segunda-feira, 31 de agosto de 2009

FOCA EM FOCO

Quando chega a minha vez...

Por Talita Guimarães*

Não havia data mais aguardada ou desejada quando criança. Mal suportava saber que faltariam meses até um aniversário meu. Toda a expectativa em torno do 31 de agosto criava um clima tão bom e festivo que eu, criança, imaginava que coisas fantásticas poderiam acontecer.

Sempre tive festas de aniversário boas e procurei aproveitar bastante cada uma delas. Gostava também das realizadas para a minha irmã, mas ainda assim sentindo um sabor diferente das do mês de agosto.

Mas aos poucos, tudo foi mudando. Os coleguinhas da rua crescendo, mudando-se de bairro, deixando de falar com tanta freqüência até a vizinhança ser repaginada. Já não tinha mais os mesmos colegas, nem professores. Tinha mudado mais uma vez de escola, e no ano seguinte novamente, e no meio do ano de novo e de novo e de novo. Até ir estudar no CEFET e ter três anos em uma única escola.



Durante esse tempo, cresci e deixei de lado a necessidade de comemorar mais um ano com bolo, balões e até presentes. Deixava de ser criança e perdia uma pouco da expectativa em torno do último dia de agosto. Por que isso aconteceu, nunca entendi por completo, apenas associei ao fato de crescer, porque sempre achei que adultos não costumavam enxergar nem metade daquilo que eu via nitidamente. Acreditei mesmo que a criança enxergava além e que adultos esqueciam do dia em que também tinham entendido tão bem aquele mundo. Sendo assim, eu só podia estar deixando esse universo, porque perdia essa riqueza que me enchia de uma felicidade inexplicável às vésperas de um aniversário e a certeza de muitos parabéns.


De repente não fiz mais questão de nada e 31 de agosto tornou-se um dia normal. Ou quase. A sensação de algo diferente perdurava pelo fato de todos que tinham conhecimento da data a considerarem importante. Foi como se os papéis tivessem trocado de atores. Meus pais, amigos e familiares davam mais valor ao meu aniversário que eu mesma.


Pensei, mais uma vez, entender o que acontecia. Até certa idade não há a mínima preocupação com a idade que se está completando. À medida que se envelhece é que surge o desapontamento com os números e daí perde-se o desejo por comemorar. Há quem se envergonhe de não condizer fisicamente com a idade. Aparentar muitos anos à frente. Há quem não condiga com as atitudes, com a dignidade que cada ano a mais impõe.


Mas com o tempo, aprendi que na verdade a idade que conta é a da consciência de cada um. E isso independe do tempo que você já tem de vida. Está relacionado ao conhecimento e às experiências que cada um acumula e ao modo como aplica no dia-a-dia, no trato consigo e com as pessoas.


Hoje o 31 de agosto é um dia bom do ano. É certo que não tem mais toda a expectativa da infância, mas também não é um dia de sentimento indiferente. Agora a cada 31 de agosto, enxergo bem o real sentido que leva à comemoração. Simples e despercebida de muitos olhares, posso contemplar o tal dia de modo significativo. Afinal, chegar ao último dia do oitavo mês de cada ano é transpor 365 dias (e até mais em caso de ano bissexto) de luta, vitórias, tristezas, alegrias, calmaria, desânimo, força de vontade, e acima de tudo, desejo de viver dando sentido a tudo que encontrar pelo caminho.


A cada ano completado, a certeza da vitória sob muitos dias e circunstâncias. O presente é poder contabilizar todos os conjuntos de 365 dias conquistados e saber que por trás deles há muita história para lembrar, contar e sentir saudade. O passo seguinte, mérito pelo aniversário, é a chance de prosseguir e com isso descobrir que há muito mais para daqui a um ano poder lembrar, contar e continuar a construir.


Acho que por aí deve estar a magia, o “algo fantástico” da minha espera na infância. É o real sentido de me comemorar. Nesse sentido, aprendi também que aniversário muda, assim como a gente.




*Foca idealizadora do "Ensaios em Foco". Completa hoje (31 de agosto) 20 conjuntos de 365 dias (e mais alguns extras, lembrem dos bissextos...).

domingo, 30 de agosto de 2009

RESENHA E OPINIÃO EM FOCO

Sobre uma oração nova e diferente...
Por Talita Guimarães

Quando um autor resolve falar de religião é inevitável que a apresentação do enredo de seu livro dividirá opiniões. Foi assim com Dan Brown em “O Código da Vinci”, publicado em 2003 e polemizado em demasia por apresentar supostos relatos históricos de que Jesus teria casado com Maria Madalena e dado origem a uma linhagem sagrada. Mesmo que todos soubessem que a narrativa de Brown é enquadrada no gênero ficção, muitos insistiram em implicar com o livro e pior, uma grande parcela de leitores sentiu sua religiosidade abalada, entre os relatos convincentes de “O Código da Vinci” e o que haviam aprendido nas aulas de religião. No meio disso tudo, uma questão se faz presente: religião é um assunto delicado e ao mesmo tempo tão complexo para o entendimento das pessoas que é preciso ter cautela quando não se tem a intenção de gerar polêmica, no entanto a polêmica gera audíência... então, pedimos aos leitores que depois façam um breve exercício sobre essa nova problematização. Em todo o caso, o que se vê é que até mesmo na hora de opinar sobre o tema, as pessoas não costumam tomar cuidado com o que vão dizer para não dar brechas a discussões fervorosas.

Tem sido assim pelo mundo, mas a pouco tempo, um livro em especial chamou a atenção e após conversas com alguns leitores e após ter lido também, o “Ensaios em Foco” sentiu a necessidade de escrever suas impressões da leitura juntando a isso um pouco da resenha da história. Para quem não leu, não contamos o final, mas deixamos a dica para que leia e tire suas conclusões sobre o que sentir após “A Cabana”, do canadense William P. Young.
Pois bem, quando William P. Young resolveu escrever “A Cabana”, optou por um enredo permeado de conceitos sobre religião, mas não ficou nisso, foi mais adiante propondo o encontro do protagonista de sua história com ninguém menos que Deus, Criador do Universo. Aqui, teríamos assunto para levantar muitas questões e já dividir opiniões entre ler ou não a história. Contudo, se as resenhas indicativas do livro o classificaram como “oração”, prometendo “respostas surpreendentes” e sugerindo que o livro fosse “dado de presente a todas as pessoas que você ama”, uma análise pós leitura pode confirmar que tudo isso pode ser levado a sério. Aqui, o “Ensaios em Foco” opina: em primeiro lugar, sim, “A Cabana” pode soar como oração. A propósito, uma bela e nova oração. Em segundo lugar, sim, também traz respostas surpreendentes. E em terceiro lugar, é um bom presente a quem se ama.
Agora, se essa resenha parece defender o livro antes mesmo de apresentar argumentos sobre sua qualidade, uma explicação é necessária. Você, leitor, pode chegar a essas mesmas conclusões após lê-lo, mas pode também frustrar-se com a narrativa floreada e cheia de metáforas e personificações. Tudo dependerá da forma como você irá interpretar o que encontrar no texto do teólogo William P. Young e isso também pode estar ligado a sua religiosidade e experiência de vida. Pois bem, dado o aviso, vamos então à história.
Mackenzie Allen Phillips, o protagonista, é um homem atormentado pela morte misteriosa da filha caçula em um passeio no qual a menina é sequestrada e os indícios de que teria sido morta brutalmente são grandes, apesar do corpo nunca ser encontrado. Deprimido e amargurado, Mack vive em constante torpor durante anos (chamado no livro de Grande Tristeza) e confronta seu conhecimento religioso com o que acontece de ruim em sua vida. Quando chega ao ponto de duvidar da existência de Deus e questionar seus propósitos, o protagonista recebe um misterioso bilhete assinado pelo Criador, convidando-o a visitar a cabana, cenário da tragédia contra a menina. A princípio, Mack fica receoso, depois resolve ir ao local conferir o que o aguarda. Nesse ponto, o enredo parece levar ao desenrolar do crime como um possível encontro com o assassino e a descoberta do corpo da criança, mas bem aqui o mistério toma outra rumo. Como uma boa e sincera oração, “A Cabana” traz em um texto delicado e bem escrito a incrível experiência do homem que se encontrou com Deus. No plano da leitura superficial, quem decidir devorar a história pela avidez no desenrolar do crime ou do mistério concebido pelos padrões humanos e os relacionamentos ditados por regras sociais, é capaz de se decepcionar em buscar respostas prontas ou coisas como um Deus de barba branca ou a descoberta surpreendente de como Ele julga os homens. “A Cabana”será incompreendida se lida superficialmente ou como um romance policial. Longe de institucionalizado, o livro não concebe respostas com base em igrejas, tampouco as apresenta como em um guia. As declarações vem durante a conversa e é preciso despir-se de conceitos engessados para mergulhar na profundeza das questões pontuadas no livro. A leitura atenta e feita pelo coração revelará as respostas que cabem a cada um. Principalmente porque, com sensibilidade, a narrativa desconstrói mitos e apresenta um novo olhar sobre a fé da humanidade e o modo como as pessoas se relacionam entre si e com Deus.
É com extremo conhecimento religioso e profunda espirituosidade, que o autor relata a forma transformadora com que a fé é capaz de curar a alma. Young testa a sensibilidade do leitor em perceber que os propósitos de Deus estão acima dos conceitos mundanos, por isso por ora parecem imperceptíveis e incompreensíveis. Em Mack, o autor coloca todas as dúvidas e tormentos da humanidade, toda a dor e angústia de quem está bem adequado ao “sistema”, guiando pela estrada que lhe é ensinada, mas desorientado com o ilógico chacoalhar da carruagem. E é por não compreender como tudo é capaz de dar errado apesar da boa intenção, que Mack é convidado a conhecer a Santíssima Trindade dentro do lugar que mais lhe causa angústia, para que perceba que Deus e o verdadeiro amor podem ser aflorados onde menos se espera. Nesse trecho, a história deixa de pertencer ao mundo real e às preocupações humanas com justiça e condenação, para adentrar ao universo do conhecimento sobre sentimentos, relacionamentos e o real sentido de acreditar em Deus. O cenário da cabana sombria também muda e ganha ares de lar feliz e acolhedor.
Assim, o cultivo do amor e do perdão mostram-se como o mote principal do livro e é a partir de uma série de perguntas bem próximas dos tormentos e incompreensões dos homens, que Deus (personificado em uma mulher negra e gorda - Mack tinha dificuldade em aceitar a figura do homem como pai por ter tido traumas na infância - e ótima cozinheira - em uma referência ao amor de Deus como alimento da alma) vai esclarecendo sobre seu amor incondicional e o modo como ele é capaz de agir na vida das pessoas.
Em “A Cabana”, o autor apresenta a figura da Santíssima Trindade de forma diferenciada como relata em entrevista concedida a jornalista Márcia Abos de O Globo, “Deus é uma negra, o Espírito Santo uma chinesa e Jesus um jovem do Oriente Médio. Todos pregam a igualdade e a liberdade”. Aliás, as personificações no livro levam o leitor a um estranhamento, quando Jesus é apresentado como um homem feio (segundo palavras do próprio Mack) e narigudo e o Espírito Santo atende pelo nome de Sarayu e é uma mulher cheia de luz e movimentos que ficam a cargo da imaginação.
Sobre imaginação, o livro pede o exercício, mas o facilita com descrições de cenário e movimentos. E é a cargo da imaginação que ele desconstrói nosso lado Mack e tenta extrair de nós a fé que nos moverá ao melhor entendimento sobre a humanidade, a religião e o que Deus espera dessa relação. Em suma, o amor está associado a presença de Deus na vida das pessoas e vice-versa. Se há um relacionamento harmonioso, há amor e Deus.

sábado, 29 de agosto de 2009

POESIA EM FOCO

Mais uma vez, o "Ensaios em Foco" se orgulha de poder publicar o trabalho de um foca da comunicação maranhense que vem se destacando tanto no jornalismo quanto nas artes. Bicampeão do Poemará, já esteve por aqui em reportagem publicada no começo do ano e dessa vez nos presenteia com uma de suas tantas poesias que remetem a reflexão. Estamos falando de Ronnald Kelps, acadêmico do 5º período de Jornalismo da Faculdade São Luís, poeta e agora, jornalista integrante da equipe do jornal O IMPARCIAL. O "Ensaios..." parabeniza o poeta-jornalista e deseja sucesso nas reportagens empreendidas na redação de O Imparcial e em seu Blog do Poeta Kelps: http://www.dzai.com.br/poetakelps/blog/poetakelps .
Aos, leitores, toda a poesia:
MAGNAS QUESTÕES
O homem governa o Mundo
governa com displicência
num egoísmo profundo
crueldade e indecência
devagar igual defunto
é essa nossa ciência
e é ai que eu me pergunto:
aonde esta a inteligência?
o homem observa a fome
como uma das coisas mais normais
é assim que ele consome
cada vez mais e mais e mais…
é assim que o homem some
seu progreso se desfaz
é uma raça que se come
são perfeitos canibais
são os próprios lobos do homem
nunca admitem paz
que eles se questionem
como homens naturais:
"será que estamos sendo os ditos intelectuais"?
o homem sábio e moderno
saúde sempre almeja
tem o seu domínio interno
controla o que deseja
tem equilíbrio externo
a carne nunca fraqueja
terá seu descanso eterno
ao lado do Pai da Igreja
porém o homem palermo
do qual a carne fraqueja
espero que após o inverno
o túnel do fogo veja
e que o aqueronte do inferno
a sua morada seja(…)
o planeta anda em conflito
a fauna há de convir
desesperada dá um grito
"ela também vai se ferir"
o homem de gabarito
que só pensa em progredir
não parece estar ferido
após tanto destruir
nosso Mundo tão bonito
parece se compelir
darei o meu veredito
com as palavras que irei proferir:
Quando acabará isto?
Quando a Terra explodir???
(Ronnald Kelps)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

EDUCAÇÃO EM FOCO

A Avaliação que queremos no horizonte possível que temos...
Por Jorge Leão*

A proposta de pensarmos uma avaliação o mais próximo possível de critérios alicerçados na interdisciplinaridade e contextualização dos conteúdos, nos remete a um modelo de ensino-aprendizagem que passa, necessariamente, pelo compromisso ético de realizar um esforço conjunto para sairmos do marasmo e inércia em que o sistema de notas nos confinou.

Em termos de garantir um espaço de discussão na escola, cabe à direção, em parceria com o setor pedagógico, uma convocação necessária, para que também pais e responsáveis, juntamente com os estudantes, acompanhem o processo de reformulação de nossa proposta. Seria incoerência pedagógica e falta de estratégia política, pensarmos uma escola descolada de seus parceiros imediatos.

Assim, corroborando a idéia de que a escola do século XXI deve abrir-se ao debate com os temas globais a ele inserido, e de suas cruas e cruéis realidades excludentes, faz-se necessário avaliar também que visão de sociedade e de homem estaria embutida nas informações e programas curriculares trabalhados em nossa instituição.

Por isso, o ensino técnico e seus cursos de formação devem abrir fronteiras com a comunidade em que se insere. Por isso, além das fichas de avaliação, que podem apenas servir de referenciais de controle acadêmico para os professores, é necessário repensar a noção de conteúdos acabados que lançamos mão atualmente, e que, de fato, serve como vínculo reprodutor de um sistema de avaliação bastante conhecido e desgastado.

Desse modo, a construção de uma sociedade aberta, justa e democrática, é somente possível no horizonte de uma descortinação da realidade que se nos apresenta, de maneira pronta e acabada. Além de exigir compromisso ético, postura política e engajamento social, a relação de um modelo de avaliação crítica faz-se no processo de desconstrução de um modelo de currículo também fechado e fragmentado.

Vê-se, com isso, que os vínculos epistemológicos a que se ligam o sistema de notas ratificam a noção de um paradigma pedagógico que analisa o real em partes isoladas, tal como um método descritivo, que não se lança aos desafios de um diálogo franco e aberto com os problemas globais da sociedade contemporânea.

Assim, inserir a proposta de uma avaliação diferenciada nos encaminha para a tarefa de discutir com toda a comunidade escolar itens fundamentais, a saber:

1 – Que sociedade pretendemos construir a partir do conhecimento científico transmitido aos nossos jovens estudantes?

2 – Os critérios de avaliação utilizados nos encaminham de fato para uma proposta de metodologia participativa e reflexiva em sala de aula?

3 – A noção de conteúdos enquanto dados e informações transmitidos respondem aos desafios da sociedade contemporânea? Em que medida?

A partir desses itens, cabe a todos nós, professores, gestores, estudantes, técnicos, pais e comunidade abrir novos horizontes a partir da revisão de nossos métodos, programas, sistema de avaliação e conteúdos, a fim de responder minimamente ao que se pretende alcançar em nossa realização pedagógico-política em nosso tempo e espaço.

Por isso, a seqüência de nossa reflexão dependerá de um engajamento e esforço conjuntos, visto que a práxis educativa é mediada pela comunidade que pensa e com isso refaz seus caminhos e aponta horizontes inauditos.

É neste intuito que a realização de uma fundamentação teórica faz-se necessária e urgente, a fim de que conheçamos a fundo o que pretendemos realizar, quando de nossa atividade pedagógica enquanto escola.

*Professor de Filosofia do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

sábado, 22 de agosto de 2009

JORNALISTAS E RADIALISTAS EM FOCO

6º Congresso de Jornalistas e Radialistas do Maranhão já tem data definida

Acontece em São Luís-MA, entre os dias 1 e 3 de outubro de 2009 no Rio Poty Hotel, o 6º Congresso de Jornalistas e Radialistas do Maranhão. Tradicional no estado, por reunir os profissionais da mídia maranhense e possibilitar aos estudantes de comunicação um debate sobre o meio profissional, o evento traz em sua sexta edição o tema "A Comunicação Corporativa e o Jornalismo em Época de Crise".

As inscrições podem ser realizadas mediante o preenchimento da ficha de inscrição e o pagamento em depósito bancário ou diretamente na sede administrativa do congresso, localizada na Avenida Senador Vitorino Freire, quadra 36, sala 302 do Ed. Jonas Martins Soares ou através do FAX (098) 32212109.

Estão previstas palestras com Ricardo Noblat (Blog), Luciano do Vale (Sport TV e TV Band), Marlene Marchiori (USP), Eraldo Carneiro (Petrobrás), Jorge Aboud (Eletrobrás), entre outros.

Maiores informações podem ser obtidas pelo Serviço de Atendimento ao Participante (SAP) através dos telefones (098) 3221 2109 ou 3082 9437 ou no site oficial do congresso: http://www.congressodejornalistas.com.br/ .

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

JORNALISMO E CIÊNCIA EM FOCO

X Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico inscreve até 10/09 para participação e 20/09 para submissão de trabalhos

Atenção estudantes e profissionais da comunicação, a Associação Brasileira de Jornalismo Científico está com as inscrições abertas para o X Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, que esse ano acontecerá entre os dias 14 e 16 de outubro na cidade de Belo Horizonte (MG).

Com o tema "Jornalismo Científico e Desenvolvimento Sustentável", o evento abordará os fenômenos da sustentabilidade e a ligação entre jornalismo e ciência. Além disso, estudantes, pesquisadores, cientistas e profissionais da comunicação terão espaço para apresentar seus trabalhos e artigos científicos sobre o tema, dispostos nos seguintes sub-temas:

Ecopolítica
Biodiversidade e Mídia
Mídia e Jornalismo Ambiental
Mídia, Ética e Meio Ambiente
Desenvolvimento Sustentável e Segurança Ambiental
Geografia Política e Meio Ambiente
Sociedade de Risco
Patrimônio Ambiental: Direito e Deveres
Agência de notícias ambientais
Assessorias de Comunicação
Pesquisa em Jornalismo Científico
Formação em Jornalismo Científico
Mídia e Políticas Públicas de CT&I
Jornalismo e Educação Ambiental

Jornalismo Científico é uma vertente importante para a democratização da informação do universo da ciência e da tecnologia, além de ser o modo mais esclarecedor de difundir os avanços e conscientizar a sociedade da importância da pesquisa e da inovação.
O debate promete ser amplo. Portanto, participem! Maiores informações no site http://www.abjc.org.br/ .

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRÊMIO EM FOCO

Concurso Artístico e Literário Cidade de São Luís tem número recorde de inscrições

Na Capital Brasileira da Cultura 2009, os artistas responderam positivamente às expectativas do Concurso Literário e Artístico “Cidade de São Luís” promovido pela Prefeitura, através da Fundação Municipal de Cultura (Func). No total, foram quase 100 inscrições com destaque para as Artes Plásticas e a Poesia.

Reunidas no prêmio Zaque Pedro, as obras em Pintura e Escultura somam juntas 31 participantes. O número é um recorde nesta edição do concurso.

São Luís também fez jus a outro título, o de Athenas Maranhense: os poetas concorrerão com 22 obras ao Prêmio Sousândrade. Além das poesias, competem, ainda, contos, romances, novelas e teatros, que participam do concurso concorrendo ao prêmio Aluísio Azevedo.

Os críticos literários e pesquisadores folclóricos estarão presentes no evento com 11 trabalhos, agrupados no Prêmio Antonio Lopes. Já na área da pesquisa musical, os trabalhos concorrem ao Prêmio Inácio Cunha. Fechando as categorias, há, também, o prêmio para Jornalismo.

Cada plataforma concederá troféus e um prêmio de três mil reais para a obra vencedora. Os trabalhos contemplados nas categorias Aluízio Azevedo, Antonio Lopes, Sousândrade e Inácio Cunha serão também publicados.

Encerrado o prazo de inscrição, a comissão julgadora do Concurso tem um prazo de até 45
dias para o julgamento das obras, segundo o regulamento.
Fonte: FUNC/ SECOM

sábado, 15 de agosto de 2009

JORNALISMO CULTURAL EM FOCO

Sobre um povo que se identifica por preferências

Por Talita Guimarães*

Que o processo de globalização tende a uniformizar a forma de agir e pensar através de um choque entre culturas, todos já perceberam e até aderiram. Entretanto o que já pode ser tratado como um processo natural, decorrente da frequente e frenética troca de informações, experiências e conhecimentos, gera também uma certa dúvida quando a identidade de um indivíduo é colocada em cheque, principalmente porque é nesse momento que o reconhecer-se dentro de um ou outro grupo pode gerar o constrangimento do não saber se reconhecer ou pior, desconhecer sua identidade.

Se tudo isso pode parecer bobagem ou uma preocupação insignificante diante da grandiosidade da globalização e seus inúmeros benefícios, por outro lado pode ser um diferencial assombroso quando se trata de saber identificar a cultura de um povo e compreender o modo como esse povo vive em função de seus costumes e peculiaridades. Dentro do Jornalismo, conceber essa distinção é fundamental, uma vez que a partir do conhecimento da cultura e das interações sociais que a compõem, o jornalista é capaz de melhor retratar os fatos do cotidiano.
Sobre cultura e identidade cultural em termos de Brasil, não é difícil deparar com associações equivocadas que reinam no senso comum. Um exemplo clássico é o retrato “futebol, carnaval e mulata” tidos como a cara do Brasil. Por algum motivo, estrangeiros associam muito comumente ao país, esses três elementos. Primeiro pela propaganda que os próprios brasileiros fazem quando estão fora do Brasil, segundo pela mídia que costuma divulgar essas peculiaridades com grande frequência e terceiro, pela constatação óbvia de quem visita o Brasil e encontra, digamos que em abundância, no território nacional esse sentimento de amor ao futebol, regado ao samba carnavalesco e a presença inevitável das muitas mulatas brasileiras. Além disso, há também a possibilidade de relação entre os três elementos, de modo que facilmente podem ser encontrados juntos. Um exemplo básico é: um grupo de amigos se reúne para assistir ao jogo de futebol em uma tarde de domingo. Para celebrar o encontro fazem “aquela” feijoada, chamam a turma do samba e trazem as mulatas para dançar. Nada mais natural, estão lá futebol, carnaval e mulatas. Indiscutível paixão nacional. Mas se por um lado, essa festa toda é paixão compartilhada por grande parte da população brasileira, por outro não deve ser considerada como única e exclusiva forma de identificar o povo que no Brasil habita.
Dentro desse contexto, a mídia possui enorme responsabilidade diante do seu indiscutível potencial de influenciar as massas. Claro que nessa difusão, os brasileiros também têm sua parcela de culpa, já que insistem em levar daqui essa imagem festiva. Contudo, para desanuviar essa fumaça saída da fogueira paixão, costumes e identidade cultural, algumas questões conceituais podem ser esclarecidas. Em primeiro lugar, a paixão pelo futebol, pelo samba e pela mulata decorre de um processo histórico, alimentado pela condição social e o meio. Desde que chegaram ao Brasil, tanto futebol quanto carnaval, que não são legitimamente brasileiros, ganharam espaço e caíram no gosto popular. Desde então foram sendo adaptados ao modo de ser do brasileiro e hoje fazem parte da lista de preferências nacionais. E aí é fato, o Brasil tem tradição na prática do esporte com grandes títulos conquistados e um histórico de muitos craques descobertos, motivo que popularizou ainda mais o futebol. Já o carnaval é a festa que para o país durante quatro dias em uma manifestação profana de valorização às liberdades, em nome do desprendimento dos valores e do rigor do resto do ano. Nesse período, é comum perceber que as pessoas desejam ser algo que não são ou que por algum motivo não podem ser. As pessoas criam fantasias para si, vestindo-se de personagens que gostariam de ser ou despindo-se de suas vestimentas para “celebrar” o “poder ser o que quiser”. Nesse contexto, há destaque para as festas de carnaval mais tradicionais do país, realizadas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Há grandes desfiles de escolas de samba com alegorias temáticas e todo um aparato que dá grandiosidade à festa, como por exemplo, o investimento em fantasias e profissionais das artes, como coreógrafos, artistas plásticos, músicos entre outros. A música que mais caracteriza essa manifestação é o samba, apesar de originalmente, o carnaval ter as marchinhas como trilha sonora. Quanto a mulata, designação popular à mulher negra de jeito faceiro e samba no pé, a associação é referente a presença da brasileira tanto no carnaval quanto na preferência masculina.
Apesar de todas essas considerações, associar preferências nacionais a identidade cultural ainda é um tanto controverso, uma vez que a identidade é o conjunto de elementos que caracterizam como próprio de um indivíduo ou uma comunidade, tradições e costumes genuinamente desses povos. Mas por que não dizer que preferências também podem ser incluídas na identidade? Afinal, o gosto pode dizer muito sobre o pensamento de uma sociedade. Contudo, ainda assim, considerar que vertentes nascidas em outros locais possam ser adotadas por povos distantes incluindo-se em sua identidade é um posicionamento que requer pesquisa e compreensão em torno de como esses novos elementos são incorporados a cultura local e como se relacionam com o já existente modificando-os e se modificando também.
Sendo assim, não há como negar que hoje, futebol, carnaval e mulatas sejam aspectos que lembrem o Brasil. Sim, lembram, caracterizam e identificam o povo brasileiro mundo a fora, mas isso acontece por força e obra de uma falha no processo de reconhecimento do povo sobre sua própria cultura, que é tão rica e atraente quanto as atuais preferências, na verdade impostas sem a oferta de grandes opções. A cultura brasileira, envolta entre tradições, costumes, crenças, modo do pensar, agir e manifestar-se artisticamente ainda é pouco conhecida, apesar de existir e se aflorar naturalmente. Talvez, até a conheçamos, até façamos parte de fato de sua construção, mas por ser tão intrinseca a nós, não tenhamos percebido ainda sua potencialidade e por isso não a tenhamos valorizado com o devido merecimento.
O que fica desse questionamento repentino é a descoberta de que ainda há tempo, se nós, comunicadores abraçarmos a causa e viabilizarmos a difusão da cultura brasileira em sua essência, em um processo de autoconhecimento que resultará, provavelmente em um reconhecimento inesperadamente grandioso.
*Acadêmica do 5º período do curso de Jornalismo da Faculdade São Luís.

domingo, 9 de agosto de 2009

LANÇAMENTO EM FOCO


Jô Santos lança cd "Toque Sutil" em show na próxima sexta, 14

“TOQUE SUTIL” é o show de MPB que o cantor, compositor e violonista Jô Santos apresenta no dia 14 de agosto de 2009 (sexta feira) às 20 horas no Bar “O Canto da Ema”. No show, o cantor apresenta as canções que fazem parte do seu novo CD, seu quarto trabalho fonográfico. O CD “TOQUE SUTIL” traz mais uma vez o toque das cordas do seu amigo Germano (nome dado ao inseparável violão) e a suavidade da voz do cantor que se considera mais um intérprete das emoções nossas de cada dia. Fortemente influenciado pela Bossa Nova, Jô não esquece as outras escolas musicais que fazem parte da história da MPB como a Tropicália e as novas possibilidades do pop nacional.


Jô Santos manteve seu primeiro contato com a Bossa Nova em 1976 no Rio de Janeiro. Na capital carioca, com 16 anos, pretendia aprimorar seus estudos e aprender a tocar violão. Acompanhando grupos de Bossa, Jô aprendeu os primeiros acordes do instrumento, de modo que rapidamente passou a integrar grupos que divulgavam o movimento.

O talento para a música cresceu à medida que Jô acrescentou ao seu repertório composições de mestres da Bossa Nova, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Baden Powell, Carlos Lyra, Edu Lobo,Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Maysa, Sylvinha Telles, Johnny Alf, João Donato, Roberto Menescal, Aloysio de Oliveira, Marcos Valle, Newton Mendonça, Paulo Sérgio Valle, Nelson Motta , entre outros e incorporou a incrível batida de violão de João Gilberto, modelo para todos os violonistas da época. A sutileza da Bossa e os seus arranjos, além de forte poesia, aos poucos, despertaram o interesse do músico pelo processo de composição cujas canções foram sendo feitas com base na vivência musical que o movimento acrescentou à história da MPB. A Bossa Nova foi realmente um divisor de águas da nova MPB e até hoje influencia todos os músicos da nova geração. As heranças harmônicas do mestre Tom e a habilidade poética apurada e sensível de Vinícius deram à Bossa Nova um status de música universal e originalidade às nossas partituras com sabor verde amarelo. A nossa música consegue, então, o respeito e o prestígio dignos dos grandes salões: Frank Sinatra, the voice, que o diga.

Na década de 80, Jô Santos retornou a São Luís e intensificou sua participação no cenário musical da cidade , realizando show’s com o amigo também cantor e compositor maranhense Roberto Rafa em casas noturnas e teatros. Produziu ainda várias show’s com destaque para: “ARRASTÃO” (1989), “CANÇÃO DESCALÇA” (1993), “VOZES MARANHENSES” (1996), “CANTAR: VERBO INTRANSITIVO” (1999), “NOTÍCIAS DO BRASIL” (2000), “TEMPERO DA SAUDADE” (2002), “MARCA DE FOGO” (2003), “NADA A TEMER” (2004), “UMA PRECE A SÃO LUÍS” (2005), “COMO DIZIAM OS POETAS” (2007), “TEMPLO DA EMOÇÃO” (2008), “CEDO DEMAIS” (2008), “NO CÉU COM DIAMANTES” (2008), “CARTA AO TOM” (2008), “TOQUE SUTIL” (2009).

Em “Toque Sutil”, a presença da Bossa Nova se faz constante, pois representa uma coletânea do trabalho de Jô Santos ao longo desses anos de estrada na longa vivência da música. São 21 canções incluindo autorais e de grandes mestres da MPB, a saber:

1. “MARCA DE FOGO” (Jô Santos)

2. “LEÃOZINHO” (Caetano Veloso)
3. “AS PASTORINHAS” (Noel Rosa e João de Barro)
4. “CORCOVADO” (Tom Jobim)
5. “TOQUE SUTIL” (Jô Santos)
6. “UMA PRECE A SÃO LUÍS” (Jô Santos)
7. “TEMPERO DA SAUDADE” (Jô Santos)
8. “NADA A TEMER” (Jô Santos)
9. “ABRE CORAÇÃO” (Marcelo e Jim Capaldi)
10. “ACEITO SEU CORAÇÃO” (Puruca)
11. “RECADO AO AMIGO SOLITÁRIO” (Paulinho Pedra Azul)
12. “CAIS” (Milton Nascimento)
13. “GUERREIRO MENINO” (Luiz Gonzaga Júnior)
14. “LUA DO LEBLON” (Lisieux Costa e Fausto Nilo)
15. “LEÃO FERIDO” (Dalto e Biafra)
16. “E VAMOS À LUTA” (Luiz Gonzaga Júnior)
17. “EU PRECISO APRENDER A SER SÓ” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle)
18. “RETRATO EM BRANCO E PRETO” (Tom Jobim e Chico Buarque)
19. “OLHOS DIAMANTE” (Marcelo)
20. “CEDO DEMAIS” (Jô Santos)
21. “NADA A TEMER” (Jô Santos) Instrumental

João Batista Santos Sousa ou simplesmente Jô Santos nasceu ludovicense, mas criou-se no Rio de Janeiro, tem 48 anos, músico, professor de Português, poeta, pesquisador musical, arranjador, tem uma longa carreira dedicada à MPB glorificada e cantada nos palcos e bares da vida. Amante da sutileza e da poesia mesmo sem métrica, mas sensível, Jô busca “UM TREM PARA AS ESTRELAS” que tanto Gil e Cazuza cantaram.

Rumo à verdadeira música de sentimento faz sua história encantando gerações e deixando um “TOQUE SUTIL” no coração dos amantes da boa música. Em sua voz e no seu violão as canções se enchem de graça e magia, como dizia o poetinha, acima de tudo, se enchem de bossa . No repertório do show, além das canções do CD não poderão faltar os clássicos que marcaram a história da Bossa, pois os ouvidos esperam para agradecer mais uma vez sem cessar.

SERVIÇO

Show de lançamento do cd “TOQUE SUTIL” com Jô Santos
Dia: 14 de agosto (sexta feira) às 20h
Local: Bar “O Canto da Ema" - Maiobão, próximo a Unidade Mista de Saúde.

Cd’s gravados:

“Tempero da saudade” - 2002/2003
“Marca de Fogo” - 2004/2005
“Nada a temer” - 2006/2007
“Toque Sutil” - 2008/2009

Discografia de Jô Santos:


1. Cedo demais
2. E-mail coração
3. Uma prece a São Luís
4. Sementes da Paz
5. Sem saída
6. Carta a Che
7. Tempero da saudade
8. Nada a temer
9. Na contramão
10.Toque sutil
11. Templo da emoção
12. Marca de fogo
13. Lua do Leblon
14. Pequena mágoa
15. As pastorinhas
16. Corcovado
17. Abre coração
18. Eu preciso aprender a ser só
19. Recado ao amigo solitário
20. Berimbau
21. Guerreiro menino
22. Aceito seu coração
23. Nada pra mim
24. Olhos diamante
25. Retrato em branco e preto
26. Leão ferido
27. Sorri
28. Graças a Deus
29. Encontro das águas
30. Leãozinho
31.Água de beber
32. Manhã de carnaval
33. Por quase um segundo
34. As rosas não falam
35. I never cry
36. O amor em paz
37. Samba de verão
38. Espelhos d’água
39. Caminhos cruzados
40. Pai
41. Coisas do Brasil
42. Eu sei
43. Casinha branca
44. Wave
45. Universo no teu corpo