segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MÚSICA EM FOCO


Música para flutuar

Quando a música atravessa o tempo, aproxima gerações e culturas. Toca a alma da humanidade. Nesta postagem, Ensaios em Foco apresenta Léo de Paula, percussionista integrante da camerata que em 2010 celebrou a obra do pianista e compositor brasileiro Ernesto Nazareth pelo mundo.

Por Talita Guimarães

São Luís recebeu em agosto deste ano um dos melhores pianistas do mundo. Mas ele não veio só. Apresentou-se em São Luís na companhia de cinco jovens músicos, integrantes da orquestra idealizada pelo pianista e patrocinada pela mineradora Vale. O pianista: o paulista Marcelo Bratke. Os jovens músicos: Lucas Anízio de Melo (violino), Rodrigo de Oliveira Rodrigues (clarinete), Ariel da Silva Alves (flauta), Leonardo Miranda de Paula (percussão) e Wagner de Jesus Nascimento (percussão). Juntos (foto), compõem a formação atual da Camerata Brasil/Vale Música, que desde 2006 acompanha Bratke em turnês nacionais e internacionais que levam a música de compositores brasileiros mundo a fora.

Para se ter uma ideia da bagagem que estes músicos carregam, basta passear rapidamente pelo histórico da iniciativa. Em 2007, Bratke dirigiu a turnê nacional “Alma Brasileira” em que a Camerata celebrou os 120 anos de Heitor Villa-Lobos – turnê que teve passagem por oito cidades brasileiras, incluindo São Luís. Um ano depois, registraram o concerto de encerramento da turnê em DVD gravado ao vivo no Auditório Ibirapuera em São Paulo e estrearam internacionalmente levando a música de Villa-Lobos para as mais prestigiadas salas de concerto do Japão.

Ano passado, deram início a uma nova turnê, desta vez em homenagem ao compositor carioca Ernesto Nazareth, de quem a obra mescla elementos do popular ao erudito de forma muito peculiar e sonora. O resultado da turnê “Nazareth – Brasileirinho” pode ser conferido em São Luís em agosto de 2010 no Teatro Arthur Azevedo e está registrado em CD de mesmo título do concerto, gravado em agosto de 2009 no Auditório Ibirapuera.
Carioca, nascido em março, cuja relação com a música passa pelo interesse nas baterias das escolas de samba do Rio de Janeiro. A iniciação musical se deu aos 14 anos. Poderia estar falando de Ernesto Nazareth, carioca, nascido em 20 de março de 1863, que compôs sua primeira peça no décimo quarto ano de vida. Sim, poderia, já que Nazareth é o compositor homenageado pela atual turnê da Camerata Brasil/Vale Música e não é por menos. Autor de 211 peças confirmadas, entre valsas, polcas, hinos, sambas e marchas, Nazareth é considerado o rei do tango brasileiro, o nosso querido Choro. Contudo, esta matéria vai adiante e fala da curiosa e fascinante linha que liga uma vida a outra para além do tempo: a música.

Assim como Nazareth, o percussionista Léo de Paula, também nasceu no Rio de Janeiro, só que no décimo sexto dia de março de 1988. O jovem instrumentista em questão começou a estudar música aos 14 anos. E mais, além do interesse pelas baterias das escolas de samba cariocas, Léo integra atualmente, a Camerata que desde 2009 executa peças da obra do conterrâneo Nazareth pelo Brasil e pelo mundo.

Ensaios em Foco teve a oportunidade de entrevistar Leonardo Miranda de Paula, o Léo de Paula (foto), por e-mail e descobrir para além das semelhanças entre o percussionista e o compositor homenageado na atual turnê do grupo, Ernesto Nazareth. Dois nomes de talento aproximados pela música.


Gostaria que nos contasse um pouco como foi o despertar para a música, quando escolheste estudar percussão e quais são os estilos musicais que mais te chamam a atenção em termos de inspiração para seguir carreira na música.

Léo de Paula - O despertar para a música se deu pelas baterias das escolas de samba do carnaval carioca. A partir disso, o contato com a percussão foi se acentuando e consolidando gradualmente. Os gêneros musicais com notável influência em minha formação são: Samba, choro e outros gêneros da música tipicamente carioca (bossa nova, maxixe), Samba reggae, Axé e derivações do samba desenvolvido na Bahia, além da música cubana (bolero, mambo, merengue), do jazz latino, da estética Big-Band (Jazz) e mais recentemente, música clássica e contemporânea. Há vários instrumentistas, compositores, maestros e professores que podem ser citados como referência.

Como surgiu a oportunidade para integrar a Camerata Brasil/Vale Música?

Léo de Paula - A minha inserção na Camerata Vale Música se deu na turnê “Nazareth- Brasileirinho” realizada em agosto de 2009. Em que foi gravado (ao vivo) o disco “Ernesto Nazareth” lançado pela gravadora Biscoito Fino. A Camerata foi reduzida na quantidade de integrantes. Em função disso, o perfil do trabalho mudou um pouco. Neste contexto fui indicado para o pianista e maestro Marcelo Bratke.

Qual a importância de estudar um instrumento musical? O que você pode nos contar da experiência com o estudo de um instrumento como a percussão?

Léo de Paula - Estudar música é decisivo na formação do ser humano. Potencializa seu raciocínio lógico, aguça a audição, trabalha a memória, dentre outras benesses. Estudar percussão, especificamente, é maravilhoso. Dependendo do seu direcionamento, pode-se desenvolver uma boa coordenação motora; pode-se passear por diversas culturas do mundo todo, por meio dos seus instrumentos peculiares; e até mesmo usufruir como elemento de inserção social (conhecer bons amigos em meio a uma divertida batucada). Além disso, expande bastante as fronteiras de qualquer músico ter um bom conhecimento da percussão.

No cenário da música clássica, qual o espaço para o percussionista?

Léo de Paula - Em relação à música de concerto (música clássica), o mercado para o percussionista é diversificado. Pode-se integrar uma orquestra profissional (ou ainda atuar como contratado por temporadas específicas), uma Banda Sinfônica profissional (grupo com caráter semelhante ao de uma orquestra, mas sem cordas em geral, com exceção do contrabaixo), atuar como solista em repertório camerístico, ou mesmo orquestral. Até mesmo devido ao desenvolvimento significativo do repertório e da linguagem da percussão contemporânea a partir do século XX.

Diferentemente de São Luís, o Espírito Santo possui a Orquestra Filarmônica e projetos como o da Fundação Vale que investe na profissionalização de jovens músicos. Como você vê o ambiente musical no Espírito Santo para a música clássica? Como é a receptividade do público? Existe uma tradição capixaba para a música clássica?

Léo de Paula - O ambiente da música de concerto no ES tem se desenvolvido significativamente. A Orquestra Filarmônica do ES (OFES) tem uma agenda regular com maestros e solistas de projeção nacional e internacional como convidados. Além de projetos que levam a música ao interior do estado e às escolas da região metropolitana da grande Vitória.

Além da OFES, o trabalho desenvolvido na Faculdade de Música do ES tem uma projeção considerável. Com alunos adentrando o mercado nacional, vencendo concursos, além dos eventos fomentados pela instituição. Vale citar, ainda, a Orquestra Camerata SESI no cenário da música clássica capixaba. Ou seja, o público tem aplaudido, e criado um interesse gradual, devido a efervescência da música clássica no estado.

Qual o sentimento de percorrer tanto o território nacional quanto o exterior apresentando a obra de um compositor brasileiro? Como foi a preparação para a turnê?

Léo de Paula - Novamente, em relação à turnê “Nazareth- Brasileirinho” 2010, é um prazer percorrer o Brasil. Conhecer culturas distintas com um conjunto de valores, culinária, infra-estrutura tão peculiares é uma grande oportunidade gerada a partir do trabalho com Marcelo Bratke e a Camerata. A expectativa de realizar os concertos agendados para novembro nos Estados Unidos e na Europa foi muito grande. Nazareth tem de ser conhecido mundo afora.

Vale citar que a preparação é intensa. Períodos longos de ensaio na companhia do Marcelo (ora sem ele em virtude da agenda intensa) são direcionados para um grande trabalho. Horas e horas em busca de um resultado sonoro bem particular.

E quais os planos para o futuro na música?

Léo de Paula - Por fim, meus planos para o futuro são muitos. Continuar desenvolvendo um grande trabalho com a Camerata Vale, consolidar-me no mercado estadual e nacional, concluir uma boa formação acadêmica e, quem sabe, desenvolver uma carreira internacional.

No segundo semestre de 2010, Marcelo Bratke e a Camerata Brasil/Vale Música apresentaram o concerto “Nazareth – Brasileirinho” no Carnegie Hall em Nova York (EUA) e ainda pelas cidades européias Haia (Holanda) e Belgrado (Sérvia). “Foi, realmente, uma oportunidade muito especial pra gente. Definitivamente, inesquecível!”, afirma Léo de Paula.

O reconhecimento internacional pelo trabalho foi expresso nas críticas de jornais como The New York Times, New York Post e ainda no site ConcertoNet.

Para conhecer mais e ouvir a percussão de Léo de Paula, acesse o Myspace do músico.

domingo, 19 de dezembro de 2010

FIM DE ANO EM FOCO

Retrô da foca – Troféu Flutuação

Apesar de não demonstrar muito nos textos e de – pessoalmente - não ter uma cara lá muito engraçada, costumo ser uma pessoa bem humorada. Meus amigos que o digam. Pois bem, assim sendo, resolvo aproveitar um pouco da veia e escrever uma postagem que inaugure neste blog, minha faceta blogueira sorridente. :)

Chegamos ao fim de mais um ano. Tempo de reflexão sobre o que foi feito durante os últimos doze meses e o que se deseja fazer, ou não, nos meses que virão. Em resumo, todos os anos fazemos a mesma coisa em dezembro e este blog já postou por dois natais, mensagens em defesa da reflexão crítica em nome da campanha pelo fim da confraternização hipócrita e enfadonha que toma conta do mês de dezembro e sem a qual passaríamos muito bem, obrigada. Nesse sentido, hipócrita e enfadonho seria empurrar aos caros leitores uma terceira mensagem com o mesmo teor das anteriores. O mundo não avançou tanto desde o último natal então minha reflexão do ano passado ainda está valendo.

Sendo assim, este ano farei diferente. Resolvi olhar para trás e considerar que 2010 foi um ano intenso, de muita produção acadêmica e grandes momentos de enriquecimento pessoal e profissional. Aceitei a ideia da retrospectiva e trouxe para o blog os momentos de 2010 que mais fizeram flutuar esta pessoa que aqui escreve. Momentos esses que renderam mais conhecimento em música e literatura, por exemplo, e ficam de sugestão para os queridos leitores neste fim de ano.

Antes disso, uma pequena reflexão sobre o que 2010 ensinou e foi compartilhado por aqui através de pequenas crônicas. Tenho gostado de pensar na felicidade como um momento em que pairamos ao gosto daquilo que nos faz bem. Flutuação mesmo. Claro que cada um é quem sabe de seus motivos para ser feliz, mas em alguns pontos devemos todos concordar: a felicidade não costuma ser facilmente alcançada, ou ainda, mostra-se fugaz para que possamos desfrutar aos poucos e estejamos sempre tentados a correr atrás do que nos faz felizes. Pois bem, assim sendo, costumo dizer que são coisas simples que me fazem flutuar. Mas nem por isso fáceis de reunir.

O mais legal de 2010 foi descobrir uma nova forma de buscar o que é simples no dia a dia. Cultivei a ideia do recorte e passei a andar pela rotina recortando aquilo que achava de bom, bonito e inspirador nos lugares por onde passava diariamente e nas pessoas que via com freqüência. Aprendi que é possível guardar recortes de todos os dias do ano. Basta estar atento, de olhos e ouvidos bem ligados a tudo. Passei a trocar recortes com o poeta Eduardo Trindade, que tem olhos bons para reunir material pra esse tipo de álbum pessoal. Vimos ainda mais poesia no cotidiano. Fui mais feliz.

Outro mérito da felicidade contida nos últimos doze meses esteve ligado às surpresas boas que tive. Flutuações que me fez conhecer novos escritores, blogueiros e músicos. Arte é naturalmente flutuante, mas em 2010, tive muita sorte nesse campo, por isso, recordo com gosto dos nomes que me fizeram flutuar, além, é claro, dos bons momentos vividos graças à vida acadêmica. Ficam aqui, então, as dicas:

1) Flutuação Literária:

“As Valsas Invisíveis” de Eduardo Trindade;
“Até que ponto, de fato, nos comunicamos” de Ciro Marcondes Filho;
“A Educação para o Trabalho” e “Pedagogia do Bom Senso” de Célestin Freinet – nestes dois adoráveis livros, o educador francês Célestin Freinet aborda a importância do ambiente escolar ser construído por professores sensíveis a percepção da criança e a capacidade de desenvolver um raciocínio com autonomia e sensatez por meio da construção do conhecimento.
“Alcântara – Negociação do Azul ou A Castração dos Anjos” de José Chagas reúne de forma fascinante a história da cidade maranhense que intitula o livro. Cantada em versos, Alcântara ganha o olhar poético do talentoso Chagas.
“Noel Rosa – Uma biografia” de João Máximo e Carlos Didier é considerada a mais completa reunião de material sobre a vida e a obra do sambista carioca que completaria em 2010 seu centenário de nascimento.

2) Flutuação Musical:

Concerto Nazareth - Brasileirinho, com peças do compositor carioca Ernesto Nazareth executadas pelo pianista Marcelo Bratke na excelente companhia da Camerata Vale Música (ou Camerata Brasil, como se apresentam no exterior). Troféu Flutuação Musical para o momento em que o pianista me presenteou com o cd da turnê. E não há como cansar de ouvir, muito bom mesmo. Em seguida, devo conceder menção honrosa à banda Scracho pela fofíssima versão de A Menina Dança, originalmente composta por Novos Baianos. Embalou meu 2010 e também não canso de ouvir.

3) Flutuação Acadêmica:

Conferência de abertura do Intercom Nordeste em Campina Grande-PB com o prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. Uma verdadeira aula sobre educomunicação e o uso das tecnologias da informação em sala de aula. Fora que Ismar é um dos nomes que mais demos conta durante o ano, devido às pesquisas sobre educom, tema de meu tcc.

4) Flutuação Esportiva:

Como boa colorada, não poderia deixar de lembrar do dia em que o campeão de tudo, Sport Club Internacional, conquistou o bicampeonato na Copa Libertadores da América. Troféu Flutuação para o vídeo que eu fiz de Carol Rios e o escritor Fabrício Carpinejar juntos, fazendo a ola do mundial em plena feira do livro de São Luís. Impagável!

5) Flutuação viajante:

Para o mochilão feito até a cidade de Pinheiro na companhia dos amigos Saara Sousa e Max de Medeiros e retratado aqui no blog em março. Foi uma excelente oportunidade de desestressar estando perto de gente querida e aprendendo a dar mais valor ao contato com a natureza e a simplicidade das boas e velhas amizades.

Por tudo isso e mais um pouco, 2010 foi um ano de muitas realizações, ainda que tenhamos passado também por momentos difíceis, de insegurança com o término do curso superior e a perda de um ente querido. Algumas coisas desandaram, fugiram ao controle, mas ainda assim não diminuíram nem tiraram o mérito das tantas coisas boas que este ano trouxe distribuído por seus meses.

E uma delas é dívida desta blogueira. Em agosto, na ocasião do concerto Nazareth – Brasileirinho, publiquei uma crônica sobre a flutuação musical que as mãos habilidosas do pianista Marcelo Bratke e o talento irresistível dos garotos da Camerata Vale Música são capazes de gerar em um público. Som de primeiríssima qualidade. Na mesma época, mantive contato com o simpático percussionista Léo de Paula, integrante da Camerata, que me concedeu gentilmente uma entrevista por email. Entrevista essa que a correria do último semestre de faculdade atrasou a publicação. Pois pago agora a dívida, publicando a matéria e deixando a dica musical: ouçam Bratke e a Camerata Vale Música e conheçam a excelente música produzida em nosso país por quem é conhecedor de causa das nossas riquezas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

SAUDADE EM FOCO


“Do tempo passado não se recupera senão o recado do que fica à espera...” (José Chagas)

Falar de saudade é como falar de felicidade. Relativas, vivem em cada um de nós sob formas, tons, tamanhos e motivações completamente diferentes e pessoais. Cada um guarda em si e para si, as lembranças que foram capazes de emocionar e nem sempre isso pode ser colocado em palavras, nem sempre pode ser facilmente compartilhado. Talvez eu já tivesse aprendido isso, mas ontem (10/12), durante a chamada Aula da Saudade da turma de Jornalismo da qual fiz parte durante os últimos quatro anos, percebi com maior nitidez, como a saudade une as pessoas, ainda que seja para chorar por motivos, momentos e pessoas diferentes.

Convencionada entre turmas de formandos, essa última aula procura ser um momento de nostalgia do tempo passado junto e funciona como uma aula de encerramento do curso, para confraternizar o término de um ciclo e recordar o que se viveu até ali.

A aula da saudade, que reuniu a turma de formandos em Jornalismo da turma 305 da Faculdade São Luís ontem, foi surpreendentemente divertida. Ministrada pela querida professora Jô Dantas, que esteve conosco por dois períodos a frente da disciplina Jornalismo On line, teve um tom muito adequado ao momento. Jô falou de saudade e chamou a turma para reflexão sobre o contexto da modernidade e da pós-modernidade. Falou da turma, confidenciou o que significou ter sido nossa professora e emocionou ao nos dar versos de Carlos Drummond de Andrade e Renato Russo, para refletir. Afinal, do que sentiremos falta? De que tamanho e intensidade será a saudade destes anos e destas pessoas em cada um de nós? Porque como disse nosso caro colega Chico Poeta, “Não sentiremos saudade disso aqui amanhã. Sentiremos daqui a um mês, um ano...”, com o passar do tempo.

E o que não foi dito, o que não foi feito, o que não foi vivido? E a saudade do que não aconteceu? Também falamos do que poderia ter sido e não foi. Colegas derramaram lágrimas ao perceber que aquela era a última oportunidade de pedir uma desculpa, de trocar um oi com quem por algum motivo qualquer - desleixo, falta de afinidade ou mesmo timidez - nunca falamos.

Houve bom humor, também. Boas risadas com as lembranças puxadas por um quiz que testou nossa memória e trouxe de volta imagens de trabalhos apresentados nos primeiros períodos, falas características de alguns professores, ensinamentos de outros. Lembramos com carinho do que foi bom. Como reunir amigos na sala de casa para abrir o álbum de fotos da família, reunimos nossa turma ontem para descobrir que tivemos em comum, mais do que a opção pela mesma profissão. Fizemos parte, um da história do outro. Ainda que muitos de nós não tenham sido melhores amigos. Ainda que tenhamos trocado farpas, algumas vezes. Ainda que tenhamos construído, desconstruído e reconstruído nem sempre acertadamente a percepção pessoal do que cada um ali representa. Chego à conclusão que uma coisa é certa, como nos disse a querida amiga Saara: “Somos todos personagens”. Sim, todos personagens desta mesma história, vivida entre 2007 e 2010 na sala 305 do terceiro piso da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas de São Luís. Compartilhamos a vontade de daqui a alguns anos, ao nos depararmos com trabalhos assinados por colegas soltarmos saudosos, “é, eu conheci essa figura!”.

E quando chegou minha vez de falar, já entre os últimos – como de costume, preferi ouvir os colegas, pra daí sim dar minha colaboração – a voz quase embargou, já tomada pela emoção da fala dos que já tinham se rendido ao choro. Segurei e segui, aproveitando aquele último momento para dizer à turma do quanto aprendi a gostar especialmente de cada um. Falei do quanto foi importante aprender a observar cada colega e tirar desta observação algo especial para gostar e lembrar. Porque este é o meu modo de gostar também das pessoas com quem não troco palavras: bebendo gestos espontâneos, falas e olhares voluntários, nem sempre direcionados necessariamente para mim.

Por fim, nos despedimos em tom de até logo, já que a partir de agora nos encontraremos em redações, assessorias, eventos e coberturas. Nos falaremos por e-mails institucionais e telefonemas de pauta, às vezes demorados, outras vezes na batida acelerada de um deadline. Assistiremos, leremos e escutaremos uns aos outros nas tevês, nos jornais, sites e rádios. Entrevistaremos os que seguirem vida acadêmica na cobertura de seminários e congressos. Estaremos no mercado, nos esbarrando pelos mesmos furos.

Hoje, um dia depois, ainda não acordamos "os jornalistas", que isso é coisa que virá com o tempo de exercício e os aprendizados que faculdade não nos ensinou. Mas certamente, acordamos conscientes de que o que pode ser aprendido neste período, com professores, colegas e até mesmo com a consciência do que faltou, já faz muita diferença nos profissionais que seremos.

De todo modo, está assegurada a pontada de saudade que sentiremos - daqui a algum tempo, quando este tempo de hoje for tempo para sentir saudade. Olharemos nossa foto e brincaremos de lembrar os nomes e os jeitos de cada colega. Sentiremos, enfim, vontade de ter notícias de quem estudou conosco para o ofício de noticiar.


Nós, calouros de Jornalismo. Esta foto foi tirada no nosso primeiro dia de aula. No canto esquerdo, de jaleco, nossa primeira professora, Jakeline Bogéa.

Por tudo isso e pelo que fica à espera, fica aqui, meu abraço e minha, desde já saudade, a todos que fizeram parte deste pedaço da minha história, no capítulo Vida de aspirante à Foca, do livro da minha vida.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

4ª FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS EM FOCO


Uma feira para flutuar


Por Talita Guimarães

Quem nunca ouviu falar na coleção “Para gostar de ler” talvez seja um alguém que não goste ou simplesmente não tenha um incentivador literário por perto. E aí, talvez tenhamos nesse alguém, um desconhecedor do maravilhoso universo da crônica, um insensível à poesia contida no dia a dia, um estranho ao contato com escritores. Ou talvez seja só alguém que não conheça tal coleção e até goste de ler, vez por outra, de vez em quando. Falo destes livros em especial apenas porque o título me parece emblemático. Talvez também porque eu goste de ler, adore o universo da crônica, leia o mundo em versos e seja completamente fascinada com o contato com artistas das palavras.

Começo assim, flutuando entre extremos, para falar da quarta edição da Feira do Livro de São Luís, que este ano aconteceu entre os dias 12 e 21 de novembro e esteve muito adequada a esta premissa do gostar de ler e ter os livros como portais do conhecimento. Assim como dizia o slogan que a feira festejou durante dez dias, palavras do maranhense José Louzeiro, patrono desta edição: “O livro é guia e instrumento da sabedoria”.

Em 2010, a FELIS chegou ao público com uma programação feliz, que potencializou a proposta do slogan proporcionando o contato gratuito com o conhecimento, afinal, nem só de comércio de livros vive uma feira. E quem teve o cuidado de desfrutar da programação de palestras, oficinas, peças, cafés e lançamentos aproveitou o melhor do evento, no contato com o conhecimento vivo através da conversa com autores, pesquisadores, professores e artistas. Aliás, vale comentar que a programação contemplou autores maranhenses e nacionais. Trouxe gente que falou com propriedade sobre literatura, educação, jornalismo e artes.

Quem teve a oportunidade de passar pela Praça Maria Aragão e adentrar o portal da feira, viveu momentos de flutuação literária. Entre livros, autores, tocador de realejo, declamadores de poesia ao pé do ouvido e sim, personagens – Emília e Visconde de Sabugosa saíram das páginas do Sítio do Pica-pau Amarelo para caminhar pela feira, distribuindo sorrisos e alimentando a imaginação.

Acompanhei cinco palestras e um café literário. Flutuei com Celso Antunes e a educação contada com ar de história; Fabrício Carpinejar e a frenética exposição de sua cronicidade; Airton Ortiz e as fantásticas viagens aventurescas que renderam livros e inauguraram o Jornalismo de Aventura no Brasil; Márcio Vassallo e a poesia inspirada em Mário Quintana; José Maria Nascimento e o comovente relato do poeta que viveu junto com Nauro Machado o tempo da boemia ludovicense e por fim Jô Dantas e a análise da obra de José Louzeiro com a propriedade de quem é mestre em Crítica e Teoria literária.

Caminhei pelo Espaço Cultural, onde estavam os estandes de livreiros e editoras, e explorei muitas estantes, vendo livro por livro e lendo orelhas, prefácios e trechos quando interessada. Apesar da ausência de promoções para os títulos originalmente caros, descobri pérolas da literatura maranhense e levei pra casa vários títulos de bolso de conteúdo inestimável a preços legais. Rebati a quem reclamou dos preços para os livros óbvios, que a feira é para descobrir relíquias e se deixar surpreender pelo novo.

Aliás, quem procura liquidação de best-seller em feira do livro está perdendo tempo. Precisa ser convidado com urgência a assistir palestras em que a professora Dinacy Mendonça esteja presente. Como na palestra “A obra de José Louzeiro” realizada no Auditório Maria Aragão pela Profª. Msc Jô Dantas, quando após a exposição fascinante dos elementos de jornalismo e literatura contidos na obra do patrono, Dinacy pediu a palavra para ressaltar a importância de o maranhense conhecer e reconhecer a literatura de sua terra e envolveu o público em uma exposição rápida dos literatos que nasceram por aqui e de quem devemos nos orgulhar.

Porque feira do livro é isso: encontro com o conhecimento sabendo que o livro é o instrumento, mas o ser humano é quem o torna guia. Por fim, volto ao “Para gostar de ler” e digo que a feira é para todos. Uma oportunidade ímpar para fazer flutuar quem gosta de livros e para ensinar a flutuar quem precisa aprender a gostar.


Frases desta edição:

“A palavra do professor queima mais do que fogo, corta mais do que faca” (Celso Antunes)

“Escutar é ouvir com nuance, ouvir com sensibilidade” (Celso Antunes)

“Vivo de pensar na vida. Acho que esse é um pouco do trabalho do escritor” (Márcio Vassallo)

“A gente não precisa ser poeta para viver em estado de poesia” (Márcio Vassallo)

“As crianças tem a capacidade muito irresistível de gostar de partes. Aquela parte do filme, aquela parte da história...” (Márcio Vassallo)

“A poesia ilumina os caminhos” (José Maria Nascimento)

“Estou aqui por amor à poesia!” (José Maria Nascimento)

“Quando você entra na narrativa, entra nas teias da ficção” (Jô Dantas)

“Literatura não se faz de nomes que um cânon impõe” (Jô Dantas)

“Sou muito preocupado com a fome que os perdedores enfrentam” (José Louzeiro)

“Meu compromisso é com os perdedores” (José Louzeiro)

“Devo tudo que sou a Maria Freitas” (José Louzeiro)

“Sou da terra de Arlete Nogueira da Cruz, José Louzeiro, José Ewerton Neto, Nauro Machado...” (Dinacy Mendonça)


Com parabéns à organização do evento, que nesta edição encontrou o tom da gestão atual e não decepcionou. Falhas acontecem, mas a 4ª Feira do Livro de São Luís será lembrada pelo mérito de ter abraçado o tema proposto com a consistência merecida.

Fotos da 4ª Feira do Livro de São Luís no dia 21.11.2010

Café Literário com José Maria Nascimento; o poeta autografa Os Portais da Noite para Caroline Rios enquanto eu (azul) e Talissa Guimarães (atrás do poeta) o admiramos.



No intervalo do Café Literário, José Louzeiro (esquerda) e Herbeth de Jesus Santos autografam livros





Jô Dantas apresenta estudo sobre a obra do patrono da 4ª FELIS, José Louzeiro



Grupo de teatro Gamar, da Cidade Operária, apresenta encenação lúdica no encerramento da feira.

sábado, 20 de novembro de 2010

MAIS FEIRA DO LIVRO EM FOCO


Flutuação literária

A programação do auditório José Louzeiro na 4ª Feira do Livro de São Luís deu continuação na noite de sexta-feira, 19, ao estado de flutuação literária no qual esta blogueira vem vivendo desde o encontro com Celso Antunes e Fabrício Carpinejar e o passeio pelas muitas estantes do Espaço Cultural.

Guiado pelas histórias dos escritores e jornalistas Airton Ortiz (RS) e Márcio Vassallo (RJ), eu e o público flutuamos entre as viagens de aventura em meio à vida selvagem contadas através de fotos e histórias de Ortiz e em seguida pelo universo infantil inspirado em Mário Quintana segundo palavras de Vassallo.

Pioneiro no gênero Jornalismo de Aventura no Brasil, Airton Ortiz já percorreu mais de 50 países em expedições que renderam onze livros sobre as aventuras, dez livros de reportagens e um de crônicas, além do romance Cartas do Everest e o álbum de fotografias Retratos da Terra.

Durante a conversa na feira do livro, o escritor, jornalista e fotógrafo gaúcho exibiu uma colagem de matérias e reportagens sobre suas participações na Feira do Livro de Porto Alegre e ainda trechos de entrevistas sobre as viagens radicais que fizera. Em seguida, apresentou uma sequência de imagens feitas durante as viagens à África – que rendeu os livros “Aventura no Topo da África” e “Na Trilha da Humanidade”- e contou sobre a experiência de integrar expedições em busca do contato com a vida selvagem e a cultura dos mais diferentes povos.

Ortiz passa na voz o entusiasmo pela aventura e dá dicas para quem tem interesse e curiosidade em torno do universo das expedições: “A gente tem muito que aprender com os animais selvagens. Antes disso, precisamos saber que eles possuem um ponto forte e uma fraqueza. Assim, temos que nos conhecer para saber qual a nossa habilidade e usá-la a nosso favor. E é a informação a arma mais poderosa do homem”. Além disso, o jornalista falou sobre a importância da leitura de mundo como aliada da leitura proporcionada pelos livros. “A gente estuda para conhecer o mundo no qual vivemos”. Nos livros, as pessoas encontram as informações que precisam para aprender a ler o mundo e as viagens ensinam muito. “A vida selvagem é maravilhosa para fazer leitura do mundo”.

Como parte integrante do processo de autoconhecimento – meditar, enfrentar situações de risco e ler – Ortiz destacou que a leitura faz com que o leitor viva a história assumindo o papel dos protagonistas. “A gente ri, sofre, chora com os personagens”, afirmou.

Por fim, o escritor viajante deixou ao público boas histórias das viagens, retratadas em belas imagens e grandes ensinamentos. Finalizou a palestra ressaltando a beleza e os contrastes entre as culturas descobertas em cada viagem e ensinou que leitura e a informação que transformamos em conhecimento é o nos faz “olhar [o mundo] capaz de perceber além das aparências”.

Logo na sequência, foi a vez do carioca Márcio Vassallo, autor da biografia de Mário Quintana, comandar com palavras e histórias a flutuação da noite. Infância, simplicidade e poesia. Três ingredientes mágicos para a viagem ao universo infantil da obra do autor gaúcho.

O escritor e jornalista falou da beleza contida na vida cotidiana e facilmente percebida pelas crianças e poetas. Vassallo comentou a não-ruptura do universo infantil durante o amadurecimento do ser humano e a chegada na vida adulta, e sobre o fato de nem todos conservarem o olhar poético da criança, defendeu que “não precisa ser poeta para viver em estado de poesia” o que significa “viver o dia a dia em constante estado de beleza”.

Autor dos livros infantis “A princesa Tiana e o sapo Gazé” (1998), “O príncipe sem sonhos” (1999), “A fada afilhada” (2001), “O menino da chuva no cabelo” (2005), “Valentina” (2007), “Da minha praia até o Japão” (2010), Márcio Vassallo chamou a atenção para a vergonha que os adultos têm de assumir a poesia e o universo infantil.

Vamos olhar a lua até gastar! – O irresistível convite é de Gabriel, filho de Márcio Vassallo, e contém em poucas palavras a simplicidade e beleza da poesia infantil. O ponto alto da palestra do escritor carioca ficou por conta do relato das peripécias do menino de 10 anos.

Observador da infância do filho, Vassallo comentou o quanto apreende poesia nas palavras e movimentos de Gabriel. Divertiu o público com o episódio das “criaturas da unha na cabeça”, aventura contra os monstros que dominaram a Terra e estariam chamando para o combate na sala da casa do escritor, tudo fruto da imaginação do menino em uma madrugada fria do Rio de Janeiro e emocionou ao confidenciar o quanto o garoto o salva todas as vezes que o envolve nas aventuras de sua imaginação. “A criança traz poesia, fantasia na veia”, falou o escritor, acrescentando que começa a fazer parte do universo do filho quando “participa contemplando-o, recuperando a capacidade de bastar contemplar e se assombrar com o cotidiano”.

Para encerrar, Márcio Vassallo propôs ao público o reencantamento do cotidiano, afinal “a poesia está em volta e a gente tem que ter a capacidade de ver e trazer isso pra nossa vida”.
Para saber mais sobre os autores, visite as páginas de Airton Ortiz e Márcio Vassallo na internet.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FEIRA DO LIVRO EM FOCO

Quarta-feira na noite do livro

Adentrar o universo do conhecimento por meio dos livros. Do papel ao e-book. Através de todos os sentidos, de corpo e alma. Essa é a proposta da 4ª edição da Feira do Livro de São Luís. Abraçar o ser humano transformando-o em um leitor do mundo. “O livro é guia e instrumento da sabedoria”, diz o slogan de autoria de José Louzeiro, patrono da feira.

Não há como passar pela Praça Maria Aragão e não sentir o coração de leitor apressar o compasso. Chegar ao portal da feira e ser recepcionado por livros gigantes. A praça transformada numa grande biblioteca. Andar entre os estandes e não se encantar com o fantástico mundo da literatura é impossível. Você pode escolher como quer serembalado: tocador de realejo ou poesia ao pé do ouvido (fotos)? Difícil não se deixar embalar por tudo ao mesmo tempo.

Na noite da quarta-feira, 17, a flutuação literária a que esta blogueira foi submetida no auditório José Louzeiro ficou por conta de Celso Antunes e Fabrício Carpinejar. O paulista Antunes falou sobre educação, mas foi além. Levou o público para passear na narração encantadora de quatro grandes exemplos de práticas educativas.Despertou a reflexão em torno da questão: quanto vale um professor? Encantou a mim e creio que ao público presente, com seu modo de refletir sobre a educação infantil através da experiência que valoriza o ser humano. Em especial, conferiu grandeza à figura do professor. Com poesia e precisão, Celso Antunes falou da influência que a fala de um educador exerce na vida de todos nós: “A palavra do professor queima mais do que fogo, corta mais do que faca”. E seguiu chamando a atenção para o ensinar a escutar, para a sensibilidade que deve ser a marca do mestre. Defendeu a expressão do ato de magia contido no ensinar e no encanto que a verdadeira professora tem guardado na própria forma de envolver os alunos. Antunes resgata em sua fala a necessidade de todos nós darmos aos professores o sentido de dignidade e para isso, dispensam-se equipamentos, recursos e tecnologia como muletas e desculpas. Precisa-se apenas e unicamente do conhecimento e da perspicácia digna de um verdadeiro mestre, humano.

Para finalizar, Celso Antunes deixou a reflexão em torno do que se pode fazer em dez minutos. O que dá pra fazer nesse espaço de tempo? Constatou junto ao público que dez minutos é pouquíssimo tempo para fazer coisas bem elaboradas. “Não se prepara nesse tempo um jantar romântico”, exemplificou. “Mas, se dedicares dez minutos diários a leitura, no fim de um ano serás uma nova pessoa. Dez minutos e se compra uma nova vida”, disse por fim e ganhou longas palmas de legitimação.

O encantamento das palavras do mestre Antunes ainda pairava sob nós quando uma figura completamente exótica cruzou o auditório e sentou-se silenciosamente na poltrona destinada ao palestrante. Era Fabrício Carpinejar diante do público. Burburinho durante a apresentação do novo palestrante. Em seguida a platéia, predominantemente jovem, prendeu a respiração ao ver e ouvir Carpinejar levantar-se de um salto em direção ao público encarnando suas considerações sobre o “ser canalha”.

Enérgico, provocativo, inteligente e bem humorado, o cronista, poeta e jornalista gaúcho (e colorado! Olé!) andou pelo auditório, interagiu com o público, sentou no colo da fã e apertou a bochecha da colorada Caroline Rios (minha amiga que ao fim gravou com o escritor a ola de apoio ao Internacional pelo mundial de clubes!).





Mas alguém pergunta: sobre o que falou Carpinejar? Sobre um mundo de coisas e relações, sobre amar e ser amado, sobre paixões, vícios, qualidades e defeitos. Mas com o ar completamente original, que sempre levava o público a ver a crônica-Carpinejar em carne-viva. Porque ele é isso. Fabrício Carpinejar ao vivo é a união de todos os textos de seu blog e seus livros falando alto e expressivamente. É irreverência e genialidade. Literatura e realidade. Não é palestra sobre como escrever, é palestra sobre a vida escrita. Mais vivo, impossível. Em território maranhense, a vida pulsou com sotaque gaúcho.

Enfim, tentar reportar a palestra do autor de “Canalha”, “Mulher Perdigueira” e “www.twitter.com/carpinejar” é pura perda. Melhor indicar o autor, assegurando que está vivíssimo e original no blog que mantém e nos livros que escreve. Porque vale conhecer: http://www.carpinejar.blogspot.com .

Vila Tulipa no Troca-troca Literário - A 4ª Feira do Livro de São Luís reedita o espaço troca-troca literário na Praça Maria Aragão. Trata-se do estande de troca de livros, uma ótima oportunidade para quem por algum motivo não poderá desembolsar uma grana esta semana nos estandes de livreiros e editoras, mas não quer passar pela feira de mãos abanando.

Livros e revistas podem ser levados a fim de trocar por vários títulos disponíveis. Uma ideia perspicaz para quem está com tempo para literatura esta semana é realizar a troca e ler a tempo de trocar por outro livro até o último dia do evento, 21. As pracinhas de vivência da feira são convidativas para a leitura!

Além disso, esta blogueira deixou sete exemplares autografados de Vila Tulipa, meu primeiro livro, no troca-troca literário na noite da quarta-feira, 17.

Vila Tulipa foi escrito em 2006, quando sua autora tinha 16 anos. No mesmo ano foi premiado pela Fundação Municipal de Cultura no XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís. Em 2007, foi publicado pelo Instituto Federal do Maranhão, (antigo Cefet-MA) onde esta blogueira estudou entre 2004 e 2006.

O enredo se passa na vila que dá título ao livro e conta a história de amizade das crianças Paulo e Tatiana envolvendo o cotidiano dos moradores do lugar. Com bom humor, Vila Tulipa procura resgatar o gostinho de aventura da infância. Porque afinal de contas, todo grande começo tem que ter uma grande aventura.
Aproveitando a deixa, Ensaios em Foco faz campanha: DOE LIVROS!

domingo, 14 de novembro de 2010

REFLEXÃO EM FOCO



“Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. O que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma.”
(Chicó em O Auto da Compadecida, obra de Ariano Suassuna)

O que resta [ará] de nós?

Um dia você acorda e a primeira notícia que recebe é que alguém de quem gosta muito já não respira mais. Aí quem perde o ar é você, sufocado pela dúvida de como continuar vivo sabendo que alguém querido já não estará mais presente.

A morte caminha lado a lado com a vida e custamos muito a nos dar conta disso. Como se estivéssemos falando de um mal distante, tratamos a morte que vemos diariamente nos noticiários com a consciência de quem acredita que terá a chance de marcar a própria hora. Como se tivéssemos algum controle sobre o tempo que nos é dado... Isso para não falar do quanto desperdiçamos o convívio, do quanto sonhamos com futuros que podem não estar ao nosso alcance, do quanto dizemos não e empurramos para depois a vida que deve ser sentida a cada instante e não apenas planejada ano a ano. Volto ao início, à dúvida sufocante que surge quando vemos o tempo de alguém se esgotar irremediavelmente e me pergunto: estaremos vivendo muito mais em função de um tempo que ainda não nos foi dado? E o tempo que nos é dado de convivência com outros? O que nos resta quando pessoas que amamos vão embora antes de nós? “Somente seu enterro e rezar por sua alma”, como se resigna o personagem do genial livro do paraibano Suassuna? Haverá entre nós, a capacidade de deixar mais de si aos outros, aproveitar melhor o tempo presente? Como a tristeza que a morte traz pode se converter na consciência passageira de que não sentiremos mais o prazer da companhia gostosa da pessoa querida?

A morte lança mais perguntas sobre a existência do que a própria vida.

Esta semana perdi um tio. Há um ano e sete meses perdi minha avó. No mesmo período, a cultura perdeu Mestre Antônio Vieira. Falo em perder porque é esse o sentimento que surge quando alguém morre. Perdemos a presença, os sorrisos, os abraços, a voz, e a admiração ainda que silenciosa do jeito de ser das pessoas. Mas perdemos principalmente a chance de viver mais e melhor na companhia de quem se vai. Infelizmente, é a perda quem muitas vezes mostra o quanto alguém faz falta. Por isso a morte traz dor incalculável para a consciência. Choramos a ausência de uma segunda chance. Lamentamos o que não tem mais jeito. O que poderia ter sido e não foi. Culpamos a dinâmica da vida quando o erro é resultado das ações de quem vive.

Por tudo isso, não sou pessimista em relação à morte. Sou preocupada com os vivos. Com a forma como as pessoas vivem, as relações que estabelecem, as escolhas que fazem e que nunca dizem respeito apenas a elas. Afinal, as lições da humanidade não tem ensinado uma independência que possa planejar com absoluta certeza a hora de cada um deixar este mundo assegurando a felicidade de quem fica. Vivemos arriscando no escuro, no tempo que não temos. Ignoramos a margem de erro.

Na hora da morte é que vejo a importância da consciência em torno da vida. Quem morre, descansa. Quem vive, sofre. Mesmo sabendo que a morte é tão natural quanto o nascimento, sofremos a cada partida. Sendo assim, o que dizer para consolar alguém cuja dor parece mesmo incalculável? Coloquei-me diante desta questão a fim de resolvê-la. Sou altruísta. Não queria que a pessoa que ficou sofresse a dor inconsolável da perda. Queria poupá-la da inconformação, da revolta, da solidão. Conheci à perda da avó, a dor incalculável, revoltante, inconsolável e tive de buscar conforto sozinha. Não queria, desta vez, saber de alguém tendo reação parecida.

Penso que é a vida quem dignifica a morte. A mobilização diminui o sofrimento. O abraço conforta o corpo, o pensamento compartilhado, a alma.

Para tanto, precisei lembrar-me de apenas uma frase, sabiamente colocada por Antoine Saint-Exupery “Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Curiosamente, há pouco tempo, conversava com uma amiga sobre o que as pessoas significam depois que morrem. Comentávamos o que cada um de nós é capaz de deixar às pessoas que vivem conosco. Perguntávamos-nos, a título de reflexão, o que deixaríamos hoje ao mundo caso partíssemos. Pendências ou boas lembranças? A certeza dos grandes amigos que fomos para quem pode desfrutar de nossa amizade ou a imagem de jovens que planejavam feitos promissores para um futuro que nunca chegaria? Feitos que não passariam de promessas, no caso de uma partida, assim, aparentemente do nada.

Lembrando do trecho de “O Auto da Compadecida”, quando o Chicó (interpretado espetacularmente no filme por Selton Melo) diz que a morte é um mistério do qual ninguém escapa, irremediável, porque tudo que é vivo morre, penso com mais certeza que enquanto estamos vivos é que precisamos pensar mais na forma como vivemos e nas escolhas que fazemos sem deixar passar as chances, os momentos, enfim, a vida que merece ser vivida. Para que além de aproveitarmos cada segundo "como se não houvesse amanhã" sejamos capazes de partir na hora que a matéria tiver de morrer sim, mas sem que a alma, a essência da vida, se perca junto. Porque sempre há quem fique e sinta que um pedaço de si já não existe mais. Mas se nesse momento, quem ficar sentir que enquanto vivos, tivemos momentos que valeram a pena, talvez a dor dos vivos em relação a morte não seja mais tão devastadora.

Quem somos e o que fazemos hoje, agora? Olhemos então para o que já deixamos para trás, o que já marcou nosso tempo de vida até hoje. O que ainda há para fazer? Quantos abraços, sorrisos, palavras e vivências ainda temos para dar às pessoas? O que ainda nos falta aprender, ensinar? Não há como saber quanto tempo ainda teremos. Chego a conclusão que este sim é o mistério. O desafio que separa a graça da vida da dor da morte.

sábado, 23 de outubro de 2010

MONOGRAFIA EM FOCO

Da arte de monografar

Ensaios em Foco é formando. Sim, estamos concluindo o curso de Jornalismo, vivendo a expectativa de finalmente vestir a beca de faixa vermelha, tirar fotos com a mais nova turma de jornalistas do pedaço, apertar a mão do diretor e vibrar ao receber o diploma. Mas tenhamos calma, antes da festa tem muito trabalho a cumprir ainda. O último período da faculdade não tem sido nem um pouco manso. Muito pelo contrário, cortamos um dobrado para dar conta das disciplinas do período que em sua maioria pouco tem a ver com os temas das pesquisas que “monografamos”. Sem contar do frio na barriga pelo término de um ciclo importante e o descabelamento diário com o temido trabalho de conclusão de curso, a famosa monografia. E é sobre ela que falaremos agora!

Este blog completou dois anos em setembro e durante este tempo procurou expor a produção acadêmica de quem é jornalista em formação. Além de tratar temas relacionados à prática jornalística, falamos de outros assuntos, como música, cinema e literatura. Publicamos felizes parcerias.

Em 2010, a blogueira que mantém este espaço apontou o foco para o estudo da intersecção resultante da aproximação da comunicação com a educação. A intenção era trazer parte dos debates e leituras proporcionados pela pesquisa do trabalho de conclusão de curso para o blog, mas nem sempre foi possível. Acabamos privilegiando a publicação de crônicas, entrevistas e notas sobre eventos culturais. Pois bem, aqui vai uma tentativa de explicação: monografar é uma arte que ainda não dominamos. Ler inúmeros autores e dialogar com eles, percebendo também o diálogo existente entre eles não é tarefa simples. Por isso, optamos por entender primeiro quem são, o que dizem, até que ponto dialogam, quando concordam e quando divergem, para trazer algum material coerente para o Ensaios em Foco. Fazer isso durante o turbilhão de leituras e ideias talvez não fosse uma boa ideia.

Por tudo isso e também pela proximidade com a entrega do material produzido seguido da defesa do tema pesquisado, o Ensaios em Foco tem sido pouco atualizado. Contudo, temos em curso ideias para novos textos, pautas e séries, para quando esta fase de descabelamento acadêmico se encerrar, voltarmos o foco para este ensaio. Porque parafraseando o que diria uma de nossas autoras mais lidas, a socióloga Gaye Tuchman, viver (leia-se estar em estado de monografia) é “aparentemente simples, inextricavelmente complexo”.

domingo, 3 de outubro de 2010

ELEIÇÕES EM FOCO

Hoje, 3 de outubro de 2010, cerca de 135.804.433 cidadãos brasileiros foram esperados durante todo o dia nas urnas eletrônicas espalhadas por todo o Brasil, para escolherem os representantes que administrarão o país por mais quatro anos. Na noite deste domingo, eleitores e suas famílias se reuniram para acompanhar cada flash da apuração. Nesse contexto de decisão é que o Ensaios em Foco traz um pouco de reflexão e posicionamento sobre o clima que deveria tomar conta do país em tempo de eleição. São palavras de Eduardo Trindade, publicadas também em seu blog: As Valsas Invisíveis.


E NÓS, O QUE ESTAMOS FAZENDO?

Considero-me uma pessoa discreta, não sou de grandes discursos ou exaltações. Mas aprecio certos protestos silenciosos quando vejo que há necessidade deles. Por isso é que, hoje cedo, ao sair para votar, levei comigo a bandeira brasileira e, principalmente, coloquei meu nariz vermelho de palhaço.

Em outras palavras: é claro que amo esta pátria que me viu nascer, mas talvez justamente por isso não posso deixar de me manifestar contra atitudes que considero erradas. Sem dúvida, tenho muito mais orgulho da situação econômica e política do Brasil hoje do que quando comecei a entender e a reparar nisto. Mas é claro, também, que ainda há tanto a fazer, tanto...

A culpa é dos políticos, dizem. Eu até concordo. Vejo muitos deles que parecem desonestos ou francamente incompetentes, quando não as duas coisas. Mas eu me nego a jogar toda a culpa neles e lavar as mãos. Vivemos numa democracia, somos todos responsáveis. Ou nos esquecemos do próprio significado da palavra política? Somos todos políticos, nenhum homem é uma ilha. Que exemplo estamos dando em casa, o que estamos ensinando nas escolas e nas ruas? Com que cara alguém que oferece propina ao guarda pode reclamar de corrupção no Congresso? Uma pessoa que embolsa um troco dado por engano tem direito de se indignar diante de uma obra superfaturada? Alguém que fura a fila no mercado pode acusar outro que compra votos para se eleger? Quem joga papel de bala no meio da rua terá menos culpa do que quem desmata a Amazônia? Talvez não.

A sociedade é a soma de todos nós e de cada um dos nossos atos. E os políticos que elegemos são, sem dúvida, reflexo desta sociedade.

Sim, eu acho difícil votar, escolher pessoas em quem confio e que merecem me representar. Mas quem disse que deveria ser fácil? Por isso mesmo, não concordo com o voto nulo: este, que querem fazer parecer um ato de rebeldia, para mim soa mais como uma injustificável preguiça. Por mais batida que seja a frase, o voto é nossa arma. Vou além: o voto é a primeira de nossas armas. As outras, com ou sem nariz de palhaço, estão ao nosso alcance em casa, na sala de aula, no escritório, na rua. Como? Buscando a honestidade nos pequenos atos. Olhando para o espelho de cara limpa. Esta corrente, sim, eu passo adiante.
Eduardo Trindade
3 de outubro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

AGENDA EM FOCO


Quinta para leitores e sexta para cinéfilos em São Luís

Vale conferir hoje, a partir das 18h30 no Palácio Cristo Rei, o lançamento dos livros da coleção teses&dissertações da Universidade Federal do Maranhão. Na ocasião serão lançadas as publicações do Centro de Ciências Sociais Estados, Mídia e Oligarquia, do Prof. Carlos Agostinho Almeida de Macedo Couto; O dissídio das vozes, do Prof. Francisco Gonçalves da Conceição; Crianças Diagnósticas com TDA/H, da Profa. Marilete Geralda da Silva; Memórias de Leitura de Pessoas Idosas, da Profa. Maria do Socorro Souza de Araújo e A reforma do ensino e a formação de estudantes, da Profa. Maria José Pires Barros Cardozo. O Palácio Cristo Rei fica localizado na Praça Gonçalves Dias, em São Luís.


Já para quem curte uma boa sessão de cinema no fim de tarde da sexta, a dica é, mais uma vez, aproveitar o Cine Filosófico promovido pelo Instituto Federal do Maranhão amanhã, a partir das 18h30. O filme desta sexta (24) é o Farenheit 451, adaptação cinematográfica da obra-prima literária de Ray Bradbury sobre um futuro sem livros. O longa tem direção de François Truffaut e conta a história de Montag (Oskar Werner), bombeiro designado a queimar livros proibidos que se vê diante de um grande conflito pessoal e intelectual quando conhece uma revolucionária professora que se atreve a lê-los. Logo após a exibição do filme, haverá um debate sobre aspectos filosóficos do enredo conduzido pelo professor Jorge Leão.



O Cine Filosófico acontece na sala de mestrado do IFMA-Campus Monte Castelo e a entrada é gratuita.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

FILOSOFIA EM FOCO

Arte e vida se entrelaçam em mais uma sessão do Cine Filosófico

O projeto Cine Filosófico, realizado no Instituto Federal do Maranhão pelo professor Jorge Leão, exibe nesta sexta (17) a partir das 18h30 no Campus Monte Castelo o filme "O Mestre da Vida".

O longa norte-americano de 2006 conta a história do jovem John Talia Jr e seu desejo em tornar-se um grande artista. Quando conhece o velho mestre Nicoli Seroff, passa a insistir para que o pintor lhe dê aulas. No entanto, Seroff é alguém que já cansado, desistiu da vida e da arte. Mas os dois tem a oportunidade de conviverem para compartilhar ensinamentos. Assim, John aprende a enxergar o mundo através da visão do mestre e Seroff volta a perceber a vida com a inocência da juventude.

"O Mestre da Vida" tem duração de 107min, direção e roteiro de George Gallo e traz no elenco Armin Mueller-Stahl,Trevor Morgan, Ray Liotta, Charles Durning, Samantha Mathis, Diana Scarwid, Ron Perlman e Julie Lott.

Como de costume, em seguida a projeção do filme o professor Jorge Leão conduzirá uma conversa sobre o enredo do filme e sua relação com aspectos da filosofia. Vale a pena participar. O campus Monte Castelo do IFMA fica localizado na Av. Getúlio Vargas, ao lado do Senai. A entrada é gratuita.
Dica: O projeto Cine Filosófico mantém um blog com as resenhas e comentários dos filmes exibidos todas as sextas no IFMA, assinados pelo professor Jorge Leão. Vale conferir e participar das discussões.

domingo, 12 de setembro de 2010

CARREIRA EM FOCO


Curso técnico em Eventos do IFMA promove Jornada Profissional em São Luís

Acontece na próxima sexta-feira (17), a partir das 8h, no Campus Centro Histórico do Instituto Federal do Maranhão, a Jornada Profissional. Com o tema "Escolhas Profissionais para o Mundo Moderno", a Jornada é uma promoção do curso técnico em Eventos do IFMA.




Marca visual desenvolvida por Jocy Menezes e Heide Cabral, alunos Design do IFMA



Ensaios em Foco conversou com Jefferson Santos, da organização do evento, para saber mais sobre a Jornada, desde a produção organizada pelos alunos como atividade do curso de Eventos até as expectativas da organização com um evento que reunirá profissionais experientes na discussão sobre carreira, escolhas profissionais e mercado de trabalho.


1) O Curso Técnico em Eventos do IFMA-Centro Histórico vem promovendo mostras, cursos, arraiais e agora a Jornada Profissional. Como é a feita a escolha do tema e da organização?

Jefferson Santos: O fato principal é analisarmos qual a necessidade do mercado, porque precisamos ter alguém para prestigiar e se o evento será bom para pessoa A,B,C e assim sucessivamente. Ressalto que não é possível realizar um evento sem público, sem demanda, então uma pesquisa antes de decidir o que o público quer é extremamente importante. O curso técnico em eventos vem com uma grande importância, porque não é um curso comum no IFMA e o mercado de eventos no Maranhão está crescendo cada vez mais, daí que a necessidade em ter um técnico em eventos é fundamental. Lembro que quando iniciamos o curso, muitas pessoas criticaram e falaram “o que um técnico em eventos pode fazer? será se é apenas uma festa de aniversário?”, hoje conseguimos responder que não é fácil fazer um excelente evento e para que tudo dê certo precisamos de uma boa equipe, planejamento e organização e o técnico em eventos consegue agrupar todas essas ideias para que tudo saia bem. Outro ponto importante é que nossa turma é composta por 33 alunos, muitos não vão seguir na área de eventos e mesmo assim todos estão durante esses 2 anos e meio ajudando para que sempre possamos realizar algo que fique marcado na história do IFMA.

2) É natural que a juventude seja uma fase de escolhas e descobertas. A escolha por uma profissão faz parte desse contexto. Como a Jornada Profissional pretende ajudar os estudantes que estão em dúvida quanto a escolha do curso e da carreira que devem seguir?
J.S.: A Jornada Profissional nasceu da ideia de auxiliar os alunos concluintes do Ensino Médio em relação a qual carreira seguir em meio ao turbilhão social da pressão do vestibular que muitos enfrentam e a expectativa de ingressar no Ensino Superior. A partir da jornada, eles terão um maior aprofundamento das principais áreas atuantes no Brasil, e os mais relevantes pós e contras da futura profissão. Toda aproximação proposta pelos idealizadores será feita através de palestras com profissionais capacitados e atuantes nos ramos a serem trabalhados. Teremos mesas de apresentação da grade curricular das Universidades mais influentes do estado do Maranhão e explanação de cases de sucesso juntamente com realização de testes vocacionais para o público presente. De acordo com pesquisas uma boa parte dos profissionais de hoje são insatisfeitos com sua profissão por não terem tido tempo de fazer uma boa escolha. Temos pouco tempo para realizar o evento, mas em cada minuto teremos ótimas informações que ajudarão a escolher uma excelente profissão sem causar transtorno futuramente. Analisamos primeiro a nossa turma e chegamos à conclusão que muitos não sabem qual carreira seguir, então deduzimos que essa dúvida pode ser de muitos jovens.

3) Os palestrantes são profissionais reconhecidos no mercado de São Luís. Entre eles estão a fitoterapeuta Terezinha Rego e o jornalista Luiz Felipe Falcão. Quais foram as profissões escolhidas para esta Jornada?

J.S.: A escolha dos convidados para participar do evento é algo extremamente importante e ficamos felizes porque todos que convidamos elogiaram muito a idéia em se realizar um evento desse porte e ficaram a nossa disposição para ajudar em algo. Como você falou, temos profissionais reconhecidos no mercado, então a importância do evento aumenta ainda mais. Teremos a Dra. Terezinha Rêgo representando o curso de farmácia. Ela é uma das mulheres mais importantes do Brasil e tem reconhecimento internacional. Teremos também a Dra. Valéria Lauande que é a vice-presidente da OAB-MA, o Dr.Jorge Meireles que é o coordenador do curso de Medicina da UFMA, a Prof.ª Selma Cavaignac, coordenadora do curso de Ciências Sociais aplicadas do UNICEUMA e representará o curso de Publicidade e Propaganda, a Prof.ª Yáskara Castro, coordenadora do curso de Pedagogia da FAMA e a Prof.ª Dra. May Guimarães Ferreira que é uma pesquisadora e psicóloga de grande nome na sociedade maranhense e também professora do IFMA. Receberemos ainda, a Profª Fabíola de Oliveira Aguiar, arquiteta e Superintendente de Relações Institucionais e Controle da Secretaria de Estado do Turismo/SETUR-MA, além, é claro, do jornalista Luiz Felipe Falcão que apresentará a importância de um jornalista para os futuros profissionais do mundo moderno.

4) Como será a dinâmica de realização da jornada? Mesas-redondas, exposições de universidades...

J.S.: Dividimos os Cursos por Ciências e resolvemos colocar os horários alternados e não paralelamente como é feito nos eventos classificados como jornada. Com essa ideia a organização acredita que os alunos terão um aparato melhor para escolher sua profissão. No dia do evento teremos organizado seis universidades do estado e todas vão apresentar fatos importantes sobre sua história e cursos. Estamos preparando uma exposição falando de todos os cursos existentes. Para aqueles que mesmo com os debates ainda não sabem qual carreira seguir, terão a oportunidade em saber mais sobre outros cursos. Teremos uma equipe para realizar testes vocacionais e ainda estamos vendo a possibilidade em ter um minicurso para ensinar como fazer um bom currículo.

5) O que os estudantes podem esperar, então, da Jornada Profissional?

J.S.: Garantimos que o evento será ótimo, até porque os melhores profissionais do estado vão participar e a programação para ele é ainda melhor. O auditório do Campus comporta até 100 pessoas, ou seja, as vagas são limitadas para participar do evento. Esperamos um público de 300 pessoas durante toda programação do evento passando pelos debates que serão quatro e as exposições. Teremos sorteios pela manhã aos interessados em participar do II Simpósio Luso Brasileiro de Direito do Consumidor no Rio Poty Hotel e ainda estamos vendo a possibilidade de realizarmos visitas em algumas empresas para que os jovens possam conhecer na prática, as profissões. Nosso objetivo principal é mostrar aos estudantes diversas áreas do conhecimento, despertando assim seus interesses pelas profissões de uma maneira que possa acarretar na sua escolha profissional.

As inscrições na Jornada Profissional são gratuitas. A ficha de inscrição está disponível no http://www.4shared.com/document/yKnjH35Y/_2__Ficha_de_Inscrio.html?err=no-sess. Em seguida é só enviar para o e-mail uned.eventos@hotmail.com ou ligar para (98) 8197 3135.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SÃO LUÍS EM FOCO


São Luís, 8 de setembro de 2010. 398 anos

Ilha do Amor. Cidade dos Azulejos. Atenas Brasileira. Capital Brasileira da Cultura.Não faltam epítetos para enumerar os potenciais da capital maranhense neste 8 de setembro, quando São Luís completa 398 anos de fundação.

Eleita Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1997 graças a seu rico conjunto arquitetônico, São Luís é uma ilha cheia de histórias e lendas. Berço de intelectuais, entre músicos, poetas e escritores. Além de famosa por ser capital de um estado cuja vida política permanece há anos sob domínio do mesmo grupo familiar.

Poetizada por Gonçalves Dias na famosa Canção do Exílio e cantada na Louvação a São Luís pelos versos de Bandeira Tribuzzi, apesar dos problemas de uma cidade em desenvolvimento, São Luís costuma ser fonte de inspiração para artistas criarem suas obras. Tramas, pinturas, poesias e sim, músicas. A arte sobrevive e se recria em uma cidade de potencialidades.

Hoje, Ensaios em Foco traz uma nova forma de cantar São Luís e desejar que a cidade não perca a riqueza de sua cultura e tradição apesar das marcas do desenvolvimento.

Trata-se de uma canção composta pelo cantor e compositor maranhense Jô Santos. Uma canção que une poesia, louvação e o amor saudoso de quem enxerga as potencialidades de São Luís sem negligenciar as dificuldades inerentes ao crescimento das cidades brasileiras.
E já tem novo título para o 4º centenário da cidade. São Luís será a Capital Americana da Cultura em 2012, título concedido pela Bureau Internacional de Capitais Culturais.




“Uma Prece a São Luís”
(Jô Santos)

São Luís do Maranhão
Terra que me faz cantar
Terra que me faz lembrar
Tantos sonhos bons

Dos seus lindos casarões
Matracas que tanto ouvi
Faz hipnotizar
a saudade que me traz aqui

Velhos sobrados
Sinais dos tempos idos
Guardam amores
Silêncios contidos


Fotos: Ruas e escadarias do bairro Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís. Concentra em 220 hectares, aproximadamente 3.500 prédios de acervo arquitetônico colonial considerado Patrimônio da Humanidade.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mais Crônica em Foco


Lugar de ser feliz

por Talita Guimarães

Todos corremos atrás daquele sentimento grande e interminável que um dia, sonhamos, nos encherá de plenitude e fará nossos pés não sentirem o peso do corpo sob o chão. Ensinam a nós que este pode ser um dos tantos conceitos para felicidade.
Os motivos, variados, resultados de realizações. Pessoais, profissionais. Conquistas, concretização de grandes planos, realização de sonhos, ganhos inesperados, sentimentos compartilhados. Assim, cada um de nós, ao seu modo, junta resultados e credita ao todo formado o conceito de felicidade plena.

Muitos de nós conquistam sonhos aos poucos, curtindo pedaços de felicidade. Uma boa colocação profissional pode ser motivo de felicidade, mas se a pessoa ainda deseja uma família, a felicidade não está completa, pois falta o ser feliz no sonho pessoal.

E assim vamos seguindo, dizendo-nos infelizes, inconformados, insatisfeitos. Sempre há algo fora do lugar. Sempre há um pedaço de felicidade que falta para nossos pés finalmente soltarem o chão.

Também sou assim. Mas gosto de pensar além. Contra fatos, além fatos. Despertar para respirar cheiro de felicidade. Vislumbrar possibilidade. Aos poucos, amplio a visão que tenho de mim mesma para encontrar meu lugar de ser feliz. E nisso descubro o mundo. Preciso de tão pouco!...

Um passeio despretensioso, que se descobre passeio depois, por ter sido agradável. Um sorvete no fim do dia. Uma caminhada surpreendida por chuva fina. Se for temporal, que eu possa me abrigar em um lugar que dê pra ver a chuva juntar-se ao mar. Poderia ser rio. Tomar água de coco na parada de ônibus, vontade inesperada. Ler e ter tempo para refletir sobre a história ainda abraçada ao livro. Ouvir música no caminho para o trabalho e em meio a programação da rádio fechar os olhos para cantar mentalmente a canção preferida que toca de surpresa.

Coisas simples. Felicidade clandestina, dessa que surge como verdade interior e não pede explicação nem precisa ser gritada a plenos pulmões. Felicidade emocionada, que lava o rosto de lágrimas silenciosas. Minha felicidade pode vir da música ou da literatura. Emociono-me com escritores. Escrevo também e vivo meus personagens aprendendo com eles a ser um pouco mais de mim. Choro em palestras de autores queridos. Ouço suas palavras e fico feliz.

O mesmo se aplica a música. Gosto de ver quem descubra talentos nos outros e os ensine a manter o que tem de melhor para crescer com isso. Gosto de me encantar vendo e ouvindo esses talentos. Escrevo este texto no saguão de entrada do Teatro Artur Azevedo em São Luís-MA. Ouço secretamente o ensaio da Camerata Vale Música que vem de dentro do teatro. E aqui preciso contar que passei o dia com preocupações cotidianas, dessas que cegam a vista para detalhes e me faz mais infeliz ao me lamentar que uma apresentação musical dessas aconteça no horário de outros compromissos meus. Respiro fundo e brigo comigo amaldiçoando meu azar com programações culturais. Paro e me pergunto o que estou fazendo, pensando. Por que não?

Eis que surge a oportunidade. Ingressos na mão, chego ao saguão do TAA e sento-me uma hora e meia antes do concerto para aguardar. Puxo um livro da bolsa e tento ler aproveitando o silêncio da sala de entrada do teatro. Mas aí chega aos meus ouvidos o ensaio da flauta. Fecho os olhos e me chega junto ao som um ar novo para respirar. Encher os pulmões daquilo que parece grande e interminável e que nem em sonho, seria capaz de encher-me de tanta plenitude a ponto de fazer meus pés não sentirem mais o peso de meu corpo sob o chão.

Enfim, assistiria Marcelo Bratke acompanhado dos jovens talentos capixabas da Camerata Vale Música. Imaginem, vocês, se ainda no saguão, ao som do ensaio, eu já não sentia o chão, quem seria capaz de duvidar que minha volta para casa não seria flutuante, cantarolada brasileirissimamente pelas canções de Ernesto Nazareth?

Dito e feito. Ou melhor, sonhado e sentido. A apresentação supera o esperado. Ao fim, o presente: ganho das mãos do maestro Marcelo Bratke o cd da turnê, gravado ao vivo em 2009 no Auditório Ibirapuera em São Paulo. Ando pelo palco cumprimentando todos os músicos e desejando sucesso ao já lindo trabalho que desempenham. São Luís e eu aguardaremos o retorno para novas sessões de felicidade plena, em meios de semana, em meio a vida cotidiana.


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Notinha colorada: Ao chegar em casa, mais felicidade! Meu Inter é bicampeão da taça Libertadores da América! Parabéns, Inter! Como cantaria minha amiga coloradíssima Carol Rios "Abu Dhabi nos espera para começar a festa!".