sábado, 30 de maio de 2009

Do tempo que a Foca era caloura...

Filosofia: instrumento de libertação
Por Talita Guimarães*

Ao longo dos tempos, com o desenvolvimento da racionalidade, o homem manteve com o mundo uma relação de troca com o intuito de obter proveito de tudo que oferecesse utilidade e trouxesse retorno imediato e palpável. Assim, a humanidade construiu expectativas em cima de um sistema utilitarista, fortalecido com o crescimento do capitalismo e da busca desenfreada pelo lucro onde as pessoas priorizaram a importância das coisas dentro de um grau de utilidade e do suprimento de necessidades pré-estabelecidas pelo sistema.

Remando contra essa concepção surge a Filosofia, que não apresenta resultado imediato ou concreto que possa oferecer aos homens aquilo que em geral consideram lucro no contexto nutrido pelo capitalismo. Tudo o que a Filosofia propõe dá espaço à dúvida em torno da sua utilidade, quando na verdade o questionamento deve ser o início do pensar filosofia e não o “para que Filosofia?".

Quando se entende o pensar filosofia a partir dos conceitos dissociados de uma busca por resultados, o ser humano descobre que o conhecimento filosófico desperta no homem o desejo pela análise minuciosa da realidade em busca da compreensão de mundo e do princípio de tudo que hoje “conhecemos”. Para tanto é necessária a libertação dos conceitos pré-estabelecidos para o início de uma busca contínua pelo conhecimento. Nesse processo o filósofo não nos mostra a verdade, pois ele também a busca, mas nos orienta a encontrar o caminho que está dentro de nós mesmos.

Sendo assim, a filosofia não se enquadra no cenário da utilidade medida nos resultados, mas sim no convite à discussão com a intenção de questionar e estudar o que é de fato fundamental ao ser humano. Para começar basta tomar a máxima de Sócrates como ponto de partida: "Só sei que nada sei". E seguir em busca do conhecimento do que é o ser...

*Texto originalmente escrito em 2007, quando Talita cursava o primeiro período, durante a disciplina Filosofia ministrada pela Professora Joselle Couto.

2 comentários:

paulo calvet disse...

Pois bem.
Também tenho acompanhado teus ensaios e digo: quem não ensaia, quem não tateia, não conhece verdadeiramente o cheiro das coisas e não pode conhecer as coisas mesmas.

Quem não ensaia textos, leituras, qualquer coisa, não vive. Quem não ensaia não vive...

Continuemos, já que "a vida é curta demais pra ser pequena"!

Abraço.

Talita Guimarães disse...

Olá, Paulo!

agradeço as visitas e acrescento que seu comentário guarda a essência do que é a proposta do "Ensaios...".

Para conhecer a prática da profissão, conquistar o perfil do profissional competente e digno de ser chamado de jornalista não há outra forma se não treinar, rascunhar, esboçar... ensaiar.

De fato, existem por aí mil exemplos de que quem não treina, e mas do que isso, não se interessa em buscar pelo conhecimento... não vive de verdade... apenas submete-se ao sistema que lhe faz de marionete...

abraços,

e visite-nos sempre!

Talita Guimarães
Foca do "Ensaios..."