domingo, 19 de dezembro de 2010

FIM DE ANO EM FOCO

Retrô da foca – Troféu Flutuação

Apesar de não demonstrar muito nos textos e de – pessoalmente - não ter uma cara lá muito engraçada, costumo ser uma pessoa bem humorada. Meus amigos que o digam. Pois bem, assim sendo, resolvo aproveitar um pouco da veia e escrever uma postagem que inaugure neste blog, minha faceta blogueira sorridente. :)

Chegamos ao fim de mais um ano. Tempo de reflexão sobre o que foi feito durante os últimos doze meses e o que se deseja fazer, ou não, nos meses que virão. Em resumo, todos os anos fazemos a mesma coisa em dezembro e este blog já postou por dois natais, mensagens em defesa da reflexão crítica em nome da campanha pelo fim da confraternização hipócrita e enfadonha que toma conta do mês de dezembro e sem a qual passaríamos muito bem, obrigada. Nesse sentido, hipócrita e enfadonho seria empurrar aos caros leitores uma terceira mensagem com o mesmo teor das anteriores. O mundo não avançou tanto desde o último natal então minha reflexão do ano passado ainda está valendo.

Sendo assim, este ano farei diferente. Resolvi olhar para trás e considerar que 2010 foi um ano intenso, de muita produção acadêmica e grandes momentos de enriquecimento pessoal e profissional. Aceitei a ideia da retrospectiva e trouxe para o blog os momentos de 2010 que mais fizeram flutuar esta pessoa que aqui escreve. Momentos esses que renderam mais conhecimento em música e literatura, por exemplo, e ficam de sugestão para os queridos leitores neste fim de ano.

Antes disso, uma pequena reflexão sobre o que 2010 ensinou e foi compartilhado por aqui através de pequenas crônicas. Tenho gostado de pensar na felicidade como um momento em que pairamos ao gosto daquilo que nos faz bem. Flutuação mesmo. Claro que cada um é quem sabe de seus motivos para ser feliz, mas em alguns pontos devemos todos concordar: a felicidade não costuma ser facilmente alcançada, ou ainda, mostra-se fugaz para que possamos desfrutar aos poucos e estejamos sempre tentados a correr atrás do que nos faz felizes. Pois bem, assim sendo, costumo dizer que são coisas simples que me fazem flutuar. Mas nem por isso fáceis de reunir.

O mais legal de 2010 foi descobrir uma nova forma de buscar o que é simples no dia a dia. Cultivei a ideia do recorte e passei a andar pela rotina recortando aquilo que achava de bom, bonito e inspirador nos lugares por onde passava diariamente e nas pessoas que via com freqüência. Aprendi que é possível guardar recortes de todos os dias do ano. Basta estar atento, de olhos e ouvidos bem ligados a tudo. Passei a trocar recortes com o poeta Eduardo Trindade, que tem olhos bons para reunir material pra esse tipo de álbum pessoal. Vimos ainda mais poesia no cotidiano. Fui mais feliz.

Outro mérito da felicidade contida nos últimos doze meses esteve ligado às surpresas boas que tive. Flutuações que me fez conhecer novos escritores, blogueiros e músicos. Arte é naturalmente flutuante, mas em 2010, tive muita sorte nesse campo, por isso, recordo com gosto dos nomes que me fizeram flutuar, além, é claro, dos bons momentos vividos graças à vida acadêmica. Ficam aqui, então, as dicas:

1) Flutuação Literária:

“As Valsas Invisíveis” de Eduardo Trindade;
“Até que ponto, de fato, nos comunicamos” de Ciro Marcondes Filho;
“A Educação para o Trabalho” e “Pedagogia do Bom Senso” de Célestin Freinet – nestes dois adoráveis livros, o educador francês Célestin Freinet aborda a importância do ambiente escolar ser construído por professores sensíveis a percepção da criança e a capacidade de desenvolver um raciocínio com autonomia e sensatez por meio da construção do conhecimento.
“Alcântara – Negociação do Azul ou A Castração dos Anjos” de José Chagas reúne de forma fascinante a história da cidade maranhense que intitula o livro. Cantada em versos, Alcântara ganha o olhar poético do talentoso Chagas.
“Noel Rosa – Uma biografia” de João Máximo e Carlos Didier é considerada a mais completa reunião de material sobre a vida e a obra do sambista carioca que completaria em 2010 seu centenário de nascimento.

2) Flutuação Musical:

Concerto Nazareth - Brasileirinho, com peças do compositor carioca Ernesto Nazareth executadas pelo pianista Marcelo Bratke na excelente companhia da Camerata Vale Música (ou Camerata Brasil, como se apresentam no exterior). Troféu Flutuação Musical para o momento em que o pianista me presenteou com o cd da turnê. E não há como cansar de ouvir, muito bom mesmo. Em seguida, devo conceder menção honrosa à banda Scracho pela fofíssima versão de A Menina Dança, originalmente composta por Novos Baianos. Embalou meu 2010 e também não canso de ouvir.

3) Flutuação Acadêmica:

Conferência de abertura do Intercom Nordeste em Campina Grande-PB com o prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. Uma verdadeira aula sobre educomunicação e o uso das tecnologias da informação em sala de aula. Fora que Ismar é um dos nomes que mais demos conta durante o ano, devido às pesquisas sobre educom, tema de meu tcc.

4) Flutuação Esportiva:

Como boa colorada, não poderia deixar de lembrar do dia em que o campeão de tudo, Sport Club Internacional, conquistou o bicampeonato na Copa Libertadores da América. Troféu Flutuação para o vídeo que eu fiz de Carol Rios e o escritor Fabrício Carpinejar juntos, fazendo a ola do mundial em plena feira do livro de São Luís. Impagável!

5) Flutuação viajante:

Para o mochilão feito até a cidade de Pinheiro na companhia dos amigos Saara Sousa e Max de Medeiros e retratado aqui no blog em março. Foi uma excelente oportunidade de desestressar estando perto de gente querida e aprendendo a dar mais valor ao contato com a natureza e a simplicidade das boas e velhas amizades.

Por tudo isso e mais um pouco, 2010 foi um ano de muitas realizações, ainda que tenhamos passado também por momentos difíceis, de insegurança com o término do curso superior e a perda de um ente querido. Algumas coisas desandaram, fugiram ao controle, mas ainda assim não diminuíram nem tiraram o mérito das tantas coisas boas que este ano trouxe distribuído por seus meses.

E uma delas é dívida desta blogueira. Em agosto, na ocasião do concerto Nazareth – Brasileirinho, publiquei uma crônica sobre a flutuação musical que as mãos habilidosas do pianista Marcelo Bratke e o talento irresistível dos garotos da Camerata Vale Música são capazes de gerar em um público. Som de primeiríssima qualidade. Na mesma época, mantive contato com o simpático percussionista Léo de Paula, integrante da Camerata, que me concedeu gentilmente uma entrevista por email. Entrevista essa que a correria do último semestre de faculdade atrasou a publicação. Pois pago agora a dívida, publicando a matéria e deixando a dica musical: ouçam Bratke e a Camerata Vale Música e conheçam a excelente música produzida em nosso país por quem é conhecedor de causa das nossas riquezas.

Um comentário:

Eduardo Trindade disse...

Guria!
Feliz e honrado, muito mais do que por ser incluido na tua retrospectiva; principalmente por termos nos aproximado e construído uma amizade bonita entre os tantos percalços deste ano. Que 2011 seja ainda melhor!
Abraços e feliz Natal!