quarta-feira, 26 de agosto de 2009

EDUCAÇÃO EM FOCO

A Avaliação que queremos no horizonte possível que temos...
Por Jorge Leão*

A proposta de pensarmos uma avaliação o mais próximo possível de critérios alicerçados na interdisciplinaridade e contextualização dos conteúdos, nos remete a um modelo de ensino-aprendizagem que passa, necessariamente, pelo compromisso ético de realizar um esforço conjunto para sairmos do marasmo e inércia em que o sistema de notas nos confinou.

Em termos de garantir um espaço de discussão na escola, cabe à direção, em parceria com o setor pedagógico, uma convocação necessária, para que também pais e responsáveis, juntamente com os estudantes, acompanhem o processo de reformulação de nossa proposta. Seria incoerência pedagógica e falta de estratégia política, pensarmos uma escola descolada de seus parceiros imediatos.

Assim, corroborando a idéia de que a escola do século XXI deve abrir-se ao debate com os temas globais a ele inserido, e de suas cruas e cruéis realidades excludentes, faz-se necessário avaliar também que visão de sociedade e de homem estaria embutida nas informações e programas curriculares trabalhados em nossa instituição.

Por isso, o ensino técnico e seus cursos de formação devem abrir fronteiras com a comunidade em que se insere. Por isso, além das fichas de avaliação, que podem apenas servir de referenciais de controle acadêmico para os professores, é necessário repensar a noção de conteúdos acabados que lançamos mão atualmente, e que, de fato, serve como vínculo reprodutor de um sistema de avaliação bastante conhecido e desgastado.

Desse modo, a construção de uma sociedade aberta, justa e democrática, é somente possível no horizonte de uma descortinação da realidade que se nos apresenta, de maneira pronta e acabada. Além de exigir compromisso ético, postura política e engajamento social, a relação de um modelo de avaliação crítica faz-se no processo de desconstrução de um modelo de currículo também fechado e fragmentado.

Vê-se, com isso, que os vínculos epistemológicos a que se ligam o sistema de notas ratificam a noção de um paradigma pedagógico que analisa o real em partes isoladas, tal como um método descritivo, que não se lança aos desafios de um diálogo franco e aberto com os problemas globais da sociedade contemporânea.

Assim, inserir a proposta de uma avaliação diferenciada nos encaminha para a tarefa de discutir com toda a comunidade escolar itens fundamentais, a saber:

1 – Que sociedade pretendemos construir a partir do conhecimento científico transmitido aos nossos jovens estudantes?

2 – Os critérios de avaliação utilizados nos encaminham de fato para uma proposta de metodologia participativa e reflexiva em sala de aula?

3 – A noção de conteúdos enquanto dados e informações transmitidos respondem aos desafios da sociedade contemporânea? Em que medida?

A partir desses itens, cabe a todos nós, professores, gestores, estudantes, técnicos, pais e comunidade abrir novos horizontes a partir da revisão de nossos métodos, programas, sistema de avaliação e conteúdos, a fim de responder minimamente ao que se pretende alcançar em nossa realização pedagógico-política em nosso tempo e espaço.

Por isso, a seqüência de nossa reflexão dependerá de um engajamento e esforço conjuntos, visto que a práxis educativa é mediada pela comunidade que pensa e com isso refaz seus caminhos e aponta horizontes inauditos.

É neste intuito que a realização de uma fundamentação teórica faz-se necessária e urgente, a fim de que conheçamos a fundo o que pretendemos realizar, quando de nossa atividade pedagógica enquanto escola.

*Professor de Filosofia do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

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