quarta-feira, 24 de setembro de 2008

André e o Mundo...

Sobre artistas e cidadãos


Volta e meia, os noticiários divulgam uma nova série de injustiças, corrupções, crueldades e catástrofes. Por mais que tentemos ignorar, essa situação está no ônibus que pegamos todas as manhãs, na relação pedestre-motorista, patrão-empregado, aluno-professor, enfim, nas mais simples atividades do dia-a-dia. Nesse contexto, agimos como turistas perdidos na própria cidade natal, pergutando-nos: “o que falta para alcançarmos a velha utopia de mundo melhor? Será impossível?”.

Nada é impossível. A própria História tem nos mostrado que as grandes descobertas originam-se de circunstâncias quase corriqueiras. Baseado nisto, o presente texto vem apresentar os princípios elementares da ARTE como resposta a esses anseios, pois artistas e cidadãos são muito mais parecidos do que até então podíamos imaginar.

Em uma sociedade na qual é comum a idéia de que os artistas são apenas meia dúzia de malucos que não têm o que fazer , as declarações anteriores serão duramente contestadas. Pior ainda, vai ser quando considerarmos para exemplificar o que foi dito a obra “Roda de bicicleta” de Marcel Duchamp. Aparentemente, a observação da mesma nos leva a pensar que o “idiota” queria apenas chamar atenção e, para isso, colocou uma roda sobre um banco. No entanto, quando a inserimos no contexto de 1912, época em que o mundo ardia em guerra, e reconhecemos Duchamp como artista dadaísta, surpreendemos-nos com sua real intenção: os adeptos do dadaísmo se propuseram a fazer uma arte vazia de significado para expressar a indignação que sentiam pela falta de lógica dos acontecimentos políticos e sociais da época, isto é, da irracionalidade que devastava o mundo e culminava numa guerra. Fica aí explicada a tal roda sobre o banco.

Dessa forma, pode-se por arte uma atitude particular do homem em resposta às idéias que os acontecimentos do mundo lhe causam. Segundo Pablo Picasso, “a arte é uma mentira que revela a verdade”. Ao longo deste processo, é indispensável o estudo dos fatos e a devida interpretação que causa uma vontade incontrolável de interferir e criar, só então o artista produz a obra de arte, que choca - seja pela beleza, feiúra ou indiferença – o espectador alertando-o corajosamente para um problema ou um valor universal.

O trabalho desempenhado por esses sujeitos da arte são inerentes ao próprio ser humano. Impossível viver sem transformar. No entanto, quando tratamos de cidadania, essas virtudes, freqüentemente, tornam-se matéria para esquecimento. Mais do que um erro, isso é uma omissão que gera uma conseqüência catastrófica.

A sensibilidade para perceber as exigências do mundo e a criatividade para atendê-las devem ser compromisso constante de todos os homens e mulheres na luta contar tudo aquilo que diminui o ser humano. Aos poucos, quando as ações isoladas dessa pessoas animarem outras, nem mesmo a paz mundial será impossível.“E o grande milagre não será mais andar nas nuvens ou sobre as águas, o grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a terra” (Manifesto da Sociedade Alternativa – Raul Seixas).


André Luiz de Araújo Mendes é estudante do curso técnico em Alimentos do CEFET-MA.
E-mail: mundoemovimento@yahoo.com.br

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