terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ALLAN POE EM FOCO

No aniversário de nascimento do mestre dos contos fantásticos, Ensaios em Foco analisa os contos mais famosos de Edgar Allan Poe

Hoje, comemora-se 201 anos de nascimento do ícone da literatura mundial Edgar Allan Poe. Norte-americano, o escritor revolucionou a literatura com contos fantásticos e histórias aterrorizantes. Sob uma narrativa crescente e intrigante, Allan Poe revelava pesadelos e o que há de mais profundo na alma e na mente humana.
Segue abaixo uma reprodução* do site G1 que traz uma tela com a imagem rara do autor jovem.


Um raríssimo retrato do escritor norte-americano Edgar Allan Poe será exposto no próximo sábado (23) e domingo (24) em Baltimore, nos EUA. Nesta terça-feira (19) é comemorado o aniversário de 201 anos do nascimento do poeta e contista. Feito em aquarela por A.C. Smith, o retrato é acompanhado de um esboço, e ambos mostram um Poe jovem e sem bigode, diferente das mais conhecidas fotografias tiradas pelo autor perto do fim da vida. A casa de leilões Cowan, de Cincinatti, vai leiloar o retrato em junho deste ano. (Foto: AP) *

Agora você confere uma análise sobre dois contos do autor, como dica de leitura. São eles o famoso "O Gato Preto" e o intrigante "O Caixão Quadrangular".

O Caixão Quadrangular

Por Talita Guimarães

O conto “O Caixão Quadrangular”, escrito por Edgar Allan Poe, trata da estória de um homem que durante uma viagem de navio para Nova York tem sua vida transformada em vista de um mistério desvendado. A narrativa gira em torno da presença de uma bagagem de formato curioso: um caixão quadrangular. O objeto pertence ao amigo do narrador, o jovem artista Cornélio Wyatt, que viaja acompanhado de suas irmãs e sua esposa. O que desperta a curiosidade do personagem é o fato do caixão quadrangular ser acomodado no quarto do artista.

Há ainda, a estranha reserva de camarotes excedentes para a família que somada a presença do insólito objeto, instiga o narrador a imaginar inúmeras justificativas, sendo uma mais improvável que a outra. Tudo culmina, em sua imaginação, com a demonstração de insanidade do amigo a partir do apego extremado ao objeto e também na decepção em conhecer sua digna esposa, outrora descrita demasiadamente como exemplo de formosura. Uma tempestade surpreende a viagem levando o navio ao naufrágio. Nesse instante, o narrador percebe claramente a loucura do amigo, quando este, tomado pelo pânico em deixar o caixão para trás se atira ao mar na tentativa de levar o objeto consigo e ambos afundam. Todo o mistério em torno do real conteúdo do caixão é revelado meses depois pelo capitão Hardy, que o Sr. Wyatt usava o caixão para o translado do corpo de sua verdadeira esposa.

Depreende-se, assim, com a leitura do conto que Poe trabalha com maestria os mistérios da morte, aprofundando-se em certos estados da mente humana, como se pode observar quando passeando com Sr. Wyatt, o narrador estranha a reação do amigo ao mencionar o caixão de forma direta a fim de uma explicação. O comportamento perturbador caracterizado por gargalhadas histéricas e em seguida um estado de transe leva o personagem a constatar definitivamente que seu amigo está louco.

Dessa forma, independente desses aspectos, o que há em Edgar Allan Poe é um talento narrativo e uma forma criadora que transforma a literatura de uma forma original, já que é fato que Poe foi um dos precursores da produção literária científica e fantástica. O que faz do autor um mestre no terror, é sua facilidade em produzir contos verossímeis e aterrorizantes, fato decorrente do elo construído entre si e os personagens, uma vez a notabilidade de contos exclusivamente escritos em primeira pessoa. Há, entre Poe e seus personagens, uma passagem de medos e anseios, vontades e desejos, que fazem de seus contos, histórias de natural aceitabilidade.

O GATO PRETO
“...creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos primários que dirigem o caráter do homem.”(Edgar Allan Poe)

Por Talita Guimarães

No conto “O Gato Preto”, do escritor estado-unidense Edgar Allan Poe, nota-se com clareza a presença do fantástico e imaginário do autor, em uma história cujo foco maior é a perversidade inerente ao homem de instintos incontroláveis e proeminentes. Narrado em primeira pessoa, característica peculiar à obra de Poe, o conto designa ao personagem uma série de acontecimentos de natureza estranha decorrentes de suas atitudes descontroladas em virtude de seu lado perverso mostrado como fraqueza de espírito. A perversidade tratada na história assemelha-se a frase do iluminista Rousseau, que diz “O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”. A passagem “... creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos primários que dirigem o caráter do homem.” explica-se pela corrupção que o homem sofre uma vez parte integrante da sociedade. Entende-se, então, que o alcoolismo que impulsiona a perversidade do personagem é um vício adquirido dentro do âmbito social.

Um trecho do conto que faz paralelo a essa questão é onde o personagem afirma que em sua infância foi puro e meigo de coração quando referido a cuidados com animais. Crê-se com isso que o personagem era, de início bom, mas ao entrar em contato com a sociedade foi corrompido tornando-se perverso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Boa analise, mas faltou um "algo mais", entende?
Obrigado