domingo, 19 de julho de 2009

ANDRÉ E O MUNDO...

Ninguém é apolítico
Por André Mendes*
Quatro fatos me levaram a escrever esse texto e, por incrível que pareça caro leitor, há ligação direta entre eles: o primeiro diz respeito à comemoração no dia 15 de novembro da proclamação, pelo “corajoso marechal Deodoro da Fonseca”, da tão sonhada república; o segundo e o terceiro são baseados em duas matérias estampadas em VEJA de 7 de novembro de 2007 – “Se colar,... colou!”, que aborda os vários presidentes que caíram na tentação de esticar o próprio mandato e atual batalha de alguns petistas em aumentar o tempo de governo de Nossa Excelência Lula; e “À sombra de El Supremo” que retrata a realidade vivida pelos venezuelanos que viram a assustadora eficiência de Hugo Chávez “em usar os mecanismos democráticos do seu país para tirar a liberdade e criar uma nação à sua própria imagem” (VEJA). O quarto e mais importante fato foi a declaração de um querido amigo meu, na qual ele se afirma desligado e desinteressado a tomar qualquer opinião política, alegando que essa talvez seja uma das suas maiores qualidades.

Certamente, o (a) nobre colega que ler estas mal traçadas linhas já supõe a essência das minhas intenções. Para quem não sabe, a Proclamação da República se desenvolveu no interior dos palácios e instituições públicas que chegaram ao consenso de ser insustentável a permanência de D. Pedro II no poder, dessa forma, o tão falado “povo brasileiro” dormiu no império e acordou no dia seguinte sendo república, ou seja, “nunca na história desse país” a população acompanhou a realidade dos acontecimentos políticos, esse é o principal problema que impede o pleno desenvolvimento da democracia – a maior, melhor e mais exigente forma de governo. Digo exigente, porque a mesma necessita de uma sociedade informada, consciente, organizada e ativa.

Os que pensam que a prorrogação de Lula no poder é impossível enganam-se. Nada é impossível nas negociações que se dão pela disputa de poder. A Venezuela é o mais próximo e atual exemplo disso: seu presidente, “um prepotente disposto a impor sua visão de mundo a qualquer custo” (VEJA), em pouco mais de oito anos de governo colocou a importância das instituições públicas e da iniciativa privada para um segundo plano, abaixo de suas vontades, disseminou programas assistencialistas e espalhou entre a população venezuelana uma sensação de esperança aliada a insegurança. Hoje, os que pensam e agem diferente do governo caem nas armadilhas de sistema autoritário e cruel; e aqueles que optam pela submissão têm que demonstrar constantemente sua fidelidade.

O que esses acontecimentos têm a ver com a declaração daquele meu colega e com você que ler este texto? Tudo, porque ninguém é apolítico. A política está presente em todos os lugares e todas as relações: você está sendo político quando dirige o seu carro, compra uma roupa elegante, reclama por seus direitos e cumpre seus deveres. Já dizia um velho sábio que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Cabe a nós, juventude, essa eterna vigilância, por meio da política. Tenho certeza que ao longo da vida, aquele meu amigo aprenderá a importância dessa ciência, e consequentemente aprenderá a ser um cidadão.
Links para as matérias da Revista Veja citadas no artigo:
http://veja.abril.com.br/071107/p_070.shtml - para ler "Se colar, colou...!"
http://veja.abril.com.br/071107/p_086.shtml - para ler "À sombra de El Supremo"
*André Mendes é aluno do 3º ano do curso técnico em Alimentos do Instituto Federal do Maranhão e escreveu esse texto originalmente em 2007.

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