quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CINE FILOSÓFICO EM FOCO

"Ensaios..." indica!

O Instituto Federal do Maranhão (IFMA), através do Departamento Acadêmico de Ciências Humanas e Sociais (DHS) convida alunos, servidores, professores e comunidade para o cine filósofico desta sexta (25/09), que a partir das 18h30, apresentará o filme "Luzes da Cidade" (Charles Chaplin) na sala de mestrado do Campus Monte Castelo.
O cine filosófico, coordenado pelo prof. Jorge Leão, apresenta às sextas-feiras, filmes de cunho reflexivo que despertem para debates após a projeção.
Além de possibilitar discussões sobre cinema e filosofia, a atividade é uma boa pedida para os fins de tarde de sexta-feira.
Confira abaixo um pouco do comentário do prof. Jorge Leão sobre o clássico "Luzes da Cidade" de Charles Chaplin:

O Amor é cego?

O filme “Luzes da Cidade” (1931), escrito e dirigido por Charles Chaplin, apresenta a temática do amor sob o prisma da vida de um Vagabundo, que, espontaneamente, encanta-se por uma vendedora de flores, que é cega, interpretada pela atriz Virginia Cherril.
A sátira aos convencionalismos sociais, tão típica na obra de Chaplin, é uma constante no filme. Logo na primeira cena, um monumento em praça pública é inaugurado, para exaltar a Paz e a Prosperidade. Todavia, a fala dos burocratas é confusa, de compreensão impossível. Ao aparecer as imagens das grandes estátuas, surge, para espanto de todos, o Vagabundo, dormindo no alto. A cena segue em ritmo de comédia e com protestos de todos, devido ao jeito irresponsável com que o Vagabundo ironiza o monumento.
Depois de ser ridicularizado pelos garotos que vendem jornal e se deparar com uma estátua de um corpo feminino nu, o Vagabundo sai de mansinho, quando vê que surge do subsolo um homenzarrão. Em seguida, o filme encaminha uma de suas cenas mais belas. O encontro entre o Vagabundo e a jovem vendedora de flores é marcante. Inicialmente, ele não sabe que ela é cega, só percebendo mais tarde, quando ela pergunta se ele tinha recolhido a flor caída no chão. Ao colocar a flor no bolso de seu paletó, ela pensa que ele é um homem rico que entra no carro e sai. Ao perceber o engano, o Vagabundo afasta-se cautelosamente...
(...)
O Vagabundo de Chaplin nos conduz à visão que desanuvia a miopia de nosso egoísmo e a estreiteza de nossa vaidade. O seu guia é o amor, desinteressado e incondicional. O mesmo amor, que enxerga longe e profundo, mesmo na escuridão de nossas tormentas. A nossa visão é, então, restituída. A visão do espírito. O amor não é cego, nós é que às vezes fechamos os olhos a ele.

Jorge Leão
Professor de Filosofia do IFMA e membro do Movimento Familiar Cristão, em São Luís-MA.

Vale conferir o filme, se emocionar com a sutileza de Chaplin e desfrutar de um bom debate sobre filosofia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

1 ANO EM FOCO


Especial comemorativo pelo aniversário de um ano do blog “Ensaios em Foco”

“Ensaios em Foco” comemora um ano na blogosfera
Por Talita Guimarães
Quando o blog “Ensaios em Foco” nasceu, em 14 de setembro de 2008, o objetivo principal era a utilização da ferramenta da web como forma de treino e exposição de material jornalístico produzido por acadêmicos de comunicação. A ideia era dar a estudantes como eu, um espaço para treino e prática dos conteúdos aprendidos nas aulas teóricas dos cursos de Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Rádio e TV. A necessidade decorria da falta que eu, como estudante de jornalismo, sentia em relação a produção mais intensa de textos e da possibilidade de publicação em um veículo de circulação acadêmica. Assim, o “Ensaios em Foco” foi criado para suprir a falta de um jornal ou revista feita de estudantes para estudantes, trabalhando a metalinguagem na produção de textos jornalísticos que falassem de comunicação.
Durante os meses de postagem, o blog publicou material produzido por tarefas propostas nas disciplinas do curso de jornalismo da Faculdade São Luís (São Luís - MA), mas também buscou pautas próprias, sugeridas por colegas da faculdade, leitores e amigos. Mostrou-se ferramenta livre e útil no ensaio de quem ainda engatinha na profissão, e também serviu de apoio ao crescimento de quem passou por aqui, produzindo, sendo pautado e acompanhando cada postagem.
Além do aspecto acadêmico, “Ensaios em Foco” ampliou a relação entre comunicólogos em formação e a sociedade. Trabalhar na sua produção, fez pensar sobre cuidados importantes como ética e respeito pelo público, com a chance de dialogar com ele, coisa que não acontece na faculdade, onde a produção fica no comentário do professor e na tentativa de correção do tropeço. Mesmos os acertos, os bons temas e todo o trabalho suado em desenvolver uma boa matéria ficam restritos a uma nota e a chance de passar para o período seguinte. O público não vê a produção, não reconhece os profissionais que estão nascendo nem tem a oportunidade de vê-los estudar e melhorar na intenção de melhor servir a própria sociedade. Além disso, não aprende a ver a importância da formação acadêmica e permite que atrocidades e retrocessos sejam cometidos contra a profissão. Sem contar que se nós não recebemos o retorno de quem mais nos interessa ouvir, nosso trabalho fica pela metade, sem cumprir sua missão.
Aí reside a importância de um veículo acadêmico, uma revista semestral, um jornal mensal, um site alimentado por estudantes, enfim uma forma de aprender a produzir já tendo a preocupação em saber que haverá publicação, que seu nome assinará um texto e que pessoas que você nem conhece lerão o que por você foi produzido. Pode não parecer, mas essa sensação de responsabilidade faz toda a diferença.
Em um ano, “Ensaios em Foco” trabalhou humildemente na redação de matérias sobre temas leves e de interesse de jovens, estudantes de comunicação, educadores, professores e ainda colegas de profissão. Optamos por focar pautas que envolvessem educação e cultura e nessa linha trabalhamos ecologia, saúde, música, cinema, literatura e jornalismo. Tivemos momentos de posicionamento e opinião descritos em resenhas e críticas, divulgamos eventos do teatro e da literatura maranhense, acompanhamos estudantes em eventos escolares, entrevistamos professores, dissertamos sobre política, abrimos espaço para textos de educadores e colegas, estabelecemos parcerias, permitimo-nos publicar poesias e crônicas e sempre estivemos dispostos a comentar os comentários dos leitores. Além disso, listamos blogs e sites dos mais variados e indicamos leituras. Mesclamos jornalismo e amor, dedicação e liberdade, sinceridade e firmeza. O resultado está no ar há apenas doze meses, mas aniversariar é isso, chegar ao décimo segundo mês de existência e parar para refletir sobre o que já foi feito e o que ainda é preciso fazer. Nesse sentido, “Ensaios em Foco” fica feliz por resistir durante um ano e poder olhar para a linha de crescimento estabelecido, e com base nisso saber que precisa e pode continuar produzindo e trabalhando, ampliando a área de abrangência e estudando por um desempenho melhor e mais profissional.
Como disse Matinas Suzuki Jr no pósfácio de Hiroshima, livro que é considerado a melhor reportagem do século XX , “Ninguém faz bom jornalismo sozinho”. Sendo assim, reforçamos esse fato agradecendo a todos que acreditam em nossa produção, permitem-nos reportá-los, são agradáveis ao nos receber, visitam nossa página, comentam, seguem-nos a cada atualização e nos dão o que tanto precisamos para começarmos a ser jornalistas por completo, firmes no propósito e completamente apaixonados pela profissão.

Sobre o que ainda é preciso fazer...
Fazendo um apanhado geral do que foi esse um ano na blogosfera e o que foi produzido com base no propósito inicial, percebemos que é preciso melhorar: ampliar o olhar das matérias com mais entrevistas e mais fontes. Pautar mais fatos de interesse público e buscar responder questões do cotidiano que interessam a população, mas que pela rapidez dos acontecimentos passam despercebidos ou acabam não sendo resolvidos por completo. E nesse sentido, é preciso reconhecer que um acompanhamento mais efetivo é necessário.
O mesmo acontece com os eventos que divulgamos. É interessante acompanhar o antes, durante e depois para possibilitar uma conclusão sobre sua relevância, descobrir se o prometido foi cumprido, se houve mudança, se foi válido.
Quanto a proposta inicial de agregar valor ao conteúdo, incluindo no blog material produzido por estudantes de outras habilitações em Comunicação, reconhecemos que ainda não foi possível expor o que acadêmicos de RP, PP e Rádio e TV vem produzindo pelo fato de não recebermos colaboração de nenhum estudante dessas áreas. Infelizmente, os amigos que podem integrar a equipe estão sempre muito atarefados com seus cursos e não dispõem de tempo para nos enviar sua produção. No entanto isso não significa que as portas do “Ensaios em Foco” esteja se fechando para colaborações, pelo contrário, continuamos considerando a proposta válida e aguardando a produção dos acadêmicos que quiserem publicar seus textos conosco. Daremos o devido crédito e ficaremos felizes em receber material de outros estudantes.
Assim, “Ensaios em Foco” pretende manter a linha de treino e exposição acadêmica, aproveitando o aprimoramento que o exercício proporciona e buscando melhorar a qualidade dos textos tanto sob o aspecto da técnica de redação jornalística quanto da relevância do conteúdo. Porque como diria Carlos Drummond de Andrade, “Amar se aprende amando”. Escrever também.

Por que amamos jornalismo?
Quando comecei a faculdade, poderia ter dito que amava jornalismo porque gostava de escrever. No segundo período, passei a amar a profissão escolhida por descobrir que ela era ampla e instigava muitos debates, abria portas para um conhecimento de mundo incrível. Descobrimos a importância da antropologia, da ciência da linguagem...
Terceiro período e mais teoria mostrava que amar jornalismo era amar a construção do conhecimento e poder contribuir repassando isso a sociedade. Estudamos ciência política, teorias da comunicação, linguagem e tecnologia eletrônica...
O quarto período trouxe a produção de um jornal acadêmico, onde descobrimos a fotografia como complemento visual imprescindível, mantivemos contatos com fontes, fomos a rua procurar e apurar informações. O resultado deve ser publicado ainda esse ano, com o nome de “O Dizcurso”, jornal temático produzido pela turma de quarto período de jornalismo da Faculdade São Luís. Debatemos muito a questão da ética, aprendemos a gostar de economia e lemos muito com teorias do Jornalismo...
Agora, chegamos ao quinto período, e estamos sendo apresentados ao fabuloso estudo sobre telejornalismo, radiojornalismo, webjornalismo e revista. Mais um passo a turma dá em direção ao aprimoramento, pois enquanto alguns tem seu primeiro contato com os elementos que compõem o universo do jornalismo, tantos outros já atuam na área e voltam as salas de aula para ter a chance de aprender a teoria e com isso atuar melhor. Esse semestre teremos prática em tv e rádio e já começamos a produzir a segunda edição da revista acadêmica Armazém. Mais trabalho e estudo para gostarmos ainda mais da profissão.
Além disso tudo, fora a sala de aula, participamos de congressos, seminários, simpósios e encontros que sempre trazem palestras, mini-cursos e oficinas extremamente enriquecedoras
e ainda proporcionam o encontro com profissionais atuantes e experientes.
Sobre Jornalismo em si, podemos dizer que é o modo de estabelecer o crescimento da sociedade via informação. Jornalistas são os que lutam por isso. São aqueles que se comprometem com a premissa de que “conhecimento gera posicionamento”. São profissionais responsáveis pelo direito da informação difundida com qualidade, sabendo que credibilidade é um fator indispensável a democracia e ao desenvolvimento da sociedade. Jornalismo é tão fundamental quanto educação e sem esses dois suportes nenhuma nação é capaz de avançar.
Assim, ser jornalista é ter responsabilidade e ser pela educação. Fazer jornalismo tem muito a ver com possibilitar um diálogo que educa. Além disso, estudar a profissão é reconhecer que a educação vem primeiro e isso significa dar importância ao papel do profissional. Nesse sentido, jornalismo abraça tudo, desde o começo. A nós, é permitido aprender a informar, opinar, interpretar, apurar, ser a favor da verdade que merece publicação, reconhecer o que é favorável ao bem comum e o mais importante, conseguir manter-se um profissional ético, responsável e crítico.
Fora todo o aprendizado, que a cada dia se mostra mais apaixonante e faz quem estuda jornalismo se admirar a cada descoberta nova sem saber o que gosta mais, há por trás da profissão um marco de sonho e idealismo que misturado a paixão pelo conhecimento, move boa parte dos focas e profissionais. Nesse ponto reside uma particularidade de quem faz jornalismo: os sujeitos que buscam a imparcialidade, tentam ser ao máximo objetivos e neutros são os mesmos que guardam a paixão e a utopia por um mundo melhor, construído por uma jornalismo além do lead (aquelas seis questões mega objetivas que trazem as principais informações do texto, em geral logo no primeiro parágrafo). É mesmo apaixonante integrar esse time, mas ao mesmo tempo é desafiador conciliar o sonho com a realidade. Trata-se de um aprendizado constante.

É por tudo isso que podemos afirmar sem medo: amamos jornalismo.

sábado, 12 de setembro de 2009

SAÚDE EM FOCO

Naturista profere palestra sobre equilíbrio entre alimentação saudável e atitude mental no IFMA

O Instituto Federal do Maranhão (IFMA) realizou na última sexta-feira (11/09), na área de vivência do campus Monte Castelo, a palestra “Consciência Alimentar e Atitude Mental Equilibrada são Capazes de Curar a Humanidade”, com a naturista e nutricionista Fátima Moraes.
Por Talita Guimarães

Para falar sobre saúde, consciência alimentar e possibilidades de cura, a nutricionista Fátima Moraes comentou primeiramente a relação existente entre o equilíbrio da mente e os hábitos alimentares, levantando questões como as enfermidades que acometem a humanidade, o estudo do pensamento transcendental e a necessidade de uma consciência de cura. “A atitude mental transformadora no presente, leva a uma consciência de cura”, disse se referindo ao fato de o passado não interessar mais e o futuro ser incerto, tendo o ser humano que valer-se do presente para motivar mudanças. Além disso, Fátima considerou o perdão e a prática dos bons sentimentos como um fator que aliado a boa alimentação, ampliam a qualidade de vida do indivíduo.

Sempre aliando os conceitos de consciência alimentar a atitude mental equilibrada, a nutricionista Fátima Moraes falou ainda sobre vegetarianismo embasando-se em pensadores e filósofos como Gautama Buda, Leon Tolstoy, Rachel Carson, Confúncio, Da Vinci, Albert Eisntein e Pitágoras. Além de levantar o questionamento sobre a ética de consumir carne e os impactos vistos pela ciência espiritual, que atribui o atraso evolutivo aos efeitos dos alimentos que são ingeridos. Nesse ponto da palestra, a naturista ilustrou o debate com a projeção da foto de um homem devorando um cérebro de animal ensanguentado. E acrescentou a sua fala a frase de Pitágoras em que ele afirma que “o ser humano não alcança o divino se alimentando de sangue”.

Entre outros temas relacionados, Fátima explicou ainda ao público presente (alunos, professores e servidores) conceitos como astrosofia, experiência de quase morte, caos e evolução espiritual. E baseou a abordagem da palestra na concepção filosófica da alimentação e sua relação com o alcance da qualidade de vida.

A palestra foi o ponto alto da atividade “Filosofia da Boa Alimentação”, desenvolvida pelo professor de filosofia Jorge Leão com os estudantes da terceira série do curso de Alimentos do IFMA. O projeto, que foi desenvolvido entre os meses de março e setembro, abordou a concepção filosófica de ética e ecologia e trabalhou com os alunos a compreensão de Pitágoras sobre alimentação.

“Os estudantes assistiram ao videodocumentário “A Carne é Fraca” e discutiram o consumo de carne conhecendo o processo de abatimento e refletindo sobre suas implicações físicas e mentais”, conta o professor Jorge. Além disso, os estudantes ainda participaram de uma oficina sobre sucos naturais, onde avaliaram quatro receitas considerando o valor nutricional e a relação com a prevenção de doenças.

Para a estudante do curso de Alimentos Danyelle Rocha, 16, participar da atividade foi importante tanto sobre o aspecto da compreensão adquirida pelos alunos para a prática individual quanto para a formação profissional, já que a matéria direcionada ao curso técnico amplia o campo de visão dos jovens quando forem inseridos no mercado de trabalho. “Conscientiza a gente a pensar mais sobre uma alimentação saudável, principalmente na correria do dia-a-dia em que vivemos.” analisa Danyelle sobre o fato dos cursos do Instituto serem na modalidade técnico integrado ao médio, o que significa permanecer no IFMA nos dois turnos. “Como técnica em Alimentos é legal participar desse debate porque ajuda a ter o conhecimento necessário para inovar quando for trabalhar em alguma empresa. Vou poder dar uma boa contribuição a sociedade em termos de orientações para uma melhor qualidade de vida”, conclui a estudante.

Nesse sentido, a palestra da nutricionista Fátima Moraes fechou o projeto reunindo estudantes e a comunidade acadêmica do campus Monte Castelo para uma discussão sobre a alimentação como prática e atitude. Prática no sentido de uma mudança de hábitos em benefício do corpo e do funcionamento adequado do sistema. E atitude como possibilidade gerada a partir da compreensão da alimentação segundo a linha holística de pensamento, que define o ser humano como um todo indivisível (físico, psicológico ou psíquico), ou seja, que não pode ser considerado separadamente. Nessa linha, a intenção da palestra foi percorrer a alimentação como um fator que se sobrepõe ao equilíbrio nutricional.

Confira a galeria de fotos da palestra "Consciência Alimentar e Atitude Mental Equilibrada podem Curar a Humanidade":

Professor Jorge Leão abre a palestra comentando sobre a atividade "Filosofia da Boa Alimentação"
Nutricionista e naturista, Fátima Moraes segue linha holística para aliar alimentação, consciência e cura. "O perdão é o despertar da alma".

Fátima conta a história de vida de Buda, aponta regiões do cérebro responsáveis pela consciência alimentar e saciedade. Por fim, Prof. Jorge lê perguntas feitas por estudantes para a palestrante.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PALESTRA EM FOCO


O Instituto Federal do Maranhão (IFMA) realiza na próxima sexta-feira (11), a partir das 18h30, a palestra "Consciência Alimentar e Atitude Mental Equilibrada podem Curar a Humanidade", com a palestrante Fátima Moraes. Estão convidados alunos, professores, servidores e comunidade em geral. A palestra ocorrerá no pátio do campus Monte Castelo, localizado na Av. Getúlio Vargas, nº 04, Monte Castelo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

ADAPTAÇÃO EM FOCO

DA LITERATURA PARA O CINEMA: O TORTUOSO CAMINHO DA ADAPTAÇÃO - PARTE I*

Sobre Harrys, Bellas, Basílios, Miseráveis, Códigos, enfim, os Anjos e Demônios das adaptações que levam a literatura para as telas de cinema.
Por Talita Guimarães*
Originalmente não se tem uma data definida para o início do diálogo entre cinema e literatura em termos de adaptação de roteiro. Principalmente porque especialistas concordam que a linguagem cinematográfica sempre possuiu a necessidade de ter em mãos um texto, vindo ou não da literatura, para apresentar em forma de vídeo. Desse modo, aproveitar a base literária tornou-se tão natural quanto produzir roteiros originais para o cinema. Além disso, convencionou-se levar os grandes temas da literatura para as telonas por motivos que se acumularam com o decorrer do tempo, entre eles a chance de arrematar grandes plateias arrastando milhares de leitores para as salas de projeção.
Nos últimos anos, muitos livros, entre best-sellers e clássicos da literatura mundial, ganharam suas versões para o cinema alcançando grande repercussão na mídia, com respostas de crítica e público. Entre as análises dos filmes, falou-se muito em atuação, fotografia, efeitos especiais e outros elementos que compõem as produções cinematográficas. Mas quando a palavra foi passada ao público, os debates mais acalorados giraram indiscutivelmente em torno da chamada adaptação.
Na atual conjuntura, quando se fala em levar esse ou aquele livro para o cinema, gera-se uma série de discussões que vão desde os pulos frenéticos dos fãs das famosas séries da literatura ao olhar reprovador dos mais conservadores, que sempre ficam com o pé atrás quanto a forma que a história vai tomar quando ganhar sua versão cinematográfica. Nesse sentido, adaptar um livro para o cinema tem se mostrado um caminho tortuoso, envolto em polêmicas, amor e ódio.
De todo modo, falar sobre literatura e cinema sem considerar o amplo debate que há em torno das adaptações que transpõem textos em imagens, é fechar os olhos para uma série de considerações importantes que devem ser feitas antes de simplesmente criticar essa ou aquela adaptação famosa. A princípio, conceitos elementares que envolvem a história da relação cinema-literatura podem ser levantados a fim de melhor compreender o que motiva a produção de um longa baseado em histórias de sucesso ou clássicos da literatura de um país.
Inicialmente, diríamos que um olhar mais atento sobre as formas de manifestações artísticas e os limites e objetivos de cada linguagem, tornariam os leitores e espectadores, ditos mais críticos e imensamente apegados a fidelidade, um pouco mais tolerantes com as adaptações. Primeiro porque é importante lembrar que cinema e literatura são manifestações artísticas trabalhadas em linguagens distintas, com características e modos de apresentação bem diferentes. O cinema trabalha com o audiovisual, onde é importante haver o cuidado com a composição das imagens e a qualidade do som durante a apresentação da história. Já a literatura tem o trunfo da imaginação, onde o leitor é convidado a mergulhar na história via leitura e formar por conta própria seu cenário do enredo. Nesse sentido, escritores devem ter o cuidado com a construção textual, utilizando palavras bem colocadas e narrando com clareza. No meio disso tudo, a história não perde em nada, pelo contrário, ganha e se enriquece, pois é a essência e a razão de ser das manifestações da arte. Mas, voltando a tal viagem do livro para o filme, adaptar um roteiro para o cinema engloba uma série de escolhas e cuidados, pois a preocupação principal do processo deve estar relacionada diretamente a história do ponto de vista da mensagem principal. Sendo assim, adaptar um livro para o cinema não é simplesmente, e aí não há nada de simples, usar o roteiro original em detalhes dando vida aos personagens com a utilização de atores e todo o aparato tecnológico da produção. Aliás, o termo adaptar significa adequar, ajustar da melhor forma a outra linguagem. Assim, um texto literário precisa ser moldado para se adequar ao roteiro de cinema. Nesse processo, há inevitáveis cortes e ajustes para compensar as perdas. Além disso, há a tentativa de tornar acessível aquilo que outrora estivera disponível em apenas um formato.
Levando em consideração que a arte tem a capacidade de transmitir uma mensagem dando enfoque nos traços que sensibilizam, entende-se que em sua essência, a manifestação artística (literatura, cinema, artes plásticas, e tantas outras) procura transpor as barreiras da objetividade para tratar a realidade sob um olhar que preza pela estética e com isso desperta em seu público múltiplas sensações, entre elas a emoção. Sendo assim, o cinema preza pela narrativa que emociona através da imagem e pelo modo como ela é capaz de contar a história. Nesse contexto, percebe-se que detalhes que integram uma cena falam por si só e cabe aos espectadores captá-los com atenção. Além disso, há o lado comercial englobado pelo custo de produção, o tempo de projeção e a distribuição para as redes de cinema. E é evidente que rodar um filme baseado em detalhes do enredo original é completamente inviável.
O que se esconde por trás das críticas na verdade é a ânsia dos leitores por encontrar no cinema tudo o que imaginaram durante a leitura. Quando o roteirista é perspicaz, consegue transpor trechos principais dos livros para os filmes, agradando leitores por compor cenas fieis a narrativa do texto original, mas isso depende muito da competência do roteirista e do grau de facilidade que um texto literário apresenta para ser transformado em imagem em movimento. Há trechos de livros que só podem ser reproduzidos no cinema graças a efeitos especiais ou altos recursos digitais. Nessa leva, toda a série Harry Potter (adaptado do sucesso editorial da britânica J.K. Rowling) ou a sequência Crepúsculo - Lua Nova - Eclipse (de Stephanie Meyer) precisam de atenção especial e cuidados na adaptação do roteiro para que uma cena excluída não prejudique o desenrolar da história. Detalhes perdidos podem compor graves erros de continuidade, principalmente para quem vai ao cinema conhecendo detalhes da história, o que normalmente acontece.
Mas se por um lado, adaptar pode ser complicado e exigir competência para não descaracterizar a história original, por outro pode ser um ótimo recurso para construção de novos horizontes se trabalhado com criatividade. Um exemplo bom, na opinião do Ensaios em Foco, é a versão brasileira do livro “O Primo Basílio” do português Eça de Queiroz, que nos cinemas brasileiros transformou-se em “Primo Basílio” e teve seu enredo original transportado perspicazmente para o Brasil do governo Juscelino Kubitschek. Da história de Eça, o filme mantém a narrativa da trajetória de traição na vida do casal Luísa e Jorge (Débora Falabella e Reynaldo Gianecchini). Já a adaptação de Daniel Filho apresenta a vida dos personagens a partir do momento em que Jorge é solicitado por Oscar Niemeyer para trabalhar como engenheiro na construção de Brasília. Nesses termos, o filme não é fiel à trama original, mas transforma o texto baseado no clássico da literatura em um novo olhar sobre o realismo do inconfundível Eça. Vale a pena.
Nesse ponto, uma vez manifestações artísticas, literatura e cinema tem em comum uma resposta muito forte de seu público, seja ele vindo da literatura ou não. Mas no meio disso tudo, é legal considerar que sempre haverá a possibilidade de diálogo entre essas duas manifestações e ainda a chance de compartilhar do gosto de muita gente, seja levando leitores para salas de cinema ou cultivando em espectadores a vontade de ler o livro que serviu de base para o filme. Assim, é fato que filmes e livros estão entre os objetos de passatempo de muitas pessoas, mas podem servir também de objeto de estudo, pelo conteúdo que abordam. No entanto, mais do que isso, sempre vão ser linguagens capazes de despertar sensações e instigar ao debate.
*A Parte II trará comentários dos livros e filmes que o "Ensaios em Foco" leu e assistiu e ainda a proposição de um debate com os leitores sobre o resultado da enquete realizada no blog sobre qual filme que os leitores assistiram e gostaram.
*Acadêmica do 5º período de Jornalismo da Faculdade São Luís.