segunda-feira, 2 de novembro de 2009

FOCAS EM FOCO

Focas pós-prova: comentar as questões não gera remorso
*Por Talita Guimarães
As provas da faculdade de comunicação costumam render muito. Não necessariamente em termos de produtividade e boas notas, mas em debates acalorados e discussões que começam nas vésperas dos testes e duram algum tempo após a entrega das notas.
Talvez esse fenômeno não seja exclusividade das faculdades, nem dos cursos de jornalismo. É óbvio que isso acontece desde o pré-escolar e acompanha as pessoas durante toda a vida estudantil, mas alguns questionamentos nascem com particularidades pertencentes a cada lugar e a cada pessoa que o frequenta. Na faculdade de jornalismo que curso, comentar uma questão de prova pode ser uma prática quase inexistente por parte e iniciativa dos estudantes. Primeiro porque as avaliações ainda são aquelas provas que a cada fim de bimestre lotam as bibliotecas e “unem” grupos de estudo à galera da pesca. Segundo porque o pós prova significa chateação. E ninguém que tenha se estressado tentando tirar todas as xérox atrasadas do bimestre e ler um pouco de cada para responder às questões vai querer saber de rever a avaliação depois que receber a nota (e no sistema on line da faculdade!). O saldo negativo disso tudo são as discussões que se perdem depois de uma semana de avaliação. Principalmente porque conteúdo dá lugar a espinafração aos que não estudaram e elogios aos que foram bem.
Uma pena que alguns assuntos-de-aula-questões-de-prova se percam após a entrega das notas e o sabão dos professores contra aqueles cujas notas envergonham a classe. Verdadeiramente triste constatar que pontos importantes, levantados nas questões de uma avaliação, possam realmente ficar perdidos ou desencontrados para os alunos que vão mal nas provas. Pior: se por um lado poucos realmente se interessam em recuperar o conteúdo mal aprendido e reaver as notas, quem vai bem também não escapa ileso. Corre o grave risco de esquecer o sentido das respostas que levaram ao dez. Afinal, datas, conceitos, nomes de revistas e rádios pioneiras podem ter sido decoradas e aí depois da preocupação com a nota boa, essas informações podem sim cair no esquecimento. Quem vai garantir que isso não ocorra? Pior que esquecer a data em que a revista Edificantes Discussões Mentais foi lançada na Alemanha (foi em 1663, gente, e foi a primeira revista lançada no mundo) é deixar que discussões como “construção dos perfis nas redes sociais” ou “por que a revista é um caso de amor com o público?” não sejam mais comentadas por estudantes.

Juntando o medo do esquecimento com a possibilidade de rever conteúdo, o “Ensaios...” aproveita o rendimento positivo e retoma questões merecedoras de debate aos focas de plantão.
Redes sociais: reconstrução do mundo off line
Era questão de prova e levantava o seguinte debate: os ambientes das redes sociais são capazes de construir uma realidade social própria do mundo off line?
Para quem vive conectado em msn, orkut, twitter, blogs e outros ambientes virtuais, deveria ser fácil responder. Mas não é bem assim. As pessoas costumam se entregar de corpo e alma as novas tecnologias e esquecer de pensar seu uso. Tanto que a resposta para a questão da prova de Jornalismo On line vai de encontro ao uso das redes sociais quando falamos em complementação da vida real, incluindo amizades, família e todo tipo de relacionamento. Há, portanto que se entender o questionamento e a partir daí compreender que tipo de novo mundo construímos a partir dos mil e um recursos da tecnologia.
De posse dos poderes e domínio das redes sociais, criamos sim uma realidade própria do mundo off line. Própria porque a observação do comportamento social e da construção proporcionada pela comunicação nas redes sociais leva a entender que as pessoas costumam usar a rede para um espaço de criação de personas, personagens e perfis que pouco condizem em sua totalidade com a realidade do mundo “off line”. Contudo não se pode afirmar que essa realidade construída seja completamente independente do mundo “off line”, uma vez que existe a necessidade de interação técnica entre homem e máquina, já que quem a utiliza, manuseia e manipula é o homem real.
Sendo assim, o ambiente das redes sociais apresenta um novo olhar sobre aquilo que os usuários não são ou não podem ser/encontrar fora da rede. São perfis com declarações idealizadas, discursos prontos e biografias de teor duvidoso. Isso não significa que a rede seja composta por mentiras ou invenções, mas que ela seja um ambiente que dê recursos para a reconstrução da realidade, quando as pessoas transformam-se em usuários que anteveem a chance de modificar o real ao seu gosto.
Sobre a produção de uma história de amor com os leitores
Avaliar uma turma que estuda Jornalismo de Revista deve ser interessante, apesar da prova também trazer questões que pedem datas e nomes de revistas históricas. Nesse sentido, o interessante fica a cargo das questões que propõem que escrevamos na hora da prova, o começo de uma matéria para revista ou reflitamos sobre a seguinte afirmação de Juan Cano: “Uma revista é uma história de amor com o leitor”.
Como a matéria que escrevi deve ser melhor apurada e complementada para um post futuro, prefiro comentar a afirmação de Cano. Primeiro pela turma de quinto período de jornalismo estar envolvida no processo de produção da nossa primeira revista (Armazém). Segundo por ser um debate legal, que muda um pouco a forma fria e despida de grandes emoções do jornalismo diário, quando não é permitido escrever o que um certo grupo de leitores gostariam de ler.
Revista é justamente o contrário. Sua relação com o público é amigável e capaz de despertar amor e fidelidade. É quando o jornalista pode falar sobre coisas úteis, agradáveis e interessantes para pessoas que buscam por isso. É quando um repórter apura com mais detalhes as informações que compõem um fato e traz para o público leitor: ou o olhar que ainda não foi explorado e rende material interessante ou explica melhor algo que foi apenas pincelado pela grande mídia. Um exemplo clássico são as coberturas realizadas pela revista semanal de maior circulação no Brasil: Veja. Quando um grande acontecimento marca a semana dos brasileiros, às vezes à nível mundial, pode esperar que no fim de semana a Veja traz material especial na capa. Tem gente que já fica esperando a revista para saber o que a
Veja fala sobre o assunto. Exemplo de fidelidade do público.
Mas há também os exemplos da segmentação, quando uma revista é a paixão de um público alvo. Superinteressante, Aventuras na História, Recreio, Vida Simples, Marie Claire e tantas outras são exemplos de direcionamento a cada tipo de público, com assuntos de interesse desses grupos.
“Ensaios...” Opina - Para os focas de plantão, uma boa dica é a Revista Imprensa, que traz mensalmente material de primeira qualidade sobre comunicação. Entrevistas com profissionais da mídia em todas as áreas e habilitações, colunas sobre o metiér da imprensa, dicas, bastidores, opiniões e matérias especiais sobre comunicação, jornalismo, coberturas e comentários da atuação da imprensa nacional e internacional. A Revista Imprensa é uma aula de bom jornalismo, tanto no exemplo de como se produzir estruturalmente uma revista quanto no conteúdo que aborda. Vale a pena e exemplifica a história de amor com um público leitor.
Por tudo isso, percebemos que toda revista busca estar próxima ao seu leitor e para isso aprofunda temáticas que interessam a um público-alvo, fazendo uso de linguagem leve e clara. A revista permite ao jornalista trabalhar um texto melhor apurado e mais criativo. Deixa o repórter usufruir da narrativa para contar melhor uma história, como por exemplo com o uso do aclamado jornalismo literário e o auxílio de fotos e artes gráficas diferenciadas.
Além disso tudo, há a possibilidade de diálogo, como quando o repórter chama o leitor de você e levanta questões com a qual seu público se identifica. Ou ainda quando propõe a participação do leitor na sugestão de pautas, comentários, opiniões ou promoções.
Se você gosta de alguma revista em especial, faz assinatura ou não perde uma edição nas bancas, vale a pena lembrar que ela pode ter sido pensada para ser uma história de amor. Portanto, retribua! Envie seus comentários e ajude a revista a ser melhor a cada dia.

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