terça-feira, 13 de julho de 2010

VIDA EM FOCO


Blogueira sangue-bom

por Talita Guimarães

Dizem que a família exerce influência sobre a formação dos indivíduos. Boa ou má, dificilmente alguém escapa ileso. Tenho sorte de poder, do alto dos meus quase 21 anos, dizer que dentro de casa aprendi a ser quem sou com exemplos realmente positivos. Influência? Quem sabe... Mas no meio disso tudo, uma coisa, hoje é inegável e parece-me mesmo inevitável. Tá no sangue.

Desde sempre, aprendi que fazer o bem pelo próximo é uma questão que ultrapassa optar por ser bonzinho e seguir mandamentos de uma igreja ou religião. É uma atitude que todo mundo aprende, mas poucos a escolhem para si. É mesmo a partir da opção individual, que se muda o mundo para melhor. Sim, se cada um escolher fazer a sua parte na história, é possível. E muito, muito simples.

Cresci vendo meu pai se dirigir ao hemocentro de São Luís-MA para doar sangue. Voluntariamente ou para atender algum pedido do Hemomar ou de algum conhecido que estivesse precisando no momento. Nunca cheguei a ir com ele. Desconhecia os procedimentos, mas sabia, por causa de uma palavrinha, que o que ele ía fazer era pelo bem de alguém, que às vezes, pouco conhecíamos. Doar.

Ora, quem doa o que tem, dá o que o outro mais precisa sem nunca pensar em querer algo em troca. Assim eu pensava. É um ato de desprendimento. Raridade em um mundo que ninguém lembra desse “o” que diferencia dar de doar. Ok, quase ninguém.

Curiosa com a atitude de papai, um dia quis saber mais sobre doação. E aí entre explicações sobre tipagens sanguíneas, procedimentos e a escolha por ser doador, descobri que aquilo que papai tinha de diferente, precioso, estava mesmo no sangue. Ele é O+. Doador universal. Super-heroi. Influência pra lá de positiva.

Continuei crescendo e tenho imenso orgulho de aprender o que é bom dentro de casa. Vivendo ao lado do exemplo. Um dia, seria igual.

Até que esse dia chegou. Sexta-feira, 9 de julho de 2010. Acordei cedo e sorri por saber que era dia. Tinha sol. Poderia cair chuva. O dia seria bom. A primeira semana de férias havia passado. Quem esteve perto soube que eu não parei de falar, pular e sorrir riso de criança. Feliz da vida só com a ideia. “Nunca vi alguém tão empolgado com isso”, papai comentou curioso.

Saímos de casa e seguimos até o bairro da Jordoa, onde está a sede da Supervisão de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão - Hemomar. Curiosamente, bairro em que papai nasceu e viveu toda a infância e parte da adolescência. Lugar cheio de história familiar.

Já tinha buscado informação. Segui as recomendações exigidas e resolvi ir voluntariamente. Estava tranquila, certa de minha escolha. Para constatar o quanto é importante, logo na entrada do Hemomar conheci alguém que precisava. Parecia aguardar por mim. Uma senhora, que não por acaso, tinha o mesmo nome de minha bisavó paterna. Maria do Espírito Santo. E nem precisou pedir duas vezes. A história da minha primeira ida voluntária ao posto de doação de sangue já estava rendendo um relato cheio de significado.

Entrei com o pé direito imaginando que daria sorte. A atendente sorriu ao receber minha identidade e ouvir meu pai falar antes de mim “Ela veio doar pela primeira vez. Voluntária”. Mas a essa altura eu já tinha pegado com dona Maria, na porta, o encaminhamento que precisava. Era para ela, minha doação. E isso fez diferença no cadastro.

Nem deu tempo de sentar na sala de espera. A enfermeira na segunda porta à esquerda já chamava meu nome completo para a sala de exames iniciais. Um pequeno furo no dedo para o teste de anemia, em seguida subir a balança para verificar meu peso e por fim aferir a pressão arterial. Tudo certo, retornei para o saguão de espera e em seguida fui chamada para outra sala, onde respondi com franqueza às perguntas feitas por uma médica sobre hábitos de vida e comportamento. Tudo certo. Só faltava agora a coleta principal. Por conta da minha pressão, a médica solicitou que eu fizesse o lanche servido no hemocentro antes e depois da coleta. Segui para a lanchonete, onde serviam cachorro-quente com tempero leve e suco de frutas. Depois do lanche, cheguei a sala de coleta, entregando novamente minha identidade e recebendo a caixa com os materiais que seriam usados no procedimento. Junto a isso, recebemos uma ficha chamada de auto-exclusão que pede novamente que sejamos francos com as respostas referentes aos hábitos de vida que levamos, pois o ato de doar sangue envolve uma responsabilidade grande, desde o momento em que você se submete a retirada de material até o cuidado com a vida de quem poderá recebê-lo. Sendo assim, responder a essa última ficha, que é feito em sigilo e a resposta colocada em uma urna dentro de uma cabine isolada é tão sério quanto a própria doação. Tanto que li mais de uma vez a pergunta para ter certeza de que estava respondendo ao “sim” certo. Sim, eu tinha certeza de que meu sangue poderia ser recebido por outra pessoa.

Pois bem, depois disso, foi só me acomodar na larga cadeira de doação e deixar que a enfermeira, Dona Júlia, fizesse seu trabalho. Já pensando no quanto esse momento era importante pra mim e para tantas outras pessoas, como dona Maria, que me aguardava no saguão de espera, conversei com a assistente social da Hemomar sobre a possibilidade de fazer algumas fotos e escrever esta postagem. Laís, a assistente, se colocou de prontidão e abriu um sorriso quase ou tão largo quanto o que eu tinha no rosto há uma semana. Como outras pessoas não podem entrar na sala de coleta, meu pai não pode me acompanhar, mas a Laís se ofereceu para fotografar e se pôs a disposição para a realização de matérias que possam divulgar ainda mais o procedimento de doação de sangue e sua importância para tantas pessoas.

Vinte dias após a coleta, sai o resultado da doação. É quando ficamos sabendo se o material coletado realmente está apto e se há compatibilidade com o do receptor para o qual você destinou.

Meu desejo, em verdade, é que a cirurgia de Dona Maria seja um sucesso, sem necessidade de transfusão ou outro procedimento dessa natureza. Em todo o caso, se ela precisar, ou qualquer outro, próximo ou não, tiver necessidade, a vida que posso doar estará a disposição.

Talita Guimarães Santos Sousa - eu!
20 anos. 54 kg. Pressão arterial 10 por 6. A+
Doadora


Bom, aprendi em casa que formação é importante. Com minha profissão, um prefixo veio somar. Informação é tudo. Entenda abaixo como é todo o procedimento que envolve a doação de sangue:

1. O ser humano possui em média, circulando nas veias, cinco litros de sangue. Na doação, a coleta não ultrapassa 450ml de material. O organismo repõe o volume de sangue doado em 24h (a parte líquida). Já as células, em algumas semanas.

2. Todo o sangue doado é separado em diferentes componentes (como hemácias, plaquetas, plasma e outros), e assim poderá beneficiar mais de um paciente com apenas uma doação. Os componentes, são distribuídos para os hospitais e clínicas da cidade para atender casos de emergência, pacientes internados e pessoas com doenças hematológicas.

3. Segurança: Em cada doação, são realizados exames que incluem pesquisa para hepatite B e C, doença de Chagas, Aids, Sífilis e HTLV I/II. A realização desses exames na pessoa que se dispõe a doar sangue assegura a proteção do doador, assim como o cuidado com o material e com o receptor. É critério determinado por Normas Técnicas do Ministério da Saúde.

4. Assim, o item principal para ser um doador, é o cultivo de hábitos de vida saudáveis. Os requisitos básicos para doar sangue são:

- Ter entre 18 e 65 anos;
- Pesar acima de 50kg;
- Dormir bem nas últimas 24h que antecedem a coleta de sangue;
- Não estar em jejum;
- Não ingerir bebidas alcoólicas nas 12h antes da doação;
- Evitar fumar por pelo menos 2h antes da doação;
- Evitar alimentos gordurosos;
- Não ter se exposto a situações de risco acrescido para aquisição de doenças transmissíveis pelo sangue, como: permanência em prisões, uso de drogas injetáveis e vida sexual promíscua.

5. No dia da coleta, é indispensável a apresentação de documento oficial com foto, expedido por órgão público.

Quem se enquadra nesses itens e deseja doar sangue, pode dirigir-se tranquilamente ao posto mais próximo de coleta, voluntariamente. O processo todo não leva mais de uma hora, do cadastro na recepção até a coleta, o lanche e a liberação para ir para casa. Vale lembrar, ainda, que o procedimento dá direito a atestado médico que pode ser encaminhado ao trabalho.

Negrito
Contatos importantes em São Luís-MA:
SUPERVISÃO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA DO MARANHÃO
Rua 5 de Janeiro, S/N. Jordoa. São Luís - MA. Cep.: 65040-450
Telefones: (98) 3216 1100 ou 3216 1134
Para mais informações sobre doação de sangue, DISQUE SANGUE 0800 280 6565

3 comentários:

Anônimo disse...

Dá-lhe Talitaaa!

Colorada 'sangue bom'! :D

Saudações Coloradas

Mary Carvalho disse...

Ô Talita, não me mate de tristeza! Desde pré-adolescente eu tinha o desejo de doar sangue, mas tive hepatite A e não posso mais doar. Essa é uma das coisas que mais lamento na minha vida, fui privada de uma das formas de ajudar o próximo! Mas enfim, muito bom saber que existem pessoas como vc, que não só podem como gostam de doar sangue e ajudar quem precisa. Atitude louvável, meus parabéns!
Até.

Juliana Martins disse...

salve talita !

parabéns, vou só esperar completar 18 que tambem estarei no hemomar.

E essa foto ficou linda ! tão google.!

bjs