, Fabiana Vases, Pryscila Rodrigues e Myrla Amorim resolveram propor a criação de uma rádio dentro do CEFET-MA com o intuito de promover, através da comunicação, uma maior integração entre alunos, professores e servidores. A rádio escola seria, então, um veículo de conscientização da comunidade cefetiana quanto às causas da escola e a busca pela resolução de suas deficiências em vista de uma ação mais participativa.

Atualmente, o projeto desenvolvido pelos alunos sob a orientação do professor Jorge Leão, vem reunindo todas as quartas e sextas, durante o intervalo de almoço, um público cativo e amante da música. O Sarau Musical como primeira ação da rádio escola tem sido um sucesso porque oferece aos alunos, servidores e professores uma atração musical durante o almoço, e na maioria das vezes serve de espaço para o reconhecimento de talentos da própria instituição. Dentre os estudantes da escola que já se apresentaram no projeto estão Thaynan Marinho, Diego Reis, Adriana Maeda e João Felipe.







Talentos da casa: Adriana Maeda e João Felipe no violão (foto 1) e Thaynan Marinho(f.2)


Refeitório do CEFET-MA durante Sarau Musical: boa música na hora do almoço

Com o intuito de prosseguir com as atividades relacionadas à música dentro da escola, todas as atrações do sarau estarão incluídas na programação do I Festival de Música durante a I Mostra de Talentos do CEFET-MA, que ocorrerá no próximo sábado (13/12) a partir das 14h30 no pátio da escola. A mostra trará à comunidade exposições de artes visuais, shows musicais e apresentações artísticas de alunos, professores e ex-alunos e ainda a premiação do II Banquete Literário do CEFET-MA. Vale a pena conferir!

domingo, 23 de novembro de 2008

Quem foi que disse que blog não é lugar para jornalista?


- Considerações sobre o exercício do jornalismo e a relação blogueiro-jornalista na blogosfera.
Por Talita Guimarães

Em setembro de 2008, a Revista Imprensa – renomada publicação da Imprensa Editorial – causou furor entre profissionais, estudantes de comunicação e internautas quando trouxe como matéria de capa, da edição do seu 21° aniversário, a manchete “Blogueiro não é jornalista”. O debate, bem colocado diante do atual cenário de avanço e democratização do uso das tecnologias, leva a pensar sobre a regulamentação profissional dos jornalistas e também sobre a quem pertence o exercício oficial da profissão em vista do crescimento de recursos cujo uso se confunde com a prática jornalística.

Em um contexto geral não é difícil notar a presença de profissionais de várias áreas atuando como jornalistas. São médicos, advogados, economistas e esportistas que entre outros vão ocupando espaço na mídia com comentários sobre suas áreas em editorias que deveriam por excelência ser cobertas por jornalistas especializados. Por mais que cada um desses profissionais tenha amplo conhecimento sobre a área em que atua não cabe a eles – nem deve caber – a produção de reportagens e matérias no campo de atuação de quem foi preparado para comunicar durante quatro anos de uma faculdade. Principalmente porque o conhecimento específico de um economista, advogado ou médico não compreende as estratégias e técnicas da produção jornalística necessárias ao exercício da profissão e trabalhadas na academia na formação de profissionais habilitados.

Por tudo isso, a matéria veiculada pela Revista Imprensa volta o olhar da sociedade para o alto crescimento da blogosfera e a visão que se tem sobre quem a produz, pois o conteúdo veiculado nos blogs faz uso de uma ferramenta peculiar ao jornalista: a palavra escrita na veiculação de informações por meio da internet.

Em suma, blogs são sites de facílima utilização que permitem por meio da interatividade a rápida edição de textos com liberdade de escolha do conteúdo. Assim, qualquer pessoa que disponha do recurso pode criar uma página pessoal com a exposição do assunto que melhor lhe convir. Pode tratá-lo como um diário virtual, onde registra suas impressões pessoais como dia-a-dia, relações, trabalho, família e sentimentos; ou um espaço dedicado a uma temática específica – arte, cinema, literatura, política, personalidades, etc. Em ambos os casos não é exigido diploma algum, tampouco é a intenção do espaço. O blog funciona muito mais como um expediente para publicação de idéias e pensamentos livres, desprendido de técnicas ou linhas editoriais e aí está a primeira e talvez principal diferença da prática jornalística. No jornalismo não é permitido especular nem publicar idéias imprecisas ou mesmo subjetivas já que esse campo trabalha com dados factuais, em busca da descrição o mais fiel possível de um retrato da sociedade, ainda que os critérios adotados sejam em grande parte considerados ideais – objetividade, imparcialidade e neutrabilidade.

Há quem, dentro da blogosfera, não seja comunicólogo por formação, mas mantenha espaços de conteúdo informativo tão bom quanto os que poderiam ter sido produzidos por um jornalista e aí começa a confusão em torno da produção ser ou não considerada jornalística e quem a produzir poder ou não ser chamado de jornalista. Primeiro é preciso esclarecer o que é a atividade jornalística e quem pode exercê-la tendo por conseqüência imediata ser chamado de jornalista.

A saída para esse dilema está no simples fato dos blogueiros definirem posições perante a sociedade na rede. Portanto, quem resolve criar um blog deve ter em mente a proposta que o motiva a fazê-lo e de preferência dize-la na faixa de descrição do espaço. Quem é jornalista e resolve manter um espaço desses na rede deve deixar claro aos visitantes qual é a intenção do blog produzido. Se é veicular material jornalístico – já que o blogueiro em questão tem formação para isso – ou manter um espaço com pensamentos mais pessoais, livres do tratamento característico de um jornalista. E para quem não é formado em comunicação deve haver o bom senso de informar a quem lê as postagens de seu blog que quem o produz não é jornalista e que o material exposto é fruto do interesse pelo assunto aliado ao domínio da produção textual.

Desse modo, entende-se que um blog e um jornal, por exemplo, têm finalidades distintas. O que não impossibilita o diálogo entre seus produtores preservando as devidas funções. Pode-se, inclusive, considerar a manchete de Imprensa como uma premissa a ser complementada: Blogueiro não é jornalista, mas todo jornalista pode vir a ser um blogueiro. Para facilitar, basta que todos – jornalistas, blogueiros, internautas, sociedade – saibam que nem tudo o que se escreve é de fato conteúdo jornalístico e que cabe a cada um que se propõe a veicular conhecimento esclarecer a verdade sobre a formação e a intenção de quem está por trás das letras e idéias. Cabe a todos não confundir a prática profissional com a expressão pessoal. Afinal a liberdade de cada indivíduo pode sim estar no espaço que ele dispõe para exteriorizar o que pensa e sente. E se blogueiros e jornalistas devem ter algo em comum que seja o aspecto positivo e politicamente correto de ser ético no tratamento de suas respectivas temáticas abordadas. Para que a paz entre os homens perdure também no ciberespaço.

domingo, 16 de novembro de 2008

Quando nasce o seqüestrador, morre um ser humano


- Sobre o tratamento do caso Eloá e o filme “O Quarto Poder”

Por Talita Guimarães

Um seqüestrador, reféns, horas de negociação, polícia e mídia em grande quantidade aos arredores do cativeiro. Um cenário que pode ter sido construído por um filme, gerado por uma atitude mal pensada ou ampliado por uma imprensa ávida por notícia. Na atualidade não é difícil assistir a casos como esse, cujo drama pode ser apenas ficcional divulgado por um filme ou novela, ou ainda muito real, vindo da rua perto de casa e transmitido ao vivo para todos os cantos do mundo por grandes redes de televisão.

No cinema, o filme que retrata a cobertura da mídia de um ângulo importante e determinante para a opinião pública é “O Quarto Poder” cujo roteiro apresenta o caso de um seqüestrador construído, guiado e orientado por um repórter experiente, mas oportunista. O enredo principal gira em torno de Sam Baily (John Travolta), um vigia de museu desesperado pelo emprego injustamente perdido que tenta negociar com a chefe a readmissão. Entretanto uma vez mal interpretado e desorientado, Sam deixa-se levar por atitudes mal pensadas (aponta uma espingarda na direção da diretora) e por causa de seu nervosismo acaba passando por seqüestrador e cedendo à negociação convincente do jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman), que no papel de um refém, usa de seu status profissional para elevar pontos de audiência em sua emissora como correspondente exclusivo, de dentro do cativeiro. No entanto, o repasse das informações de Max recria a imagem do vigia perante a sociedade como um seqüestrador que tenta conquistar o coração das pessoas pelo drama de um pai de família desempregado e que ainda usa crianças como reféns no local.

Em momento algum é permitido ao personagem, dentro das negociações internas entre ele e o jornalista, dialogar com a diretora do museu que o demitiu, nem é apontado como solução o simples fato de sentar e conversar para resolver de fato o que está pendente. O interesse maior de quem detém o poder da comunicação nas mãos fica focado apenas na cobertura do desenrolar do evento aguardando por conseqüências de preferência inéditas na história e previsivelmente catastróficas. Tampouco é sugerido que um tente entender as razões do outro por mais que cada um tenha sua opinião a respeito.

Rapidamente a imprensa toma conta do local e armada de câmeras fotográficas e de vídeo realiza a cobertura completa de um seqüestro furo de reportagem: “Vigia mantém reféns no Museu de História Natural. Entre eles, um grupo de crianças.” Assim o simples desempregado surge diante da sociedade como um verdadeiro criminoso inescrupuloso. A mente de Sam, que não previra nem tivera intenção de gerar tudo isso, enlouquece diante da transformação de sua imagem perante toda uma nação. O próprio personagem não aceita o papel que lhe é dado na história contada pelos noticiários, mas ao mesmo tempo não encontra palavras para retratar-se perante a sociedade que acompanha seu drama em tempo real. Após horas de negociação com a polícia, Sam, na verdade pai de família amável e bom, libera seus reféns, mas não consegue se perdoar pela situação criada e permanece no cativeiro ameaçando quem se aproxima. Sua vida foi exposta para todo o país, sua família concedeu entrevista mostrando não reconhecê-lo pela atitude, e talvez o maior de seus pesadelos agora se torne realidade: um ódio crescente irrompe por todo o país vindo de pessoas que nem o conhecem, mas o condenam irrevogavelmente. A seqüência leva ao inevitável desastre: sozinho no museu, Sam explode o prédio suicidando-se diante dos olhares e das câmeras ansiosas pelo desfecho.

Pior do que contar o fim desse drama sabendo que se trata de uma verdadeira tragédia precisamente evitável é admitir que o roteiro do filme não permaneça apenas nas telas de cinema, mas pelo contrário, venha baseado de fatos reais, que acontecem a todo o momento em todos os cantos do mundo.

O caso mais recente vem do interior de São Paulo, da cidade de Santo André no ABC paulista. Um jovem dito apaixonado tenta reaver o término do namoro, mas a moça não admite conversa pois está decidida a não reatar. Talvez o modo como tenha dito isso ao rapaz não tenha sido claro o bastante para que ele fosse capaz de entender e aceitar, fato esse que o leva a usar a força para convencer a ex-namorada de que o romance ainda é possível. O drama narrado acima com palavras quase literárias não teve um desfecho digno do happy end dos amores impossíveis da literatura. Trata-se do dramático seqüestro vivido pelas estudantes Eloá Pimentel e Nayara Rodrigues , ambas de 15 anos, durante as 100 horas de cativeiro ocorrido no mês de outubro desse ano.

A cobertura do caso rende a discussão em torno da influência que a mídia exerce sob a formação de opinião de toda uma sociedade e por que não dizer no desenrolar dos fatos noticiados também. A partir da primeira nota sobre o cárcere privado no qual estavam submetidos quatro estudantes sob poder de um jovem de 22 anos, não cessaram suítes e reportagens em torno do desenrolar do seqüestro. A população acompanhou o caso e conheceu a história de Eloá Pimentel e Lindemberg Alves. Descobriu que o romance entre os dois começou quando a estudante tinha apenas 12 anos e que agora aos 15, terminara o namoro sem que o rapaz se conformasse. Os dias que seguiram, mostraram que as reféns eram amigas desde a infância, tanto que uma vez liberada, Nayara tentou voltar ao cativeiro na condição de apaziguadora, mas pela inexperiência de seus 15 anos e descuido da polícia retornou à condição de refém ao entrar novamente no apartamento.

A sociedade alimentou expectativas pelo desfecho e começou a criticar o andar da carruagem quando chegaram as primeiras notícias de que Eloá discutia com o rapaz sem considerar que ele estava armado e desajustado emocionalmente. Durante o cárcere, a refém ainda apanhou de Lindemberg por não fazer o que ele pedia e respondê-lo mal. Policiais falaram com o seqüestrador pelo telefone e passaram a gravação aos jornalistas. Na conversa, Lindemberg fala ressentido que a ex-namorada é egoísta e que nada daquilo estaria acontecendo se ela apenas tivesse parado para conversar direito com ele. Entre um momento de lucidez e outro, o seqüestrador solta que ouve a voz de um anjinho e um diabinho brigando pela decisão dele sobre o desfecho: um diz “solta a moça e se entrega” e o outro “vai em frente...”. Nesse ponto da transmissão, os programas de televisão começam a entrevistar psicólogos e especialistas que expliquem as atitudes de Lindemberg e tentem prever o desfecho, já que já são quatro dias de negociação e nenhum sinal de fim próximo. A sociedade assiste a entrevistas com os familiares das reféns e do seqüestrador, descobre que as moças são estudantes admiradas pelos colegas e professores, que Lindemberg joga futebol e que até então era um rapaz normal para quem o conhecia.

A corrida por mais notícias em torno do caso leva a imprensa a mudar-se para os arredores do prédio. Repórteres são chamados ao vivo na programação matinal das tv’s para apenas narrar a movimentação do local (carros de polícia que chegam e saem, refeições que são entregues ao seqüestrador, e que tudo em termos de negociação continua na mesma...). Alguns fazem os links dos melhores lugares que encontram onde o que importa é o melhor ângulo que mostre a janela do apartamento mais noticiado da semana, não importando se esse lugar é o apartamento de uma outra família vizinha.

Assim, a mídia traz todas as notícias principais e secundárias do caso. Informa do passado dos envolvidos, expõe suas relações sociais e colhe informações sobre suas personalidades. Entrega a milhões de espectadores uma história em detalhes, sem se preocupar que os protagonistas fazem parte de uma realidade que se apresentará com toda uma visão muito particular sobre eles depois que tudo terminar. As informações levam os cidadãos que assistem à tv e ouvem ao rádio para dentro da notícia. Torna-os capazes de emitir opinião sobre o fato e incluir o assunto nas rodas de conversa mais corriqueiras de seu cotidiano. Rapidamente aparece quem deseje o término pacífico do caso, com o seqüestrador se entregando e liberando suas reféns da melhor forma possível. Mas se de um lado há quem tente desculpá-lo pelo tresloucado gesto (“um rapaz abalado pelo término de uma paixão de adolescentes...”) do outro há quem o condene antecipadamente (“um louco que nunca mais conseguirá emprego depois dessa atitude que representa perigo à sociedade...”). Difícil encontrar quem aponte a solução para um desfecho sem grandes transtornos. Logo, a demora no término (o seqüestro já caminha para o quinto dia de duração) forma opinião sobre o trabalho da polícia e sua dificuldade em lidar com esse tipo de caso.

Perto de completar 100 horas de cativeiro, surge a informação de que o pai de Eloá é um foragido da justiça. Quando o senhor passa mal na quinta-feira e é levado ao hospital, a imprensa grava sua imagem que é reconhecida por policiais de Alagoas. Mais combustível para os noticiários porque logo depois, é constatado que ele fugiu do hospital e encontra-se novamente foragido. Mais informações sobre a família de Eloá são investigadas e enquanto isso a menina continua refém ao lado da melhor amiga, sofrendo nas mãos do ex-namorado.

Finalmente, no final da tarde de sexta-feira, a polícia decide invadir o cativeiro. Uma explosão abre a porta com dificuldade e permite que o esquadrão da PM entre no apartamento. Tiros são disparados e alguns momentos depois Nayara sai correndo acompanhada de policiais que carregam Eloá aparentemente desacordada e banhada em sangue. Pouco depois há uma luta envolvendo muitos policiais que tentam imobilizar o seqüestrador. É o tão esperado desfecho? Do cativeiro, sim, mas não da história, agora sempre referida como Caso Eloá.

Lindemberg é preso, mas transferido de cela por rejeição dos outros presos. Nayara realiza cirurgia para remoção da bala que a tingiu no rosto e Eloá, em estado grave, permanece em coma, vítima de dois disparos: um na cabeça e outro na virilha. No domingo vem a notícia de sua morte e da decisão da família em doar os órgãos. Mas material para a imprensa: ir atrás dos receptores já definidos, cobrir o velório e o enterro da moça e esperar pela saída de Nayara do hospital.

Enquanto isso, a mídia reúne especialistas em segurança para falar sobre a decisão de invadir o cativeiro e encerrar o cárcere privado mais longo da história do estado de São Paulo. De repente surgem inúmeros meios diferentes de solucionar o caso sem resultar no mesmo desfecho alcançado. Muitos especialistas dão conselhos variados sobre a melhor forma de lidar com seqüestro e ninguém parece considerar a atitude tomada como forma necessária naquele momento. Tampouco foram capazes de se pronunciar durante os momentos de tensão para colaborar com o trabalho em prol de um término pacífico, se não pelo menos sem mortes.

Por tudo isso, fica a indignação pelos que criticam e os que depois de tudo terminado (e da pior forma possível) acham soluções melhores ou dão palpites de como a polícia deveria ter agido. Pouco útil agora, depois da morte da menina, da prisão do rapaz e do emocional profundamente abalado das famílias.

Toda a movimentação dos dias anteriores foi transmitida ao vivo pela televisão e aqui cabe o espaço para alguns questionamentos: Lindemberg não terá acompanhado o caso pela televisão do apartamento? Não terá visto sua própria vida exposta para todo o país e acompanhado a formação de uma sociedade que o acabara de conhecer como seqüestrador? Mais do que isso, essa cobertura toda não terá interferido no trabalho dos negociadores da polícia? Sim, porque toda a ação policial era acompanhada de perto por jornalistas que informavam a todo instante a situação e o andamento do caso. Lindemberg pode ter sido muito bem informado e ao mesmo tempo ficado muito mais abalado com a situação formada e ampliada pela imprensa. Por outro lado, pode ter sido valorizado em demasia, suficiente para sentir-se no direito de exigir demais e alongar a situação até perder o controle e esquecer o objetivo que o levara a criar todo aquele transtorno.

Agora é necessário rever a atmosfera criada em torno do seqüestro como fato realmente merecedor de tamanha cobertura jornalística e do tratamento dado à vida dos envolvidos. Fazendo-se um cotejo com o filme citado percebe-se a urgência na necessidade de reflexão em torno do poder da mídia e da sólida alcunha de Quarto Poder - talvez um dos mais fortes e perigosos se tratados com displicência e falta de ética.

Por tudo isso, vale pensar no filme - seu roteiro e a boa representação do abalo psicológico do personagem de John Travolta - assim como no exercício da profissão pelos jornalistas que insistem em tratar a sociedade como uma fonte inesgotável de espetáculos e sensacionalismos em busca de lucro, audiência e causas ideológicas pouco nobres.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ensaios da Foca

Estudantes de Jornalismo visitam redação de O Imparcial

Em visita às instalações do jornal, acadêmicos do terceiro período de Jornalismo da Faculdade São Luís puderam conhecer melhor o processo de produção de um jornal impresso.

Por Talita Guimarães

Em mais um trabalho da disciplina Laboratório de Mídia Impressa II, os estudantes do terceiro período em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade São Luís foram incumbidos de, uma vez divididos em grupos, relatar a visita a duas das maiores redações do estado – os jornais O Imparcial e O Estado do Maranhão.

Na última segunda-feira (10/11), duas equipes visitaram o Sistema Mirante de comunicação que abrange o Portal Imirante e a redação do jornal O Estado do Maranhão assim como a Rádio Mirante e a TV Mirante. Já na quinta-feira (13) foi a vez de mais dois grupos conhecerem as instalações de O Imparcial e seu novo produto - o jornal Aqui Maranhão - e o Imparcial Online. Na ocasião, os estudantes foram recebidos por Elisa Campos, coordenadora do Projeto Leitor do Futuro, que os guiou pela visita apresentando todas as etapas de produção do diário.

Fundado em 1° de maio de 1926, o jornal pertencente ao grupo Diários Associados construiu 82 anos de história no jornalismo maranhense com a cobertura de muitas pautas em todas as oito editorias – São Luís, Maranhão, Brasil, Política, Economia, Esporte, Cultura e Mundo. Durante a visita foi possível conhecer a redação onde os repórteres se reúnem duas vezes por dia com o chefe de reportagem para a distribuição das pautas. Em seguida a esse primeiro passo, jornalistas saem acompanhados de seus respectivos repórteres fotográficos para a cobertura das pautas recebidas. Ao retornar a redação, uma vez de posse do material recolhido na rua, os profissionais dispõem de computadores para escreverem as matérias. Os fotógrafos também descarregam o material fotográfico das pautas em computadores disponíveis e deixam a cargo do editor chefe de cada segmento do jornal, selecionar a foto que acompanhará a matéria que estará no impresso do dia seguinte. Cabe também ao editor chefe revisar os textos e editá-los conforme julgar necessário, eliminando frases ou organizando pensamentos de modo mais suscinto e coeso.

A edição do jornal O Imparcial fecha diariamente por volta das 21h podendo se estender até às 22h de acordo com o número de matérias necessárias de complementação das informações. A impressão ocorre pontualmente às 0h sendo que a impressora de que dispõe o veículo possui capacidade para impressão de uma tiragem de até 40 mil exemplares, segundo Elisa Campos. Entretanto, em seu funcionamento habitual, o jornal circula diariamente com uma tiragem de aproximadamente 12 mil exemplares em todo o estado. Na sala de impressão ainda permanecem guardadas as primeiras máquinas utilizadas na produção do jornal – datilografia, prensas e tipógrafos.

Já seu atual produto, o jornal Aqui Maranhão, fecha a edição às 16h e é impresso às 18h. Por se tratar de um jornal de poucas editorias e em formato de suplemento dado o preço mais acessível, o Aqui MA possui linha editorial voltada a um público predominantemente masculino, com matérias sobre esporte e uma editoria de cidade que reúne polícia, política e assuntos gerais. A equipe de reportagem é a mesma de O Imparcial de modo que algumas matérias são coincidentes nos dois jornais.

A visita foi válida à turma de jornalistas em formação tendo em vista a importância da união entre teoria – vista em sala de aula – e a prática jornalística – visitas aos veículos da imprensa maranhense e a possibilidade de contato com jornalistas no exercício da atividade.

sábado, 8 de novembro de 2008

A Foca agradece...

Aos Amigos da Imprensa,

gostaria de agradecer imensamente ao apoio dado à divulgação do meu livro "Vila Tulipa" feito pela Faculdade São Luís durante a Jornada de Publicidade e Propaganda. À professora Luiziane Saraiva, coordenadora do curso de Comunicação Social da instituição; à Lila Antoniere da Ascom pela nota no site da faculdade e aos amigos que prestigiaram o excelente evento e claro, visitaram o stand de Vila Tulipa na Jornada.
Também ao CEFET-MA que nunca falta com apoio, em especial vindo dos amigos do CCI (Centro de Comunicação Institucional) Jane Maciel, Marlon Botão e Erly Guedes pela matéria no site da escola.
Agradeço ainda à colega de profissão Camilla Andrade pela bela matéria feita sobre o livro e publicada na edição desse mês de novembro no interessante Jornal Cazumbá e ao seu editor, o jornalista Reginaldo Rodrigues pela foto também, que ficou show de bola!
Por fim, à jornalista Ingrid Assis, editora do Suplemento Galera do jornal O Estado do Maranhão, que sempre publica nossos textos na coluna Tipo Assim e apoia os primeiros passos de quem é jornalista em formação.

Valeu a força, pessoal!!!!

E mais, aos professores Jorge Leão (CEFET-MA) e Flávia Moura (Faculdade São Luís), que são amigos e incentivadores do Ensaios em Foco e têm sido duas pessoas de papel importante na formação acadêmica da foca aqui!!!

Muito obrigada!!! É pelo apoio de todos vocês que reunimos motivação para continuar conscientes de que "Tudo vale apena, se a alma não é pequena!".

é isso aí!!!

Talita Guimarães

RESENHA EM FOCO

RESENHA DO FILME “CIDADÃO KANE”
Por Talita Guimarães

Sob direção, produção e co-autoria de Orson Welles, o filme “Cidadão Kane”, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro, retrata mais do que a busca de jornalistas por preciosas informações para uma grande reportagem em torno de um fato de impacto. O longa é um retrato autêntico e ousado, para época de seu lançamento, do percurso de um homem bem sucedido perante a sociedade, mas que mesmo detentor de poder e influência não teve oportunidade de ser o que mais importa ao homem: feliz.

O filme começa com a cena de uma morte e um último suspiro onde a estranha expressão “rosebud” é pronunciada. A partir daí é mostrado ao espectador um pequeno documentário sobre a vida de um poderoso empresário da área de comunicação chamado Charles Foster Kane. Quando o documentário termina, a cena se volta a um grupo de jornalistas que assistiram à projeção e têm a incumbência de escrever uma reportagem sobre a vida, obra e morte de Kane. Para produzir o diferencial não caindo na praxe do simples percurso biográfico da autoridade que morreu, o chefe do grupo ordena ao repórter Thompson que direcione a reportagem a partir do conhecimento da palavra que Kane pronunciou ao leito de morte. Para isso é necessário que o repórter vá em busca de informações mais detalhadas sobre o falecimento do empresário e sobre os aspectos mais íntimos de sua vida fora as redações. Thompson inicia então uma verdadeira investigação em torno da vida de Charles Kane e durante as cenas de conversas com todas as principais pessoas do círculo de relacionamento do jornalista, o roteiro do filme entrelaça a história de vida de Kane com a técnica do trabalho jornalístico, de saber como procurar, como lidar com as fontes e a descoberta sob olhar humanístico de como foi o desenrolar da vida do protagonista.

Dentro desse contexto é possível acompanhar os dois lados da vida de Kane que se entrelaçam intimamente: o pessoal que leva ao profissional. Quando criança, Charles foi vendido a um grupo de magnatas que pretendiam molda-lo para o capitalismo e a área empresarial. Com efeito, Kane torna-se dono de um verdadeiro império da área de comunicação e apesar do sucesso e influência nas redações e com a repercussão de seus jornais na população, tem sua vida política, quando tenta por vontade própria inserir-se nela, frustrada. Vários outros aspectos de sua vida são apresentados como pontos em que Kane se sente abatido e pára diante do pensamento sobre o que o faz estar ali naquela posição de autoridade. Toda a sensibilidade e orientação necessária à infância são deixadas de lado, usurpadas de Kane quando seus pais aceitam dinheiro em troca de entregar o filho para nunca mais vê-lo nem manter contato. São fatores determinantes na formação do caráter do adulto que ele virá a ser. Um homem preparado para o capitalismo e o poder. Maior exemplo de poder é ter nas mãos o dom da palavra e do manejo de informações, como é seu caso. O acúmulo de capital e ambição faz Kane construir um império material muito sólido, como é o exemplo do teatro que constrói à amada, cantora pouco privilegiada pela voz, mas muito elogiada pela crítica de Kane aos seus recitais, ou a mansão Xanadu, local que reúne obras de arte e itens preciosíssimos do mundo material, mas abriga também toda a solidão do jornalista.

Por tudo isso, todo o filme consegue em 119 minutos de duração compor a imagem de um homem que perdeu a infância para construir um império que o fizesse esquecer a importância de brincar, amar, ser terno com a família e os amigos, e vivenciar momentos simples como andar de trenó na neve. Aliás, a resposta buscada por Thompson pelo significado de “rosebud” é revelada apenas ao espectador de “Cidadão Kane” nas cenas finais em que todos os móveis e objetos da mansão de Kane são queimados. Entre eles um trenó, que remete à cena em que Charles criança assiste aos pais tratarem da venda. É a expressão do desejo íntimo e último de ser criança. É o suspiro pela marca de trenó e a sensação de usá-lo em um bom dia de muita neve. Trata-se da vontade de ter essa recordação sob outro formato e fim, roubada por empresários de um capitalismo selvagem e sem ternura.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

MÚSICA EM FOCO




CEFET-MA inicia atividades do Projeto Rádio - Escola

Por Talita Guimarães

Foi lançado na última sexta- feira de outubro (31) durante o intervalo de almoço no Restaurante do CEFET -MA o Sarau Musical, que é a primeira ação da Rádio Escola na instituição. A iniciativa, que vem sendo desenvolvida como projeto de pesquisa científica por um grupo de estudantes do Ensino Médio Integrado, tem a orientação do professor Jorge Leão e trabalha dentro da escola com o intuito de promover a comunicação institucional através da educação com ações que envolvam filosofia e arte.
A primeira edição do Sarau Musical contou com a participação de Diego Reis, que concilia o trabalho na xérox do CEFET com o curso de Violão Clássico. O rapaz dedica-se à música desde 2003 e é comumente encontrado pela escola com o violão debaixo do braço e rodeado de amigos amantes da música e da arte, tanto que apelidaram a xérox da instituição de "Retiro dos Artistas". "Esperamos com isso, descobrir e incentivar novos talentos e, claro, um instante que nos proporcione refletir sobre a importância da música na escola e na formação da cidadania humana, além claro das vantagens espirituais à mente", afirma André Mendes, pesquisador do projeto e estudante do segundo ano do curso de Alimentos da escola.
Segundo a coordenação do Sarau, todas as apresentações culminarão no 1°FESTIVAL DE MÚSICA DO CEFET-MA que acontecerá em dezembro e está sendo organizado pela professora de música Tânia juntamente com o professorJorge Leão.
Para obter mais informações basta entrar em contato com o próprio Diego Reis ou com André Mendes da turma 203 pelo e-mail mundoemovimento@yahoo.com.br .

sábado, 1 de novembro de 2008

POLÍTICA EM FOCO...

“Os conscientes também votam?”

“Caro eleitor, participar conscientemente de uma eleição é um ato de cidadania. Vote consciente”. Durante o período de campanha eleitoral é realmente de praxe, e também muito conveniente veicular tal concepção a fim de conscientizar a população da importância do voto. Muito relevante expor que uma escolha errada acompanhará o eleitor durante longos quatro anos. Entretanto, toda essa mobilização de louvável iniciativa também deve estar incluída no papel dos candidatos no decorrer da campanha. Porque na atual conjuntura brasileira, a forma como os candidatos se apresentam e o modo como conduzem e promovem a própria imagem têm deixado complicada a situação do eleitor, que na qualidade de consciente, tenta encontrar quem se enquadre em um parâmetro merecedor de voto já que os ideais de consciência e cidadania têm esbarrado com freqüência na mediocridade dos candidatos.


Escolher um aspirante ao governo é uma tarefa árdua, uma vez que todos aqueles que se apresentam ao cargo raramente correspondem às expectativas. Basta começar a analisá-los pelas campanhas: músicas, panfletos, enfim, poluição sonora e visual. E o que realmente conta na hora da escolha, o que de fato diz respeito ao cidadão, pouco é exposto: planos de ação. Há quem proponha com imensa cara-de-pau resoluções forçadas, “sem pé nem cabeça”, que de tão absurdas ofendem a capacidade de discernimento do eleitor. São coisas do tipo: SOS tapa-buraco, curso pré-vestibular para bairros pobres, e por incrível que pareça, ar-condicionado nos ônibus da capital. Quando não tão absurdas (como cursos para áreas carentes), as propostas são apresentadas como soluções pouco eficientes, já que se sabe que o investimento em educação deve ser feito em programas de governo para boas escolas públicas. E não pára por aí, existem candidatos cujas propostas são zero, conhecimento em torno da função é mínimo e que pelo simples fato de receber um cumprimento seu na rua, sentem-se à vontade para pedir voto. Fora os que reúnem coragem para divulgar promessas de tamanha grosseria sem que a consciência grite ou que soltem despreocupadamente exclamações do gênero “Calma, uma coisa de cada vez! Primeiro a campanha, depois, se eu ganhar, as propostas!”. Parece surreal, se levado em conta o rótulo de país livre, democrático e de pessoas conscientes. Mas ainda é necessário comentar sobre um outro elemento irritantemente peculiar ao período eleitoral: o constante estardalhaço em vias públicas com músicas frívolas e carreatas barulhentas que sempre esquecem do principal: apresentar a quem vota (e não vota também) o que pode ser feito para a garantia da qualidade de vida na cidade. E agora? Você vai encarar a urna com uma responsabilidade de que tamanho? São quatro anos... Depois a culpa é de quem vota... O destino da sua cidade está em suas mãos...

Diante desse terrorismo todo é impossível não desejar que as eleições acabem logo. Às vezes, no ápice da indecisão, é comum nos perguntarmos: os conscientes também votam? Para a maioria dos políticos, certamente, não. Tudo começa com a abordagem do candidato ao eleitor. Afinal, nomear um representante tomando por base apenas as propagandas veiculadas nas ruas é uma lástima dada à falta de qualidade das propagandas e respeito pela inteligência do cidadão. A começar pelas tais músicas, todas, diga-se de passagem, inúteis em letra e ridículas em melodia. Outro fator que depõe contra o candidato na difusão desses jingles é o respeito pelo volume e o horário de percorrer as ruas, fora a disputa sonora dos carros de som de inúmeros candidatos que toma conta das avenidas nos momentos mais conturbados do trânsito, construindo um cenário de puro caos sonoro e nenhum entendimento. Ora, pouco importa ao eleitor comprometido conhecer o número do candidato. Essa é a última coisa que se deve procurar saber uma vez que o mais importante são os projetos, o empenho e o conhecimento de causa do futuro governante. Que garantia há em um candidato que só apresenta o número para votar quando nada se sabe sobre ele? Seu percurso político, suas ações dentro da comunidade, seu caráter, tudo contará no prefeito que ele pode vir a ser e nas atitudes que ele irá tomar e que influenciarão na vida de toda uma cidade.


Um comício aqui, uma caminhada ali, responde à sabatina, dá entrevista, posa para foto, assim o candidato segue uma agenda divulgada diariamente. Mas ao fim, se você pergunta ao primeiro eleitor que encontra em quem ele votaria e o porquê de sua escolha baseando-se no conhecimento dos projetos do candidato, raro é aquele capaz de responder com convicção. Falta atenção? Falta. Mas a ausência de debates e interação com o povo é um fato, prova de que a política continua no mesmo caminho desgastado e sem efeito de sempre, nos quais grupos distintos ofendem-se, semelhantes elogiam-se e candidatos ainda aparecem afirmando que “agora vai!” sem explicar direito para onde.

O candidato compromissado com a mudança para melhor é aquele que vai até as pessoas e se interessa em conhecer suas necessidades dentro da comunidade. É aquele que mais do que um conhecedor de causa, vivencia as dificuldades e por isso conhece os pontos falhos e é capaz de desenvolver boas resoluções. Mais do que um representante, o governante é um profissional habilitado para administrar uma cidade gerenciando planos em benefício de todos, afinal todas as pessoas têm as mesmas necessidades básicas para uma vida digna, o que acontece é que a má distribuição do suprimento dessas necessidades degringola com as desigualdades sociais.

E se para quem já vota há anos é difícil tomar essa decisão entre tantos candidatos, para quem vai votar pela primeira vez e se preocupa com isso é uma verdadeira temeridade. Tudo porque o jovem carrega em si o desejo de mudança, de ir em busca do novo e encontrar melhorias. Votar pode ser uma boa chance de pôr essa vontade em prática, mas acaba por ser um dever penoso imposto pela sociedade civil. E há vários motivos para crer nisso: primeiro que o voto não é opção, é obrigatório. Segundo que constitui uma responsabilidade em torno do rumo que a política tomará na cidade. Terceiro que acostumado à mesmice, à massificação dos ideais poderá cair no erro gravíssimo de vender o voto ou escolher um representante aleatoriamente, demonstrando com essa atitude imaturidade e deslealdade consigo mesmo.

Por tudo isso é preciso que a consciência em torno das eleições não parta apenas de quem vota, mas também, e principalmente, de quem se candidata já que uma campanha limpa é capaz de gerar posicionamento. Sendo assim deve ser traçada com base na verdade em torno do candidato e isso conta a favor quando conseguimos escolher um profissional da política pelo conhecimento que temos sobre ele e nos identificamos com seus ideais acreditando na possibilidade de colocá-los em prática. Pois, por incrível que pareça, os conscientes também votam e ainda podem ser a maioria.

André Mendes é aluno do curso técnico em Alimentos do CEFET-MA
Talita Guimarães é estudante de Jornalismo da Faculdade São Luís e autora do livro Vila Tulipa.

domingo, 26 de outubro de 2008

LITERATURA EM FOCO...



Eternidade Literária

Em 2008, Machado de Assis completa centenário de falecimento e reafirma a concepção de imortalidade literária, com uma obra inabalável de leitura obrigatória.


Primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras, escritor notável pela capacidade de abrangência, inteligência inigualável e servidor público atuante. Machado de Assis não fez jus ao possível fracasso previsto por uma infância difícil, de saúde frágil e poucas condições de estudo. Foi o maior autodidata da história, que cresceu empenhado entre leituras e estudos de tudo o que lhe foi acessível. E teve sorte, porque o universo de conhecimento ao seu alcance não foi pequeno e a vontade de alimentar-se de todo ele foi maior ainda.

Foi, a princípio, poeta do Romantismo cujos trabalhos renderam-lhe uma produção mediana, de artesanato poético correto e dentro dos padrões, mas despido de uma originalidade peculiar a nomes como Casimiro de Abreu ou Gonçalves Dias. Por isso, sua poesia é pouco conhecida e até desvalorizada se equiparada aos outros poetas da época e posteriormente colocada lado a lado com o talento de Machado para a prosa. Um de seus primeiros trabalhos publicados foi a poesia “Ela”, no jornal Marmota Fluminense. E o primeiro livro editado também reuniu poesias -“Crisálidas”. Mas somente na prosa, entre contos, crônicas e romances, que Machado projetou-se como grande nome da literatura brasileira não só de sua época, mas de toda a posteridade. “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, romance que inicia o Realismo no Brasil, é considerado seu divisor de águas, pela qualidade literária, maturidade alcançada e a reunião de fortes traços do movimento oposto ao Romantismo. Seus escritos constituem uma obra sólida e universal, analisada e estudada em detalhes por todas as gerações posteriores à sua.

Definir Machado de Assis como o maior gênio da literatura brasileira é um fato incontestável, mas por trás dessa definição há todo um conjunto de motivos que levam a crer na concepção que o considera leitura indispensável. Em tempos de centenário, é inevitável reviver Machado e sua extensa obra, assim como a Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro, propõe em seu ciclo de conferências “Machado Vive!”, aberto em abril desse ano e ministrado por imortais da academia. Por todo o país surgem manifestações em torno dos cem anos de falecimento do autor e muito se analisa, discute e comemora em prol de seu legado.

Mas por que seus livros são, ainda hoje, leitura obrigatória a todo estudante sendo que suas análises imprescindíveis estão intrinsecamente relacionadas aos vários campos de estudo, entre eles, filosofia, psicologia, e lógico, língua portuguesa?

A verdade é que 169 anos após seu nascimento e 100 anos após sua morte, seu legado permanece inabalável pela consistência de suas produções. E é sim preciso comentar sobre os aspectos mais relevantes de sua obra que perduram até hoje.

Importante porque construiu um legado único, capaz de ultrapassar caracterizações próprias de uma escola ou outra, Machado é didaticamente enquadrado em duas fases: romântica e realista. Na primeira fase escreve poesias, marcadas pela descrição do desejo pela glória, estilo comum da época, passando ainda por contos e peças sob olhar romântico. Ainda que menos dotado de romantismo que os autores declarados adeptos do movimento, seus primeiros trabalhos são sim parte integrante da escola romântica, mas com uma pitada a menos das características predominantes, como a idealização ou olhar sonhador. Machado diferencia-se, principalmente, por criar personagens femininas menos submissas e mais heroínas, de caráter definido e atitudes crescentes nas narrativas, fato esse que propicia aprofundar parte do contexto da história na concepção psicológica das personagens, permitindo ao leitor passear por seus pensamentos, vontades e desejos.

Aliás, um dos trunfos de Machado de Assis é a constante abertura para que o leitor opine, intrigue-se ou duvide de algo durante a leitura, trazendo-o para dentro da história como um observador que decifra cada linha do texto junto ao decorrer dos fatos. Lacunas são postas entre os acontecimentos, aspecto que casado à narrativa psicológica dos personagens, deixa a quem lê a sensação de participar da história e ser capaz de interpretá-la de modo muito pessoal. Gostar ou não gostar do livro também pode ser definido por esse ponto excepcionalmente machadiano. Uma prova disso é a famosa versão do conto “Missa do Galo” intertextualizado por Lygia Fagundes Telles. Fazendo-se um cotejo entre os dois textos, constata-se que ambos possuem uma relação direta em seus temas, uma vez que Lygia parafraseia Machado de Assis de um modo bastante autêntico. A partir da introspecção, peculiar a autora, a versão século XX do conto machadiano apresenta todo o cenário criado pelo autor e adiciona à história o olhar de um terceiro personagem, narrador, que mescla o enredo original com comentários onipresentes. Além dessa visão, Lygia propõe a continuidade das obras de Machado, já que o autor dá ao leitor a possibilidade que beira a liberdade para comentários que recriem e reformulem seus textos. O que basicamente Lygia faz é recontar a narrativa sob a ótica da multiplicidade característica da obra do autor, o que dá espaço a novas interpretações e adaptações.

Já na fase realista Machado alcança seu melhor momento, publicando o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1880) que inicia oficialmente o Realismo no Brasil, com a ousada linguagem e apresentação do enredo, narrado pelo próprio defunto, Brás Cubas, quebrando de vez os parâmetros do romantismo. O mesmo livro foi adaptado três vezes para o cinema: 1967, 1985 e em 2001, tendo sido a última a adaptação mais fiel à obra, com Reginaldo Faria interpretando Brás Cubas sob a direção de André Klotzel.

Uma de suas obras mais famosas, escrita durante a fase realista, é o romance “Dom Casmurro”, obra literária brasileira das mais traduzidas para outras línguas cuja história gira em torno de Bentinho e sua narração em primeira pessoa dos fatos que ocorreram em sua vida desde a adolescência, passando pelo início de sua paixão pela vizinha e amiga de infância Capitu, até a velhice solitária. É em “Dom Casmurro” que Machado trava um dos maiores diálogos com o leitor, através da narração permeada pela metalinguagem e o decorrer de fatos sempre sob a vista do protagonista, onde o que há por trás do que Bentinho pode conhecer ou enxergar fica de presente ao leitor como o mais famoso enigma da literatura brasileira: terá Capitu cometido adultério em sua vida conjugal? Bentinho sempre acreditou na traição e Machado nunca revelou a verdade sobre o fato de Ezequiel, suposto filho de Capitu e Bentinho, ser o possível fruto do adultério da esposa com seu amigo Escobar. Assim, resta ao leitor desfrutar do livro e tirar suas próprias conclusões a respeito já que “Dom Casmurro” é uma obra-prima da literatura brasileira com seu enredo envolvente e enigmático.

Por tudo isso, faz-se necessário considerar a existência de uma obra tão forte quanto imortal de alguém que conseguiu eternizar-se por suscitar debates e análises novas a cada dia. Seus escritos constituem uma obra sólida e universal, analisada e estudada em detalhes por todas as gerações posteriores à sua. Assim, entende-se que Machado de Assis é sim um imortal da ABL de obra indiscutivelmente “leitura obrigatória”, mas antes de tudo é eterno pelo que soube deixar de melhor à sociedade.

Talita Guimarães é estudante de Jornalismo da Faculdade São Luís e autora do livro infanto-juvenil Vila Tulipa.

Ensaios da foca...

Debate entre profissionais e estudantes de Jornalismo percorre rumos da comunicação no Maranhão

Três jornalistas atuantes na imprensa maranhense e um delegado de polícia falaram sobre a realidade da mídia no estado, as perspectivas do jornalismo e os desafios que os jornalistas enfrentam diariamente para exercer a profissão com ética e ao mesmo tempo corresponder aos apelos da mídia e da divisão política notória nas redações maranhenses.

Por Talita Guimarães

“A imprensa no Maranhão é sem novidade?”. Com esse questionamento provocador aos jornalistas Gilberto Mineiro, Aquiles Emir e Roberta Gomes e ao delegado Sebastião Uchoa, que Ana Carolina, mediadora da mesa-redonda, iniciou o seminário “A imprensa no Maranhão e no cotidiano da população”, na última quarta-feira (02), às 20h30, na Faculdade São Luís. Com o intuito de discutir os rumos da comunicação no estado, a relação da mídia maranhense com a população e familiarizar estudantes de jornalismo com o exercício da profissão e seus desafios, os palestrantes afirmaram não ser fácil inserir novidades ao cenário da mídia maranhense uma vez que no estado há uma ligação muito forte entre veículos de comunicação e grupos políticos. E além desse fator embarreirar muitos projetos de jornalistas, há ainda o conformismo de alguns profissionais em ao deparar-se com a situação não tentar contorna-la nem sugerir mudanças para a melhoria da produção jornalística local.

Para o jornalista Gilberto Mineiro, que já atuou em assessorias de outros estados brasileiros, na redação de O Estado do Maranhão e atualmente na Rádio Universidade FM, o jornalismo deve “refletir na sociedade intermediando fatos e público de modo a situar o leitor/receptor dos acontecimentos, tornando-o capaz de opinar e gerar conhecimento”. Sobre a provocação do começo do seminário, Mineiro diz-se pessimista em relação à imprensa maranhense, a qual vê “ultrapassada, pobre e sem novidade” e acrescenta ainda que o que falta ao jornalismo do estado, principalmente da capital, é a “permissão” para um jornalismo mais investigativo, que procure a verdade dos fatos ao invés de dar um direcionamento de acordo com as pretensões políticas da linha editorial do jornal. Dessa forma, o jornalista acredita não haver um roteiro ou manual para se fazer uma boa mídia impressa já que no Maranhão é “proibido investigar”. A jovem repórter Roberta Gomes, há três anos na redação de O Estado, concorda com Gilberto Mineiro, mas mostra-se mais otimista em relação ao contorno do quadro de dificuldades impostas dentro das redações ao produzir matérias menos presas a linha editorial do jornal. Para Roberta, o profissional maranhense ainda tem que “quebrar barreiras para a consolidação de um jornalismo mais livre, porque falta sim uma editoria de jornalismo investigativo, assim como são poucas as matérias sobre comportamento, cultura e comentários sobre cinema, música e teatro”. No próprio jornal em que atua, a jornalista vê o caderno Alternativo, dito de cultura, como uma mera agenda de eventos. “A imprensa maranhense insiste em limitar-se à editoria política. Falta muito do jornalista uma atitude que mude esse quadro, que pratique um jornalismo mais sério e compromissado com a sociedade. Falta crítica cultural porque não há espaço para a autocrítica do veículo, para a análise sobre o próprio conteúdo.”

Sob o olhar do Direito, o delegado Sebastião Uchoa reafirmou a relação entre política e comunicação no estado ao fazer um rápido percurso histórico sobre o poder de se comunicar estar detido nas mãos de políticos desde os burgos que manipulavam informações em benefício próprio. Segundo Uchoa “a ética deve transcender as questões legais independente de Lei de Imprensa ou liberdade de expressão”. A mídia como um todo tem pecado por perseguir freneticamente notícias de última hora, furos de reportagem e novidades em nome da audiência. Todo esse furor pelo fato em primeira mão atrapalha os outros setores da sociedade quando feito sem ética, desprovido de profissionalismo. E a polícia constantemente é vítima das ações precipitadas da imprensa. Um exemplo recente de repercussão nacional foi o caso Isabella Nardoni, em que o papel da imprensa na cobertura do caso foi decisivo sob a condenação do pai e da madrasta da menina de seis anos, morta ao cair do sexto andar de um prédio em São Paulo. Trazendo para a imprensa maranhense, o delegado revelou sofrer grande assédio de repórteres em busca de notícias sobre ocorrências e investigações da polícia. E acrescentou a essa fala o fato de há alguns anos ter conseguido esconder o andamento do caso Francisco das Chagas da imprensa por trinta e cinco dias, sendo que Chagas era o serial killer, posteriormente condenado por matar e emascular meninos em várias cidades do interior do Maranhão e do Pará. “Crimes bárbaros atraem a mídia. Há uma grande vontade de noticiar a desgraça e a miséria. É aí que eu me pergunto onde fica a ética profissional, porque tem repórter capaz de ligar na véspera de natal pro plantão querendo saber o saldo de tragédias do ano. Certa vez me irritei e perguntei “vem cá, o amor não vende não?”, porque chega um momento em que esse tipo de abordagem ao outro profissional atrapalha e incomoda. Sem contar dos off’s que acabam sendo divulgados mesmo quando pedidos para não serem veiculados ainda. Essas atitudes podem se voltar contra o próprio jornalista, que em outra ocasião não vai conseguir a entrevista por não ser fiel às fontes.”

Quando o debate foi aberto aos estudantes, para perguntas e comentários, o acadêmico Flávio Rocha direcionou sua pergunta a Roberta Gomes em torno da existência de preconceito por parte de alguns jornalistas em trabalhar editorias diferentes de política, como cultura e comportamento. A jornalista de 23 anos respondeu que sente a ausência da valorização do social do ponto de vista da abordagem humanística, mas que esse problema é encarado por ela como um desafio já que por experiência própria, Roberta já conseguiu flexibilidade de pautas ao demonstrar interesse e capacidade de cobrir matérias da área social. “O jornalista não pode se acomodar e ficar esperando pelas pautas do editor. Se ele quer fazer a diferença tem que produzir e mostrar que pode ser feito diferente. Há algum tempo, cobri por iniciativa própria o Festejo de São João dos Mugundus, no interior. Fiquei pasma com a quantidade de pessoas que acompanhavam a procissão, milhares, sabe? Vi que o festejo era levado muito a sério e que essa religiosidade renderia uma boa reportagem. Não deu outra. Quando apresentei a matéria pronta ao editor, foi manchete de capa!”, conta orgulhosa.

Ainda durante o debate, foram colocadas questões em torno do registro profissional do jornalista, quando comparada a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ao Direito e as exigências da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); a formação profissional; e novamente o código de ética do jornalista.

Dentro do contexto geral do seminário promovido pela disciplina Laboratório de Mídia Impressa II ministrada pelo professor e jornalista Pedro Sobrinho, ficou para a turma a lição de que não é necessário cursar três anos e meio de faculdade sonhando mudar o mundo pelo jornalismo para quando chegar ao mercado deparar-se com barreiras aparentemente intransponíveis e conformar-se com a situação. Não é preciso deixar de lado ideais de mudança por dificuldades impostas pelo campo de trabalho. Entretanto só será possível reverter o quadro se houver competência para aliar profissionalismo, ética e criatividade ao diálogo com os colegas de profissão para uma melhoria contínua da produção jornalística local e até brasileira. Vale lembrar que a ética não é construída dentro de uma faculdade. “É um valor que vem de berço, das relações sócio-culturais e educativas”, como afirma Gilberto Mineiro, já que pensar e ser correto ao trabalhar com as informações é papel do comunicador social, ainda que pareça um trabalho árduo.

sábado, 18 de outubro de 2008

Ensaios da foca...

Pedagogia, educação e profissionalização: juventude e caminhos para o mercado de trabalho.

Em entrevista coletiva a uma turma de jornalistas em formação, pedagoga fala de reformas no modo de pensar a educação profissionalizante no Brasil e no Maranhão e sobre a imprensa como quarto poder atuante.


Por Talita Guimarães

Na dia 22 de setembro, a turma JO3NO de Comunicação Social da Faculdade São Luís recebeu a pedagoga maranhense Maria Georgina para uma simulação de coletiva de imprensa. Os acadêmicos do curso de jornalismo aproveitaram dois horários da cadeira de Laboratório de Mídia Impressa II, ministrada pelo professor Pedro Sobrinho, para discutir a educação brasileira com o foco no estado do Maranhão e produzir em cima das colocações da entrevistada, uma matéria para jornal.

Em sua entrevista, a pedagoga falou sobre a educação sob o ponto de vista da pedagogia e comentou ainda sobre comunicação como aliada do processo educacional de uma nação, cursos profissionalizantes e reformas políticas adequadas ao desenvolvimento da educação no estado do Maranhão e no Brasil.
O porquê do formato de escola pública atual formar empregados ao passo que as instituições privadas formam patrões mais comumente foi definido pela professora e orientadora pedagógica Maria Georgina como um descompasso caracterizado por falhas no sistema educacional vigente no país. Falta incentivo ao desenvolvimento da educação do ponto de vista financeiro, os repasses não são suficientes e não costumam chegar ao destino certo, a escola pública não atende à demanda e o mais grave dos fatores, falta consciência e preparo de muitos educadores de seu verdadeiro papel dentro da escola.
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou sua construção”, afirma Paulo Freire, educador brasileiro de grande expressão, em seu livro “Pedagogia da Autonomia”. E essa concepção é fundamental ao pensar educação e tentar iniciar uma mudança no sistema atual. É necessário que a iniciativa parta do corpo docente e toda a comunidade acadêmica, com ações que orientem os alunos desde a base do aprendizado até a hora da escolha profissional.
O sistema atual de educação profissionalizante está em crescimento na área referente à ciência e tecnologia, com a expansão da Rede Federal de Educação Tecnológica e a criação de novas escolas técnicas (CEFET’S, EAF’S e IFET’S) e a criação da Universidade Fronteira do Sul. No entanto, a escolha por um curso técnico profissionalizante ainda é feita por jovens na faixa etária de 14 e 15 anos, muito novos para uma definição por uma profissão, e que sem a devida orientação anterior à escolha do curso, pode confundir a mente dos jovens e atrapalhar a formação de bons profissionais, dado o alto índice de desistências e má formação uma vez que não há identificação pessoal com a área.
Além dessa temática em torno da educação profissionalizante e da importância de uma orientação pedagógica ao educando, fatores casados a um sistema eficaz de acompanhamento educacional, a entrevistada também destacou o papel da mídia como um quarto poder, no real sentido da expressão. Explicitou fatos decorrentes do período da ditadura militar e a repressão aos jornalistas com a censura e afirmou que o jornalismo atual tem exercido papel de tribunal em alguns casos de repercussão nacional, como a morte da menina Isabela Nardoni no primeiro semestre desse ano e a condenação antecipada do pai e da madrasta da menina.
Para finalizar, foi sabatinada pelos alunos em temas como política, inclusão digital e social e ensino de disciplinas que instiguem os estudantes em busca de questionamentos mais significativos e efetivos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CONVITE AOS LEITORES DO ENSAIOS EM FOCO
Relançamento Oficial de “VILA TULIPA”

Vila Tulipa é um livro infanto-juvenil, premiado em 2006 pela Fundação Municipal de Cultura, que narra a divertida história dos amigos Paulo e Tatiana em suas muitas aventuras pelo curioso
Bairro das Vilas.
Amigos inseparáveis, Paulo e Tatiana divertem-se dentro de sua infância do melhor modo possível, brincando com os amigos da escola, divertindo-se na biblioteca e ressaltando valores imprescindíveis como: a união da família, a amizade e os bons sentimentos.
Seguindo uma linha infanto-juvenil, a escritora Talita Guimarães pretende, em seus livros, transmitir mensagens com uma linguagem jovem e com valores importantes em histórias recheadas de bom humor.

LOCAL:
ESTANDE DA LIVRARIA ATHENAS
II FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS
Praça Maria Aragão


DATA:
19/10/2008 a partir das 17h

APOIO:
CEFET-MA

sábado, 4 de outubro de 2008

Ensaios da foca...

Vila Tulipa chega às livrarias de São Luís

O relançamento acontecerá na II Feira do Livro de São Luís, que ocorrerá entre os dias 09 e 19 de outubro na Praça Maria Aragão, em São Luís -MA. Comemorando o dia 12 de outubro com sua obra infanto-juvenil, a autora estará no stand da Livraria Atenas para conversar com leitores sobre sua história, a importância da leitura na infância e autografar livros. Após quase um ano do lançamento oficial, em dezembro de 2007, Vila Tulipa finalmente estará disponível para venda em dois pontos de São Luís, na Livraria Atenas da Rua São João, no Centro, e na Atenas do Monumental Shopping, no Renascença.


Premiado em 2006 pela Fundação Municipal de Cultura, Vila Tulipa é um livro que não carrega na bagagem apenas uma história infanto-juvenil. Por trás do enredo particularmente envolvente, há toda uma história sobre sua criação e sua criadora. Talita Guimarães, maranhense de São Luís, tinha apenas 16 anos quando juntamente com seu pai, saiu de casa em uma tarde ensolarada de julho para inscrever sua história no primeiro concurso literário de sua vida. Mal poderia imaginar que as peripécias de Paulo e Tatiana, seus personagens principais, seria reconhecida e premiada como a segunda melhor obra de contos no Prêmio Odylo Costa, Filho, no concurso mais tradicional da cidade, o XXX CONCURSO LITERÁRIO E ARTÍSTICO CIDADE DE SÃO LUÍS.

O gosto pela literatura surgiu ainda na infância, incentivado pelos pais e levado a sério pela menina, que costumava freqüentar bibliotecas e ler muito. Aos poucos, idéias para próprias histórias foram surgindo de modo que Talita começou a desenhar seus roteiros em quadrinhos, como passatempo. Na escola, as aulas que exigiam que os alunos escrevessem textos eram as preferidas da menina, que desenvolveu o talento para criar textos mais longos e personagens mais característicos. Tudo o que presenciava e todas as experiências adquiridas serviam de idéias para que Talita escrevesse, assim, seu primeiro livro.




Cronologia literária


Janeiro - Julho/2006 - Talita escreve Vila Tulipa durante tempo livre. Entre uma aula e outra do CEFET-MA (escola onde cursou o ensino médio), na biblioteca da escola, nos banquinhos do pátio e quando não podia escrever ficava mentalizando as idéias. "Foi no ônibus, quase chegando em casa, que tive a idéia do carro-chefe do livro. A parte do sequestro do Alvinho e a surpreendente identidade dos sequestradores", conta a autora. As idéias para o livro já vinham sendo reunidas a muito tempo, quando Paulo e Tatiana ainda eram mera brincadeira de uma mente infantil cheia de imaginação e criatividade.


Julho/2006 - Talita inscreve Vila Tulipa na categoria conto do XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís.


Outubro/2006 - Começa a escrever o segundo livro "Encontro um Conto". A história de uma menina que gosta de escrever, mas enfrenta vários desafios para conseguir reconhecimento.


Dezembro/2006 - Marília Borges da FUNC liga para casa da autora para dar a notícia sobre o prêmio. Talita está fazendo o almoço quando atende o telefone e não acredita na notícia que acabou de receber: 2° lugar na categoria conto do concurso literário mais tradicional da cidade. Aos 17 anos, Talita é a mais jovem vencedora das 30 edições do concurso.


Janeiro/2007 - Talita leva originais de Vila Tulipa para a coordenação do CEFET-MA que se interessa em conhecer o trabalho da ex-aluna.


Julho/2007 - Sai a autorização da direção geral do CEFET-MA em apoiar a publicação do livro.


Agosto - Novembro/2007 - Talita prepara os originais definitivos do livro para gráfica. Escreve sinopse de divulgação e texto para orelha do livro, desenvolve a capa e escolhe diagramação. Entre um espaço livre e outro, conclui Encontro um Conto, seu segundo livro.


Dezembro/2007 - Lança oficialmente Vila Tulipa na II Jornada Nacional de Educação Profissional em Ciência e Tecnologia, que é uma grande feira de ciências marcada pelo encontro de todos os CEFET'S do país e outras instituições da rede federal de educação tecnológica. O CEFET-MA sedia o evento no Centro de Convenções expondo trabalhos de inovação científica. Além disso, Talita participa ainda de um Café e um Almoço Literário com estudantes do CEFET-MA nas semanas seguintes à publicação.




Atualmente, aos 19 anos, Talita cursa o 3°período de Jornalismo na Faculdade São Luís. E escreve crônicas e contos para o blog Ensaios em Foco, de sua autoria, onde publica também ensaios e esboços de suas primeiras matérias e reportagens produzidas na faculdade. Assume no blog que ainda é jornalista em formação por isso alerta para os possíveis tropeços nos ensaios jornalísticos postados por ela.


Seguindo uma linha infanto-juvenil em seus livros, a escritora pretende transmitir mensagens com uma linguagem jovem e com valores importantes em histórias recheadas de bom humor. Mais do que isso, Talita Guimarães está decidida a deixar ao mundo apenas o que souber fazer de melhor e por isso dedica-se ao máximo àquilo que mais gosta: escrever. Seja em um mundo idealizado, ficcional, ao exemplo de sua vila florida ou através da responsabilidade muito real de atuar no jornalismo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ensaios da foca...

Onde todas as tribus se encontram...


Transeuntes do Projeto Reviver compõem cenário interessante e democrático. São artistas, turistas, famílias maranhenses, estudantes, grupos de amigos, enfim, pessoas de gerações e estilos de vida visivelmente diferentes que encontram no mesmo lugar um passeio agradável e contato com um pouco da história local.


Por Talita Guimarães


O centro histórico de São Luís abriga casarões do patrimônio mundial tombados pela Unesco, ruas de histórias seculares, museus de arte e patrimônio vivo também. O lugar tem o poder de reunir pessoas de todas as gerações e estilos de vida em torno de um único passeio. Nos inúmeras stands montados pelas ruas do local é possível desfrutar das comidas típicas maranhenses, comprar livros e cd’s de escritores e músicos locais e apreciar peças do artesanato e amostras da cultura popular, riquíssima no estado.


O passeio pela praça principal do centro histórico oferece como opção bares e restaurantes com música ao vivo, a projeção de filmes e documentários alternativos no Cine Praia Grande, ou simplesmente a caminhada pelo lugar admirando os casarões históricos e batendo um bom papo na Praça Nauro Machado com a possibilidade de esbarrar com o próprio poeta pelas escadarias do lugar. Mestre Antônio Vieira, músico e pesquisador maranhense, também pode ser visto nos fins de tarde, lendo ou conversando com os transeuntes próximo à banca de revistas ou ao cachorro-quente mais famoso do local.


O espaço à noite, de quinta-feira à domingo, é democrático. De um lado, no beco próximo à Praça Nauro Machado, o som que ecoa é o canto de grupos de samba e pagode em uma rua inteira tomada por pessoas cantando e sambando. Não muito longe, virando à esquina, quem domina é o reggae, que chegou à ilha de São Luís de forma curiosa: rádios de ondas curtas vindas da América Central eram bem captadas na cidade, e o ritmo que tocava era inevitavelmente jamaicano. Uma caminhada mais adiante, leva o visitante à área de abrangência dos roqueiros e Emos. Tudo em um bairro de ruas de cantaria, estreitas e sem a permissão para o trânsito de veículos. Casarões históricos são iluminados por postes de ferro de uma rede elétrica toda substituída pela viação subterrânea. Cenário similar a São Luís antiga, colonial.


Durante os meses de junho e julho, festas juninas e férias respectivamente, o movimento no Reviver é ainda mais intenso. A programação cultural atrai centenas de pessoas em busca das apresentações de cultura popular local, como as rodas de tambor de crioula, cacuriá e o ritmo forte das toadas de bumba-meu-boi.



Um pouco de história


Mas para um passeio completo, o olhar mais atento de quem passa pelo lugar durante o dia revela entre os casarões, que compõem um conjunto arquitetônico de influência portuguesa, um método interessante e eficaz no controle do calor dentro das residências maranhenses: o revestimento com azulejos. Mais do que um ladrilho para abrandar o calor, o azulejo é uma peça histórica de conhecido poder decorativo. Tanto que para não se perder com o tempo ou ser alvo de ladrões, foi incluído em projetos de restauração e atualmente passa por catalogação.


O famoso Projeto Reviver, erroneamente denominado por muitas pessoas como bairro do Centro Histórico, foi na verdade um projeto de restauração do conjunto arquitetônico do bairro da Praia Grande durante as décadas de 70 e 90. O alerta para a perda do patrimônio histórico veio dos representantes da Unesco enviados ao Maranhão nos anos de 1966 e depois 1973. O casario perdia características primorosas da história à medida que a cidade crescia. Para evitar que o desenvolvimento descaracterizasse ainda mais o conjunto, o governo construiu a barragem do Bacanga e a Ponte José Sarney, ligando o centro ao outro lado do Rio Anil, hoje os bairros do São Francisco e Renascença. Dessa forma, o desenvolvimento foi deslocado para os bairros depois da ponte, permitindo a restauração do centro de São Luís.


O Projeto Reviver restaurou 3.500 construções em uma área de 250 hectares. Preservar o patrimônio de um povo é resguardar o que lhe é inteiramente seu e ao mesmo tempo de todos. São Luís é cidade integrante do Patrimônio Histórico mundial. Conhecer a história, ter orgulho da cidade e quere-la bem é dever de todo cidadão ludovicense. Portanto, cabe à população maranhense, o reconhecimento de sua história tal como a valorização de suas riquezas, porque ainda hoje, preservar é reviver. Independente de sua “tribo” ou preferência.