domingo, 29 de novembro de 2009

OPINIÃO EM FOCO

E a festa da diversidade na literatura foi, na verdade, engolida pela falta de unidade.
Por Talita Guimarães*
É inevitável, a comparação. Depois de duas edições bem sucedidas, a terceira edição da aguardada Feira do Livro de São Luís precisava passar pelo crivo de análise e aprovação do público. E nesse sentido é fato: não superou as expectativas. O que era para ser uma grande festa de encontro da literatura, tanto produzida por maranhenses quanto por autores de renome nacional, não passou de uma semana de venda de livros, palestras desencontradas e um esforço aparente de raros conterrâneos do patrono Ferreira Gullar em fazer jus a homenagem do evento.
Não podemos, entretanto, malhar a organização da feira, sem antes analisar o que esperávamos de um evento desse porte dentro do cenário da Capital Brasileira da Cultura no ano em que o Brasil comemora o ano da França por aqui.
Homenagear Ferreira Gullar sempre será justo e bem vindo. Gullar é um dos maiores expoentes da literatura brasileira e sem dúvida autor de obras que rendem muitos debates, palestras e cafés. Já teria valido a pena, se a programação tivesse girado em torno de seu legado. Entretanto, 2009 foi, por assim dizer, eleito o ano da diversidade, de modo que a feira do livro não escapou ao tema “A Diversidade Literária na Capital Brasileira da Cultura”. Adequado, já que Gullar personificaria o tema tranquilamente, com uma obra de poesia contemporânea neoconcretista impecável, assinada por um autor de vivência na política e em movimentos culturais. Além de transitar bem entre o adulto e o infantil, o autor, ludovicense, tem mais de 20 livros publicados e é autor de frases célebres como “A infelicidade pode provocar poesia. Em excesso, ela te anula.” ou ainda “Tudo que é inventado é menos que a realidade”, dita em recente entrevista ao programa Conexão Roberto D’ávila. Suma importância, já que dentro de sua terra natal, jovens não lêem mais do que um livro por ano e se entregam aos milhões a leitura de best-sellers e a produções de cinema mal-feitas de livros sucesso de venda. Gullar para nossos estudantes seria um prato cheio e uma grande chance de mudar um cenário de diversidade que vive no sentido ruim da palavra: falta de identidade, contradição. Assim, a análise da vida e obra de Ferreira Gullar já renderia um evento a parte e já se justificaria por si só.
Entretanto, o que se viu entre os dias 20 e 29 de novembro na Praça Maria Aragão, fugiu a essa possibilidade, aguardada por muitos maranhenses, entre professores, estudantes de letras e comunicação, escritores e poetas, felizes pela homenagem a um autor vivo em todos os sentidos e decepcionados pela rala programação.
Tudo bem, falar sobre diversidade e trazer para dentro do evento o passeio pelo cinema, pelo teatro e pelas artes plásticas. Interessante acompanhar essas linguagens potencializando o prazer pela literatura. Mas frustrante perceber a falta de diálogo, vinda de alguma falha no processo de organização. Uma programação reduzida não significaria uma programação ruim, oca. Pelo contrário, poderia conter uma identidade melhor amarrada e mais consistente. Apesar do risco de uma programação extensa se perder, as edições anteriores foram consistentes e deram um resultado em termos de diversidade mais satisfatório. Em 2009, a diversidade literária do tema passeou pelo vazio. Tanto que em uma festa literária em homenagem a Ferreira Gullar e em nome da diversidade de produção, houve palestra abordando o sistema de cartão de crédito do Brasil. Esteve na programação do dia 27 no auditório José Louzeiro. Um debate de valor, claro, mas totalmente deslocado em uma feira do livro!
A aguardada visita de escritores de outros estados e de grandes nomes da nossa literatura também esteve em declínio. A programação trouxe de fora os competentes Chico César, Newton Cannito e Leona Cavali, mas ainda assim deixou-os deslocados na proposta do evento. Chico recitou durante duas horas seu livro Cantáteis. Deixou um sentimento de vazio, que teria sido facilmente preenchido por uma conversa sobre o processo de criação que ele teria usado ao compor o audio livro. Leona, atriz global, ainda se lança no mundo da literatura. Cannito é mestre na área de cinema e roteiros. Todos bons e competentes, mas desacompanhados de escritores puros, se perderam na programação. Afinal, festa da literatura sem encontro com escritores não é festa da literatura.
O público queria mesmo era rever Afonso Romanno de Sant’anna caminhando pela feira de braço dado com a Marina Colasanti e depois se fascinar com a palestra de uma Luzilah Gonçalves Ferreira. Ou então aplaudir de pé um Ariano Suassuna e enfrentar fila desde as quatro da tarde para ouvir o que o pai de Chicó e João Grilo teria a dizer. Sempre sentirei saudades do dia que conheci pessoalmente Moacyr Scliar e chorei ouvindo sua história de vida ao vivo. Nunca vou esquecer Antônio Secchin respondendo a minha pergunta sobre a poesia produzida por Machado de Assis. Ainda fico emocionada ao lembrar de José Chagas recebendo meu livro de presente e me presenteando para sempre com um autógrafo no perfeito “Da arte de falar bem” e um “Você não é aquela menina que ganhou um prêmio literário ano passado?”.
Esse ano, os escritores maranhenses, por sua vez, fizeram sua parte, mas contaram com o apoio de pouco público. O professor e escritor maranhense José Neres lembrou bem, em seu artigo publicado no Maranharte (link no fim do post), quando disse que os escritores maranhenses palestraram para amigos e parentes. Foi um deslocamento da sala de casa. E isso não é fazer feira do livro, é fazer festa para inglês ver, já que até os franceses que estiveram por aqui devem ter se decepcionado.
Devo concordar com alguns pontos positivos: quem foi a feira, encontrou facilmente com Nauro Machado e José Louzeiro. Presenciou a simpatia de Antônio Guimarães (não é meu parente, infelizmente) no lançamento de seu livro. Pode esbarrar com jovens nomes da literatura como Bruno Azevedo e Vinícius Bogéa. Pode matar um pouco a saudade do sempre inesquecível Mestre Antônio Vieira no carinhoso Beco do Vieira montado no estande da Vale.
Mas ainda tivemos poucas opções de compra nos estandes de livreiros e editoras e não contamos com preços tão acessíveis. E não se enganem, apesar do grande movimento, a feira não deve ter movimentado tanto dinheiro e o saldo das palestras, oficinas e cineclubes não deve ter sido efetivado na maioria do público. Houve um perceptível aglomerado de ociosos caminhando pelo lugar e não foi difícil sentir a falta das intervenções poéticas pela feira.
A programação de encerramento não foi divulgada, mas quem assistiu à performance poética de Chico César soube pelo Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Euclides Moreira, que a festa de encerramento teria a presença de blocos tradicionais e Bandas e Fanfarras, além de um show pirotécnico. Tudo diversificado demais, lançado ao público sem grandes critérios, como em um evento para cumprir tabela. Desde já esclareço que aprecio muito, como boa maranhense, a sonoridade dos Blocos Tradicionais e sou fã desde a infância do show das Bandas e Fanfarras Maranhenses, mas não posso fechar os olhos para um deslocamento da cultura. Não aceito que essa seja a nossa diversidade literária. Sobrou cultura desencontrada, faltou literatura.
Que venha a quarta edição em 2010, já anunciada para o período de 12 a 21 de novembro do ano que vem, e traga uma nova chance de reunir escritores e amantes da literatura para uma verdadeira festa literária.

Leia mais:
"Gullar perdido na feira", por José Neres em http://www.maranharte.blogspot.com

*Estudante do 5º período de Jornalismo da Faculdade São Luís e autora do livro infanto-juvenil Vila Tulipa.

CULTURA EM FOCO

São Luís recebe II Conferência Estadual de Cultura de 02 a 04 de dezembro
Por Talita Guimarães, com informações da Secma
Em 2009, a diversidade cultural esteve em pauta. São Luís foi eleita a Capital Brasileira da Cultura. O ano foi dedicado a apreciação da cultura da França no Brasil. A festa da literatura na Praça Maria Aragão abraçou a diversidade trazendo para a feira teatro, cinema, música e artes plásticas. E em dezembro chega a vez do Estado debater a chamada diversidade
Com o tema "Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento", o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, realiza entre os dias 02 e 04 de dezembro no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana em São Luís, a II Conferência Estadual de Cultura.
O evento constitui um fórum participativo que reunirá entre artistas, produtores, gestores, empresários, conselheiros, patrocinadores, pensadores, ativistas da cultura e sociedade civil em geral, representantes de mais de 120 municípios maranhenses. A intenção é debater sobre temas referentes a cultura brasileira e a multiplicidade de aspectos: a diversidade. Nesse sentido, a conferência pretende levantar questões como formas de valorização ao pluralismo, expressões e opiniões. E espera discutir proposições e estratégias de fortalecimento da cultura e universalização do acesso à produção e usufruto. Além disso, o evento segue os tópicos previstos pelo Ministério da Cultura (MinC) e para sua realização a nível estadual foram feitas conferências municipais até chegar ao nível de execução estadual.
Os eixos temáticos que serão discutidos na conferência são os mesmos em debate em todo o Brasil, conforme estabelecido pelo MinC. Para discutir sobre cada um desses eixos foi convidado um especialista em Comunicação e Cultura.

Produção Simbólica e Diversidade Cultural será debatido pelo professor da Universidade Federal do Maranhão, Francisco Gonçalves, doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para comandar as discussões sobre Cultura, Cidade e Cidadania foi convidada Ângela Phrysthon, doutora em Teoria Crítica e Estudos Hispânicos pela Universidade de Nottingham e professora da Universidade Federal de Pernambuco.

O eixo Cultura e Desenvolvimento Sustentável será apresentado por Luiz Martins da Silva, doutor em Sociologia e professor da Universidade de Brasília. Para a temática Cultura e Economia Criativa a convidada é a coordenadora geral de Políticas Públicas do Ministério da Cultura, Juliana Nolasco Ferreira. Finalizando o quadro, o assessor do Ministério da Cultura (representação Nordeste), Jorge Edson Garcia, sociólogo, produtor e pesquisador cinematográfico, que irá nortear as discussões sobre o eixo Gestão e Institucionalidade da Cultura.
A expectativa da organização é que cerca de 1500 pessoas passem pelo evento durante os três dias de atividades. Sendo que mais de 600 participantes desse montante são delegados municipais. "Esses representantes terão direito a voz, o que significa votar propostas, por eixo temático, e escolher delegados para a Conferência em Brasília", contou Rosenir de Mesquita, chefe da Assessoria de Planejamento e Ação Estratégica da Secma.
Representantes da sociedade civil também poderão participar das discussões da II Conferência Estadual de Cultura. Estão sendo disponibilizadas 200 vagas para o público. Para se inscrever, os interessados devem visitar o site da Secretaria de Estado da Cultura, até o início da próxima semana. O endereço eletrônico é http://www.cultura.ma.gov.br/ .

Já a programação completa e as diretrizes da II Conferência Estadual de Cultura podem ser conferidas na página http://www.idwg.com.br/cnc .

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

DESIGN EM FOCO

Dia D reúne estudantes e profissionais do Design no IFMA
Por Talita Guimarães
Na última terça-feira, 24, os futuros designers do Instituto Federal do Maranhão e de quebra toda a comunidade acadêmica do IFMA tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre Design. Foi o Dia D, que reuniu profissionais, estudantes e professores das áreas de Design Gráfico e de Produto para um dia inteiro dedicado a palestras, oficinas, repentinas e exposições sobre as vertentes de atuação do curso.

A realização do evento foi toda organizada pelos alunos dos cursos de Design Gráfico e de Produto da instituição com o apoio dos professores Tayce Artioli, Inaldo Maia e da coordenação do curso. Entre os palestrantes, estiveram presentes os profissionais Márcio Guimarães, Carlos Eduardo Sales, Andrea Salomão e o fotógrafo nacionalmente reconhecido Meireles Jr.
Estudantes acompanham atentamente a palestra do fotógrafo Meireles Jr.
Segundo informou a estudante de Design Gráfico e membro da organização, Mayara Serra, a atividade faz parte das comemorações pelo dia do Designer, comemorado no dia 5 de novembro e envolveu cerca de 120 alunos. A ideia do Dia D é um projeto elaborado pelos estudantes para expor trabalhos do curso e esclarecer mais sobre a atividade e o mercado de trabalho para colegas da comunidade acadêmica do IFMA que estudam outras áreas e não conhecem o Design como campo de conhecimento importante para a sociedade. "Essa atividade serve para mudar um pouco a visão de alunos aqui dentro da escola, que ainda veem o design de forma rígida e conservadora.", explica Mayara. Além disso, a estudante afirma que o evento procura quebrar clichês entre os alunos que torcem o nariz para o curso e entre os próprios estudantes de design que ao chegar no último ano se sentem desestimulados a seguir a carreira. "Queremos mostrar que a profissão dá certo e tem papel importante dentro da nossa sociedade", defende.
O dia de atividades contou ainda com intervalo de apresentações musicais dos próprios alunos de design. Aliás, o momento foi de troca de experiências literalmente, pois dentro da programação, oficinas e repentinas foram ministradas pelos alunos mais experientes do curso. Maryane Carvalho, estudante do terceiro ano de Design de Produto, ressaltou a importância da atividade integrar alunos e profissionais."Não há nada melhor que uma atividade promovida pelos alunos e para os alunos, além disso agrega conhecimento sobre o curso de design, música, traz profissionais que nos passam experiências", opina Maryane e acrescenta que o evento também é válido aos alunos dos outros cursos, porque possibilita que eles também aprendam sobre uma área nova. "Atividades como essa são boas para a escola toda e principalmente para os alunos", afirma.
Já Douglas Jorge, aluno da segunda série de design, acompanhou as palestras do dia e participou no intervalo de almoço apresentando um pouco de seu talento na música. O estudante acompanhou ao violão, as vozes dos colegas Gildson Júnior, Maryane Carvalho, Gabriel e da percussionista Fernanda Viegas. Para Douglas, o evento tem papel fundamental na valorização do profissional do Design. "Além de ser uma forma de valorizar o designer e mostrar para as pessoas um pouquinho sobre o que é o design e a forma como atuamos, pra gente que organiza é gratificante, porque vemos as pessoas prestando atenção, acompanhando a atividade. Dá a sensação de que todo o nosso esforço valeu a pena", conta sorridente.


Douglas Jorge, Gildson Júnior, Mary Carvalho, Gabriel e Fernanda Viegas durante apresentação musical. No repertório, nomes como Djavan e Cássia Eller.

CINE FILOSÓFICO EM FOCO


Cine Filosófico exibe "O Segredo de Beethoven" hoje, 27, no IFMA

A sexta-feira, 27, tem mais cinema e filosofia no IFMA - Campus Monte Castelo. O Cine Filosófico exibirá pouco mais a tarde, a partir das 18h30 na sala de mestrado, o filme "O Segredo de Beethoven" do diretor Agnieszka Holland.

Segundo o professor Jorge Leão, o filme trará ao público "A oportunidade de observar a paixão por trás do gênio". A história gira em torno de Anna, uma jovem interpretada por Diane Kruger, que vai trabalhar como copeira na Nona Sinfonia de Beethoven, vivido pelo ator Ed Harris. O filme aborda a relação crescente entre os dois e a paixão que pode uni-los: a música.

Confira uma sinopse do enredo:

"Enquanto seu trabalho avança, Anna se envolve no mundo tortuoso e inspirado do maestro. Para ela, essa colaboração é uma oportunidade divina de provar seu próprio talento como compositora; para ele, ela é uma alma pura que pode ajudá-lo a realizar o ponto alto de sua arte - a criação do último quarteto de cordas. Apesar da afeição mútua que cresce entre os dois, Beethoven despreza a composição de Anna que, desesperada, vai embora pensando em largar de vez o mundo da música. O Maestro vai atrás dela, implorando para que volte e termine com ele esse último trabalho, depois do qual pode libertá-lo para se tornar o que ele diz que ela nasceu para ser: uma compositora."


A projeção do filme é uma boa oportunidade de conhecer mais sobre a vida do grande compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770 - 1827). E após a exibição do filme, haverá a já conhecida roda de comentários sobre a vida do compositor com uma novidade: "Hoje teremos ainda a apresentação de algumas de suas peças mais famosas, como a Nona Sinfonia (4º movimento) e a Sonata ao Luar (piano)", adianta o Jorge Leão.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ENCONTRO DE BLOGUEIROS EM FOCO


São Mateus recebe o I Encontro de Blogueiros do Maranhão no próximo sábado, 28

Acontece na cidade maranhense de São Mateus, a 180km de São Luís, no próximo sábado, 28, o I ENBLOG-MA - Encontro de Blogueiros do Maranhão. O evento, que tem como tema "Democratizando a Comunicação", é uma promoção que visa reunir blogueiros do estado a fim de discutir o uso da ferramenta da web para democratizar a comunicação e todos os níveis de informação.
A programação já foi divulgada pela organização e pode ser conferida abaixo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FEIRA DO LIVRO EM FOCO

Ensaios em Foco visita a 3ª FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS
Por Talita Guimarães
Livros, livros e mais livros. De um lado você esbarra com escritores e poetas em pessoa, do outro você se depara com livros gigantes que trazem vida e obra de grandes nomes da literatura maranhense. Se você andar mais um pouquinho vai encontrar espaços de discussão literária, peças teatrais infantis, exposição de artes plásticas, venda de livros e uma novidade: o troca troca literário. Assim é o ambiente da terceira edição da Feira do Livro de São Luís, que acontece na Praça Maria Aragão e no Espaço Cultural até o próximo domingo, 29.

Diferente das duas edições anteriores, a feira traz em 2009 uma nova utilização do espaço, do horário de programação e da quantidade de atividades. Mantém a estrutura das duas primeiras versões, mas em uma proporção perceptivelmente reduzida. As atividades começam às 14h e seguem até 22h. A quantidade de livreiros também é menor em relação ao ano passado: 39 editoras em 52 estandes. Dentro do Espaço Cultural estão a venda de livros com estandes de livrarias e editoras, o Auditório Reynaldo Farah para apresentações de peças teatrais e ainda o Espaço Criação Vital com a exposição “Jeans” do artista plástico Miguel Veiga.

Já na Praça Maria Aragão estão os auditórios para debates, palestras, oficinas, mini-cursos e projeção de filmes. São os espaços: Café Literário, Casa da Juventude, Casa do Escritor Maranhense, Cineclube Literário, Casa do Professor, Espaço Criança e auditórios Ferreira Gullar e José Louzeiro.

Quem visitou a 3ª Feira do Livro de São Luís na tarde do domingo, 22, pôde caminhar tranquilamente pelos estandes e conferir a exposição do Espaço Criação Vital.

O Ensaios em Foco conferiu o debate “Leitura e Escrita em Blogs - O blogueiro é um escritor?” com o professor de História Marcos Saldanha, escritor do blog Marcus Histórico (http://www.marcushistorico.blogspot.com).

O debate, informal dado o pouco público*, transformou o espaço convencional do auditório José Louzeiro em um círculo de troca de ideias e experiências. Assim, a conversa girou em torno da forma como a blogosfera se transformou em uma ferramenta de democratização do pensamento e da expressão de ideias livres. Atualmente, os blogs são páginas que vão além do mero diário virtual. “Constituem uma ferramenta extraordinária, de fácil acesso que possibilita a quem o produz falar por si próprio e sobre si próprio”, conta Marcos Saldanha que ainda apresentou ao público os conceitos básicos sobre a criação dos blogs desde seu surgimento, em 1997.

Além disso, Saldanha ressaltou a interatividade promovida pelos blogs, quando o escritor é ao mesmo tempo leitor e vice-versa, graças ao espaço para comentários, seguidores e indicação de links. Entre as questões levantadas, o palestrante colocou a defesa do blogueiro como um escritor de blog e ainda deixou ao público a questão sobre o trabalho desse tipo de escritor e do que é o blog: “Diário de um Escritor ou um Escritor Diário?”. Vale a pena pensar um pouquinho, afinal, como lembrou Marcos Saldanha, a blogosfera ainda é um terreno pouco discutido, onde não há como estabelecer definições quando se tem um espaço em construção.

Ao término do debate, ainda foi possível conferir um pedacinho do Café Literário sobre a obra de Nauro Machado. O espaço, que tem o delicioso aroma de cafezinho, contou com a presença do próprio Nauro e ainda do escritor José Louzeiro, que em seguida, às 20h, foi o palestrante da noite no auditório Ferreira Gullar.

Encontro de Blogueiros* - O debate sobre blogs contou com a presença de pouco público, fato que decorre da pouca divulgação da programação das feira. O Ensaios em Foco lamenta que isso aconteça, pois os debates e palestras são ótimas oportunidades do público maranhense discutir temas importantes ao desenvolvimento, preservação e respeito a nossa própria cultura. Além dos debates inovadores e necessários, como esse em torno da explosão da blogosfera e o nascimento de novos escritores.
Só para exemplificar, as pessoas que compareceram ao debate com o professor Marcos Saldanha compunham um público variado. Entre os já esperados blogueiros interessados pelo debate, estavam também senhoras e professores dispostos a conhecer melhor essa ferramenta. Vale registrar a presença da blogueira parceira do “Ensaios...” Mary, do blog Badulaques e do Jônatas, blogueiro da cidade de São Mateus que está promovendo no próximo sábado, 28, o I ENBLOG -MA (Encontro de Blogueiros do Maranhão).


Assim, o “Ensaios em Foco” informa a programação da 3ª Feira do Livro de São Luís para hoje, segunda, dia 23 de novembro. Confira e divirta-se, afinal, é a festa da literatura maranhense que segue em cartaz!

23/11 - Segunda-feira:
Programação de Palestras:

Auditório Ferreira Gullar:
18h - A presença do folhetim no jornal maranhense com a palestrante Claudia Pecegueiro
20h - O Sistema Municipal de Bibliotecas com Maria Zenita Monteiro

Auditório José Louzeiro:
17h - Redação com Luiz Rogério Nogueira
19h - Do homem do amor ao amor do homem: esboço para uma teoria histórico-ontológica do amor com Vinícius Bezerra
20h - Raciocínio Lógico com Luiz Rogério Nogueira

Café Literário:
17h - Ivan Sarney
18h30 - Ceres Costa Fernandes
20h - José Louzeiro

Casa da Juventude:
16h - Juventude, Cidadania e Cultura
18h - Exibição de Curtas
18h35 - Maioridade Penal e Garantia dos Direitos Juvenis
20h35 - Apresentação Cultural

Casa do Escritor Maranhense
16h - A humanização do capital como instrumento de cidadania e igualdade social com Francisco Ribeiro
20h - Os quadrinhos eróticos de Carlos Zéfiro com Zelma Freire

sábado, 21 de novembro de 2009

FEIRA DO LIVRO EM FOCO

Em cartaz, a Feira do Livro!

A festa da literatura no Maranhão começou! É a 3ª Feira do Livro de São Luís, uma promoção da Fundação Municipal de Cultura (FUNC), que reúne escritores e amantes da literatura de 20 a 29 de novembro na Praça Maria Aragão em São Luís - MA. Ao todo, são 39 editoras instaladas em 52 estandes, mais espaços de encontro com escritores, cineclube literário, lançamento de livros e debates. E em 2009, a feira contempla discussões que tratam da diversidade cultural. Assim, São Luís também receberá profissionais do cinema e da produção audiovisual nacional para conversas sobre roteiro, criação e produção cinematográfica.

Com o tema "A Diversidade Literária na Capital Brasileira da Cultura", a terceira edição da feira traz a São Luís nomes como Newton Cannito, Chico César e Leona Cavalli para lançamento de livros e debates sobre literatura, comunicação, cinema, produção literária e as relações entre leitores e escritores. Além disso, José Louzeiro, Maria Zenita Monteiro, Márcio Paschoal e Socorro Aragão figuram entre os palestrantes da semana.

Blogs e blogueiros - Afinal, em meio a tantas ferramentas de divulgação de ideias e pensamentos, surgem o habitantes da blogosfera. E é sobre o modo como esses internautas podem se transformar em escritores, que o também blogueiro Marcus Saldanha vai conversar com o público que visitar a feira do livro. Trata-se do debate "Leitura e escrita em blogs - O blogueiro é um escritor?" que acontece amanhã (22), a partir das 17h no Auditório José Louzeiro, na Praça Maria Aragão.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CINE FILOSÓFICO EM FOCO


- Considerações sobre o debate promovido pelo Cine Filosófico da última sexta, 13, que exibiu o filme "O Menino do Pijama Listrado"

Por Talita Guimarães

O debate do cine filosófico da última sexta (13), comentou a exibição do filme “O Menino do Pijama Listrado” do diretor Mark Herman, com enredo baseado no livro de mesmo título do escritor John Boyne. O filme conta a história de amizade entre duas crianças de oito anos, Bruno, um menino alemão filho de um comandante do exército de Hitler e Shmuel, um menino judeu refugiado em um campo de concentração nazista.
A história tem a segunda guerra mundial como pano de fundo e trabalha a amizade e a infância como formas delicadas de sobrepor o amor e a esperança à monstruosidade da guerra. Aqui, o “Ensaios...” traz um pouco dos comentários feitos durante o debate do Cine Filosófico e conta melhor a história. Atenção, esse post possui comentários sobre o fim do filme! Em todo o caso, continua valendo a pena assistir.
Quatro crianças de braços abertos correm pelas ruas de uma cidade alemã. Pelas mochilas nas costas, os meninos da faixa etária de oito anos voltam da escola. Os sorrisos nos rostos e a algazarra infantil contrastam com um pano de fundo monstruoso: caminhões do exército surgem na sequência que mostra soldados empurrando judeus violentamente para dentro de caminhões. As crianças correm sonhadoras pelas ruas, indiferentes à guerra que cresce a cada dia e se torna mais mortífera e estrondosa.
Assim é o início de “O Menino do Pijama Listrado”. Assim é o trajeto de Bruno da escola para casa. Apesar do ar sonhador, o menino de oito anos guarda uma expressão observadora, com um olhar que percebe o que pode haver de diferente no habitual e é assim que Bruno para na porta de casa e estranha o movimento de mudança no local. Apesar de não ser judeu, sua família também parece preparar-se para ir embora.
Tudo começa a ser explicado no filme a partir da promoção do pai do garoto, que de tenente passa a comandante de um campo de concentração, obrigando o menino e sua família a mudarem de cidade, ficando longe da escola, dos amigos e dos avós paternos. O real motivo da mudança, não chega a ser mencionado para Bruno e sua irmã, que mantém a visão heróica do pai, um grande soldado defensor da pátria.
Desde o começo, Bruno fica desapontado com a mudança e contrariado com a ideia de ir morar em um lugar desconhecido sem os amigos por perto. Apesar de não demonstrarem a contrariedade de Bruno, a mãe e a irmã do menino também se mostram apreensivas e tentam acreditar que a mudança será positiva.
Assim, a família viaja e chega a nova casa com uma falsa expectativa, tomada muito mais por um ar de receio. Todos se acomodam, mas Bruno permanece contrariado pela falta de amigos e a proximidade com outras crianças. Na tentativa de se distrair e procurar explorar o novo lar, Bruno descobre pela janelinha do quarto, um grande campo que ele chama de fazenda, mas ao descrever o lugar e as pessoas desse campo para a mãe, Bruno as classifica como esquisitas. Afinal, usam pijamas com listras azuis e parecem estar trabalhando.
Inocente e alheio a história política do país, Bruno nem desconfia que se trata de um campo de concentração, desconhecendo o fato de que aquelas pessoas são judeus, “capturados” e refugiados pelos alemães. Além de todo esse horror, Bruno nem imagina que quem comanda esse lugar é seu próprio pai.
Entrementes, o menino e a irmã não têm a mesma liberdade de antes e até mesmo a escola é substituída por um professor particular que vai até a casa dos meninos dar aulas que camuflam a verdadeira realidade política do país e tenta incutir na cabeça dos jovens alemães as ideias de que uma nação poderosa está renascendo, Hitler é um grande líder e os judeus não passam de vermes. Nesse ponto, a película propõe um debate interessante, pois mostra como os dois irmãos são afetados diferentemente pelas aulas e a vida no novo lar. Enquanto Bruno é questionador e chega a confrontar o professor, Gretel, sua irmã, parte em defesa da juventude hitlerista e aceita os ideais apresentados. A menina substitui a decoração infantil do quarto por cartazes com fotos de Hitler e dos símbolos nazistas e troca o tempo dedicado às bonecas pelo flerte com um dos soldados comandados por seu pai.
O que há de filosofia no filme está em torno do universo construído aos poucos pela quebra da inocência de Bruno, que indaga a tudo e observa com cautela todos os passos, olhares e conversas que o rodeiam. Solitário, o menino está sempre atento ao que pode lhe ser uma nova fonte de descoberta e é assim que consegue escapar ao controle da mãe e ir “explorar” o quintal da nova casa, até então proibido. Um quartinho nos fundos do terreno mostra a Bruno a possibilidade de pular uma janela e ir conhecer o bosque que cerca a casa e é correndo pelo lugar, rodeado de árvores às margens de um córrego, que Bruno chega até a cerca que isola os limites da tal fazenda. Para sua surpresa há um menino da sua idade sentado do outro lado. Ele usa o pijama listrado e tem no peito uma sequência numérica.
Feliz com a chance de ter um amigo para brincar, Bruno se aproxima do garoto e entre as perguntas que faz, deixa escapar um comentário infantil e sincero, mas que reflete o choque entre culturas e a estranheza que um adulto certamente reprimiria caso estivesse em seu lugar. O nome do novo amigo é Shmuel, e Bruno não o poupa do comentário sobre nunca ter ouvido falar em alguém que tivesse esse nome. Em resposta, Shmuel explica que é judeu e que também nunca conheceu ninguém que atendesse pelo esquisito nome Bruno. A resposta é uma dupla gargalhada infantil e o começo de uma bela amizade.
Todos os dias, Bruno foge dos olhares da mãe e vai visitar seu amigo judeu. Shmuel tem o olhar triste e a aparência suja, de quem não se alimenta e é obrigado a fazer serviços que não lhe cabem. Mas nada disso é assunto da conversa entre os meninos, apesar de Bruno não entender por que o amigo não pode visitá-lo, por que sempre está com fome e por que usa roupas sujas com números no peito. Shmuel tenta explicar as coisas para Bruno quando ele insiste em saber que jogo é esse em que as pessoas devem ser chamadas por códigos numéricos. Mas, o pequeno judeu também sabe pouco sobre o verdadeiro motivo de estar ali e procura explicar para o amigo curioso, o que acontece no lugar da forma que ele mesmo consegue apreender. O resultado desse diálogo, é uma passagem da história contada pela apreensão das crianças, a partir daquilo que elas observam e conseguem formular. Assim, o retrato que se apresenta de um campo de concentração nazista vem da experiência dolorosa dos inocentes, que nesse contexto vão além do conceito das pessoas sem culpa. O inocente representado pela figura da criança, mostra a parcela de vítimas da intransigência que sofreu sem sequer entender o porquê.
Abordar os recortes monstruosos de uma guerra alimentada por ideologias e confrontos de poder a partir da amizade e do entendimento de duas crianças, despidas de malícia e por isso alheias ao “motivo” pelo qual deveriam se odiar, foi a forma inovadora com que “O Menino do Pijama Listrado” trouxe o debate sobre o nazismo sem cair no lugar comum e sem precisar chocar expectadores com longas cenas saguinolentas e diálogos agressivos.
Com apenas 93 min de duração, “O Menino do Pijama Listrado” aproveita nosso conhecimento sobre regimes totalitários para falar de um ângulo que ninguém havia explorado ainda: como é possível a esperança e a inocência vencerem intolerância e desrespeito pela dignidade humana.
O desfecho da história, traz uma sequência de cenas fortes não pelas imagens, mas pelo resultado a que toda guerra leva. E aqui, vale a pena contar o que acontece, porque o resultado da amizade e do companheirismo de duas crianças inocentes deve servir de lição para que a humanidade nunca seja capaz de repetir tais atos de brutalidade contra si própria.
Em um certo dia, Bruno vai visitar Shmuel e encontra o amigo do outro lado da cerca muito triste e abatido. Levaram o pai do judeuzinho para “uma caminhada” no dia anterior e ele não voltou. Shmuel fala a Bruno que queria ir procurar pelo pai, mas não pode ir até o lugar em que o levaram. Como Bruno quer se reconciliar com o amigo e ao mesmo tempo se despedir, pois seus pais querem que ele e a irmã mudem-se novamente, o menino alemão promete ao amigo judeu que no dia seguinte trará um grande sanduíche e dará um jeito de cavar por baixo da cerca e passar para o lado de Shmuel para ajudá-lo a procurar pelo pai. Shmuel por sua vez, fica agradecido e promete trazer um pijama igual ao dele para que possa caminhar pelo lugar sem levantar suspeitas.
Tudo acertado, no dia seguinte, Bruno prepara um sanduíche generoso, o coloca por dentro da bermuda e segue para a cerca armado com uma pá. No entanto, o sanduíche cai no caminho sem que o menino perceba e ao chegar na cerca, onde Shmuel já o aguarda ansioso, desaponta o judeu pela falta do lanche. Mesmo assim, os dois têm como objetivo maior, conseguirem passar Bruno para dentro do campo e sairem em busca do pai de Shmuel.
Um pouquinho de terra tirada de debaixo da cerca é o suficiente para que o corpinho magro de Bruno passe para o outro lado. As roupinhas do alemão ficam para trás e vestido igual aos refugiados, com uma devida touquinha do mesmo tecido para esconder os cabelos bem tratados, Bruno corre no encalço de Shmuel e os dois seguem pelas vielas do campo a procura do pai judeu. Caminhando pelo lugar é que Bruno começa a perceber que a realidade é completamente diferente do que ele imaginava e também daquilo que o professor contava. O que o menino presencia, são homens sujos, mal tratados, abrigados em cabanas de madeira imundas e sem as mínimas condições de higiene.
Shmuel leva Bruno até uma das cabanas e os dois caminham pelo lugar apertado, amontoado de gente gemendo e resmungando, e os dois começam a gritar pelo pai de Shmuel. De repente, soldados começam a gritar de fora da cabana e todos as pessoas se levantam de repente e começam a sair na base do corre-corre e da confusão. No meio disso tudo, Shmuel e Bruno vão sendo levados pela multidão que marcha desorientada pelas vielas. Do alto da sua inocência, Shmuel explica a Bruno que as vezes os homens fazem caminhadas e os dois vão indo junto até entrarem em uma câmara e serem trancados dentro. A voz dos soldados ordena que todos tirem as roupas, as deixem no lugar e sigam pra próxima sala. Os meninos obedecem achando que se trata de um banho, mas quem assiste a cena, percebe rapidamente que se trata de mais uma sessão de execução de judeus nas monstruosas câmaras de gás.
Umas das últimas cenas, talvez a que consiga reunir beleza e choque, acontece dentro da câmara. Em meio a tantos seres humanos prestes a morrer, duas mãos infantis se encontram e seguem juntas até o fim de suas vidas, que chega sem que elas percebam e sem que saibam o porquê.
Após a projeção do filme, estudantes e o professor Jorge Leão levantaram algumas questões pertinentes em torno da narrativa. O filme aborda várias simbologias e transmite nas entrelinhas, mensagens sobre o modo como os regimes totalitários afetaram a vida de inúmeras pessoas. Alguns pontos levantados são: o modo como o povo alemão defendia o ideal de superioridade sob outras culturas; a diferença de olhares, enquanto Bruno encarava tudo com fascínio, Shmuel vivia na pele a dura realidade; o modo como os judeus eram perseguidos e tratados revelava uma situação de desumanidade; a banalização da vida: a perda do nome, substituído por números e a transformação do ser humano em objeto.
Para encerrar, o Prof. Jorge chamou a atenção para os estudos do pensador alemão Theodor Adorno, que em sua obra “Educação e Emancipação” aborda o processo educativo como forma de conhecimento capaz de evitar que a barbárie proporcionada por regimes totalitários volte a ocorrer no mundo. Para Adorno, educação é a única forma de prevenir e impedir que a monstruosidade se repita. Sua preocupação com essa questão é veemente dado as características e possibilidades de uma nova guerra ou conflito de igual ou maior proporção acontecerem ainda existirem.
Sendo assim, o prof. Jorge Leão faz coro ao pensamento de Adorno reafirmando que ainda hoje é preciso mobilizar esforços para que nenhum tipo de experiência semelhante ao nazismo se repita.
E o próximo debate do Cine Filosófico já está marcado: sexta-feira, 20/11, a partir das 18h30 na sala de Mestrado do Instituto Federal do Maranhão. O filme da vez é o “Nação Fast Food”, uma severa crítica ao sistema milionário dos fast’s food’s , e todos os fatores envolvidos na
sua manutenção.
“Na corrida desenfreada pelo lucro, pouco importa se os hamburguers estão contaminados, e se o sistema de morte do gado é algo terrivelmente perverso. No fim, a rede de alimentação terá mais lucros.”, explica o prof. Jorge. No filme, o diretor aborda questões correlacionadas, no contexto dos EUA, como imigração ilegal de mexicanos para trabalhar em abatedouros, correndo todos os riscos de segurança, por constituírem mão-de-obra barata.
Em suma, “Nação Fast Food” observa o gigantesco processo de mercantilização da vida urbana por dentro do processo, submetendo ao olhar da velocidade presente no modo como nos alimentamos. “Trata-se de um debate necessário para a atualidade, mesmo que você não seja vegetariano ou esteja pensando em ser. Para todos, uma responsabilidade com o destino humano.”, adianta o prof. Jorge Leão.

domingo, 15 de novembro de 2009

MÚSICA EM FOCO

Capela Brasileira apresenta "Messe de Requiem" de Gabriel Fauré

Depois de apresentar ao público maranhense, nos dias 13 e 14 de novembro, o emblemático requiem do compositor francês Gabriel Fauré (1845- 1924) na Igreja do Desterro, o grupo vocal Capela Brasileira retoma o concerto dedicado a Fauré no próximo dia 17, terça-feira, a partir das 20h no Teatro Arthur Azevedo.
Capela Brasileira durante apresentação na Aliança Francesa
Dentro da música clássica, Requiem é um concerto com composições em honra aos mortos, geralmente executado como missa em função de um funeral. As músicas contém passagens bíblicas e orações de paz e entrada no céu para os falecidos. O termo "requiem" vem do latim e significa repouso.


Considerado como uma das mais belas páginas da história da música, o Requiem de Fauré já conquistou plateias de todo o mundo com a composição que traz entre os sete movimentos, três partes particularmente belas: o terno Piu Jesu, a bela melodia do Agnus Dei e a força dramática do Libera Me.


O grupo Capela Brasileira, formado por alunos do curso de canto erudito da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa (EMEM), é dirigido pelo professor de canto da EMEM Ciro de Castro e nasceu da necessidade de explorar o repertório mais especializado, coral e operístico para os alunos de canto da Escola de Música.


Entre as apresentações do Capela Brasileira estão o espetáculo "Cena lírica em Mozart" realizado em 2006 e a participação no 30º FEMACO no mesmo ano. A formação do grupo é variada, tanto instrumental como vocal, dependendo da obra a ser executada. Para o concerto do Requiem de Fauré conta com a participação de vinte vozes acompanhadas dos pianistas Franzer Almeida e Christoph Küstner e do violinista Manuel Mota.


A entrada é franca, mas os ingressos devem ser retirados na bilheteria do Teatro Arthur Azevedo uma hora antes do início do espetáculo, portanto, a partir das 19h.


Além da apresentação do Messe de Requiem, a noite de terça no TAA, contará ainda com mais atrações do corpo musical da Escola de Música Lilah Lisboa. Vale a pena apreciar!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CINE FILOSÓFICO EM FOCO

"O Menino do Pijama Listrado" é o debate da vez no Cine Filosófico desta sexta (13)

Apesar de toda a superstição em torno da sexta-feira 13, considerada pela crendice popular como dia de azar extremo devido a união do dia de menor sorte da semana com o número de menor sorte, o fim de tarde da próxima sexta, 13 de novembro de 2009, trará um debate sobre esperança e dignidade humana.

Trata-se de mais uma edição do Cine Filosófico, que exibirá a partir das 18h30 na sala de mestrado do Instituto Federal do Maranhão, o filme "O Menino do Pijama Listrado". Baseado na obra de Jonh Boyne, o filme tem direção de Mark Herman.

"O Menino do Pijama Listrado" narra a amizade entre dois meninos durante a segunda guerra mundial. O detalhe que dá o tom reflexivo a história é o incomum fato de um ser alemão e o outro judeu e a amizade nascer em meio a um conflito de proporções assombrosas. Para o professor Jorge Leão, organizador do projeto, o filme propõe o debate sobre a força do espírito humano e remete ao pensamento do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) que escreve sobre Educação e Emancipação. "A tarefa precípua da prática educativa seria evitar que a barbárie do nazi-fascismo voltasse a ocorrer na história", explica o professor.

Além disso, o filme de apenas 93 min de duração, despertará comentários por sua carga filosófica e o modo como aborda valores importantes, capazes de se sobressair em meio aos confrontos de poder a que a humanidade têm criado e assistido. "É um filme rico, que nos remete ao tema filosófico de como é possível pensar a liberdade em tempos de extremo poder autoritário, por meio do cultivo de valores como amizade, amor e respeito incondicional à dignidade humana", finaliza.

O Instituto Federal do Maranhão fica localizado na Av. Getúlio Vargas, n/04, Monte Castelo. Ao lado do Senai. Vale a pena conferir e mergulhar na mensagem do filme, resumida na frase "Linhas podem nos dividir, mas a esperança nos unirá."

sábado, 7 de novembro de 2009

IDEIAS EM FOCO

São Luís recebe Ciclo de Ideias Confluência entre os dias 18 e 19 de novembro


Inovação. Essa é a palavra da vez. E se engana quem pensa que inovar é exclusividade do setor de ciência e tecnologia. Reformular conceitos e pensar em novas possibilidades dentro da gestão empresarial usando a criatividade não é só possível como preciso.

Pensando nisso, a Karuana Conhecimento, empresa do segmento de ensino e pesquisa da Karuana Identidade de Marcas, promove em São Luís entre os dias 18 e 19 de novembro o Ciclo de Ideias Confluências. A ideia é reunir especialistas para debates sobre inovação empresarial e criatividade nas empresas, abrangendo profissionais e estudantes das áreas de Design, Comunicação, Marketing, Ciências Tecnológicas, Arquitetura, Administração e afins.

As muitas ideias pretendem circular entre os temas inovação, design, branding*, comunicação, moda, tecnologia, mídias sociais e gestão.

As inscrições já podem ser feitas no site oficial do evento. Maiores informações sobre o Ciclo de Ideias e a programação completa estão disponíveis no endereço http://www.confluencias.com.br/
*branding: trabalho de construção de identidade de uma marca no mercado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AGENDA EM FOCO


Programação para novembro promete movimentar São Luís


Outubro foi um mês de movimento em São Luís. Tanto que a “Agenda em Foco” esteve emendando uma atividade na outra e descobrindo novos eventos a cada dia. O mês, que começou com o 6º Congresso de Jornalistas e Radialistas do Maranhão reunindo nos dias 1, 2 e 3, estudantes e profissionais para o debate sobre Comunicação Corporativa; recebeu nos dias 15 e 16 o ciclo de debates das Conferências Livres de Comunicação no Maranhão, evento preparatório para a I Conferência Nacional de Comunicação que acontecerá no fim do ano em Brasília e contou com a Feira de Anatomia dos estudantes de Medicina da UFMA nos dias 16 e 17.

Seguiu ainda com semana de canto, semana nacional de ciência e tecnologia e encontro de pesquisadores em música e comunicação. Para não ficar atrás, novembro chega com muito mais atividades. A programação é diversificada e de interesse público. Vale a pena conferir e participar!


1. CINE FILOSÓFICO IFMA
O debate crítico que une cinema e filosofia, acontece todas as sextas-feiras no Instituto Federal do Maranhão (IFMA). E na próxima sexta (06/11) traz a projeção de “Giordano Bruno”, um filme de Giuliano Montaldo (Itália, 1973).
O quê: Giordano Bruno
Quando: 06.11.09, a partir das 18h30min
Onde: Sala de Mestrado do IFMA. Av. Getúlio Vargas, n/04, Monte Castelo.


2. GARAGE FULL 2009

Festival que promete tirar a melhor banda segundo voto do público da garagem. O Garage Full recebe no próximo sábado (07/11), a partir das 21h no Public House (Lagoa da Jansen) as apresentações de caráter competitivo entre as bandas Arize, Effect, Absintho, Histeriah e Monomania. A banda vencedora participa em dezembro, do São Luís Rock Festival que contará com a presença da Banda Matanza e muito mais. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos nas lojas Over All (Dal Plaza) e Mad Rock (Rua do Passeio). O evento é uma realização da Vibe Produções.


3. FESTIVAL DE FLORES DE HOLAMBRA
O festival que reúne vendedores dos mais variados tipos de flores acontece até domingo (08/11) na Praça Maria Aragão. Vale a pena conferir a feira e a oportunidade de adquirir flores das mais variadas espécies, tamanhos e cores. Os preços variam entre R$ 2,00 e R$ 50,00.


4. IX ENCONTRO HUMANÍSTICO
O evento reúne anualmente na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) estudantes, professores e pesquisadores das ciências humanas para debater temáticas e novas vertentes de estudos e conhecimentos da área. Em 2009, o encontro debate o tema Identidades e acontece entre os dias 16 e 20 de novembro no Campus Universitário do Bacanga.
As inscrições variam entre R$10,00 para ouvintes e R$ 30,00 para professores que apresentarem trabalhos e podem ser feitas até o dia 16 no Núcleo de Humanidades da Ufma ou ainda pelo site
http://www.nucleodehumanidades.ufma.br .


5. MARANHÃO NA TELA
Mais uma vez, o projeto Maranhão na Tela traz a São Luís um curso de capacitação profissional na área de cinema. Entre os dias 16 e 20, será ministrado o curso “Teoria e História do Cinema” pelo professor Tadeu Capistrano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com carga horária de 20h, a atividade acontecerá no horário das 18h30 às 22h30 no Anfiteatro do jornal O Imparcial, localizado na Av. Assis Chateubriand, s/n, Renascença II.
As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas a partir do dia 10 de novembro no site
http://www.maranhaonatela.com.br , sendo oferecidas 200 vagas.


6. III FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS
A terceira edição da feira do livro acontece entre os dias 20 e 29 de novembro na Praça Maria Aragão e traz como tema principal “A Diversidade da Literatura na Capital Brasileira da Cultura”. Em 2009, as temáticas principais estarão relacionadas ao cinema e a literatura. Dos nomes nacionais que estarão presentes e palestrarão estão Chico César e José Louzeiro.
A feira é uma promoção da Prefeitura de São Luís através da Fundação Municipal de Cultura (Func).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

FOCAS EM FOCO

Focas pós-prova: comentar as questões não gera remorso
*Por Talita Guimarães
As provas da faculdade de comunicação costumam render muito. Não necessariamente em termos de produtividade e boas notas, mas em debates acalorados e discussões que começam nas vésperas dos testes e duram algum tempo após a entrega das notas.
Talvez esse fenômeno não seja exclusividade das faculdades, nem dos cursos de jornalismo. É óbvio que isso acontece desde o pré-escolar e acompanha as pessoas durante toda a vida estudantil, mas alguns questionamentos nascem com particularidades pertencentes a cada lugar e a cada pessoa que o frequenta. Na faculdade de jornalismo que curso, comentar uma questão de prova pode ser uma prática quase inexistente por parte e iniciativa dos estudantes. Primeiro porque as avaliações ainda são aquelas provas que a cada fim de bimestre lotam as bibliotecas e “unem” grupos de estudo à galera da pesca. Segundo porque o pós prova significa chateação. E ninguém que tenha se estressado tentando tirar todas as xérox atrasadas do bimestre e ler um pouco de cada para responder às questões vai querer saber de rever a avaliação depois que receber a nota (e no sistema on line da faculdade!). O saldo negativo disso tudo são as discussões que se perdem depois de uma semana de avaliação. Principalmente porque conteúdo dá lugar a espinafração aos que não estudaram e elogios aos que foram bem.
Uma pena que alguns assuntos-de-aula-questões-de-prova se percam após a entrega das notas e o sabão dos professores contra aqueles cujas notas envergonham a classe. Verdadeiramente triste constatar que pontos importantes, levantados nas questões de uma avaliação, possam realmente ficar perdidos ou desencontrados para os alunos que vão mal nas provas. Pior: se por um lado poucos realmente se interessam em recuperar o conteúdo mal aprendido e reaver as notas, quem vai bem também não escapa ileso. Corre o grave risco de esquecer o sentido das respostas que levaram ao dez. Afinal, datas, conceitos, nomes de revistas e rádios pioneiras podem ter sido decoradas e aí depois da preocupação com a nota boa, essas informações podem sim cair no esquecimento. Quem vai garantir que isso não ocorra? Pior que esquecer a data em que a revista Edificantes Discussões Mentais foi lançada na Alemanha (foi em 1663, gente, e foi a primeira revista lançada no mundo) é deixar que discussões como “construção dos perfis nas redes sociais” ou “por que a revista é um caso de amor com o público?” não sejam mais comentadas por estudantes.

Juntando o medo do esquecimento com a possibilidade de rever conteúdo, o “Ensaios...” aproveita o rendimento positivo e retoma questões merecedoras de debate aos focas de plantão.
Redes sociais: reconstrução do mundo off line
Era questão de prova e levantava o seguinte debate: os ambientes das redes sociais são capazes de construir uma realidade social própria do mundo off line?
Para quem vive conectado em msn, orkut, twitter, blogs e outros ambientes virtuais, deveria ser fácil responder. Mas não é bem assim. As pessoas costumam se entregar de corpo e alma as novas tecnologias e esquecer de pensar seu uso. Tanto que a resposta para a questão da prova de Jornalismo On line vai de encontro ao uso das redes sociais quando falamos em complementação da vida real, incluindo amizades, família e todo tipo de relacionamento. Há, portanto que se entender o questionamento e a partir daí compreender que tipo de novo mundo construímos a partir dos mil e um recursos da tecnologia.
De posse dos poderes e domínio das redes sociais, criamos sim uma realidade própria do mundo off line. Própria porque a observação do comportamento social e da construção proporcionada pela comunicação nas redes sociais leva a entender que as pessoas costumam usar a rede para um espaço de criação de personas, personagens e perfis que pouco condizem em sua totalidade com a realidade do mundo “off line”. Contudo não se pode afirmar que essa realidade construída seja completamente independente do mundo “off line”, uma vez que existe a necessidade de interação técnica entre homem e máquina, já que quem a utiliza, manuseia e manipula é o homem real.
Sendo assim, o ambiente das redes sociais apresenta um novo olhar sobre aquilo que os usuários não são ou não podem ser/encontrar fora da rede. São perfis com declarações idealizadas, discursos prontos e biografias de teor duvidoso. Isso não significa que a rede seja composta por mentiras ou invenções, mas que ela seja um ambiente que dê recursos para a reconstrução da realidade, quando as pessoas transformam-se em usuários que anteveem a chance de modificar o real ao seu gosto.
Sobre a produção de uma história de amor com os leitores
Avaliar uma turma que estuda Jornalismo de Revista deve ser interessante, apesar da prova também trazer questões que pedem datas e nomes de revistas históricas. Nesse sentido, o interessante fica a cargo das questões que propõem que escrevamos na hora da prova, o começo de uma matéria para revista ou reflitamos sobre a seguinte afirmação de Juan Cano: “Uma revista é uma história de amor com o leitor”.
Como a matéria que escrevi deve ser melhor apurada e complementada para um post futuro, prefiro comentar a afirmação de Cano. Primeiro pela turma de quinto período de jornalismo estar envolvida no processo de produção da nossa primeira revista (Armazém). Segundo por ser um debate legal, que muda um pouco a forma fria e despida de grandes emoções do jornalismo diário, quando não é permitido escrever o que um certo grupo de leitores gostariam de ler.
Revista é justamente o contrário. Sua relação com o público é amigável e capaz de despertar amor e fidelidade. É quando o jornalista pode falar sobre coisas úteis, agradáveis e interessantes para pessoas que buscam por isso. É quando um repórter apura com mais detalhes as informações que compõem um fato e traz para o público leitor: ou o olhar que ainda não foi explorado e rende material interessante ou explica melhor algo que foi apenas pincelado pela grande mídia. Um exemplo clássico são as coberturas realizadas pela revista semanal de maior circulação no Brasil: Veja. Quando um grande acontecimento marca a semana dos brasileiros, às vezes à nível mundial, pode esperar que no fim de semana a Veja traz material especial na capa. Tem gente que já fica esperando a revista para saber o que a
Veja fala sobre o assunto. Exemplo de fidelidade do público.
Mas há também os exemplos da segmentação, quando uma revista é a paixão de um público alvo. Superinteressante, Aventuras na História, Recreio, Vida Simples, Marie Claire e tantas outras são exemplos de direcionamento a cada tipo de público, com assuntos de interesse desses grupos.
“Ensaios...” Opina - Para os focas de plantão, uma boa dica é a Revista Imprensa, que traz mensalmente material de primeira qualidade sobre comunicação. Entrevistas com profissionais da mídia em todas as áreas e habilitações, colunas sobre o metiér da imprensa, dicas, bastidores, opiniões e matérias especiais sobre comunicação, jornalismo, coberturas e comentários da atuação da imprensa nacional e internacional. A Revista Imprensa é uma aula de bom jornalismo, tanto no exemplo de como se produzir estruturalmente uma revista quanto no conteúdo que aborda. Vale a pena e exemplifica a história de amor com um público leitor.
Por tudo isso, percebemos que toda revista busca estar próxima ao seu leitor e para isso aprofunda temáticas que interessam a um público-alvo, fazendo uso de linguagem leve e clara. A revista permite ao jornalista trabalhar um texto melhor apurado e mais criativo. Deixa o repórter usufruir da narrativa para contar melhor uma história, como por exemplo com o uso do aclamado jornalismo literário e o auxílio de fotos e artes gráficas diferenciadas.
Além disso tudo, há a possibilidade de diálogo, como quando o repórter chama o leitor de você e levanta questões com a qual seu público se identifica. Ou ainda quando propõe a participação do leitor na sugestão de pautas, comentários, opiniões ou promoções.
Se você gosta de alguma revista em especial, faz assinatura ou não perde uma edição nas bancas, vale a pena lembrar que ela pode ter sido pensada para ser uma história de amor. Portanto, retribua! Envie seus comentários e ajude a revista a ser melhor a cada dia.