sábado, 11 de dezembro de 2010

SAUDADE EM FOCO


“Do tempo passado não se recupera senão o recado do que fica à espera...” (José Chagas)

Falar de saudade é como falar de felicidade. Relativas, vivem em cada um de nós sob formas, tons, tamanhos e motivações completamente diferentes e pessoais. Cada um guarda em si e para si, as lembranças que foram capazes de emocionar e nem sempre isso pode ser colocado em palavras, nem sempre pode ser facilmente compartilhado. Talvez eu já tivesse aprendido isso, mas ontem (10/12), durante a chamada Aula da Saudade da turma de Jornalismo da qual fiz parte durante os últimos quatro anos, percebi com maior nitidez, como a saudade une as pessoas, ainda que seja para chorar por motivos, momentos e pessoas diferentes.

Convencionada entre turmas de formandos, essa última aula procura ser um momento de nostalgia do tempo passado junto e funciona como uma aula de encerramento do curso, para confraternizar o término de um ciclo e recordar o que se viveu até ali.

A aula da saudade, que reuniu a turma de formandos em Jornalismo da turma 305 da Faculdade São Luís ontem, foi surpreendentemente divertida. Ministrada pela querida professora Jô Dantas, que esteve conosco por dois períodos a frente da disciplina Jornalismo On line, teve um tom muito adequado ao momento. Jô falou de saudade e chamou a turma para reflexão sobre o contexto da modernidade e da pós-modernidade. Falou da turma, confidenciou o que significou ter sido nossa professora e emocionou ao nos dar versos de Carlos Drummond de Andrade e Renato Russo, para refletir. Afinal, do que sentiremos falta? De que tamanho e intensidade será a saudade destes anos e destas pessoas em cada um de nós? Porque como disse nosso caro colega Chico Poeta, “Não sentiremos saudade disso aqui amanhã. Sentiremos daqui a um mês, um ano...”, com o passar do tempo.

E o que não foi dito, o que não foi feito, o que não foi vivido? E a saudade do que não aconteceu? Também falamos do que poderia ter sido e não foi. Colegas derramaram lágrimas ao perceber que aquela era a última oportunidade de pedir uma desculpa, de trocar um oi com quem por algum motivo qualquer - desleixo, falta de afinidade ou mesmo timidez - nunca falamos.

Houve bom humor, também. Boas risadas com as lembranças puxadas por um quiz que testou nossa memória e trouxe de volta imagens de trabalhos apresentados nos primeiros períodos, falas características de alguns professores, ensinamentos de outros. Lembramos com carinho do que foi bom. Como reunir amigos na sala de casa para abrir o álbum de fotos da família, reunimos nossa turma ontem para descobrir que tivemos em comum, mais do que a opção pela mesma profissão. Fizemos parte, um da história do outro. Ainda que muitos de nós não tenham sido melhores amigos. Ainda que tenhamos trocado farpas, algumas vezes. Ainda que tenhamos construído, desconstruído e reconstruído nem sempre acertadamente a percepção pessoal do que cada um ali representa. Chego à conclusão que uma coisa é certa, como nos disse a querida amiga Saara: “Somos todos personagens”. Sim, todos personagens desta mesma história, vivida entre 2007 e 2010 na sala 305 do terceiro piso da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas de São Luís. Compartilhamos a vontade de daqui a alguns anos, ao nos depararmos com trabalhos assinados por colegas soltarmos saudosos, “é, eu conheci essa figura!”.

E quando chegou minha vez de falar, já entre os últimos – como de costume, preferi ouvir os colegas, pra daí sim dar minha colaboração – a voz quase embargou, já tomada pela emoção da fala dos que já tinham se rendido ao choro. Segurei e segui, aproveitando aquele último momento para dizer à turma do quanto aprendi a gostar especialmente de cada um. Falei do quanto foi importante aprender a observar cada colega e tirar desta observação algo especial para gostar e lembrar. Porque este é o meu modo de gostar também das pessoas com quem não troco palavras: bebendo gestos espontâneos, falas e olhares voluntários, nem sempre direcionados necessariamente para mim.

Por fim, nos despedimos em tom de até logo, já que a partir de agora nos encontraremos em redações, assessorias, eventos e coberturas. Nos falaremos por e-mails institucionais e telefonemas de pauta, às vezes demorados, outras vezes na batida acelerada de um deadline. Assistiremos, leremos e escutaremos uns aos outros nas tevês, nos jornais, sites e rádios. Entrevistaremos os que seguirem vida acadêmica na cobertura de seminários e congressos. Estaremos no mercado, nos esbarrando pelos mesmos furos.

Hoje, um dia depois, ainda não acordamos "os jornalistas", que isso é coisa que virá com o tempo de exercício e os aprendizados que faculdade não nos ensinou. Mas certamente, acordamos conscientes de que o que pode ser aprendido neste período, com professores, colegas e até mesmo com a consciência do que faltou, já faz muita diferença nos profissionais que seremos.

De todo modo, está assegurada a pontada de saudade que sentiremos - daqui a algum tempo, quando este tempo de hoje for tempo para sentir saudade. Olharemos nossa foto e brincaremos de lembrar os nomes e os jeitos de cada colega. Sentiremos, enfim, vontade de ter notícias de quem estudou conosco para o ofício de noticiar.


Nós, calouros de Jornalismo. Esta foto foi tirada no nosso primeiro dia de aula. No canto esquerdo, de jaleco, nossa primeira professora, Jakeline Bogéa.

Por tudo isso e pelo que fica à espera, fica aqui, meu abraço e minha, desde já saudade, a todos que fizeram parte deste pedaço da minha história, no capítulo Vida de aspirante à Foca, do livro da minha vida.

2 comentários:

Marlon Henrique disse...

Olá

Estudo na faculdade SLZ
estou seguindo o blog
e no twitter tambem :)

visite
http://www.marlonhenriquefotografia.blogspot.com/

abraço.

Edilayne Soares disse...

ohh amiga me emocionei com esse texto, parece que fiz uma volta ao tempo.espero que mesmo com o fim da aulas continuemos a manter contato sempre com todos.
bjaum