terça-feira, 30 de junho de 2009

DIPLOMA EM FOCO

Pronunciamento Oficial da Federação Nacional de Jornalistas -FENAJ
Campanha Jornalistas por Formação:
Melhor para o Jornalismo, Melhor para a Sociedade


Clique no folder para ler o texto da campanha

segunda-feira, 29 de junho de 2009

SÃO JOÃO EM FOCO

Instituto Federal do Maranhão realiza primeiro arraial como IFMA

Em 2009, Arraial do IFMA conta com o apoio de uma turma que entende do assunto: alunos do curso técnico em eventos. E traz ainda para a escola, a oportunidade de valorização da cultura maranhense em tempos de festa junina.

Texto e fotos de Talita Guimarães
Organizado por cerca de 15 estudantes dos cursos de Eletrotécnica, Edificações, Design Gráfico e de Produto e Alimentos, o Arraial do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, realizado na última sexta (26) no Campus Monte Castelo, contou com um reforço diferenciado: alunos do curso técnico em Eventos do IFMA integraram a comissão organizadora do arraial. Sendo assim, a festa junina foi realizada dentro de um planejamento, com pesquisa e execução feita pelos próprios alunos como prática disciplinar. O resultado foi um arraial distribuído em três espaços: pátio destinado a atrações da cultura maranhense, praça com barracas de comidas típicas e na área de vivência, forró pé-de-serra ao pé da escada,. Pelo conjunto, o evento proporcionou a integração da comunidade acadêmica com as manifestações culturais fortes do período junino maranhense e a oportunidade de alunos de várias turmas arrecadarem fundos para formaturas e viagens com a venda de comidas típicas.


Praça de alimentação: barracas enfeitadas, comidas típicas e arrecadação de dinheiro para formaturas e viagens


O evento teve início às 14h, com a apresentação do Trio Poeirão que pôs servidores e alunos para dançar ao som do genuíno forró pé-de-serra. Enquanto isso, do outro lado do pátio, próximo à entrada do ginásio, vários estudantes cuidavam dos últimos preparativos na decoração das barracas, pois a barraca mais bem enfeitada seria premiada ao fim do arraial.



Trio Poeirão anima arraial com típico forró pé-de-serra; servidores dançam em todos os cantos, no detalhe, servidora dança no alto da escada.


Alunas de Artesanato montam barraca Espaço Arte: segunda barraca mais bem enfeitada do arraial


Manuelle e Jonas, do terceiro ano do curso de Alimentos, a frente da barraca Tudão; Thamiris e Eliane de Edificações na modalidade subsequente cuidam da Cantinho Doce.


Barraca Mulheres Mil traz coreiras e tambor-de-crioula para a decoração da barraca. Resultado? Primeiro lugar como barraca mais bonita.

"The Mecanicats", dos alunos de Mecânica concomitante; "Edificar" da turma de edificações


"Bora Cá" da turma de Eletrotécnica, na foto, André Diogo, Bárbara, Thaís e Alan


Das turmas de terceiro ano em Design Gráfico e Design de Produto, a barraca "Pisa na Fulô". Na foto, o estudante Raphael tira o chapéu para os quitutes oferecidos na barraca.

Eduardo é o garoto-propaganda da"Mate a Broca", barraca da turma de Eletrônica

Turma do 1º período de Matemática marca presença na barraca "Fogo no seu π"

Sob o comando da comunicação de “Ligeirinho”, a primeira dança a pôr os pés na área reservada a apresentações foi o Cacuriá 100 Vergonha, do bairro Maiobão. Em seguida a programação prosseguiu intercalando as danças entre o som do Trio Poeirão. Nessa ordem, a plateia assistiu à irreverente Quadrilha “As Fraudetes” que mesclou as fantasias carnavalescas aos passos da quadrilha e ousou trazendo rapazes vestidos de moças e vice-versa. Em seguida, foi a vez do Grupo Folclórico Baile de Caixas encantar o público, com o trabalho desenvolvido a cerca de um ano no bairro Fé em Deus. Segundo a diretoria do grupo, o diferencial do baile está na reunião de todos os ritmos da cultura maranhense tocada ao som das caixas, instrumento tradicional utilizado no cacuriá e no Festejo do Divino Espírito Santo. “O Baile de Caixas faz uma homenagem a todas as manifestações, da quadrilha ao bumba-meu-boi”, informa Iuca, membro da brincadeira. Outra novidade é que esse é o primeiro ano em que o grupo se apresenta oficialmente em arraiais e conta com 48 integrantes da faixa etária dos 8 aos 28 anos. “Nosso trabalho é pela valorização das raízes da cultura”, explica Iuca, sobre a participação das crianças na dança.







Cacuriá 100 Vergonha dá largada às apresentações do Arraial IFMA 2009





Quadrilha "As Fraudetes", irreverência caranavalesca em passos de quadrilha





Baile de Caixas encanta público com homenagem às raízes culturais ao som das tradicionais caixas.

Uma das ações da organização do arraial foi a divulgação do evento na mídia. A equipe do programa Maranhão TV, transmitido pela TV Difusora, esteve no local cobrindo as apresentações e o jornalista José Raimundo Rodrigues aproveitou a ocasião para veicular o DVD em homenagem ao cantador de Bumba-meu-boi Bartolomeu Santos, mais conhecido como Coxinho, eternizado pelos versos da toada “Urro do Boi”.

Dando continuidade às apresentações, o grupo de dança Yanca e Cia apresentou uma série de coreografias bem ensaiadas ao som da variação do forró tocado pelas bandas atuais.



Yanca e Cia: passos coreografados e simpatia do corpo de baile

Mais uma pausa para as atrações e finalmente foi divulgado o resultado da eleição da barraca mais bem enfeitada. O primeiro lugar foi conquistado pelas alunas do Projeto Mulheres Mil, que decoraram a barraca com o tema “Tambor-de Crioula” com direito a fogueira de São João, coreiras e tambores. Já o segundo lugar ficou para a barraca Espaço Arte da turma de Artesanato da Uned - Centro Histórico. As alunas do Espaço Arte aproveitaram o momento para sortear quatro obras da literatura: “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco, cujo ganhador foi o Prof. Eduardo da Uned, dois exemplares de “Falar bem é Fundamental” de Marques Soares, que foram para os alunos Nailton e Mavde e por último quem levou “O Cortiço” de Aluísio Azevedo foi a estudante Jéssica Silva.

Por fim, foi a vez do batalhão do Boi União da Baixada esquentar os pandeirões e posicionar as matracas em punho para encerrar da melhor forma o arraial do IFMA. O grupo, de sotaque de matraca, trouxe a marcação forte do bumba-meu-boi para dentro da escola e colocou alunos e servidores para dançar junto dos brincantes e arriscar ainda acompanhar a brincadeira com matracas e palmas improvisadas.





Boi União da Baixada: sotaque da tradição

Segundo o estudante Jeferson Santos, membro da comissão organizadora do arraial, a festa teve um saldo positivo, mas haverá ainda uma reunião com a coordenação e a direção da escola para avaliar a execução do evento assim como os pontos positivos e ainda o que pode ser melhor trabalhado.


A organização estima que cerca de 1500 pessoas tenham passado pelo arraial durante toda a tarde, entre alunos, servidores, brincantes e ainda ex-alunos. O Arraial do IFMA foi uma realização dos alunos juntamente com o apoio e incentivo dos professores Jorge Leão e João Carlos, das coordenações de Articulação do Ensino Médio Integrado e Ensino.

sábado, 27 de junho de 2009

PARCERIA EM FOCO

Sobre uma instituição dos sonhos...*

por André Mendes* e Talita Guimarães**

O mundo não pára de girar. A sociedade se mantém em constante movimento. Tudo muda a todo instante de alguma forma. Conceitos, padrões, normas, leis, tecnologias, atitudes. Da imperceptível embalagem de um produto a toda uma reforma no ingresso de estudantes nas universidades do país. Da reforma ortográfica às variações nas taxas de juros. Assim, a História ensinada nas escolas precisa ser atualizada a cada período letivo. E nesse sentido não há discussão: a vida estará sempre sujeita a mudanças, boas ou más, certas ou erradas, aceitáveis ou questionáveis, exatas ou duvidosas.

Dentro desse contexto, sabemos que mudar é, muitas vezes, um processo natural e até necessário. E que compreende a capacidade de perceber o que está adequado e o que precisa ser transformado. Mudar pressupõe a análise de uma realidade com olhos atentos a totalidade, para perceber quais elementos precisam de reparo. E é preciso notar que a mudança em si não é necessariamente uma substituição de tudo por algo completamente novo. Há uma série de níveis a percorrer, que vão do simples ajuste a uma reforma total ou mudança radical. Dentro de todo esse processo é bom ressaltar que quem determina o grau de mudança é a necessidade da alteração. Em alguns casos, mudar significa inovar, transformando o que já existe em algo potencialmente melhor.

No mais, todo processo de mudança guarda desconfiança, medo e incerteza. Quando somos pegos de surpresa, o impacto da mudança pode ser maior que a própria transformação em si. Quando sabemos que a modificação visa melhorias, geramos expectativas em cima dos resultados e sempre estamos expostos a decepções. Nesse sentido podemos entender que há vários modos de mudar, e muitas consequências e reações diferentes para cada tipo de mudança.

E para exemplificar que esse processo acontece a todo momento e em todos os lugares, vamos escolher uma área da sociedade que clama por alteração, pois sendo a base, reflete em todos os outros campos de interesse social, a educação. Pois bem, em um contexto geral a educação foi pauta de muitas mudanças em 2009. Logo em janeiro, a reforma ortográfica para os países de Língua Portuguesa entrou em vigor, assustando estudantes, contrariando professores e tendo de ser aceita por toda a comunidade lusófona. Questionamos, procuramos mais informações, nos adequamos - ou estamos tentando ainda. Foi uma mudança grande porque seu campo de abrangência atingiu muitas pessoas, mas em suma, detalhes da nossa ortografia foram alterados.

Em março, o Ministro da Educação Fernando Haddad apresentou ao país o novo formato de ingresso ao ensino superior. Uma mudança radical, de debate importante, pois modifica o vestibular estruturalmente e tem plano de ação para já entrar em vigor em outubro desse ano. E aí, a adequação a essa mudança ocorrerá a toque de caixa entre concluintes do ensino médio, escolas e cursos pré-vestibulares. Trazendo todas essas perspectivas sobre mudanças para o nosso contexto, vemos que o então CEFET-MA também já não é o mesmo. Hoje somos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, ou simplesmente IFMA. Convivemos em nosso dia-a-dia como alunos, professores, servidores, ex-alunos e famílias de alunos, com mudanças na estrutura de nossa escola. Consideramos que toda essa nova instituição que se ergue trará melhorias significativas se os objetivos forem alcançados. Mas será que estamos cientes de que os objetivos só serão alcançados se nós, e a ênfase não é exagerada porque somos nós que formamos a instituição que queremos, nos empenharmos em atingí-los? O CEFET-MA, que muitos insistem em continuar chamando de Escola Técnica, sempre foi visto com grande orgulho pela sociedade maranhense. Talvez por isso, nossos pais ainda o chamem pelo nome que se fez grande: pela famosa e contagiante banda de música que despertava admiradores por onde passava, pelo desempenho nas modalidades esportivas que sempre se destacavam nas competições pelo país afora, pelo teatro, cujo palco alimentou sonhos de plateias sob a forma de magníficos espetáculos. Por tudo que a simples menção de um nome faz lembrar em várias gerações.

Mas como tudo, essa realidade mudou. A instituição cresceu, e é certo que também passou por dificuldades, mas algumas coisas, entre tantas que poderiam ficar, permaneceram e talvez nunca mudem: a determinação, dedicação e coragem de seus alunos. Estes, ao ingressarem no antigo CEFET, hoje IFMA, quase sempre sofriam um choque por nem sempre encontrar na realidade as expectativas de seus sonhos, alimentados pelas lembranças de seus pais e da eterna escola técnica.

Hoje, a instituição enfrenta o maior de seus desafios: mudar novamente. Mas mudança não significa jogar o passado e seus erros fora, nem trocar de nome, nem mesmo se restringir a fazer grandes reformas materiais e de infra-estrutura. A mudança que esperamos, pelas quais instituimos sonhos vai muito além e se inicia com a mais difícil de todas elas: a mudança de pensamento, a partir da revisão de valores.

Agora é a hora de renovarmos a maneira como analisamos a responsabilidade da instituição, a forma como professores, alunos e servidores se relacionam. É o tempo de investirmos na transparência de nossas relações em comunidade, de fugirmos da desgastante retórica e implantarmos de uma vez por todas a ação, de percebermos que estamos longe de um processo educativo pleno, mas que é possível, com dedicação e coragem, jogarmos fora o ego que o poder do conhecimento nos traz e promovermos o diálogo e o trabalho coletivo de nosso colaboradores.

Junta-se a isso, nosso dever de destacar as responsabilidades inerentes aos alunos nesse processo de mudança, relembrando-os que representam a identidade de qualquer instituição de ensino. Sendo assim, seus valores, opiniões, expressões artísticas, científicas e culturais são os medidores da qualidade dos serviços do instituto. É indispensável que todos aprendam a se mobilizar, organizando-se politicamente, reivindicando seus direitos e discutindo ideias com os novos membros que anualmente ingressam nesse mundo de oportunidades e renovam sua forma de pensar. Estamos diante da visita que tanto desejamos. A chance de mudar está batendo na porta, mas abri-la e deixá-la entrar é fácil e no nosso caso, inevitável. O desafio, que determinará a concretização da mudança como positiva, é saber transformar a visita em amigo, desses que ficam permanentemente conosco e mesmo quando parecem não serem mais novidade mostram a nós que os ensinamentos são válidos e servem para prosseguir implementando melhorias e ajustando o que está errado com coerência e consciência. Mas para tanto, exigem ação participativa. Alunos, servidores, professores e famílias integrados, trabalhando juntos pela construção da escola que queremos. Cabe tanto às nossas ações pessoais, no dia-a-dia de estudo, concentração e trabalho quanto nas coletivas: alunos reivindicando direito a aprendizado, servidor lutando por melhores condições de trabalho e professores valorizando sua profissão com um trabalho compromissado.

Vale lembrar, que assim como as atitudes positivas partem de nós, a consciência em torno dos nossos erros também é um bom começo para a efetivação da mudança que queremos. Portanto, devemos parar de reclamar e de pensar que mudança é só reivindicação de direito e reparar primeiro em nossas ações e em como a partir delas estamos interferindo na construção da nova escola. Assim, daremos o primeiro passo, aparentemente isolado, para iniciar a reconstrução do ambiente em que vivemos.

Sonhar também é importante. Querer muito que a escola melhore é fundamental, mas temos que lembrar que o sentimento de mudança não move o mundo. Sentimento por sentimento, vontade por vontade não altera nada. Não move nem um grão de areia, quanto mais montanhas. Sendo assim, devemos perceber que o IFMA não se erguerá com a força e consistência que queremos se não estivermos participando efetivamente desse processo de reconstrução. E aí, há espaço para ações de todas as partes interessadas: alunos - a razão de ser do instituto; professores - os profissionais responsáveis pela orientação e o direcionamento à construção do conhecimento; servidores - peças fundamentais a manutenção da estrutura administrativa e funcional da escola; famílias - base e elo com a comunidade e ex-alunos - parte da escola que agora atua na sociedade, levando o nome da instituição por onde passa. Assim, devemos ter a certeza de que as mudanças nunca param e que como diria Auguste Comte, precursor do Positivismo Filosófico, “progredir é conservar melhorando”.

Da Escola Técnica ao IFMA: um percurso centenário de mudanças
De Escola de Aprendizes Artífices do Maranhão, Liceu Industrial de São Luís, Escola Técnica Federal de São Luís, Escola Técnica Federal do Maranhão, Centro Federal de Educação Tecnológica até Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia há um percurso centenário. Poucos têm conhecimento de que o atual IFMA já recebeu todas essas denominações e foi criado por um decreto estabelecido pelo então Presidente da República Nilo Peçanha. Dentro do histórico da instituição, somam muitas mudanças, melhorias e reformulações de sistema. A transição da nomenclatura Escola Técnica para CEFET foi resultado da mudança institucional datada de 1989, e foi lei assinada pelo Presidente José Sarney em virtude da instalação de grandes indústrias no estado do Maranhão. Para suprir a necessidade profissional desse processo industrial, a escola ofereceu à comunidade cursos técnicos profissionalizantes a nível médio e implantou aos poucos cursos de ensino superior na área tecnológica. Todo o processo que constitui a transformação em IFMA começou em dezembro de 2007 com o anúncio do Ministro da Educação sobre o novo formato de educação da rede federal de ensino. Desde então, o Ministério do Planejamento enviou o projeto do novo formato à Casa Civil, que junto aos CEFET’S através da catalogação feita pela chamada pública e do grau de aceitabilidade da transformação, escreveu o projeto de lei que foi assinado pelo Presidente Lula no dia 29 de dezembro de 2008. Dentro do CEFET-MA, foram realizadas inúmeras reuniões com o conselho diretor, os corpos discente e docente e os servidores para avaliar os benefícios da mudança e a opinião dos mesmos. Por fim uma assembléia geral realizada em fevereiro de 2008 votou e aprovou por 144 votos contra 19 a implantação do IFMA. Desse modo a modificação prevê desde o slogan da instituição até o projeto político pedagógico e a quantidade de cursos oferecidos. O número de vagas também deverá aumentar assim como a abrangência da rede federal com a agregação das escolas agrotécnicas.




Percurso centenário


Infográfico retirado do Portal do Ministério da Educação: http://portal.mec.gov.br/redefederal/reordenamento.php



* Texto originalmente publicado no jornal semanal do Projeto Rádio-Escola veiculado dentro do Instituto Federal do Maranhão (IFMA)

*André Mendes é aluno do IFMA e pesquisador do Projeto Rádio-Escola

*Talita Guimarães é ex-aluna do IFMA e atual estudante de Jornalismo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

JORNALISMO, JORNALISTAS E SOCIEDADE EM FOCO

Então acharam que nosso ofício não requer conhecimento específico... então disseram que qualquer um pode ser jornalista... então decidiram que o diploma não é necessário... Para aqueles que ouviram essa série de devaneios e agora não sabem se posicionar, segue abaixo um pequeno resumo sobre o nadinha de conhecimento que aprendemos na faculdade de comunicação e que segundo pensam nossos ministros, não é nem preciso estudar para saber... Ao fim, peço ao prezado leitor(a) que não deixe de comentar sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal em REVOGAR, ANULAR, INVALIDAR a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.
BARROS FILHO, Clóvis. Objetividade Aparente e Objetividade como Estratégia. In:____ Ética na Comunicação. 4ª ed. São Paulo: Summus, 2003. p. 21-61.
Por Talita Guimarães*

Para falar sobre objetividade como um critério considerado indispensável à prática jornalística, o professor universitário Clóvis Barros Filho em seu livro “Ética na Comunicação”, descreve o desenvolvimento da comunicação através da profissionalização do informar, percorrendo desde o surgimento da concepção de objetividade, cujo fim era estabelecer um padrão para o exercício do jornalismo ideal, até seus desdobramentos ocasionados pela evolução do pensamento ideológico e da vertente interpretativa da profissão.

Inicialmente, o texto “Objetividade Aparente e Objetividade como Estratégia” expõe as questões que caracterizam a objetividade informativa, tais como conceitos, paradigmas, a quem de fato interessa ser objetivo e para quem interessa que o texto seja objetivo. Nesse sentido, Barros Filho analisa a capacidade da redação jornalística alcançar a objetividade vislumbrada como uma representação do jornalismo ideal, uma vez que dentro do percurso histórico da profissão há uma oscilação perceptível na adoção do critério dentro da construção do texto.

Segundo o autor, a objetividade jornalística surge com a “evolução do espaço ideológico” sob influência do Positivismo Filosófico de Auguste Comte, vertente filosófica que alcança o nível de cultura dominante quando enfatiza a necessidade de um estudo que represente a realidade tal como ela é, sendo que esse conhecimento só será alcançado se o método de pesquisa for científico, racional, preciso e claro, objetivo. Dentro desse contexto, surgem as distinções entre fato e juízo de valor, real e valoração humana do real e acontecimento a ser estudado e opinião. Totalmente concernentes ao jornalismo como prática profissional a serviço da sociedade, essas questões entrelaçaram-se não só com os interesses econômicos ligados à eficácia ou à rentabilidade dos veículos, mas principalmente à legitimação de um produto, e aí surge a necessidade de convencer os receptores da credibilidade da notícia. O texto fala inclusive, que a adoção dessa ditame positivista tem a intenção de modificar a prática jornalística do ponto de vista da qualificação da profissão para o público.
Mas se por um lado, a objetividade foi englobada por interesses econômicos, por outro modificou estruturalmente a redação dos textos. Da necessidade de viabilizar a leitura facilitando a apreensão imediata do substância dos fatos, surgem as técnicas do lead e da pirâmide invertida, que sintetizam logo nos primeiros parágrafos do texto as principais informações. Uma vez obrigados a aderir à racionalidade no trato das informações, os jornalistas começaram também a serem pressionados pelo crescimento da concorrência entre os veículos, de modo que fatores como tempo e a celeridade na produção e difusão das matérias tornaram-se inseparáveis às redações. Barros Filho aponta como consequência desse processo, o fato da prática da objetividade tornar-se conveniente aos repórteres, pois a frieza no trato das informações “eximia-os” de responsabilidade ética e até jurídica. Nesse contexto, faz-se presente o argumento da Teoria do Espelho, da verdade mostrada “nua e crua”.
Quanto a evolução da representação do jornalismo objetivo, o texto fala que houve um desprestígio da objetividade jornalística com o desenvolvimento da prática. O autor analisa que o surgimento do jornalismo interpretativo causou polêmica pela “quebra do espelho”, na inserção da interpretação via juízo de valores, já que agora os jornalistas queriam expor “o fato sobre o fato” alegando que o leitor ficava confuso e mal informado com a oferta de uma série de informações isoladas e sem impressão interpretativa.
Entretanto, a televisão, pela própria condição, impõe o uso da objetividade primeiro pela questão do tempo, a transmissão das informações tinha que ser precisa e objetiva, e segundo porque a objetividade era uma estratégia, já que ser visto como objetivo elevava o status de “fonte informação” junto ao público. Como discurso, Barros Filho considera a objetividade como “impossível ideal-típica” e como “ideal-típica como intenção ou procedimento”, avaliando as distinções entre as formas que o critério assume. O primeiro detém-se na impossibilidade de existência da objetividade absoluta, que tal como a imparcialidade, deve ser considerada como um modelo abstrato mas ainda assim uma tendência, pela permanência da informação jornalística.
Nesse sentido, o autor discorre sobre informação e verdade, factualidade, legibilidade, checabilidade e imparcialidade, além do valor da informação. Já no segundo item, o texto apresenta a objetividade como um procedimento que parte do jornalista, a partir da sua concepção deontológica quanto a importância de produzir um jornalismo responsável com a informação difundida. Há ainda, o caráter intencional da objetividade, quando o autor pondera que a informação deve ser tratada com uma objetividade pauta na deontologia, de modo que a difusão dessa informação tenha real utilidade para as pessoas que irão recebê-la.

Por fim, o autor critica o modo como as técnicas do lead e da pirâmide invertida formam um novo tipo de leitor, apelidado de “leitor de manchete” ou “leitor de banca”. Em linhas gerais, Clóvis Barros Filho em “Objetividade Aparente e Objetividade como Estratégia” descreve como ocorre a construção do texto objetivo com base na integração entre os critérios de noticiabilidade, a deontologia e o nascimento de novas formas de jornalismo, entre elas a crescente distinção entre informativo, interpretativo e opinativo e ainda a prática do New Journalism, ou Jornalismo Literário.
*Acadêmica do quarto período de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade São Luís. Produziu esse resumo para a disciplina de Teorias do Jornalismo, cujo plano de ensino percorreu desde as primeiras teorias sobre a atuação do jornalista na sociedade até os mais novos conceitos do exercício profissional, entre eles Jornalismo Literário e Jornalismo Público. Estudou autores e teóricos da comunicação, tais como Barbie Zelizer, Adelmo Genro, Luiz Martins, Robert Park, Clóvis Barros Filho, Felipe Pena, Gaye Tuchman, Jay Rosen, Nelson Traquina, José Marques de Melo, Philip Schlesinger, entre outros. E NÃO ADMITE QUE NÃO SEJA PRECISO TER CONHECIMENTO ESPECÍFICO PARA ATUAR COMO JORNALISTA. APÓIA O DIPLOMA E CONTINUARÁ ESTUDANDO JORNALISMO PARA MELHOR ATUAR NA SOCIEDADE.

domingo, 14 de junho de 2009

SOLIDARIEDADE E CULTURA EM FOCO

Mobilização Solidária IFMA realiza sarau sobre Tropicalismo e promove encontro musical de gerações de alunos
Texto e Fotos de Talita Guimarães

O Instituto Federal do Maranhão (IFMA) realizou na última sexta (12), mais uma edição do Festival da Solidariedade, através da mobilização que vem arrecadando donativos para os desabrigados pelas enchentes no interior do estado. A tarde de apresentações culturais contou com o sarau musical sobre Tropicalismo com Jô Santos, a participação especial de Daividson Dias e seguiu com uma programação comandada pela música produzida pelos alunos e ex-alunos do IFMA.

Dando continuidade ao projeto de contextualização histórica de movimentos musicais e grandes compositores, o Sarau Musical trouxe o cantor e compositor maranhense Jô Santos para apresentar as composições da Tropicália e a história do movimento em um bate-papo musical com estudantes, professores e servidores do IFMA.
Jô Santos: música e história do Tropicalismo para comunidade acadêmica

Jô, que abriu o Festival da Solidariedade no dia 22 de maio falando sobre Bossa Nova, percorreu a história do Tropicalismo desde os primeiros indícios do movimento. Explicou que quando a Bossa Nova partiu para as apresentações internacionais e deixou de ser destaque no Brasil, deu chance para que uma nova vertente musical surgisse no país motivada pelo cenário político e pelos novos anseios da juventude do fim dos anos 60.

O Tropicalismo foi um movimento musical e cultural que ocorreu no Brasil entre os anos de 1967 e 1968. “Apesar de ter durado oficialmente apenas um ano, o Tropicalismo foi um movimento efervescente pelo resultado inovador e ousado, garantido pela incorporação de vários ritmos, como samba, rock, bolero, bossa nova e ainda o baião”, Jô Santos fala ainda sobre o modo como o tropicalismo influenciou fortemente a música brasileira e lembra que foi a vertente que lançou nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e o grupo Os Mutantes.

Segundo o artista, as letras tropicalistas revolucionaram pela proximidade com a poesia e o diálogo com a literatura, além de tratarem temáticas políticas e passearem da tradição ao futurismo com desenvoltura. Sobre a permanência da tropicália na música atual, Jô considera o cantor e compositor baiano Tom Zé como o expoente mais fiel ao movimento. Entre as composições interpretadas por Jô, destaque para “Milagres do Povo”, “Ovelha Negra”, “Clichê do Clichê” e “Tropicália”. Na plateia, o professor Joan Botelho, o aluno e integrante do Coral Corpo e Voz André Diogo e ainda o humorista Paulinho Batalha acompanharam entusiasmados a apresentação, cantando as músicas e comentando ainda sobre o “Festival da Canção”. A apresentação de Jô Santos contou ainda com a participação especial da estudante do curso de eletrônica Fernanda Viegas, que o acompanhou na percussão.

Fernanda Viegas acompanha Jô Santos na percussão, segundo Prof. Jorge a estudante é um talento para a música

Após o sarau, foi a vez dos estudantes do IFMA apresentarem seus talentos musicais. Nessa reunião, alunos e ex-alunos se revezaram entre vozes, violões e percussão. Entre eles: Thainan Marinho (voz e violão), Tainan Lopes (voz e percussão), Anne Rabelo (vocal), Antônio Carlos Júnior, mais conhecido como Caju (voz e violão), André Felipe (voz e violão), Fernanda Viegas (percussão), Paulinho Batalha (voz e violão), Thawan Marinho (guitarra) e Roni (vocal).

Em homenagem ao Dia dos Namorados, Daividson Dias voltou a embalar o público com o romantismo da MPB e foi acompanhado pelo vocal da namorada Anne Rabelo, estudante do curso de Design Gráfico e pela percussão de Fernanda Viegas e Tainan Lopes.
Por fim, Paulinho Batalha assumiu o violão e encerrou a tarde cantando clássicos dos Beatles e ainda “Chão de Giz” de Zé Ramalho e “Eduardo e Mônica” de Legião Urbana.

Confira abaixo as fotos do encontro musical:
Três gerações de alunos: Tainan Lopes na percussão (2005-2008), Thaynan Marinho na voz - foto à esquerda - e no violão - à direita - (2007 -2009) e Caju (2009 - 2011)
Fernanda Viegas, Daividson Dias e André Felipe (foto à esquerda); Fernanda, Paulinho Batalha, Roni e André Felipe

Estudantes se aglomeram na área de vivência para assistir ao festival; Roni solta a voz na interpretação de canções cheias de romantismo

Fernanda interpreta canções da MPB acompanhada dos violões de Caju e André Felipe (ambos da turma 103 do curso de eletrotécnica); Anne Rabelo e Daividson Dias: casal apaixonado pela música

Tainan Lopes, Anne Rabelo e Daividson Dias; Fernanda, figurinha carimbada em todas as apresentações da tarde, acompanha Daividson Dias
Tainan Lopes canta acompanhado de Caju e Daividson Dias; Paulinho Batalha deixa o humorista de lado um pouco para soltar a voz acompanhado de Fernanda e Daividson
Fernanda Viegas e Paulinho Batalha; Thawan Marinho (sonoplasta e estudante de Engenharia Elétrica do IFMA) assume uma guitarra e acompanha Fernanda e Daividson.