segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CONTO EM FOCO

"Sonhos são pensamentos que se tem quando se dorme, mas alguns pensamentos são sonhos que se tem quando se está acordado..."


Era uma menininha que brincava com sonhos. Criava histórias para viver a noite, enquanto dormia. Gostava de sentir o sono chegar, sinal de embarque para sonhar.

Mas certa noite, em um sonho inesperado, a menininha viu-se andando por uma longa rua de prédios altos que escondiam o céu. Por algum motivo, aquela rua lhe era estranha e familiar ao mesmo tempo. E a menininha olhou em volta achando aquela sensação muito esquisita. Depois saltitou a rua toda, indo e vindo sem saber onde era começo e onde era fim. Olhava para o alto e só enxergava o cinza. Serão nuvens de chuva? Oba, adorava gotas de chuva. Banho de céu que começava cinza e terminava azul.

Mas a chuva não caía e a menininha começou a ficar impaciente. Tornou a andar pela rua e sentiu o tempo passar sem provocar mudanças. Ou será que havia parado, o tempo? Quem me prendeu nesta rua de céu cinza? Quero é chuva!

E nada. Sentou na beira da calçada gelada para esperar e pôs-se a observar o movimento daquela rua. Trânsito e transeuntes. A menina que esperava chover sentada na calçada olhava para todos os lados. Às vezes era pouca, a gente que andava por aquela rua. Outras horas era muita, a gente que entrava e saía dos prédios.

E a menininha ali, esperando. Fechou os olhos. Adormeceu. Sonharia? Quem sabe.
O tempo passou e quando alguém a cutucou, era sol que fazia e ela quase pulou de felicidade, não fosse por se descobrir em seu quarto, iluminada pelo calor que entrava pela frestinha da janela. Era hora de ir para a escola.

Mas a menininha pensava em sonhos quando estava acordada. Ficou a imaginar a rua que não criara, sonho da noite passada. E aí um novo sonho nasceu, sob a luz do dia, história de menina acordada. Guardaria raios de sol nos bolsos, para que quando voltasse à rua cinza nos sonhos da noite, soltasse raios de luz e calor.

Era isso. Estava decidida. O sonho criado para aquele dia estava garantido.
(continua)

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