domingo, 23 de novembro de 2008

Quem foi que disse que blog não é lugar para jornalista?


- Considerações sobre o exercício do jornalismo e a relação blogueiro-jornalista na blogosfera.
Por Talita Guimarães

Em setembro de 2008, a Revista Imprensa – renomada publicação da Imprensa Editorial – causou furor entre profissionais, estudantes de comunicação e internautas quando trouxe como matéria de capa, da edição do seu 21° aniversário, a manchete “Blogueiro não é jornalista”. O debate, bem colocado diante do atual cenário de avanço e democratização do uso das tecnologias, leva a pensar sobre a regulamentação profissional dos jornalistas e também sobre a quem pertence o exercício oficial da profissão em vista do crescimento de recursos cujo uso se confunde com a prática jornalística.

Em um contexto geral não é difícil notar a presença de profissionais de várias áreas atuando como jornalistas. São médicos, advogados, economistas e esportistas que entre outros vão ocupando espaço na mídia com comentários sobre suas áreas em editorias que deveriam por excelência ser cobertas por jornalistas especializados. Por mais que cada um desses profissionais tenha amplo conhecimento sobre a área em que atua não cabe a eles – nem deve caber – a produção de reportagens e matérias no campo de atuação de quem foi preparado para comunicar durante quatro anos de uma faculdade. Principalmente porque o conhecimento específico de um economista, advogado ou médico não compreende as estratégias e técnicas da produção jornalística necessárias ao exercício da profissão e trabalhadas na academia na formação de profissionais habilitados.

Por tudo isso, a matéria veiculada pela Revista Imprensa volta o olhar da sociedade para o alto crescimento da blogosfera e a visão que se tem sobre quem a produz, pois o conteúdo veiculado nos blogs faz uso de uma ferramenta peculiar ao jornalista: a palavra escrita na veiculação de informações por meio da internet.

Em suma, blogs são sites de facílima utilização que permitem por meio da interatividade a rápida edição de textos com liberdade de escolha do conteúdo. Assim, qualquer pessoa que disponha do recurso pode criar uma página pessoal com a exposição do assunto que melhor lhe convir. Pode tratá-lo como um diário virtual, onde registra suas impressões pessoais como dia-a-dia, relações, trabalho, família e sentimentos; ou um espaço dedicado a uma temática específica – arte, cinema, literatura, política, personalidades, etc. Em ambos os casos não é exigido diploma algum, tampouco é a intenção do espaço. O blog funciona muito mais como um expediente para publicação de idéias e pensamentos livres, desprendido de técnicas ou linhas editoriais e aí está a primeira e talvez principal diferença da prática jornalística. No jornalismo não é permitido especular nem publicar idéias imprecisas ou mesmo subjetivas já que esse campo trabalha com dados factuais, em busca da descrição o mais fiel possível de um retrato da sociedade, ainda que os critérios adotados sejam em grande parte considerados ideais – objetividade, imparcialidade e neutrabilidade.

Há quem, dentro da blogosfera, não seja comunicólogo por formação, mas mantenha espaços de conteúdo informativo tão bom quanto os que poderiam ter sido produzidos por um jornalista e aí começa a confusão em torno da produção ser ou não considerada jornalística e quem a produzir poder ou não ser chamado de jornalista. Primeiro é preciso esclarecer o que é a atividade jornalística e quem pode exercê-la tendo por conseqüência imediata ser chamado de jornalista.

A saída para esse dilema está no simples fato dos blogueiros definirem posições perante a sociedade na rede. Portanto, quem resolve criar um blog deve ter em mente a proposta que o motiva a fazê-lo e de preferência dize-la na faixa de descrição do espaço. Quem é jornalista e resolve manter um espaço desses na rede deve deixar claro aos visitantes qual é a intenção do blog produzido. Se é veicular material jornalístico – já que o blogueiro em questão tem formação para isso – ou manter um espaço com pensamentos mais pessoais, livres do tratamento característico de um jornalista. E para quem não é formado em comunicação deve haver o bom senso de informar a quem lê as postagens de seu blog que quem o produz não é jornalista e que o material exposto é fruto do interesse pelo assunto aliado ao domínio da produção textual.

Desse modo, entende-se que um blog e um jornal, por exemplo, têm finalidades distintas. O que não impossibilita o diálogo entre seus produtores preservando as devidas funções. Pode-se, inclusive, considerar a manchete de Imprensa como uma premissa a ser complementada: Blogueiro não é jornalista, mas todo jornalista pode vir a ser um blogueiro. Para facilitar, basta que todos – jornalistas, blogueiros, internautas, sociedade – saibam que nem tudo o que se escreve é de fato conteúdo jornalístico e que cabe a cada um que se propõe a veicular conhecimento esclarecer a verdade sobre a formação e a intenção de quem está por trás das letras e idéias. Cabe a todos não confundir a prática profissional com a expressão pessoal. Afinal a liberdade de cada indivíduo pode sim estar no espaço que ele dispõe para exteriorizar o que pensa e sente. E se blogueiros e jornalistas devem ter algo em comum que seja o aspecto positivo e politicamente correto de ser ético no tratamento de suas respectivas temáticas abordadas. Para que a paz entre os homens perdure também no ciberespaço.

domingo, 16 de novembro de 2008

Quando nasce o seqüestrador, morre um ser humano


- Sobre o tratamento do caso Eloá e o filme “O Quarto Poder”

Por Talita Guimarães

Um seqüestrador, reféns, horas de negociação, polícia e mídia em grande quantidade aos arredores do cativeiro. Um cenário que pode ter sido construído por um filme, gerado por uma atitude mal pensada ou ampliado por uma imprensa ávida por notícia. Na atualidade não é difícil assistir a casos como esse, cujo drama pode ser apenas ficcional divulgado por um filme ou novela, ou ainda muito real, vindo da rua perto de casa e transmitido ao vivo para todos os cantos do mundo por grandes redes de televisão.

No cinema, o filme que retrata a cobertura da mídia de um ângulo importante e determinante para a opinião pública é “O Quarto Poder” cujo roteiro apresenta o caso de um seqüestrador construído, guiado e orientado por um repórter experiente, mas oportunista. O enredo principal gira em torno de Sam Baily (John Travolta), um vigia de museu desesperado pelo emprego injustamente perdido que tenta negociar com a chefe a readmissão. Entretanto uma vez mal interpretado e desorientado, Sam deixa-se levar por atitudes mal pensadas (aponta uma espingarda na direção da diretora) e por causa de seu nervosismo acaba passando por seqüestrador e cedendo à negociação convincente do jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman), que no papel de um refém, usa de seu status profissional para elevar pontos de audiência em sua emissora como correspondente exclusivo, de dentro do cativeiro. No entanto, o repasse das informações de Max recria a imagem do vigia perante a sociedade como um seqüestrador que tenta conquistar o coração das pessoas pelo drama de um pai de família desempregado e que ainda usa crianças como reféns no local.

Em momento algum é permitido ao personagem, dentro das negociações internas entre ele e o jornalista, dialogar com a diretora do museu que o demitiu, nem é apontado como solução o simples fato de sentar e conversar para resolver de fato o que está pendente. O interesse maior de quem detém o poder da comunicação nas mãos fica focado apenas na cobertura do desenrolar do evento aguardando por conseqüências de preferência inéditas na história e previsivelmente catastróficas. Tampouco é sugerido que um tente entender as razões do outro por mais que cada um tenha sua opinião a respeito.

Rapidamente a imprensa toma conta do local e armada de câmeras fotográficas e de vídeo realiza a cobertura completa de um seqüestro furo de reportagem: “Vigia mantém reféns no Museu de História Natural. Entre eles, um grupo de crianças.” Assim o simples desempregado surge diante da sociedade como um verdadeiro criminoso inescrupuloso. A mente de Sam, que não previra nem tivera intenção de gerar tudo isso, enlouquece diante da transformação de sua imagem perante toda uma nação. O próprio personagem não aceita o papel que lhe é dado na história contada pelos noticiários, mas ao mesmo tempo não encontra palavras para retratar-se perante a sociedade que acompanha seu drama em tempo real. Após horas de negociação com a polícia, Sam, na verdade pai de família amável e bom, libera seus reféns, mas não consegue se perdoar pela situação criada e permanece no cativeiro ameaçando quem se aproxima. Sua vida foi exposta para todo o país, sua família concedeu entrevista mostrando não reconhecê-lo pela atitude, e talvez o maior de seus pesadelos agora se torne realidade: um ódio crescente irrompe por todo o país vindo de pessoas que nem o conhecem, mas o condenam irrevogavelmente. A seqüência leva ao inevitável desastre: sozinho no museu, Sam explode o prédio suicidando-se diante dos olhares e das câmeras ansiosas pelo desfecho.

Pior do que contar o fim desse drama sabendo que se trata de uma verdadeira tragédia precisamente evitável é admitir que o roteiro do filme não permaneça apenas nas telas de cinema, mas pelo contrário, venha baseado de fatos reais, que acontecem a todo o momento em todos os cantos do mundo.

O caso mais recente vem do interior de São Paulo, da cidade de Santo André no ABC paulista. Um jovem dito apaixonado tenta reaver o término do namoro, mas a moça não admite conversa pois está decidida a não reatar. Talvez o modo como tenha dito isso ao rapaz não tenha sido claro o bastante para que ele fosse capaz de entender e aceitar, fato esse que o leva a usar a força para convencer a ex-namorada de que o romance ainda é possível. O drama narrado acima com palavras quase literárias não teve um desfecho digno do happy end dos amores impossíveis da literatura. Trata-se do dramático seqüestro vivido pelas estudantes Eloá Pimentel e Nayara Rodrigues , ambas de 15 anos, durante as 100 horas de cativeiro ocorrido no mês de outubro desse ano.

A cobertura do caso rende a discussão em torno da influência que a mídia exerce sob a formação de opinião de toda uma sociedade e por que não dizer no desenrolar dos fatos noticiados também. A partir da primeira nota sobre o cárcere privado no qual estavam submetidos quatro estudantes sob poder de um jovem de 22 anos, não cessaram suítes e reportagens em torno do desenrolar do seqüestro. A população acompanhou o caso e conheceu a história de Eloá Pimentel e Lindemberg Alves. Descobriu que o romance entre os dois começou quando a estudante tinha apenas 12 anos e que agora aos 15, terminara o namoro sem que o rapaz se conformasse. Os dias que seguiram, mostraram que as reféns eram amigas desde a infância, tanto que uma vez liberada, Nayara tentou voltar ao cativeiro na condição de apaziguadora, mas pela inexperiência de seus 15 anos e descuido da polícia retornou à condição de refém ao entrar novamente no apartamento.

A sociedade alimentou expectativas pelo desfecho e começou a criticar o andar da carruagem quando chegaram as primeiras notícias de que Eloá discutia com o rapaz sem considerar que ele estava armado e desajustado emocionalmente. Durante o cárcere, a refém ainda apanhou de Lindemberg por não fazer o que ele pedia e respondê-lo mal. Policiais falaram com o seqüestrador pelo telefone e passaram a gravação aos jornalistas. Na conversa, Lindemberg fala ressentido que a ex-namorada é egoísta e que nada daquilo estaria acontecendo se ela apenas tivesse parado para conversar direito com ele. Entre um momento de lucidez e outro, o seqüestrador solta que ouve a voz de um anjinho e um diabinho brigando pela decisão dele sobre o desfecho: um diz “solta a moça e se entrega” e o outro “vai em frente...”. Nesse ponto da transmissão, os programas de televisão começam a entrevistar psicólogos e especialistas que expliquem as atitudes de Lindemberg e tentem prever o desfecho, já que já são quatro dias de negociação e nenhum sinal de fim próximo. A sociedade assiste a entrevistas com os familiares das reféns e do seqüestrador, descobre que as moças são estudantes admiradas pelos colegas e professores, que Lindemberg joga futebol e que até então era um rapaz normal para quem o conhecia.

A corrida por mais notícias em torno do caso leva a imprensa a mudar-se para os arredores do prédio. Repórteres são chamados ao vivo na programação matinal das tv’s para apenas narrar a movimentação do local (carros de polícia que chegam e saem, refeições que são entregues ao seqüestrador, e que tudo em termos de negociação continua na mesma...). Alguns fazem os links dos melhores lugares que encontram onde o que importa é o melhor ângulo que mostre a janela do apartamento mais noticiado da semana, não importando se esse lugar é o apartamento de uma outra família vizinha.

Assim, a mídia traz todas as notícias principais e secundárias do caso. Informa do passado dos envolvidos, expõe suas relações sociais e colhe informações sobre suas personalidades. Entrega a milhões de espectadores uma história em detalhes, sem se preocupar que os protagonistas fazem parte de uma realidade que se apresentará com toda uma visão muito particular sobre eles depois que tudo terminar. As informações levam os cidadãos que assistem à tv e ouvem ao rádio para dentro da notícia. Torna-os capazes de emitir opinião sobre o fato e incluir o assunto nas rodas de conversa mais corriqueiras de seu cotidiano. Rapidamente aparece quem deseje o término pacífico do caso, com o seqüestrador se entregando e liberando suas reféns da melhor forma possível. Mas se de um lado há quem tente desculpá-lo pelo tresloucado gesto (“um rapaz abalado pelo término de uma paixão de adolescentes...”) do outro há quem o condene antecipadamente (“um louco que nunca mais conseguirá emprego depois dessa atitude que representa perigo à sociedade...”). Difícil encontrar quem aponte a solução para um desfecho sem grandes transtornos. Logo, a demora no término (o seqüestro já caminha para o quinto dia de duração) forma opinião sobre o trabalho da polícia e sua dificuldade em lidar com esse tipo de caso.

Perto de completar 100 horas de cativeiro, surge a informação de que o pai de Eloá é um foragido da justiça. Quando o senhor passa mal na quinta-feira e é levado ao hospital, a imprensa grava sua imagem que é reconhecida por policiais de Alagoas. Mais combustível para os noticiários porque logo depois, é constatado que ele fugiu do hospital e encontra-se novamente foragido. Mais informações sobre a família de Eloá são investigadas e enquanto isso a menina continua refém ao lado da melhor amiga, sofrendo nas mãos do ex-namorado.

Finalmente, no final da tarde de sexta-feira, a polícia decide invadir o cativeiro. Uma explosão abre a porta com dificuldade e permite que o esquadrão da PM entre no apartamento. Tiros são disparados e alguns momentos depois Nayara sai correndo acompanhada de policiais que carregam Eloá aparentemente desacordada e banhada em sangue. Pouco depois há uma luta envolvendo muitos policiais que tentam imobilizar o seqüestrador. É o tão esperado desfecho? Do cativeiro, sim, mas não da história, agora sempre referida como Caso Eloá.

Lindemberg é preso, mas transferido de cela por rejeição dos outros presos. Nayara realiza cirurgia para remoção da bala que a tingiu no rosto e Eloá, em estado grave, permanece em coma, vítima de dois disparos: um na cabeça e outro na virilha. No domingo vem a notícia de sua morte e da decisão da família em doar os órgãos. Mas material para a imprensa: ir atrás dos receptores já definidos, cobrir o velório e o enterro da moça e esperar pela saída de Nayara do hospital.

Enquanto isso, a mídia reúne especialistas em segurança para falar sobre a decisão de invadir o cativeiro e encerrar o cárcere privado mais longo da história do estado de São Paulo. De repente surgem inúmeros meios diferentes de solucionar o caso sem resultar no mesmo desfecho alcançado. Muitos especialistas dão conselhos variados sobre a melhor forma de lidar com seqüestro e ninguém parece considerar a atitude tomada como forma necessária naquele momento. Tampouco foram capazes de se pronunciar durante os momentos de tensão para colaborar com o trabalho em prol de um término pacífico, se não pelo menos sem mortes.

Por tudo isso, fica a indignação pelos que criticam e os que depois de tudo terminado (e da pior forma possível) acham soluções melhores ou dão palpites de como a polícia deveria ter agido. Pouco útil agora, depois da morte da menina, da prisão do rapaz e do emocional profundamente abalado das famílias.

Toda a movimentação dos dias anteriores foi transmitida ao vivo pela televisão e aqui cabe o espaço para alguns questionamentos: Lindemberg não terá acompanhado o caso pela televisão do apartamento? Não terá visto sua própria vida exposta para todo o país e acompanhado a formação de uma sociedade que o acabara de conhecer como seqüestrador? Mais do que isso, essa cobertura toda não terá interferido no trabalho dos negociadores da polícia? Sim, porque toda a ação policial era acompanhada de perto por jornalistas que informavam a todo instante a situação e o andamento do caso. Lindemberg pode ter sido muito bem informado e ao mesmo tempo ficado muito mais abalado com a situação formada e ampliada pela imprensa. Por outro lado, pode ter sido valorizado em demasia, suficiente para sentir-se no direito de exigir demais e alongar a situação até perder o controle e esquecer o objetivo que o levara a criar todo aquele transtorno.

Agora é necessário rever a atmosfera criada em torno do seqüestro como fato realmente merecedor de tamanha cobertura jornalística e do tratamento dado à vida dos envolvidos. Fazendo-se um cotejo com o filme citado percebe-se a urgência na necessidade de reflexão em torno do poder da mídia e da sólida alcunha de Quarto Poder - talvez um dos mais fortes e perigosos se tratados com displicência e falta de ética.

Por tudo isso, vale pensar no filme - seu roteiro e a boa representação do abalo psicológico do personagem de John Travolta - assim como no exercício da profissão pelos jornalistas que insistem em tratar a sociedade como uma fonte inesgotável de espetáculos e sensacionalismos em busca de lucro, audiência e causas ideológicas pouco nobres.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ensaios da Foca

Estudantes de Jornalismo visitam redação de O Imparcial

Em visita às instalações do jornal, acadêmicos do terceiro período de Jornalismo da Faculdade São Luís puderam conhecer melhor o processo de produção de um jornal impresso.

Por Talita Guimarães

Em mais um trabalho da disciplina Laboratório de Mídia Impressa II, os estudantes do terceiro período em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade São Luís foram incumbidos de, uma vez divididos em grupos, relatar a visita a duas das maiores redações do estado – os jornais O Imparcial e O Estado do Maranhão.

Na última segunda-feira (10/11), duas equipes visitaram o Sistema Mirante de comunicação que abrange o Portal Imirante e a redação do jornal O Estado do Maranhão assim como a Rádio Mirante e a TV Mirante. Já na quinta-feira (13) foi a vez de mais dois grupos conhecerem as instalações de O Imparcial e seu novo produto - o jornal Aqui Maranhão - e o Imparcial Online. Na ocasião, os estudantes foram recebidos por Elisa Campos, coordenadora do Projeto Leitor do Futuro, que os guiou pela visita apresentando todas as etapas de produção do diário.

Fundado em 1° de maio de 1926, o jornal pertencente ao grupo Diários Associados construiu 82 anos de história no jornalismo maranhense com a cobertura de muitas pautas em todas as oito editorias – São Luís, Maranhão, Brasil, Política, Economia, Esporte, Cultura e Mundo. Durante a visita foi possível conhecer a redação onde os repórteres se reúnem duas vezes por dia com o chefe de reportagem para a distribuição das pautas. Em seguida a esse primeiro passo, jornalistas saem acompanhados de seus respectivos repórteres fotográficos para a cobertura das pautas recebidas. Ao retornar a redação, uma vez de posse do material recolhido na rua, os profissionais dispõem de computadores para escreverem as matérias. Os fotógrafos também descarregam o material fotográfico das pautas em computadores disponíveis e deixam a cargo do editor chefe de cada segmento do jornal, selecionar a foto que acompanhará a matéria que estará no impresso do dia seguinte. Cabe também ao editor chefe revisar os textos e editá-los conforme julgar necessário, eliminando frases ou organizando pensamentos de modo mais suscinto e coeso.

A edição do jornal O Imparcial fecha diariamente por volta das 21h podendo se estender até às 22h de acordo com o número de matérias necessárias de complementação das informações. A impressão ocorre pontualmente às 0h sendo que a impressora de que dispõe o veículo possui capacidade para impressão de uma tiragem de até 40 mil exemplares, segundo Elisa Campos. Entretanto, em seu funcionamento habitual, o jornal circula diariamente com uma tiragem de aproximadamente 12 mil exemplares em todo o estado. Na sala de impressão ainda permanecem guardadas as primeiras máquinas utilizadas na produção do jornal – datilografia, prensas e tipógrafos.

Já seu atual produto, o jornal Aqui Maranhão, fecha a edição às 16h e é impresso às 18h. Por se tratar de um jornal de poucas editorias e em formato de suplemento dado o preço mais acessível, o Aqui MA possui linha editorial voltada a um público predominantemente masculino, com matérias sobre esporte e uma editoria de cidade que reúne polícia, política e assuntos gerais. A equipe de reportagem é a mesma de O Imparcial de modo que algumas matérias são coincidentes nos dois jornais.

A visita foi válida à turma de jornalistas em formação tendo em vista a importância da união entre teoria – vista em sala de aula – e a prática jornalística – visitas aos veículos da imprensa maranhense e a possibilidade de contato com jornalistas no exercício da atividade.

sábado, 8 de novembro de 2008

A Foca agradece...

Aos Amigos da Imprensa,

gostaria de agradecer imensamente ao apoio dado à divulgação do meu livro "Vila Tulipa" feito pela Faculdade São Luís durante a Jornada de Publicidade e Propaganda. À professora Luiziane Saraiva, coordenadora do curso de Comunicação Social da instituição; à Lila Antoniere da Ascom pela nota no site da faculdade e aos amigos que prestigiaram o excelente evento e claro, visitaram o stand de Vila Tulipa na Jornada.
Também ao CEFET-MA que nunca falta com apoio, em especial vindo dos amigos do CCI (Centro de Comunicação Institucional) Jane Maciel, Marlon Botão e Erly Guedes pela matéria no site da escola.
Agradeço ainda à colega de profissão Camilla Andrade pela bela matéria feita sobre o livro e publicada na edição desse mês de novembro no interessante Jornal Cazumbá e ao seu editor, o jornalista Reginaldo Rodrigues pela foto também, que ficou show de bola!
Por fim, à jornalista Ingrid Assis, editora do Suplemento Galera do jornal O Estado do Maranhão, que sempre publica nossos textos na coluna Tipo Assim e apoia os primeiros passos de quem é jornalista em formação.

Valeu a força, pessoal!!!!

E mais, aos professores Jorge Leão (CEFET-MA) e Flávia Moura (Faculdade São Luís), que são amigos e incentivadores do Ensaios em Foco e têm sido duas pessoas de papel importante na formação acadêmica da foca aqui!!!

Muito obrigada!!! É pelo apoio de todos vocês que reunimos motivação para continuar conscientes de que "Tudo vale apena, se a alma não é pequena!".

é isso aí!!!

Talita Guimarães

RESENHA EM FOCO

RESENHA DO FILME “CIDADÃO KANE”
Por Talita Guimarães

Sob direção, produção e co-autoria de Orson Welles, o filme “Cidadão Kane”, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro, retrata mais do que a busca de jornalistas por preciosas informações para uma grande reportagem em torno de um fato de impacto. O longa é um retrato autêntico e ousado, para época de seu lançamento, do percurso de um homem bem sucedido perante a sociedade, mas que mesmo detentor de poder e influência não teve oportunidade de ser o que mais importa ao homem: feliz.

O filme começa com a cena de uma morte e um último suspiro onde a estranha expressão “rosebud” é pronunciada. A partir daí é mostrado ao espectador um pequeno documentário sobre a vida de um poderoso empresário da área de comunicação chamado Charles Foster Kane. Quando o documentário termina, a cena se volta a um grupo de jornalistas que assistiram à projeção e têm a incumbência de escrever uma reportagem sobre a vida, obra e morte de Kane. Para produzir o diferencial não caindo na praxe do simples percurso biográfico da autoridade que morreu, o chefe do grupo ordena ao repórter Thompson que direcione a reportagem a partir do conhecimento da palavra que Kane pronunciou ao leito de morte. Para isso é necessário que o repórter vá em busca de informações mais detalhadas sobre o falecimento do empresário e sobre os aspectos mais íntimos de sua vida fora as redações. Thompson inicia então uma verdadeira investigação em torno da vida de Charles Kane e durante as cenas de conversas com todas as principais pessoas do círculo de relacionamento do jornalista, o roteiro do filme entrelaça a história de vida de Kane com a técnica do trabalho jornalístico, de saber como procurar, como lidar com as fontes e a descoberta sob olhar humanístico de como foi o desenrolar da vida do protagonista.

Dentro desse contexto é possível acompanhar os dois lados da vida de Kane que se entrelaçam intimamente: o pessoal que leva ao profissional. Quando criança, Charles foi vendido a um grupo de magnatas que pretendiam molda-lo para o capitalismo e a área empresarial. Com efeito, Kane torna-se dono de um verdadeiro império da área de comunicação e apesar do sucesso e influência nas redações e com a repercussão de seus jornais na população, tem sua vida política, quando tenta por vontade própria inserir-se nela, frustrada. Vários outros aspectos de sua vida são apresentados como pontos em que Kane se sente abatido e pára diante do pensamento sobre o que o faz estar ali naquela posição de autoridade. Toda a sensibilidade e orientação necessária à infância são deixadas de lado, usurpadas de Kane quando seus pais aceitam dinheiro em troca de entregar o filho para nunca mais vê-lo nem manter contato. São fatores determinantes na formação do caráter do adulto que ele virá a ser. Um homem preparado para o capitalismo e o poder. Maior exemplo de poder é ter nas mãos o dom da palavra e do manejo de informações, como é seu caso. O acúmulo de capital e ambição faz Kane construir um império material muito sólido, como é o exemplo do teatro que constrói à amada, cantora pouco privilegiada pela voz, mas muito elogiada pela crítica de Kane aos seus recitais, ou a mansão Xanadu, local que reúne obras de arte e itens preciosíssimos do mundo material, mas abriga também toda a solidão do jornalista.

Por tudo isso, todo o filme consegue em 119 minutos de duração compor a imagem de um homem que perdeu a infância para construir um império que o fizesse esquecer a importância de brincar, amar, ser terno com a família e os amigos, e vivenciar momentos simples como andar de trenó na neve. Aliás, a resposta buscada por Thompson pelo significado de “rosebud” é revelada apenas ao espectador de “Cidadão Kane” nas cenas finais em que todos os móveis e objetos da mansão de Kane são queimados. Entre eles um trenó, que remete à cena em que Charles criança assiste aos pais tratarem da venda. É a expressão do desejo íntimo e último de ser criança. É o suspiro pela marca de trenó e a sensação de usá-lo em um bom dia de muita neve. Trata-se da vontade de ter essa recordação sob outro formato e fim, roubada por empresários de um capitalismo selvagem e sem ternura.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

MÚSICA EM FOCO




CEFET-MA inicia atividades do Projeto Rádio - Escola

Por Talita Guimarães

Foi lançado na última sexta- feira de outubro (31) durante o intervalo de almoço no Restaurante do CEFET -MA o Sarau Musical, que é a primeira ação da Rádio Escola na instituição. A iniciativa, que vem sendo desenvolvida como projeto de pesquisa científica por um grupo de estudantes do Ensino Médio Integrado, tem a orientação do professor Jorge Leão e trabalha dentro da escola com o intuito de promover a comunicação institucional através da educação com ações que envolvam filosofia e arte.
A primeira edição do Sarau Musical contou com a participação de Diego Reis, que concilia o trabalho na xérox do CEFET com o curso de Violão Clássico. O rapaz dedica-se à música desde 2003 e é comumente encontrado pela escola com o violão debaixo do braço e rodeado de amigos amantes da música e da arte, tanto que apelidaram a xérox da instituição de "Retiro dos Artistas". "Esperamos com isso, descobrir e incentivar novos talentos e, claro, um instante que nos proporcione refletir sobre a importância da música na escola e na formação da cidadania humana, além claro das vantagens espirituais à mente", afirma André Mendes, pesquisador do projeto e estudante do segundo ano do curso de Alimentos da escola.
Segundo a coordenação do Sarau, todas as apresentações culminarão no 1°FESTIVAL DE MÚSICA DO CEFET-MA que acontecerá em dezembro e está sendo organizado pela professora de música Tânia juntamente com o professorJorge Leão.
Para obter mais informações basta entrar em contato com o próprio Diego Reis ou com André Mendes da turma 203 pelo e-mail mundoemovimento@yahoo.com.br .

sábado, 1 de novembro de 2008

POLÍTICA EM FOCO...

“Os conscientes também votam?”

“Caro eleitor, participar conscientemente de uma eleição é um ato de cidadania. Vote consciente”. Durante o período de campanha eleitoral é realmente de praxe, e também muito conveniente veicular tal concepção a fim de conscientizar a população da importância do voto. Muito relevante expor que uma escolha errada acompanhará o eleitor durante longos quatro anos. Entretanto, toda essa mobilização de louvável iniciativa também deve estar incluída no papel dos candidatos no decorrer da campanha. Porque na atual conjuntura brasileira, a forma como os candidatos se apresentam e o modo como conduzem e promovem a própria imagem têm deixado complicada a situação do eleitor, que na qualidade de consciente, tenta encontrar quem se enquadre em um parâmetro merecedor de voto já que os ideais de consciência e cidadania têm esbarrado com freqüência na mediocridade dos candidatos.


Escolher um aspirante ao governo é uma tarefa árdua, uma vez que todos aqueles que se apresentam ao cargo raramente correspondem às expectativas. Basta começar a analisá-los pelas campanhas: músicas, panfletos, enfim, poluição sonora e visual. E o que realmente conta na hora da escolha, o que de fato diz respeito ao cidadão, pouco é exposto: planos de ação. Há quem proponha com imensa cara-de-pau resoluções forçadas, “sem pé nem cabeça”, que de tão absurdas ofendem a capacidade de discernimento do eleitor. São coisas do tipo: SOS tapa-buraco, curso pré-vestibular para bairros pobres, e por incrível que pareça, ar-condicionado nos ônibus da capital. Quando não tão absurdas (como cursos para áreas carentes), as propostas são apresentadas como soluções pouco eficientes, já que se sabe que o investimento em educação deve ser feito em programas de governo para boas escolas públicas. E não pára por aí, existem candidatos cujas propostas são zero, conhecimento em torno da função é mínimo e que pelo simples fato de receber um cumprimento seu na rua, sentem-se à vontade para pedir voto. Fora os que reúnem coragem para divulgar promessas de tamanha grosseria sem que a consciência grite ou que soltem despreocupadamente exclamações do gênero “Calma, uma coisa de cada vez! Primeiro a campanha, depois, se eu ganhar, as propostas!”. Parece surreal, se levado em conta o rótulo de país livre, democrático e de pessoas conscientes. Mas ainda é necessário comentar sobre um outro elemento irritantemente peculiar ao período eleitoral: o constante estardalhaço em vias públicas com músicas frívolas e carreatas barulhentas que sempre esquecem do principal: apresentar a quem vota (e não vota também) o que pode ser feito para a garantia da qualidade de vida na cidade. E agora? Você vai encarar a urna com uma responsabilidade de que tamanho? São quatro anos... Depois a culpa é de quem vota... O destino da sua cidade está em suas mãos...

Diante desse terrorismo todo é impossível não desejar que as eleições acabem logo. Às vezes, no ápice da indecisão, é comum nos perguntarmos: os conscientes também votam? Para a maioria dos políticos, certamente, não. Tudo começa com a abordagem do candidato ao eleitor. Afinal, nomear um representante tomando por base apenas as propagandas veiculadas nas ruas é uma lástima dada à falta de qualidade das propagandas e respeito pela inteligência do cidadão. A começar pelas tais músicas, todas, diga-se de passagem, inúteis em letra e ridículas em melodia. Outro fator que depõe contra o candidato na difusão desses jingles é o respeito pelo volume e o horário de percorrer as ruas, fora a disputa sonora dos carros de som de inúmeros candidatos que toma conta das avenidas nos momentos mais conturbados do trânsito, construindo um cenário de puro caos sonoro e nenhum entendimento. Ora, pouco importa ao eleitor comprometido conhecer o número do candidato. Essa é a última coisa que se deve procurar saber uma vez que o mais importante são os projetos, o empenho e o conhecimento de causa do futuro governante. Que garantia há em um candidato que só apresenta o número para votar quando nada se sabe sobre ele? Seu percurso político, suas ações dentro da comunidade, seu caráter, tudo contará no prefeito que ele pode vir a ser e nas atitudes que ele irá tomar e que influenciarão na vida de toda uma cidade.


Um comício aqui, uma caminhada ali, responde à sabatina, dá entrevista, posa para foto, assim o candidato segue uma agenda divulgada diariamente. Mas ao fim, se você pergunta ao primeiro eleitor que encontra em quem ele votaria e o porquê de sua escolha baseando-se no conhecimento dos projetos do candidato, raro é aquele capaz de responder com convicção. Falta atenção? Falta. Mas a ausência de debates e interação com o povo é um fato, prova de que a política continua no mesmo caminho desgastado e sem efeito de sempre, nos quais grupos distintos ofendem-se, semelhantes elogiam-se e candidatos ainda aparecem afirmando que “agora vai!” sem explicar direito para onde.

O candidato compromissado com a mudança para melhor é aquele que vai até as pessoas e se interessa em conhecer suas necessidades dentro da comunidade. É aquele que mais do que um conhecedor de causa, vivencia as dificuldades e por isso conhece os pontos falhos e é capaz de desenvolver boas resoluções. Mais do que um representante, o governante é um profissional habilitado para administrar uma cidade gerenciando planos em benefício de todos, afinal todas as pessoas têm as mesmas necessidades básicas para uma vida digna, o que acontece é que a má distribuição do suprimento dessas necessidades degringola com as desigualdades sociais.

E se para quem já vota há anos é difícil tomar essa decisão entre tantos candidatos, para quem vai votar pela primeira vez e se preocupa com isso é uma verdadeira temeridade. Tudo porque o jovem carrega em si o desejo de mudança, de ir em busca do novo e encontrar melhorias. Votar pode ser uma boa chance de pôr essa vontade em prática, mas acaba por ser um dever penoso imposto pela sociedade civil. E há vários motivos para crer nisso: primeiro que o voto não é opção, é obrigatório. Segundo que constitui uma responsabilidade em torno do rumo que a política tomará na cidade. Terceiro que acostumado à mesmice, à massificação dos ideais poderá cair no erro gravíssimo de vender o voto ou escolher um representante aleatoriamente, demonstrando com essa atitude imaturidade e deslealdade consigo mesmo.

Por tudo isso é preciso que a consciência em torno das eleições não parta apenas de quem vota, mas também, e principalmente, de quem se candidata já que uma campanha limpa é capaz de gerar posicionamento. Sendo assim deve ser traçada com base na verdade em torno do candidato e isso conta a favor quando conseguimos escolher um profissional da política pelo conhecimento que temos sobre ele e nos identificamos com seus ideais acreditando na possibilidade de colocá-los em prática. Pois, por incrível que pareça, os conscientes também votam e ainda podem ser a maioria.

André Mendes é aluno do curso técnico em Alimentos do CEFET-MA
Talita Guimarães é estudante de Jornalismo da Faculdade São Luís e autora do livro Vila Tulipa.