quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CINE FILOSÓFICO EM FOCO

"Ensaios..." indica!

O Instituto Federal do Maranhão (IFMA), através do Departamento Acadêmico de Ciências Humanas e Sociais (DHS) convida alunos, servidores, professores e comunidade para o cine filósofico desta sexta (25/09), que a partir das 18h30, apresentará o filme "Luzes da Cidade" (Charles Chaplin) na sala de mestrado do Campus Monte Castelo.
O cine filosófico, coordenado pelo prof. Jorge Leão, apresenta às sextas-feiras, filmes de cunho reflexivo que despertem para debates após a projeção.
Além de possibilitar discussões sobre cinema e filosofia, a atividade é uma boa pedida para os fins de tarde de sexta-feira.
Confira abaixo um pouco do comentário do prof. Jorge Leão sobre o clássico "Luzes da Cidade" de Charles Chaplin:

O Amor é cego?

O filme “Luzes da Cidade” (1931), escrito e dirigido por Charles Chaplin, apresenta a temática do amor sob o prisma da vida de um Vagabundo, que, espontaneamente, encanta-se por uma vendedora de flores, que é cega, interpretada pela atriz Virginia Cherril.
A sátira aos convencionalismos sociais, tão típica na obra de Chaplin, é uma constante no filme. Logo na primeira cena, um monumento em praça pública é inaugurado, para exaltar a Paz e a Prosperidade. Todavia, a fala dos burocratas é confusa, de compreensão impossível. Ao aparecer as imagens das grandes estátuas, surge, para espanto de todos, o Vagabundo, dormindo no alto. A cena segue em ritmo de comédia e com protestos de todos, devido ao jeito irresponsável com que o Vagabundo ironiza o monumento.
Depois de ser ridicularizado pelos garotos que vendem jornal e se deparar com uma estátua de um corpo feminino nu, o Vagabundo sai de mansinho, quando vê que surge do subsolo um homenzarrão. Em seguida, o filme encaminha uma de suas cenas mais belas. O encontro entre o Vagabundo e a jovem vendedora de flores é marcante. Inicialmente, ele não sabe que ela é cega, só percebendo mais tarde, quando ela pergunta se ele tinha recolhido a flor caída no chão. Ao colocar a flor no bolso de seu paletó, ela pensa que ele é um homem rico que entra no carro e sai. Ao perceber o engano, o Vagabundo afasta-se cautelosamente...
(...)
O Vagabundo de Chaplin nos conduz à visão que desanuvia a miopia de nosso egoísmo e a estreiteza de nossa vaidade. O seu guia é o amor, desinteressado e incondicional. O mesmo amor, que enxerga longe e profundo, mesmo na escuridão de nossas tormentas. A nossa visão é, então, restituída. A visão do espírito. O amor não é cego, nós é que às vezes fechamos os olhos a ele.

Jorge Leão
Professor de Filosofia do IFMA e membro do Movimento Familiar Cristão, em São Luís-MA.

Vale conferir o filme, se emocionar com a sutileza de Chaplin e desfrutar de um bom debate sobre filosofia.

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