sábado, 17 de abril de 2010

POESIA EM FOCO

No embalo da poesia de “As Valsas Invisíveis”

Poetas impressionam pela capacidade de pôr em palavras aquilo que grande parte das pessoas sentem, mas são incapazes de descrever. Poetas sensibilizam por dizer com sutileza aquilo que nos toca a alma mais profundamente. Algumas pessoas dizem que poetas partem de um incômodo. Outras acreditam que eles escrevem o que sentem ou ainda o que gostariam de sentir.

Difícil definir o que poderia mover um poeta. O que o impulsionaria a poetizar o mundo que o cerca. Antônio Secchin foi feliz ao dizer “toda matéria do mundo alimenta o poeta”. Concordo.E agora penso que o poeta não se move simplesmente. Ele é embalado. E nos embala também.

Isso é o que sente quem conclui a leitura de “As Valsas Invisíveis” do gaúcho Eduardo Trindade. Levemente embalado por poesias que trazem lembranças, observações e sentimentos, o leitor encontra nas valsas do poeta, um pouco de si. É como reunir em um baile, José Chagas, Antoine Saint-Exupery e Geni Guimarães. Só que dessa vez, são nas palavras de Eduardo Trindade que encontramos o que há de melhor em sensibilidade, infância e poesia.

O livro, que reúne 112 poesias e 3 crônicas, é um verdadeiro baile poético. Com uma sensibilidade impecável para enxergar o mundo com os “olhos de dentro” de Geni Guimarães, Eduardo Trindade trata as palavras como bailarinas, que dançam suavemente e de forma sincronizada, formando belos versos delicados, sobre coisas que estão no dia a dia de toda a gente, mas onde poucos conseguem enxergar beleza.

Além de retratar recortes de um cotidiano vivido entre detalhes, o poeta convida o leitor a recordar a infância e ver poesia em coisas mínimas. Ensina que a beleza anda lado a lado com a simplicidade e de mãos dadas indicam a tão buscada felicidade. “Gosto das coisas mínimas. A grandiosidade pode assustar”, diz no poema “Sorrir”.Ou como em “Piscadela” quando baila:

“Um beija-flor voou.
Uma borboleta pousou...
E dentro de uma flor
Uma formiguinha piscou.

Como gosto de ser abraçado

Por estas coisinhas mínimas!”

Mas o baile não para por aí. “As Valsas Invisíveis” canta também o amor. Passado, vivido, presente, a viver. E emociona. De frente com a crônica “Luana Tomasi”, as lágrimas são inevitáveis. Com leveza, o autor nos alerta para a atenção que dispensamos ao instante, tempo que não pode ser medido, mas que sentimos voar, fugir ao controle. É sobre voar também que Eduardo Trindade fala, quando nos conta sobre Luana, que “veio ao mundo no mesmo dia em que se foi dele, como uma avezinha que para por uns instantes no parapeito de nossa janela, canta uma melodia e se vai, voando, para cantar em outra janela.”e continua “Torço para que Luana tenha tido tempo de cantar.”

“As Valsas Invisíveis” é, sem dúvida, o livro bom que você lê e fica com vontade de dar de presente para todos os amigos. Porque é valsa que não pode ser dançada sozinha, dá vontade de compartilhar, convidar todos para o baile. Além do que é mais um livro que entra para lista do “vale a pena ler de novo”. Mais uma vez feito música, que você sempre quer ouvir de novo para dançar um pouco mais.

Precisa dizer mais alguma coisa?

Precisa.

Visitem o blog do autor e se deixem embalar também: http://www.edutrindade.com

sexta-feira, 9 de abril de 2010

JORNALISMO EM FOCO

Do conforto da academia à dureza da prática


Vida de foca é um mar de descobertas. Sim, é muito empolgante descobrir a profissão tendo a chance de frequentar a academia e o mercado ao mesmo tempo. A foca que vos escreve que o diga. Entretanto poder se colocar entre esses cenários e participar das discussões decorrentes de pesquisas e estudos proferidas pela voz da experiência é algo indispensável a boa formação profissional.
Na última quarta-feira (07), o Ensaios em Foco teve a chance de assistir a palestra-aula do renomado professor Dr. José Marques de Melo no Auditório do jornal O Imparcial, no Renascença. O evento fez parte da comemoração dos 40 anos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão e discutiu a história da evolução da televisão no Brasil.

A partir do tema “Televisão no Brasil: 60 anos de ousadia, astúcia e inventividade”, o alagoano Marques de Melo percorreu os principais acontecimentos referentes ao desenvolvimento da televisão desde as primeiras transmissões no Brasil, na década de 50. A cada período de dez anos, Marques de Melo conferiu uma definição que representasse a evolução da programação e do aparelho na história brasileira. Assim, mesclou seu amplo conhecimento acadêmico, fruto de pesquisas e estudos, a experiência pessoal como telespectador.


José Marques de Melo: história dos 60 anos da televisão


Amante confesso de telenovelas, o professor também usou de bom humor para envolver a platéia, tomada por estudantes, professores de comunicação e jornalistas locais. Deu uma aula sobre a história da televisão passando perspicazmente pelos comentários pontuais de feitos memoráveis do telejornalismo e dos estudos que surgiram à medida que a televisão se tornava popular. Falou da contribuição do pernambucano Luiz Beltrão na academia aos recentes estudos desenvolvidos em mestrados e doutorados pelo Brasil. Lembrou aos estudantes da importância de humanizar a televisão e encerrou a aula falando sobre sua atual missão: resgatar a memória da televisão brasileira.

Não é todo dia que a comunicação maranhense recebe um estudioso do porte de José Marques de Melo. Felizmente, pude acompanhar mais essa discussão importante e ouvir o que um professor titular da Cátedra Unesco tem a dizer. Confesso, entretanto, que fiquei desapontada com a platéia. Sobraram alguns lugares, em um espaço que merecia ser mais disputado. Alguns integrantes abandonaram a platéia no meio da fala do palestrante. Talvez por outros compromissos, não devemos julgar. Mas que um raro momento desses deveria ter alguma prioridade na agenda de acadêmicos e profissionais, ninguém pode negar.

Mas entendo. Não podemos negligenciar a dureza da prática que cancela compromissos e sufoca a teoria. Logo depois da palestra, segui com os amigos Saara Sousa e Max de Medeiros, blogueiros do De Nós tudo! para a Praça Maria Aragão e rapidamente pudemos observar a comprovação desse fato. Acontecia na referida praça a gravação do DVD da cantora Alcione. Diga-se de passagem, o primeiro DVD da maranhense gravado em sua terra.
O show, soou como um ensaio, onde o público reunido gratuitamente agia feito figurante e era levado a esperar entre uma música e outra enquanto ajustes técnicos para a gravação do DVD eram feitos. Fora a repetição das canções, que grande parte do público não cantou por não conhecer mesmo. E receio que parte daquelas pessoas talvez nem sequer conhecesse a cantora ou uma mísera música de seu repertório.

Mas essas minhas considerações realmente não interessam muito a grande massa que assistirá a matéria sobre o show no dia seguinte. Nem é papel do jornalista estar opinando assim, de forma tão direta. Mas como estávamos lá no posto de observadores (e não fãs), podemos comentar o ambiente observado e trocar opiniões.

Foi aí que nos deparamos com a dureza da prática jornalística. E quando falo dureza da prática é dureza da prática literalmente. Presenciamos (foto) a experiente repórter da TV Mirante (afiliada da Rede Globo no Maranhão) Regina Sousa, sentar no patamar da Praça Gonçalves Dias, no alto da praça Maria Aragão, acompanhada do câmera para gravar uma passagem com um ângulo razoável do show. Dura vida de repórter de tv. Não basta cobrir um show lotado já quase meia noite de uma quarta-feira. E não basta ter um texto bom, na ponta da língua para gravar em meio ao barulho ensurdecedor da super-aparelhagem de som. Tem que escalar o público e sentar-se perigosamente em um muro para concretizar o trabalho. É quando saímos do conforto da teoria e da academia para a dureza da prática, onde o que vai fazer a diferença no produto final é a capacidade de improviso e o jogo de cintura. Literalmente.

Clique aqui para conferir os textos de Saara Sousa e Max de Medeiros sobre a palestra de José Marques de Melo e o show de Alcione no blog De Nós Tudo!


quarta-feira, 7 de abril de 2010

MEMÓRIA EM FOCO

1 ano sem mestre Vieira


Ainda lembro bem daquela terça-feira, 7 de abril de 2009. Uma terça-feira atribulada de um ano atribulado não é tão fácil de esquecer. Havia acordado extremamente cedo por conta de um paper de economia que tinha que escrever para ser entregue logo mais a noite. O despertador tocou cinco horas da manhã e nem perdi tempo me espreguiçando. Abri os olhos e devo tê-los arregalado, como fazemos quando nos damos conta de que o dia que virá será de muito trabalho. "É hoje!" pensei e levantei logo em seguida. Café rápido, bom dia aos pais e corri para meus papéis e livros e textos e foquei toda a minha concentração na produção do artigo sobre a história do pensamento econômico.


A televisão ligada no outro cômodo era um barulhinho distante, que não chegava a incomodar. A manhã passou sem que eu percebesse. Entretida no trabalho, lia, pensava e escrevia meu texto. Faltava muito pouco agora, arrumar algumas citações e digitar a bibliografia. Devia ser quase meio-dia, já estava me atrasando para o trabalho. Foi aí que a inconfundível música encheu o ar e me desprendeu da digitação. Era a simpática "Tem quem queira" imortalizada na voz do grande mestre Antônio Vieira e conhecida nacionalmente por integrar a trilha sonora da novela global "Da Cor do Pecado". A fala embargada de Ana Paula Spíndola, apresentadora do Feminíssima da TV Difusora, soltava coisas como estrelas, descansará agora e outras coisas que se misturavam a música e só me davam vontade de dizer "Não! Não! Não!".


Lembro que larguei o trabalho e corri até o quarto, onde papai assistia o programa. Olhei para ele e disse já com vontade de chorar "Não né, pai?". Ele me olhou surpreso e balançou a cabeça "Mestre Vieira acabou de falecer, Talita."


Foi o primeiro balde de água fria daquele ano gelado da minha vida. No fim daquele mesmo abril, perderia uma referência familiar insubstituível: minha avó.


Daquele momento para frente, lembro que não disse mais nada. Apenas voltei para o paper e chorei silenciosamente sob o computador. Pensamentos inconformados surgiam a todo instante. "Um mestre desses não pode ir embora agora. Precisamos tanto dele, de sua voz, de sua alegria de menino." Eu era encantada com o mestre Antônio Vieira desde o primeiro período da faculdade (2007), quando junto com amigos, o visitamos em sua casa no Monte Castelo e conversamos longamente com ele sobre tudo: vida, obra, opiniões, música, poesia, São Luís...


Gravamos no mesmo dia, um pequeno documentário para ser apresentado a disciplina História do Jornalismo Regional. Era uma pesquisa fascinante sobre os primeiros jornalistas da nossa história, os chamados pregoeiros. Tão fascinante que ficamos com o viés da cultura popular do mestre martelando na cabeça por um ano (2008) e no começo do ano passado, resolvemos nas férias, começar a estudar e desenvolver uma pesquisa mais apronfundada. Nossa principal fonte seria o Antônio Vieira. Tínhamos uma vontade muito grande de reunir mais material tendo por base a pesquisa de Vieira com Lopes Bogéa intitulada "Os Pregoeiros de São Luís".

Ficamos pelo caminho. E naquele momento, da notícia, naquela terça-feira de 2009, abriu um corte tão doloroso e profundo, que não consegui mais pensar em como fazer planos a longo prazo. Lembrei imediatamente de um fim de tarde algumas semanas antes, quando saindo do trabalho passei pelo mestre na Praia Grande, ele indo calmamente para a Banca do Dácio, onde todos os dias era possível vê-lo sentado, lendo ou conversando com alguém.
Nós e o mestre. Da esquerda para a direita: Saulo Galtri, Talita Guimarães (eu), Max de Medeiros, Emanuela Marques e Antônio Vieira. Foto tirada em 2007.

E pensar que fiquei olhando ele passar e perdi a voz até para lhe cumprimentar "Mestre!". Preferi o silêncio e fiquei na contemplação daquela figura tão carismática da cultura maranhense.

Aquela terça acabava para mim bem ali, ainda na metade do dia. Até porque, coloquei luto e fui trabalhar com a garganta fechada, uma vontade de chorar sendo controlada. No ônibus, olhava para cima e tentava não lembrar. "A vida continua. O legado de Seu Vieira é o que fica para nós, jovens maranhenses." Tentava me convencer de que a oportunidade de tê-lo conhecido e registrado sua fala, já era um grande presente. Mas ainda assim, no fundo, não parecia argumento suficiente.

Descobri naquele mês de abril, que as palavras que a gente não diz às pessoas, ficam mesmo pelo caminho dentro de nós, e viram uma dor que dói por muito tempo. Não queríamos apenas o registro de um mestre, uma fala importante cuja captação pudéssemos colocar mais tarde em um currículo. Queríamos produzir um trabalho consistente que levasse aos jovens, principalmente, a nossa verdadeira cultura. A fala consagrada da nossa verdadeira raiz. Uma fala simples, doce, carismática e cheia de sabedoria.

Sabemos que esses grandes mestres estão cumprindo suas missões em vida, independente de grande reconhecimento, como um trabalho de formiguinha. Contudo o que nos preocupa ainda hoje é saber também, que esses mesmos mestres estão indo embora e deixando um caminho que nossa juventude só seguirá se o conhecer com a mesma propriedade. Minha preocupação como formanda em Jornalismo era e ainda é justamente de ser esse elo. Levar às pessoas as grandes obras desses mestres e apontar que existem trabalhos de raiz e cultura e essência que constituem a memória de um povo que mais do que precisarem de continuidade, merecem ser preservados.

Mestre Antônio Vieira foi reconhecido em vida. Foi chamado de mestre e ícone em vida. Sua extensa obra foi imortalizada, registrada no Projeto "Documentação e Registro Fonográfico da Obra Musical de Antônio Vieira", patrocinado pela Vale. Mas quantos de nós tem acesso a esse material? Fica a questão...
Hoje completa um ano de falecimento do Mestre Antônio Vieira. Gilberto Gil, certa vez escreveu em uma música, "a memória pertence ao futuro". Somos todos responsáveis pelas ações de hoje que pertencerão a memória, amanhã. Para pensar...

Para ler:
Homenagem prestada ao Mestre na época de seu falecimento:
http://ensaiosemfoco.blogspot.com/2009/05/ao-mestre-com-carinho-parte-i.html

sexta-feira, 2 de abril de 2010

EDUCOMUNICAÇÃO EM FOCO

Educom na TV? “Tô sabendo!”

O conceito de educomunicação vai além da suposta união entre duas áreas de atuações evidenciadas pelo nome. Educomunicação é a intervenção social proporcionada pela intersecção entre a ação da comunicação e a ação educativa.

No Brasil, os estudos referentes a esse campo já chegam a 50 anos e a prática educomunicativa já é recorrente em ONG’s e em ações aplicadas pelo meio acadêmico. Contudo ainda se trata de um conceito pouco conhecido pela grande massa que se alimenta das informações veiculadas pelos grandes meios de comunicação, como televisão, rádio e mídia impressa.

Eu mesma, fui despertar para a existência da educomunicação já no quinto período da faculdade de Comunicação Social - Jornalismo e nem foi por intermédio direto da grade curricular do curso. Sou leitora assídua da revista Imprensa e acompanho quase que diariamente as novidades no Portal Imprensa. E foi lendo a edição 247 de julho de 2009, que descobri na matéria “O novo jornal da escola”, do repórter Luiz Gustavo Pacete, um conceito que chamou minha atenção em definitivo para esse campo de estudo. A matéria apresentava a educomunicação como uma forma de despertar crianças e adolescentes para a produção de jornais, revistas e vídeos gerando entendimento sobre a mídia e criando uma atmosfera de análise crítica dos meios de comunicação. Além disso, essa ação era mostrada como um meio interessante de educar para a mídia, trazendo benefícios para os novos cidadãos e para a sociedade como um todo.

Desde então passei a prestar mais atenção em como educação e jornalismo podem trabalhar juntos e comecei a pesquisar sobre esse novo - para mim- campo de atuação e sua forma de atuação na sociedade. Tanto que o escolhi como tema para monografia e tenho mergulhado em leituras a fim de desenvolver meu trabalho de conclusão de curso e levar esse estudo adiante, rumo, quem sabe a um mestrado.

O fato é que venho aguçando minha vista e apurando meus ouvidos para essa temática e sua prática. Observando o que vem sendo produzido e como podemos aos poucos distinguir educomunicação da segmentação, do jornalismo que noticia educação.

A pouco tempo descobri na TV Brasil, um programa de formato interessante na área de educação. Trata-se do “Tô Sabendo!”, apresentado pelo professor Jorge Portugal em um estúdio que reúne estudantes do ensino médio, professores e especialistas para conversar e esclarecer dúvidas sobre um dado tema que é explorado durante todo o programa. A princípio, essa descrição pode levar você a imaginar uma mesa de debates em um cenário rígido, mas não o é. O estúdio é de um programa de auditório com decoração leve e estudantes sentados na plateia em forma de escadinha ou pequena arquibancada. Apresentador e entrevistados ficam sentados em puffes coloridos próximo a uma tela em que são exibidas matérias complementares sobre o tema em pauta. Do outro lado do estúdio, artistas convidados junto com suas bandas se incumbem de alternar música ao conhecimento gerado pelo diálogo.

Há ainda a interessante inserção digamos que hipermidiática na tela que vai desde vocabulário a informações adicionais simultâneas às falas dos entrevistados. O que muito se aproxima da aplicação da máxima educomunicativa de que um sujeito autônomo se forma sabendo que um texto só tem sentido dentro do contexto. As informações na tela trazem contextualização com o tema discutido, com exemplos, conceitos e datas em uma espécie de saiba mais.

O mérito da condução do “Tô Sabendo!” pode ser dado a Jorge Portugal que em um tom empolgado na dose certa levanta questões para debate, entrevista, dialoga com os estudantes e fala para a câmera com um brilho no olhar bem característico de educadores que anseiam pelo conhecimento gerado em discussões desse nível. Portugal consegue passar para o público uma grande satisfação com o resultado conquistado a cada edição do programa. Sua inquietação, com a fala sorridente e ao mesmo tempo empolgada que olha para todos no estúdio e concilia com um gestual ansioso transmite parte dessa vontade de estar ali promovendo o debate num programa em rede nacional.
Para completar, “Tô Sabendo!” tem um site intitulado “Tô Sabendo Mais!” com questões de enem e vestibulares, vídeos dos programas, conteúdos de ciências exatas, humanas, naturais e linguagens, além de notícias e temas da atualidade para pesquisa. No site, o internauta descobre que o programa tem duas linhas de apresentação: desafio e revista. O primeiro é apresentado durante a semana e consiste em uma maratona de conhecimentos entre escolas da rede pública dos estados do Pará, Bahia e São Paulo. O segundo é o programa temático aos sábados.
Apenas quando o desafio e a competição são lançados é que o programa perde o caráter educomunicativo. Em educom não há espaço para competição e nem para a cultura de que um sujeito pode se sobressair em conhecimentos a outro. Nesse ponto, a proposta do “Tô Sabendo Desafio” se adequa a sociedade e a constante luta por uma vaga, seja ela na universidade, em um emprego ou em algum grupo social. É vendida a ideia comum de que conhecimento acumulado vale para crescer na vida social como algo que impulsiona a subir degraus na sociedade existente.

A diferença para a prática educomunicativa reside bem aí, exatamente no fim a que ela se destina, como diria Donizete Soares no artigo “Educomunicação - O que é isto?”. Já que educomunicação se destina a construção de um conhecimento proporcionado pelas ações educativa e comunicativa que leve com efeito, a uma nova forma de organização social, pautada no diálogo entre indivíduos autônomos que reconhecem não serem superiores uns aos outros, mas sim fortes quando unidos, cada um com sua habilidade na construção de uma sociedade consciente e crítica.

Não podemos tirar, entretanto, o mérito do “Tô Sabendo Revista” em levantar questões importantes na televisão brasileira e trazer estudantes para essas discussões, mas também não podemos confundir: o programa tem caráter educativo. Assim como boa parte da programação da TV Brasil. Educomunicativo seria se os estudantes, ao invés de plateia, fossem repórteres e produzissem o programa junto com a equipe do Abais Conteúdos Educativos e Produção Cultural e Irdeb, produtores do “Tô Sabendo!”. Porque nesse caso haveria além da mediação tecnológica no espaço educativo, a formação de jovens mais críticos quando estudantes aprenderiam sobre comunicação, fazendo-a.

Links
Tô Sabendo Mais - Programa “Tô Sabendo! Revista” e “Tô Sabendo! Desafio”
Portal Gens - Instituto de Educação e Cultura - leituras sobre Educomunicação e afins.