sábado, 23 de outubro de 2010

MONOGRAFIA EM FOCO

Da arte de monografar

Ensaios em Foco é formando. Sim, estamos concluindo o curso de Jornalismo, vivendo a expectativa de finalmente vestir a beca de faixa vermelha, tirar fotos com a mais nova turma de jornalistas do pedaço, apertar a mão do diretor e vibrar ao receber o diploma. Mas tenhamos calma, antes da festa tem muito trabalho a cumprir ainda. O último período da faculdade não tem sido nem um pouco manso. Muito pelo contrário, cortamos um dobrado para dar conta das disciplinas do período que em sua maioria pouco tem a ver com os temas das pesquisas que “monografamos”. Sem contar do frio na barriga pelo término de um ciclo importante e o descabelamento diário com o temido trabalho de conclusão de curso, a famosa monografia. E é sobre ela que falaremos agora!

Este blog completou dois anos em setembro e durante este tempo procurou expor a produção acadêmica de quem é jornalista em formação. Além de tratar temas relacionados à prática jornalística, falamos de outros assuntos, como música, cinema e literatura. Publicamos felizes parcerias.

Em 2010, a blogueira que mantém este espaço apontou o foco para o estudo da intersecção resultante da aproximação da comunicação com a educação. A intenção era trazer parte dos debates e leituras proporcionados pela pesquisa do trabalho de conclusão de curso para o blog, mas nem sempre foi possível. Acabamos privilegiando a publicação de crônicas, entrevistas e notas sobre eventos culturais. Pois bem, aqui vai uma tentativa de explicação: monografar é uma arte que ainda não dominamos. Ler inúmeros autores e dialogar com eles, percebendo também o diálogo existente entre eles não é tarefa simples. Por isso, optamos por entender primeiro quem são, o que dizem, até que ponto dialogam, quando concordam e quando divergem, para trazer algum material coerente para o Ensaios em Foco. Fazer isso durante o turbilhão de leituras e ideias talvez não fosse uma boa ideia.

Por tudo isso e também pela proximidade com a entrega do material produzido seguido da defesa do tema pesquisado, o Ensaios em Foco tem sido pouco atualizado. Contudo, temos em curso ideias para novos textos, pautas e séries, para quando esta fase de descabelamento acadêmico se encerrar, voltarmos o foco para este ensaio. Porque parafraseando o que diria uma de nossas autoras mais lidas, a socióloga Gaye Tuchman, viver (leia-se estar em estado de monografia) é “aparentemente simples, inextricavelmente complexo”.

domingo, 3 de outubro de 2010

ELEIÇÕES EM FOCO

Hoje, 3 de outubro de 2010, cerca de 135.804.433 cidadãos brasileiros foram esperados durante todo o dia nas urnas eletrônicas espalhadas por todo o Brasil, para escolherem os representantes que administrarão o país por mais quatro anos. Na noite deste domingo, eleitores e suas famílias se reuniram para acompanhar cada flash da apuração. Nesse contexto de decisão é que o Ensaios em Foco traz um pouco de reflexão e posicionamento sobre o clima que deveria tomar conta do país em tempo de eleição. São palavras de Eduardo Trindade, publicadas também em seu blog: As Valsas Invisíveis.


E NÓS, O QUE ESTAMOS FAZENDO?

Considero-me uma pessoa discreta, não sou de grandes discursos ou exaltações. Mas aprecio certos protestos silenciosos quando vejo que há necessidade deles. Por isso é que, hoje cedo, ao sair para votar, levei comigo a bandeira brasileira e, principalmente, coloquei meu nariz vermelho de palhaço.

Em outras palavras: é claro que amo esta pátria que me viu nascer, mas talvez justamente por isso não posso deixar de me manifestar contra atitudes que considero erradas. Sem dúvida, tenho muito mais orgulho da situação econômica e política do Brasil hoje do que quando comecei a entender e a reparar nisto. Mas é claro, também, que ainda há tanto a fazer, tanto...

A culpa é dos políticos, dizem. Eu até concordo. Vejo muitos deles que parecem desonestos ou francamente incompetentes, quando não as duas coisas. Mas eu me nego a jogar toda a culpa neles e lavar as mãos. Vivemos numa democracia, somos todos responsáveis. Ou nos esquecemos do próprio significado da palavra política? Somos todos políticos, nenhum homem é uma ilha. Que exemplo estamos dando em casa, o que estamos ensinando nas escolas e nas ruas? Com que cara alguém que oferece propina ao guarda pode reclamar de corrupção no Congresso? Uma pessoa que embolsa um troco dado por engano tem direito de se indignar diante de uma obra superfaturada? Alguém que fura a fila no mercado pode acusar outro que compra votos para se eleger? Quem joga papel de bala no meio da rua terá menos culpa do que quem desmata a Amazônia? Talvez não.

A sociedade é a soma de todos nós e de cada um dos nossos atos. E os políticos que elegemos são, sem dúvida, reflexo desta sociedade.

Sim, eu acho difícil votar, escolher pessoas em quem confio e que merecem me representar. Mas quem disse que deveria ser fácil? Por isso mesmo, não concordo com o voto nulo: este, que querem fazer parecer um ato de rebeldia, para mim soa mais como uma injustificável preguiça. Por mais batida que seja a frase, o voto é nossa arma. Vou além: o voto é a primeira de nossas armas. As outras, com ou sem nariz de palhaço, estão ao nosso alcance em casa, na sala de aula, no escritório, na rua. Como? Buscando a honestidade nos pequenos atos. Olhando para o espelho de cara limpa. Esta corrente, sim, eu passo adiante.
Eduardo Trindade
3 de outubro de 2010