domingo, 24 de maio de 2009

MÚSICA E SOLIDARIEDADE EM FOCO

Festival da Solidariedade reúne arte, consciência ambiental e mobilização social no IFMA
Campanha em prol dos desabrigados pelas enchentes mobiliza alunos e servidores do Instituto Federal do Maranhão durante tarde de apresentações culturais no campus Monte Castelo.
Por Talita Guimarães
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão -IFMA, antigo CEFET-MA, realizou na última sexta-feira (22), o FESTIVAL DA SOLIDARIEDADE no pátio do Campus São Luís - Monte Castelo. A intenção da atividade visou chamar a atenção da comunidade acadêmica de um jeito diferente para a importância da arrecadação de donativos que serão entregues ao Exército para a distribuição entre os desabrigados pelas enchentes no interior do estado.

Arte foi a linguagem escolhida para centralizar o movimento na escola a partir do horário do almoço, quando estudantes trocam de turno, chegam de estágios ou permanecem na escola para aguardar pela educação física ou reunir equipes de trabalhos ou grupos de estudo. A escolha partiu dos professores Jorge Leão e Tânia Rego, filosofia e música, respectivamente. Como já ficou comprovado que o Instituto Federal do Maranhão, além de pólo na área de ciência e tecnologia, é também celeiro de muitos artistas, entre estudantes, professores e servidores, Jorge Leão decidiu organizar uma ação com os próprios talentos da escola e alguns convidados especiais.

Assim, abrindo a programação da tarde da sexta, houve uma edição do Sarau Musical - que apresenta durante o horário de almoço a contextualização histórica de algum movimento musical - com a participação do cantor e compositor Jô Santos, que é pai da aluna Talissa Guimarães da 1ª série do curso de Eletrotécnica e da ex-aluna da instituição Talita Guimarães, que o acompanhou na percussão e é ainda escritora cujo primeiro livro foi publicado pela escola em 2007.


Durante uma hora e meia de sarau, Jô prendeu a atenção de alunos e servidores com uma explanação contextualizada sobre a história da Bossa Nova. O cantor, que completou 30 anos de carreira, percorreu o movimento musical desde seu surgimento, entre os músicos cariocas Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes, passando pela interpretação das principais composições bossa-novistas entre elas “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Wave” e “Desafinado”. Jô falou ainda, sobre o processo de composição na Bossa Nova e explicou ao público que o movimento inaugurou uma nova fase na música popular brasileira com a introdução de acordes dedilhados ao violão e harmonia mais trabalhada, além da mudança no tom de voz dos cantores, que adotaram a suavidade em contrapartida aos grandes cantores da época conhecidos pelo “vozeirão”. Ao fim, Jô Santos comentou um pouco sobre os movimentos que sucederam a Bossa Nova, mediante a situação histórica do Brasil, uma vez que com a ditadura militar as manifestações artísticas foram reprimidas, dando margem a criações mais ousadas em composições que usavam metáforas para falar do regime, a exemplo da música de protesto feita por nomes como Chico Buarque e Geraldo Vandré. “Mas, hoje, quando falamos em Bossa Nova, nos referimos a um movimento que não morreu, que pelo contrário, é atual pelas letras e por ser referência internacional em termos de música brasileira”, finalizou Jô Santos, por volta das 13h30, quando os alunos retornaram às aulas.


O Festival retomou a programação às 16h30, no horário de intervalo dos estudantes, com a apresentação do Coral Corpo e Voz, formado por servidores e alunos do instituto. Regido pela professora de música Tânia Rego, o coral apresentou as canções “Pega no Ganzê” de Telma Chan, “Canto do povo de um lugar” de Caetano Veloso e “Cio da Terra” de Milton Nascimento e Chico Buarque.



A professora Tânia classificou a proposta do festival como positiva, “Pois reuniu o momento de cultura e lazer ao de mobilização social pelas vítimas das enchentes”, disse lembrando ainda da importância da doação. Sobre o coral, destacou a evolução do trabalho que vem sendo desenvolvido desde o segundo semestre do ano passado, quando o “Corpo e Voz” foi formado. “Pelo pouco tempo de formação, já foi desenvolvido um trabalho muito bacana entre a comunidade acadêmica”, avaliou.

A tarde contou com a participação especial do Professor de Violão Raimundo Nonato Privado, da Escola de Música do Maranhão (EMEM), que se apresentou a convite da professora Tânia, com quem formou um afinado dueto sax e violão e encantou a turma na execução de clássicos como “Carinhoso” de Pixinguinha e João de Barro e “Samba em Prelúdio” de Baden Powell e Vinícius de Moraes.





Para Manuelle Serêjo, estudante do curso de Eletrotécnica, o festival foi interessante pela maneira como abordou a temática ambiental em questão e ressaltou a importância da mobilização. “Esse tipo de atividade é importante em todos os lugares, mas principalmente na escola porque é o lugar que nos prepara para o mundo. E é principalmente sobre as coisas que acontecem a nossa volta que devemos estar atentos e sempre que pudermos, ajudando a melhorar”, opinou a estudante.
E como não podia faltar, a programação incluiu a participação da Banda Móbile, formada pelos ex-alunos Pedro, Fernando e Alessandro passeando pelo bom repertório da música nacional, entre eles Cássia Eller, Nando Reis, Lulu Santos, Cidade Negra, Paulinho Moska, Jota Quest e Legião Urbana.




A banda acompanhou também o aluno João Felipe, que além de participar do coral do instituto, aproveitou para cantar e mostrar um pouco de seu talento na gaita e na guitarra.


O professor Jorge Leão também se uniu aos meninos da Móbile para uma saideira e até mesmo o professor Paulo Leão, que estava assintindo ao festival, foi convidado a tocar guitarra para acompanhar a música “Toda Forma de Poder”, sucesso dos Engenheiros do Hawai.


Para Pedro, baixista da Móbile, a iniciativa do festival é interessante pelo fato de trabalhar a promoção da causa através da cultura, aproveitando os talentos da própria instituição que apesar de focar no ensino tecnológico tem muitos alunos e servidores com potencial para as artes. “Acho que é muito válido todo tipo de iniciativa que visa ajudar e amparar quem necessita. Toda e qualquer mudança que visa a melhoria, por menor que possa parecer, já é uma ajuda.Tirando o fato que é muito legal ver o cefet, uma escola técnica, promovendo eventos culturais”, comentou Pedro, que estudou no Cefet entre os anos de 2004 e 2006.

O encerramento do dia de festival teve ainda o estudante André Bandeira, do segundo ano de Desing de Produto, declamando a poesia “Touro Encantado” de Ferreira Gullar. A Móbile fechou a programação da sexta por volta das 19h30, tocando “Pais e Filhos”, que segundo o vocalista Alessandro “É uma música que nunca escapa ao repertório da banda”.



O professor Jorge Leão informou que o festival continuará durante a próxima semana com mais atrações culturais no campus Monte Castelo, chamando a atenção da comunidade para a arrecadação em prol dos desabrigados. Lembrando que a meta do IFMA é arrecadar pelo menos 10 toneladas de donativos que serão encaminhados ao Exército Brasileiro para a distribuição entre as vítimas das enchentes no interior do Maranhão.

A sociedade em geral está convidada a aderir a campanha do Instituto Federal do Maranhão, entregando doações no Campus Monte Castelo, localizado na Avenida Getúlio Vargas, n° 04, antigo CEFET-MA. Para maiores informações sobre a arrecadação basta entrar em contato através dos telefones 3218 9061 e 3218 9110.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog!
Quer dizer que seu talento vem de família...
Saudações Coloradas =D

Talita Guimarães disse...

Olá Carol, minha amiga colorada!!!!

pela saudação só podia ser! Viva o Inter (hehehe), "glória do desporto nacional...".

Valeu a visita!!!

Então, tenho bons exemplos em casa: pai professor de língua portuguesa e músico, mãe poetisa, irmã caloura do IFMA... que mais eu posso querer? Tenho que retribuir e me sinto na responsabilidade de fazer isso da melhor forma que conseguir. Além de gostar muito desse ofício!

Volte sempre!!!

abraços colorados!!!

Talita
Foca do "Ensaios..."