segunda-feira, 29 de março de 2010

JORNALISMO EM FOCO

Fórum discute convergência de mídia e jornalismo na contemporaneidade


A Faculdade São Luís promoveu entre os dias 25 e 26 de março o III Fórum de Jornalismo com o tema “Notícias na Palma da Mão”. Em 2010, o evento discutiu a tecnologia como facilitadora do acesso a informação e como os profissionais da comunicação devem se adequar a essa característica do jornalismo contemporâneo.

A programação contou na mesa de abertura, na noite da quinta-feira (25), com a participação do jornalista Thyago Mathias, que atua a frente da produção e edição do programa Globo Universidade da Rede Globo. Mathias apresentou a proposta e os objetivos do GU e como o programa atua em todo o Brasil. Juntamente com os debatedores Josenilma Dantas, Larissa Leda e o mediador Rômulo Barbosa, Thyago Mathias discutiu a partir da experiência do programa, a necessidade da divulgação científica estar atrelada ao uso das tecnologias no que se refere a interatividade com o público e contextualização rápida dos conteúdos abordados em um site multimídia.

Thyago Mathias fala sobre o Globo Universidade: parcerias com universidades, apoio em eventos e divulgação científica às 7h15 das manhãs de sábado.

A mesa debateu a chegada da tecnologia de tv digital, como o jornalista atuará a partir de então e ainda o que permanece na relação com o público. “As pessoas querem reflexão. Não podemos formar jornalistas autômatos, robozinhos de escrever matérias e gravar vt’s”, frisou Thyago Mathias sobre a necessidade de uma prática jornalística inteligente e responsável e que isso ocorrerá com a adequação dos profissionais ao uso perspicaz da convergência de mídias.

Larissa Leda, jornalista e professora do departamento de Comunicação da UFMA, levantou questionamentos sobre como os meios de convergência podem interferir a ponto de alterar a forma de produzir conteúdo para a tv. A mesa debateu que já existem meios que revolucionam a forma de fazer tv como por exemplo o canal Youtube que funciona na internet. Entretanto, Thyago Mathias, que citou o Youtube e a reinvenção do clipe por artistas como Lady GaGa, afirmou que a televisão não será substituída. Pelo contrário, a internet é um meio a mais, que vem somar ao conteúdo produzido e apresentado pela televisão.

Já o segundo dia de fórum contou com programação diurna de oficinas, entre elas “Jornalismo Literário” com a professora Jô Dantas e ainda a oficina “Leitura e Escrita em Blogs” com Marcus Saldanha. À noite houve a palestra de encerramento com a presença dos debatedores Flávia Moura, Juraci Guimarães Jr e Orlando Gonçalves mediados pelo jornalista Adalberto Melo. O tema em pauta foi “As potencialidades do Jornalismo Contemporâneo”.


Em uma ponta, Flávia Moura e o potencial da academia. Na outra, Orlando Gonçalves e o potencial da comunicação corporativa. Ao lado de Flávia, Dr Juraci Jr e o potencial de pauta contínua do MPF. No meio da discussão, Adalberto Melo e o potencial do rádio na mediação.

Considerando a temática “Notícias na Palma da Mão”, a mesa levantou questões pertinentes em várias pontas de atuação do jornalista em seu compromisso de convergir com as mídias. Flávia Moura apresentou o potencial do jornalista empenhado em produzir reportagens além do caráter de denúncia. Explicando o processo de produção do livro reportagem “Escravos da Precisão” de sua autoria, Flávia falou sobre aprofundar as temáticas e desenvolver pesquisas pela área acadêmica capazes de contemplar soluções. Através de conceitos como folkcomunicação, também é possível estudar os processos comunicacionais envolvidos nos problemas que aflingem determinados grupos sociais.

Já Juraci Jr, Procurador da República, apontou como funciona a comunicação dentro do Ministério Público Federal, considerado fonte contínua de notícia e de constante relação com a imprensa. Sobre comunicação empresarial, outra vertente da comunicação que também precisa estar sempre em contato com as novas mídias e a imprensa, Orlando Gonçalves da Petrobrás falou da importância do profissional estar sempre estudando e reforçando suas habilidades de acordo com a área em que atua no momento. Gonçalves enfatizou a relevância de trabalhar durante dez anos em São Luís e firmar uma base profissional antes de partir para atuação em outros estados. Falou sobre os conflitos que podem acontecer quando um jornalista tenta conciliar redação com assessoria e completou que os estudantes devem aproveitar o fórum como uma oportunidade para discussão sobre a profissão e buscar alternativas para ir sempre além do óbvio.

Por fim, a professora Flávia afirmou que “o jornalista tem o compromisso de suscitar o debate”, considerando que uma das maiores potencialidades do jornalismo contemporâneo é justamente usar as novas tecnologias para aprimorar o trabalho jornalístico indo muito além em termos de aprofundamento e produção de informações.

Novidades no III Fórum de Jornalismo da Faculdade São Luís - Durante a realização do fórum houve o lançamento da segunda edição do Projeto Na Prática, que consiste em uma parceria entre a Faculdade São Luís e os Diários Associados na seleção de estudantes dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda para um estágio de dois meses nos veículos do grupo.

--->>Raimundo Borges, dos Diários Associados, fala sobre o projeto e a parceria com a Faculdade São Luís. Ao lado, Luiziane Saraiva, coordenadora do curso de Comunicação Social da instituição.

O projeto, iniciado no segundo semestre de 2009, deu oportunidade para estudantes de Jornalismo praticarem na produção de três produtos dos DA: Jornal O Imparcial, Portal O Imparcial On line e ainda no Aqui Maranhão. Dos primeiros alunos selecionados no programa, três foram efetivados após o término do estágio. São nomes como Gildean Farias, Marcos Atahualpa e o mais novo do grupo Daniel Fernandes, cuja competência foi reconhecida ainda no segundo período do curso.

A outra novidade lançada no fórum foi o Cine Clube da Faculdade São Luís. A sessão inaugural do programa foi realizada na tarde da sexta-feira (26) e contou com a exibição de dois curtas-metragens com comentários do professor e cineasta Francisco Colombo. Foram apresentados na ocasião, o documentário de 16 minutos “Profetas da chuva e da esperança” de Márcia Paraíso, o curta chileno de 12 minutos “Al final del dia” de Felipe Azúa e ainda dois trabalhos cinematográficos do universitário Nicolau Leitão. Foram os curtas “Os lavadores de carro” e “Toma uma dose aí”.

Francisco Colombo, cineasta, conduz a exibição e os comentários dos curtas na sessão inaugural do Cine Clube Faculdade São Luís. ------------->>

Segundo o professor Francisco Colombo, o Cine Clube terá caráter de apreciação de produção cinematográfica com exibição e comentários de curtas, médias e longas-metragens capazes de fazer o público aplaudir, se emocionar, concordar mas também discordar e se chatear, porque cinema é justamente isso: causar alguma sensação no público.

sábado, 27 de março de 2010

MOCHILÃO EM FOCO

Pinheiro, impressões deixadas pela Princesa da Baixada

Inaugurando o momento jornalismo mochileiro, trago um pouco do encanto da viagem à cidade maranhense de Pinheiro, que recebeu no último fim de semana o II ENBLOG-MA. Segue agora um pouco da impressão da viagem, recheada de pequenas reflexões do primeiro mochilão intermunicipal da foca que vos escreve.

Como nascem os blogueiros
Foi só ter a caixa de e-mail bombardeada com os convites do II ENBLOG e ver a lista de nomes confirmados crescer, que eu e meus amigos focas de plantão resolvemos definir nossa singela participação no evento. Até esse momento, eu era a blogueira mais “experiente” do quarteto de mochileiros. Mantenho a quase dois anos este espaço chamado “Ensaios em Foco”. Em segundo lugar vinha nosso companheiro Saulo Galtri, que infelizmente não nos deu a honra da companhia na viagem, mas mantém a alguns meses o “Clube dos Cachos”. Caçulinha entre os blogueiros, Max de Medeiros, nos acompanha, mantendo desde o início desse ano, o “Blog de Nhozinho”. E encerrando a filinha, a blogueira recém-nascida Saara Sousa, idealizadora do nobre espaço democrático que chamamos “De nós tudo!” e logo logo estará no ar com uma proposta um tanto inovadora, unindo quatro focas pelo prazer de escrever.

Dispondo todos de nossas devidas carteirinhas “Sou blogueiro, sim senhor!”, combinamos de pôr o pé na estrada e seguir rumo a famosa Princesa da Baixada, cidade maranhense de Pinheiro, encontrar pessoalmente nossos nobres colegas virtuais. Fora isso, sendo todos nós, estudantes de jornalismo, o evento por si só já nos interessaria pelo debate em torno da comunicação. Mas como já foi dito por aqui, o encontro teve outro viés, e descobrimos isso na prática. Em todo o caso, a viagem não foi perdida.

Jornalismo mochileiro que se preza se informa antes
Muito bem, como boa e velha curiosa que sou (leia-se perfeccionista, desconfiada e medrosa) resolvi pesquisar sobre a cidade para a qual íamos viajar, assim que decidimos participar do Encontro de Blogueiros.

Pois bem, Pinheiro fica a cerca de 333 km da capital São Luís e para chegar até a cidade, precisamos de apenas três horas de viagem. Primeiro, pegamos o ônibus no terminal rodoviário do Anel Viário em São Luís e levamos cerca de 30 min para chegar até a Ponta da Espera, no bairro Itaqui-Bacanga, onde pegamos o esperado ferry-boat às 17h em ponto.

“Na hora do lunch, eu ando de ferryboat...”*
Mochileira de primeira viagem, eu nunca havia viajado de ferry e passei a semana anterior a viagem cantarolando o “Samba do Approach”* do maranhense Zeca Baleiro para disfarçar o medo da travessia de uma hora na tal balsa gigante. Acabou que medo foi a última coisa que senti ao pisar no ferry-boat “São José”, providencialmente disponível para nossa viagem exatamente no dia 19 de março. Dia de São José Operário e dia da Escola. Tudo a ver. Três estagiários em busca de algo que somasse ao conhecimento acadêmico. Estávamos protegidos e fomos com fé.

A travessia foi tranqüila, regada ao papo sobre infância e desenhos animados. No ferryboat tem televisão, lanchonete e um grande espaço para os passageiros irem muito bem acomodados. Mas eu não quis saber muito de assistir o Aladim que passava na Sessão da Tarde daquela sexta-feira, então depois de lancharmos, arrastei Saara Sousa e Max de Medeiros para frente do ferry, onde fomos pegando vento no rosto e curtindo a paisagem com direito a muita água do Canal do Boqueirão e pôr-do-sol.

Já em terra firme...
Aportamos no povoado de Cujupe, pertencente ao município de Alcântara, por volta das 18h e retornamos ao ônibus, (que viajou no ferry junto com a gente!) para mais uma hora de estrada.

O motorista, conhecedor dos percalços das estradas maranhenses, passava por cima dos buracos sem dó. Mas até que a MA 106, que nos leva até a baixada maranhense, não estava em um estado de deixar nós mochileiros, chacoalhando sem parar nos assentos. Mais um trecho de viagem tranqüila e finalmente chegamos em Pinheiro.

Pinheiro-MA em Foco
Minha impressão da cidade? A primeira vista, ao descer do ônibus e caminhar alguns metros, nada muito discrepante em relação a alguns bairros mais estruturados de São Luís. Avenidas largas, muitas farmácias, comércios, lanchonetes, bares, lan houses, hotéis e pousadas. Chegamos a Praça José Sarney (sim, ele também já esteve por lá, aliás, foi de lá que ele saiu. Pinheiro é a terra natal do ex-presidente) e paramos para um lanche na fofíssima rede de lanchonetes local Disney Lanches. Durante os três dias, fiquei como criança em parque de diversão, olhando em volta sem parar e querendo brincar em todos os brinquedos. Andamos pela cidade e curtimos muito a tranquilidade em que vivem as pessoas das cidades do interior. Permanecemos por lá de sexta a noite até domingo a tarde, e pelas nossas andanças percebemos uma cidade estruturada em termos de comércio e aparentemente organizada em termos de órgãos públicos com fachadas bem construídas, ruas sinalizadas, parques e praças identificados. Restou saber se durante o ano as coisas realmente funcionam e atendem a população satisfatoriamente.

Ainda assim, uma coisa é certa: Pinheiro é princesa por natureza. Foi impagável sentar às margens do Rio Pericumã, que corta a cidade, e deixar a vista se perder no campo, entre os muitos cavalos e búfalos que de longe pareciam pontinhos brancos e pretos na imensidão verde do pasto.
Foi bom ver crianças tomando banho de rio, mulheres lavando roupas e canoas passarem de tempos em tempos levando pescadores ou pessoas com sacas de alimentos. Foi relaxante olhar para o rio e ter certeza, encarando aquelas águas aparentemente calmas, mas de alertada correnteza, que “ninguém toma banho duas vezes no mesmo rio.” Não seríamos mais os mesmos, nem o rio.

Infelizmente, os maus hábitos dos homens estão presentes em qualquer lugar. Uma canoa motorizada passou agitando a água. Alguns rapazes, ocupantes da canoa, faziam barulho e dividiam uma garrafa de bebida. A sacola plástica que envolvia a garrafa foi deixada pra trás, na água, na nossa frente.
E fiquei pensando. Desde antes daquele momento já não éramos mais os mesmos. Talvez aquela vista, durante aqueles minutos ali deixados, tivéssemos nos tornado melhores em alguma coisa. Mais sensíveis. Talvez, mais humanos. Mas e o rio com homens por perto? Daqui a quanto tempo não será mais o mesmo?

Outra reflexão que fiz entre os momentos em que perdia a vista entre o rio e o campo foi o motivo que nos levou até ali. O real motivo era a realização do II Encontro de Blogueiros e Mídias Livres do Maranhão, que a cidade sediava. E pensei, como pode, uma blogueira e estudante de jornalismo como eu, nascida e criada na capital, ter que ser levada a uma cidade de natureza tão viva pela tecnologia. Será que foi preciso conhecer primeiro o ciberespaço, com suas ferramentas que levam um mundo para dentro de casa, para depois saber que existe um rio, um campo, muitos cavalos e uma paz incrível a três horas de casa? Realmente, fiquei surpresa comigo mesma.
Da viagem, de apenas três dias, ganhamos um fim de semana de paz e muitas reflexões. Relaxamos da vida corrida na capital e conversamos muito. Também demos espaço ao silêncio, andamos pela cidade sem pressa e esquecemos por três dias o que é rotina e horários a cumprir.

Descobri um pedaço de paraíso no Maranhão e que preciso viajar pelo estado sem pretexto. Apenas pelo prazer de conhecer minha terra. É o que realmente vale a pena.

Vida sem relógio
Não levei relógio para Pinheiro. Sim, amigos! Vitória! Consegui me desgrudar da rotina por três dias. Apesar de cumprirmos horários em virtude do Enblog.
Mas não é bem sobre cumprir rotinas de olho nos ponteiros do relógio que escrevo. Falo sobre o tempo. Viver sem pressa. Que coisa boa foi andar pela cidade depois da palestra e não ver o tempo passar. Acordar e pensar em nada, em nenhum compromisso firmado para a noite. Viver os dias pelo prazer de seguir em frente pra ver o que iria acontecer. Sem relógio, sem agenda, sem rotina. Foi, sem dúvida, a melhor experiência que já tive em uma viagem.

Não houve uma melhor parte, nesses três dias. Tudo foi válido. A caminhada na noite da chegada com as mochilas nas costas pela rua grande pinheirense, uma avenida larga que tem três nomes de acordo com trecho. A manhã de sábado às margens do Pericumã. O almoço muito bem servido pela gentil acolhida na casa de Dona Maria. A tarde de palestra no Enblog. A noite na Pizzaria do Babá, onde por incrível que pareça comemos piaba e traíra, em vez da massa. A longa caminhada de volta, regada a gargalhadas das histórias de primo e infância no interior. Dormir tarde e nem se estressar se no domingo acordaríamos cedo. Mesmo sem despertador, acordamos cedo sem explicação. Curtimos a ida a feira da cidade como um passeio por um mundo novo. De barraca em barraca, fomos comprando babaçu, cupuaçu, pimentas, pitombas e coisinhas que até achamos em São Luís, mas naquele contexto, tinham um gosto especial.
Provei macaúba e me apaixonei pela farinha biriba. E olha que sou maranhense, mas nunca gostei de farinha. Andamos sem pressa e respiramos ar puro. Voltamos pra “nossa casa” em Pinheiro e assistimos televisão conversando enquanto o almoço era preparado. Mais fartura e gentileza. Nos sentimos em casa.

“Tudo que é bom dura pouco e não acaba cedo...”*
Ainda bem que Biquíni Cavadão* colocou em palavras o que eu senti depois de partir de Pinheiro. Apesar de não termos pressa, o tempo passou e pareceu, depois de nossa volta à rotina, que foi tudo muito rápido. Mas bem diz a frase, pode ter durado pouco, mas não acabou. Não findou a vontade de voltar à princesa da baixada e curtir mais alguns dias por lá. Não cessou a vontade de seguir para mais mochilões intermunicipais que caibam em fins de semana. Não teve fim a lembrança do rio, do campo, da tranquilidade.
Depois que algo para de acontecer, restam lembranças. Estas podem não acabar logo em seguida. Podem durar ainda muito tempo. Podem se transformar em coisas novas. Basta que esse fio de esperança não desvaneça e seja prolongado com novas idéias colocadas em prática.
Quem sabe voltaremos a Pinheiro. Alcântara também merece uma visita, assim como Barreirinhas, Carolina... Acho que essa história não acaba tão cedo.

terça-feira, 23 de março de 2010

II ENBLOG EM FOCO

II Enblog: blogueiros reunidos por uma rede de mídias livres

A segunda edição do Encontro de Blogueiros e Mídias Livres, que aconteceu no último fim de semana (20 e 21/03) na cidade de Pinheiro na baixada maranhense, reuniu blogueiros, comunicadores e políticos para discutir os rumos da ferramenta de mídia livre no estado do Maranhão. Contudo, o encontro teve forte representação política e seguiu uma linha de debates em defesa da confrontação do sistema político estabelecido no estado.


O II Enblog reuniu blogueiros de São Luís e municípios da Baixada Maranhense em Pinheiro-MA.

A reunião teve por base a explanação em torno da relação histórica entre política e comunicação e a forma como essa perigosa união compromete o fazer jornalístico. Na palestra principal, ocorrida na tarde de sábado, a mesa foi composta por Edson Vidigal, Wagner Cabral, Robert Lobato, Roberto Rocha e Eri Castro. O tema em pauta era o uso do blog como forma de construção de uma sociedade socialista. No entanto, as falas dos palestrantes esteve envolta em um discurso de oposição política. A platéia foi convidada várias vezes a integrar a rede de mídias livres em prol da liberdade de expressão e da democracia na alternância de poder.



Deputado Federal Roberto Rocha fala do uso da mídia livre e da necessidade de expansão de lan houses para ampliar o acesso a rede. Comenta que ao político cabe a preocupação em levar a população o acesso e ao comunicador a informação. Por fim, declara apoiar as próximas edições do Enblog.

Em sua participação na mesa de debates, Edson Vidigal, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, traçou o percurso histórico da política no Maranhão sempre comentando em paralelo a evoluição dos meios de comunicação e seu poder de propagação de ideiais. Frisou que a mídia livre tem o poder de propagar ideiais políticos e comentou que desde a invenção da imprensa, a humanidade se move numa lógica libertadora.

Vidigal foi enfático ao relatar que rádio, televisão e cinema nasceram e permaneceram como veículos de manutenção caros, e por isso seus detentores sempre foram indivíduos ligados a alguma forma de poder. Nesse sentido, questionou que a comunicação preocupada com a cidadania perdeu o foco.

Como contraproposta, o ex-ministro do STJ conceituou subversão no sentido puro de confrontamento da ordem estabelecida e encerrou sua participação concluindo que a mídia livre é "um meio pacífico de anacronismo político" e que "neste contexto o blog é sim um meio indispensável para a subversão pacífica".

A ideia do encontro começava, assim, a definir seus contornos: fortalecer o uso da mídia livre formada pela oposição política e agrupar mais pessoas nessa prática. E nesse ponto podíamos questionar: mídia livre até que ponto? Talvez, livre no sentido de todo e qualquer cidadão dispor de seu acesso e as idéias ali apresentadas não serem censuradas. Bem, então mídia livre sim, mas isenta não. Se há interesse pela tomada de poder, certamente haverá apenas um lado da história sendo mostrado. E assim, a palestra prosseguiu.

O discurso de Vidigal foi endossado pela fala seguinte, do professor do departamento de História da UFMA, Wagner Cabral. O professor, dentro de sua área de conhecimento, falou sobre o confrontamento de oligarquias desde Vitorino Freire e lembrou como a comunicação sempre foi usada como ferramenta de divulgação e promoção política. Abordou a necessidade de uma democratização da comunicação e alertou para a concessão de veículos de comunicação ser dada a políticos no Brasil. Passeou pela censura ditatorial, o conceito de big brother como sociedade vigiada e o cuidado ao expressar posicionamentos que podem ser interpretados de várias formas diferentes. “Tudo o que nós dizemos pode ser interpretado de outra maneira, ser transformado em metáfora ou alegoria.”, afirmou Cabral.

Wagner Cabral fala sobre história e as relações entre política e comunicação

O professor falou ainda sobre a forma como os blogs podem manipular informações e citou como exemplo uma pesquisa divulgada nos blogs de Walter Barros e Marco D’eça em que índices apontavam benefícios da administração da atual governadora do estado do Maranhão. Segundo Cabral, a pesquisa era falsa. Não havia registro da pesquisa ter sido realmente feita. Em um ponto, o palestrante tem razão: é preciso estar atento às notícias que são veiculadas pelos meios de comunicação, livres ou não. Mas é preciso também, que comunicadores, sejam eles jornalistas ou blogueiros tenham como compromisso primeiro, informar. Colocar interesses, sejam políticos ou não, de lado e mostrar o que acontece com sinceridade. É o que se espera de um comunicador.

Uma frase, no entanto, que chamou atenção foi dita por Eri Castro, ao fim da palestra do professor de História: “não podemos sucumbir ao canto de sereia da oligarquia”. Deste modo, o mote do encontro, que pregava a necessidade de uma mobilização social para a expansão da rede de blogueiros maranhenses, assumiu sua intenção política e trouxe em definitivo para o evento, a discussão em torno do uso da mídia para combater interesses políticos.

Participar desse momento foi válido, uma vez que presenciar as discussões feitas pelos grupos sociais dá a chance de conhecer o que cada um pensa e como se organiza. No entanto, a proposta do encontro se perde quando blogueiros e políticos estão muito próximos e lutam juntos pelo poder, ainda que seja de oposição e que a democracia precise desse oxigênio.

Discutir o uso de blogs para dar voz à população e suas necessidades atendidas ou não, significa um grande passo para o uso social das tecnologias, mas é preciso cautela e bom senso ao aliar comunicação e política uma vez que não se espera que os erros criticados sejam repetidos por quem os combate quando houver a chance de chegar ao poder.

sábado, 6 de março de 2010

BLOGUEIROS EM FOCO

II ENBLOG-MA discute comunicação, liberdade de expressão e socialismo em Pinheiro-MA

A segunda edição do Encontro de Blogueiros do Maranhão reúne na cidade de Pinheiro-MA, nos dias 20 e 21 de março, blogueiros, leitores, jornalistas, estudantes de comunicação e pessoas interessadas por mídias livres para discutir o tema "Democracia e Liberdade de Expressão".

O evento contará com debates, ato em defesa da liberdade de expressão e ainda a participação dos palestrantes Alexandre Corrêa (Professor de Antropologia da UFMA), Francisco Gonçalves (Professor de Comunicação da UFMA), Humberto Fernandes (Jornalista e diretor da Central de Notícias) e Wagner Cabral (Professor de História da UFMA) discutindo "A Produção de conteúdo tendo em vista a construção de uma sociedade socialista”. Há também a participação ainda não confirmada de André Singer, professor da Universidade de São Paulo e ex-porta voz da Presidência da República.

Para obter mais informações sobre o II ENBLOG, os interessados devem entrar em contato com os organizadores do evento Thiago Tavares Fontoura através do celular (0 98) 88931319 ou e-mail thiagotavares85@gmail.com ou ainda com o Jônatas Carlos nos números (0 99) 81268603/91253716 ou pelo e-mail jonatascarlos.jc@hotmail.com .
Confira a programação abaixo:

2ª ENCONTRO DE BLOGUEIROS E MÍDIAS LIVRES DO MARANHÃO
DIAS 20 E 21 DE MARÇO EM PINHEIRO – MA
TEMA: DEMOCRACIA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
PALESTRA: “A produção de conteúdo tendo em vista a construção de uma sociedade socialista”.

Programação

Dia 20/03
8h às 9h – Credenciamento
Local: Auditório do Colégio Pinheirense

10h às 12h – Comunicação Livre
Local: Auditório do Colégio Pinheirense

14h – Debate: “A produção de conteúdo tendo em vista a construção de uma sociedade socialista”.
Local: Auditório do Colégio Pinheirense
Debatedores:
- André Singer (Professor da Universidade de São Paulo e ex-porta voz da presidência da república) /A confirmar
- Alexandre Corrêa (Professor de Antropologia da Universadade Federal do Maranhão - UFMA)
- Francisco Gonçalves (Professor de comunicação da UFMA)
- Humberto Fernandes (Jornalista e diretor da Central de Notícias)
- Wagner Cabral (Professor de História da UFMA)

20h – Pajelança Virtual com diversas atrações culturais
Local: Restaurante Maria Santa (ÀS MARGENS DO RIO PERICUMÃ)

Dia 21/03
8h – Piabagem - “Ato em Defesa da Liberdade de Expressão e Comunicação Livre”.
Local: Feira de Pinheiros

10h – Plenário Final
Criação e lançamento da rede dos mídias livres do Maranhão
Local: Feira de Pinheiros

12h - Encerramento
Confraternização
Definições dos assuntos discutidos
Local: Antiga Fazenda Pedro Lobato