Mas certa noite, em um sonho inesperado, a menininha viu-se andando por uma longa rua de prédios altos que escondiam o céu. Por algum motivo, aquela rua lhe era estranha e familiar ao mesmo tempo. E a menininha olhou em volta achando aquela sensação muito esquisita. Depois saltitou a rua toda, indo e vindo sem saber onde era começo e onde era fim. Olhava para o alto e só enxergava o cinza. Serão nuvens de chuva? Oba, adorava gotas de chuva. Banho de céu que começava cinza e terminava azul.
Mas a chuva não caía e a menininha começou a ficar impaciente. Tornou a andar pela rua e sentiu o tempo passar sem provocar mudanças. Ou será que havia parado, o tempo? Quem me prendeu nesta rua de céu cinza? Quero é chuva!
E nada. Sentou na beira da calçada gelada para esperar e pôs-se a observar o movimento daquela rua. Trânsito e transeuntes. A menina que esperava chover sentada na calçada olhava para todos os lados. Às vezes era pouca, a gente que andava por aquela rua. Outras horas era muita, a gente que entrava e saía dos prédios.
E a menininha ali, esperando. Fechou os olhos. Adormeceu. Sonharia? Quem sabe.
O tempo passou e quando alguém a cutucou, era sol que fazia e ela quase pulou de felicidade, não fosse por se descobrir em seu quarto, iluminada pelo calor que entrava pela frestinha da janela. Era hora de ir para a escola.
Mas a menininha pensava em sonhos quando estava acordada. Ficou a imaginar a rua que não criara, sonho da noite passada. E aí um novo sonho nasceu, sob a luz do dia, história de menina acordada. Guardaria raios de sol nos bolsos, para que quando voltasse à rua cinza nos sonhos da noite, soltasse raios de luz e calor.
Era isso. Estava decidida. O sonho criado para aquele dia estava garantido.
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