domingo, 14 de setembro de 2008

Dostoievski: a verdade faz o homem ridículo


Narrado em primeira pessoa, “O Sonho de um Homem Ridículo”, escrito por Dostoievski, centra-se no relato feito pelo próprio narrador, também personagem principal que a verdade em torno da vida e das pessoas, procurada ao longo dos tempos por filósofos e pensadores, está diretamente relacionada ao conhecimento do homem sobre ele mesmo. Sócrates pode ser retomado no discurso em que afirma “Conhece-te a ti mesmo”, como passo primordial ao alcance da verdade acerca da humanidade e assim, do universo, que em harmonia e conjunto é capaz de levar à felicidade e à paz.

Nessa perspectiva, o imaginário é enfatizado sob a ótica de uma metáfora que dá a idéia da vida plena. Percebe-se isso quando após cometer o suicídio, em seu sonho, o personagem principal morre apenas fisicamente uma vez que sua consciência mantém-se ativa e o deixa ciente de que está morto quando há a percepção do velório, do enterro e até mesmo da sensação dentro do caixão já enterrado. O homem dito ridículo faz, então, após sua morte, uma viagem que ultrapassa o planeta Terra e segue pelo espaço até um outro lado homólogo ao sistema solar. Um outro mundo mostra-se possível ao personagem, em um planeta Terra composto por tudo que caracteriza um verdadeiro paraíso.

Assim, a reflexão sobre essa questão, permite compreender que Dostoievski produz uma obra de valor inestimável já que o conto “O Sonho de um Homem Ridículo” transcorre dentro de uma leitura fácil, sobre o ponto de vista da linguagem utilizada, mas complexa dentro do contexto e da mensagem a ser transmitida. O conto reflete acerca das atitudes humanas que direcionam a sociedade ao caos e aos problemas agravados pela falta de consciência. O autor procura, repetidas vezes, convencer o leitor de que o grande potencial humano que leva à felicidade e a convivência em harmonia é o aparentemente inocente, mas essencial “amar ao próximo como a si mesmo”.


Talita Guimarães

Um comentário:

Talita Guimarães disse...

Olá amigos do "Ensaios...",
li Dostoievski pela primeira vez quando estudava no CEFET-MA. Quando escrevi essa análise já estava na faculdade, no segundo período de Jornalismo. Mas considero que muito do que aprendi em torno do autor russo e seu livro "O Sonho de um Homem Ridículo" tenha vindo dos professores do CEFET-MA Jorge Leão e Elaine Araújo.
Esse mesmo texto está inclusive no excelente blog filosofiacomarte.blogspot.com, que é uma iniciativa do professor Jorge com alunos do CEFET. E vale muito a pena conferir as ótimas produções dessa turma.