sábado, 20 de novembro de 2010

MAIS FEIRA DO LIVRO EM FOCO


Flutuação literária

A programação do auditório José Louzeiro na 4ª Feira do Livro de São Luís deu continuação na noite de sexta-feira, 19, ao estado de flutuação literária no qual esta blogueira vem vivendo desde o encontro com Celso Antunes e Fabrício Carpinejar e o passeio pelas muitas estantes do Espaço Cultural.

Guiado pelas histórias dos escritores e jornalistas Airton Ortiz (RS) e Márcio Vassallo (RJ), eu e o público flutuamos entre as viagens de aventura em meio à vida selvagem contadas através de fotos e histórias de Ortiz e em seguida pelo universo infantil inspirado em Mário Quintana segundo palavras de Vassallo.

Pioneiro no gênero Jornalismo de Aventura no Brasil, Airton Ortiz já percorreu mais de 50 países em expedições que renderam onze livros sobre as aventuras, dez livros de reportagens e um de crônicas, além do romance Cartas do Everest e o álbum de fotografias Retratos da Terra.

Durante a conversa na feira do livro, o escritor, jornalista e fotógrafo gaúcho exibiu uma colagem de matérias e reportagens sobre suas participações na Feira do Livro de Porto Alegre e ainda trechos de entrevistas sobre as viagens radicais que fizera. Em seguida, apresentou uma sequência de imagens feitas durante as viagens à África – que rendeu os livros “Aventura no Topo da África” e “Na Trilha da Humanidade”- e contou sobre a experiência de integrar expedições em busca do contato com a vida selvagem e a cultura dos mais diferentes povos.

Ortiz passa na voz o entusiasmo pela aventura e dá dicas para quem tem interesse e curiosidade em torno do universo das expedições: “A gente tem muito que aprender com os animais selvagens. Antes disso, precisamos saber que eles possuem um ponto forte e uma fraqueza. Assim, temos que nos conhecer para saber qual a nossa habilidade e usá-la a nosso favor. E é a informação a arma mais poderosa do homem”. Além disso, o jornalista falou sobre a importância da leitura de mundo como aliada da leitura proporcionada pelos livros. “A gente estuda para conhecer o mundo no qual vivemos”. Nos livros, as pessoas encontram as informações que precisam para aprender a ler o mundo e as viagens ensinam muito. “A vida selvagem é maravilhosa para fazer leitura do mundo”.

Como parte integrante do processo de autoconhecimento – meditar, enfrentar situações de risco e ler – Ortiz destacou que a leitura faz com que o leitor viva a história assumindo o papel dos protagonistas. “A gente ri, sofre, chora com os personagens”, afirmou.

Por fim, o escritor viajante deixou ao público boas histórias das viagens, retratadas em belas imagens e grandes ensinamentos. Finalizou a palestra ressaltando a beleza e os contrastes entre as culturas descobertas em cada viagem e ensinou que leitura e a informação que transformamos em conhecimento é o nos faz “olhar [o mundo] capaz de perceber além das aparências”.

Logo na sequência, foi a vez do carioca Márcio Vassallo, autor da biografia de Mário Quintana, comandar com palavras e histórias a flutuação da noite. Infância, simplicidade e poesia. Três ingredientes mágicos para a viagem ao universo infantil da obra do autor gaúcho.

O escritor e jornalista falou da beleza contida na vida cotidiana e facilmente percebida pelas crianças e poetas. Vassallo comentou a não-ruptura do universo infantil durante o amadurecimento do ser humano e a chegada na vida adulta, e sobre o fato de nem todos conservarem o olhar poético da criança, defendeu que “não precisa ser poeta para viver em estado de poesia” o que significa “viver o dia a dia em constante estado de beleza”.

Autor dos livros infantis “A princesa Tiana e o sapo Gazé” (1998), “O príncipe sem sonhos” (1999), “A fada afilhada” (2001), “O menino da chuva no cabelo” (2005), “Valentina” (2007), “Da minha praia até o Japão” (2010), Márcio Vassallo chamou a atenção para a vergonha que os adultos têm de assumir a poesia e o universo infantil.

Vamos olhar a lua até gastar! – O irresistível convite é de Gabriel, filho de Márcio Vassallo, e contém em poucas palavras a simplicidade e beleza da poesia infantil. O ponto alto da palestra do escritor carioca ficou por conta do relato das peripécias do menino de 10 anos.

Observador da infância do filho, Vassallo comentou o quanto apreende poesia nas palavras e movimentos de Gabriel. Divertiu o público com o episódio das “criaturas da unha na cabeça”, aventura contra os monstros que dominaram a Terra e estariam chamando para o combate na sala da casa do escritor, tudo fruto da imaginação do menino em uma madrugada fria do Rio de Janeiro e emocionou ao confidenciar o quanto o garoto o salva todas as vezes que o envolve nas aventuras de sua imaginação. “A criança traz poesia, fantasia na veia”, falou o escritor, acrescentando que começa a fazer parte do universo do filho quando “participa contemplando-o, recuperando a capacidade de bastar contemplar e se assombrar com o cotidiano”.

Para encerrar, Márcio Vassallo propôs ao público o reencantamento do cotidiano, afinal “a poesia está em volta e a gente tem que ter a capacidade de ver e trazer isso pra nossa vida”.
Para saber mais sobre os autores, visite as páginas de Airton Ortiz e Márcio Vassallo na internet.

Um comentário:

Í.ta** disse...

feiras do livro são maravilhosas!

ótimo você postar sobre isso.

beijos!