domingo, 28 de setembro de 2008

Ensaios da foca...

Pontos turísticos naturais: reflexo de descaso e poluição
Praias de São Luís e Laguna da Jansen são alvos da preocupação de pesquisadores, professores e estudantes da capital.
por Talita Guimarães

As belezas naturais da ilha de São Luís compreendidas nas praias e a Lagoa da Jansen são bastante divulgadas a nível nacional com o intuito de promover o turismo. As imagens veiculadas nas outras regiões do país são, em geral, de locais bem conservados que de fato despertam interesse pela visita, entretanto ao desembarcar em São Luís, turistas e maranhenses que voltam para casa, têm deparado-se com pura disparidade.

O descaso com o tratamento da Lagoa da Jansen, na verdade Laguna devido à ligação com o mar através de canais, chama a atenção de quem passa pelo local uma vez que da água exala o odor forte proveniente do lixo, esgoto e dejetos despejados sem a mínima preocupação com o meio ambiente. Nas praias, a realidade não é diferente: grandes canos despejam o esgoto dos prédios e construções da área de modo descarado, na areia já escurecida, como pequenos córregos para o mar. E a coleta de lixo ainda constitui um sistema falho, que não supre a demanda de lixo e não evita em nada o despejo em locais de ecossistema privilegiado, como o mangue que cerca a laguna.

Com base nas comemorações do Dia Internacional do Meio Ambiente, professores de uma escola do Maiobão decidiram organizar uma semana de conscientização e debates acerca da situação atual desses pontos turísticos. O projeto desenvolvido mobilizou toda a escola em torno de temas relacionados à consciência ambiental e a realidade dos alunos em sua cidade. Às turmas de oitava série coube a produção de um mural e uma mesa-redonda. O trabalho dos alunos abrangeu três momentos: uma aula de campo unindo química e geografia pela Laguna da Jansen e as praias da Ponta D’areia e São Marcos; coleta de amostras de água e areia desses locais para uma análise do grau de poluição em laboratórios da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e um passeio pelo Parque Ambiental. O resultado do primeiro momento, na aula de campo realizada durante todo o sábado, 17/05, foram comentários de meninos e meninas da faixa etária entre 13 e 15 anos, assustados e enojados com o que encontraram. “Conviver longe dessa área faz com que a gente não veja os abusos acontecerem e a poluição incomodar. Mas estar aqui vendo e entendendo o que acontece, desperta a vontade de mudar essa situação, fazer algo para preservar esse lugar antes que seja ainda mais tarde”, relatou o estudante Pablo Ribeiro de 14 anos, indignado com os bueiros estourados, animais encontrados mortos e o mau cheiro da laguna. E as surpresas não cessaram para a turma. Segundo a aluna Ariane Borges, durante a excursão o grupo presenciou um caminhão da coleta de lixo depositar todo o conteúdo no gramado a poucos metros do local destinado ao depósito dos caminhões. “A população tem que cobrar medidas do governo, mas também tem que se conscientizar dos impactos das próprias ações. Temos que fazer nossa parte”, acrescenta. Dentro desse contexto, o professor de química Alan Jones explanou aos alunos sobre agentes poluidores e as conseqüências reais da poluição e aliou sua fala à aula de geografia do professor Isaac Alissom sobre questões ambientais. “Durante o governo Roseana, foram feitos canais de ligação ao mar com a intenção de levar oxigenação à laguna, mas não houve grandes resultados. O processo mais eficaz ainda é a dragagem, que é a retirada dos sedimentos do fundo, pois há um grande acúmulo de lixo proveniente das tubulações de esgoto que despejam os dejetos diretamente na água. No entanto, esse método é caro e não foi levado adiante por falta de verba. O governo federal teria que custear a despoluição da laguna, mas até hoje não houve interesse”, informou o professor Isaac.
Os mestres afirmaram ainda, que trabalhos como esses são necessários para conscientizar os alunos a de posse do conhecimento de causa partir para uma ação mais efetiva, que busque soluções e saiba exigir o que é direito do cidadão e dever do governo.

A Semana de Meio Ambiente do colégio ocorreu entre os dias 2 e 6 de junho e contou ainda com o apoio dos alunos: “A escola é o primeiro lugar, depois da família, que deve ensinar aos jovens e crianças, pois é daqui que saem as pessoas conscientes, os verdadeiros cidadãos,” afirma o estudante João Meireles de 14 anos.

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão também alertam para a degradação constante das praias de São Luís e da Laguna da Jansen. Estudos sobre o grau de balneabilidade, isto é, as condições da água para o banho, revelam que a praia da Ponta D’areia é a mais poluída da ilha e o teor de poluição se concentra pela presença alarmante de coliformes fecais resistentes a temperaturas de até 44,5º. A orla da Ponta D’areia é cercada de bares, restaurantes, hotéis e edifícios residenciais, o que propicia, mediante a falta de consciência e planejamento urbano, o depósito de esgoto e lixo diretamente na praia.

Nenhum comentário: