terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ensaios da foca...

Onde todas as tribus se encontram...


Transeuntes do Projeto Reviver compõem cenário interessante e democrático. São artistas, turistas, famílias maranhenses, estudantes, grupos de amigos, enfim, pessoas de gerações e estilos de vida visivelmente diferentes que encontram no mesmo lugar um passeio agradável e contato com um pouco da história local.


Por Talita Guimarães


O centro histórico de São Luís abriga casarões do patrimônio mundial tombados pela Unesco, ruas de histórias seculares, museus de arte e patrimônio vivo também. O lugar tem o poder de reunir pessoas de todas as gerações e estilos de vida em torno de um único passeio. Nos inúmeras stands montados pelas ruas do local é possível desfrutar das comidas típicas maranhenses, comprar livros e cd’s de escritores e músicos locais e apreciar peças do artesanato e amostras da cultura popular, riquíssima no estado.


O passeio pela praça principal do centro histórico oferece como opção bares e restaurantes com música ao vivo, a projeção de filmes e documentários alternativos no Cine Praia Grande, ou simplesmente a caminhada pelo lugar admirando os casarões históricos e batendo um bom papo na Praça Nauro Machado com a possibilidade de esbarrar com o próprio poeta pelas escadarias do lugar. Mestre Antônio Vieira, músico e pesquisador maranhense, também pode ser visto nos fins de tarde, lendo ou conversando com os transeuntes próximo à banca de revistas ou ao cachorro-quente mais famoso do local.


O espaço à noite, de quinta-feira à domingo, é democrático. De um lado, no beco próximo à Praça Nauro Machado, o som que ecoa é o canto de grupos de samba e pagode em uma rua inteira tomada por pessoas cantando e sambando. Não muito longe, virando à esquina, quem domina é o reggae, que chegou à ilha de São Luís de forma curiosa: rádios de ondas curtas vindas da América Central eram bem captadas na cidade, e o ritmo que tocava era inevitavelmente jamaicano. Uma caminhada mais adiante, leva o visitante à área de abrangência dos roqueiros e Emos. Tudo em um bairro de ruas de cantaria, estreitas e sem a permissão para o trânsito de veículos. Casarões históricos são iluminados por postes de ferro de uma rede elétrica toda substituída pela viação subterrânea. Cenário similar a São Luís antiga, colonial.


Durante os meses de junho e julho, festas juninas e férias respectivamente, o movimento no Reviver é ainda mais intenso. A programação cultural atrai centenas de pessoas em busca das apresentações de cultura popular local, como as rodas de tambor de crioula, cacuriá e o ritmo forte das toadas de bumba-meu-boi.



Um pouco de história


Mas para um passeio completo, o olhar mais atento de quem passa pelo lugar durante o dia revela entre os casarões, que compõem um conjunto arquitetônico de influência portuguesa, um método interessante e eficaz no controle do calor dentro das residências maranhenses: o revestimento com azulejos. Mais do que um ladrilho para abrandar o calor, o azulejo é uma peça histórica de conhecido poder decorativo. Tanto que para não se perder com o tempo ou ser alvo de ladrões, foi incluído em projetos de restauração e atualmente passa por catalogação.


O famoso Projeto Reviver, erroneamente denominado por muitas pessoas como bairro do Centro Histórico, foi na verdade um projeto de restauração do conjunto arquitetônico do bairro da Praia Grande durante as décadas de 70 e 90. O alerta para a perda do patrimônio histórico veio dos representantes da Unesco enviados ao Maranhão nos anos de 1966 e depois 1973. O casario perdia características primorosas da história à medida que a cidade crescia. Para evitar que o desenvolvimento descaracterizasse ainda mais o conjunto, o governo construiu a barragem do Bacanga e a Ponte José Sarney, ligando o centro ao outro lado do Rio Anil, hoje os bairros do São Francisco e Renascença. Dessa forma, o desenvolvimento foi deslocado para os bairros depois da ponte, permitindo a restauração do centro de São Luís.


O Projeto Reviver restaurou 3.500 construções em uma área de 250 hectares. Preservar o patrimônio de um povo é resguardar o que lhe é inteiramente seu e ao mesmo tempo de todos. São Luís é cidade integrante do Patrimônio Histórico mundial. Conhecer a história, ter orgulho da cidade e quere-la bem é dever de todo cidadão ludovicense. Portanto, cabe à população maranhense, o reconhecimento de sua história tal como a valorização de suas riquezas, porque ainda hoje, preservar é reviver. Independente de sua “tribo” ou preferência.



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