sábado, 2 de maio de 2009

PARCERIA EM FOCO

Sobre a efemeridade do ser...



Por Saulo Galtri e Talita Guimarães*
Em um mundo cujos conceitos estão todos definidos de modo que quando nascemos encontramos todas as verdades já delineadas pelos mais experientes, mais vividos, mais ditos conscientes, certas ocasiões transformam em desafio a tomada de decisão diante de questões cujas respostas parecem não condizer de todo com a realidade que em um outro plano teríamos idealizado. Basta lembrar que as vezes a situação pode fugir ao controle das regras básicas, e pôr em choque aquilo que você pensa de verdade com o que a sociedade espera que você pense e faça.

Na busca pela autoafirmação, as pessoas externam aquilo que não lhes é essencial, mas sim necessário ao convívio em sociedade. Deixam de lado verdades interiores que às vezes, pela prática cotidiana de maquiar-se com as cores do tom social, acabam sendo transformadas em mentiras intimas. Coisas que não se deve dizer, apesar da concordância em pensar. Ações que devem ser evitadas em função da reação que podem provocar. Aparências que devem sobressair e prevalecer em detrimento de detalhes que se perdem aos poucos .

No entanto, não há como não lembrar que tudo aquilo que nos é podado pela sociedade se acumula com o tempo e esse sim é um fator taxativo, determinante, porque mostra o quanto tudo de material conquistado e firmado pode ser extremamente efêmero. Bens materiais se desgastam, perdem-se, deixam de ter o mesmo valor. E os desejos, as vontades, antes tão intensas, também são passíveis de mudanças temporais e inesperadas. Nada disso é novidade, mas nossa vida em sociedade insiste em bater na tecla dos padrões de comportamento e ditadura de moda e atitude. Ainda ensinamos normas às crianças e ainda dizemos aos outros que atitudes consideramos certas para se tomar. Nos atemos muito mais a regras decoradas do que a essência do ser e a compreensão sobre a real necessidade do agir.

Todo esse processo ocorre gradativamente dentro da sociedade. A padronização se dá dentro dos grupos e instituições, sendo que a primeira etapa começa com a família. Essa instituição secular exerce papel indiscutível na formação de novos indivíduos, mas uma vez tomada pelo senso comum e pela ausência de discernimento sobre a educação de seus filhos e filhas, cai no buraco da mediocridade criando indivíduos cheios de lacunas, que não sabem agir nem pensar sem uma opinião externa anterior a sua escolha. Pior que seres dependentes, esses homens e mulheres somam uma parcela grande da sociedade, que não consegue opinar com coerência e segue a vida tropeçando constantemente nas lacunas dos outros e nas próprias dúvidas.

Dentro desse mesmo contexto há, ainda, uma outra parcela de indivíduos um tanto controversa, que mesmo consciente da efemeridade do ser e ter, age medindo as situações, dançando literalmente conforme a música. São pessoas que tem potencial para “mover o mundo” no sentido inverso à massificação de ideais e predominância de aquisições puramente supérfluas, mas que por enxergarem apenas o tamanho do desafio, deixam de considerar que os resultados podem ser maiores e mais louváveis que os louros e o suor empenhado. Esses homens e mulheres de situação e oportunismo esquecem-se que o mundo será etéreo se o fizermos assim, e isso depende de nossas ações solidificadas em conceitos construídos pelo bem comum, pelo crescimento favorável a todos e não pelo comportamento previsível que não questiona, não discute, apenas aceita, embora as vezes não concorde de todo, apenas submeta-se. Se nossa sociedade continuar na mão de pessoas assim, estaremos fadados a perda da história, do aprendizado e da formação de senso crítico. Fadados a um conjunto de seres incapazes de prover com qualidade e competência a própria existência.
Mas nem tudo está perdido, prova disso é que novas gerações se formam graças a ações aparentemente isoladas de pessoas que não desistem e apostam suas fichas na valorização do ser humano e na construção de valores sedimentados no conhecimento do homem sobre si mesmo e sobre o impacto de suas ações. Parte dessas pessoas, cujas ações louváveis estimulam outras a continuar, são nomes de nossa sociedade que lutaram por melhorias e implantaram mudanças e concepções nascidas da inconformação com o sistema preexistente. Pesquisadores, estudiosos, artistas e cidadãos comuns que sempre ganham notoriedade se seus objetivos são perseguidos e conquistados com louvor, mostrando à parte oca da sociedade que é possível mudar, que é possível melhorar e desenvolver a humanidade com mais benefícios quando se leva em consideração a essência humana, a verdade interior que muitos não conhecem direito ou negam-se a ver rendendo-se às meias verdades alheias.
Nesse sentido, o ânimo que fica está relacionado ao questionamento saudável, que tem por fim discutir o que está sendo proposto para que se mude para melhor, voltando a atenção para questões e ações mais pertinentes, mais humanas e verdadeiramente essenciais. Preencher as lacunas com a tomada de consciência é um primeiro passo para compreender que tudo passa, a sociedade muda e que aquilo que permanece é o que outrora foi construído com solidez, com a finalidade de abranger a todos da melhor forma possível, e não simplesmente a fim de suprir uma necessidade momentânea.

*Saulo Galtri e Talita Guimarães são acadêmicos do quarto período de Jornalismo da Faculdade São Luís e esboçaram esse texto no ônibus, a caminho de casa.

Um comentário:

Rafael disse...

Olá!
Valeu por seguir meu blog!
Depois dou uma lida aqui no seu com calma...
bjs