domingo, 4 de dezembro de 2011

I FESTIVAL DE MÚSICA BARROCA DE ALCÂNTARA EM FOCO

Em 2011, São Luís recebeu muitos eventos culturais com direito a festivais e shows de artistas que ou não costumavam incluir o estado em suas turnês ou há muito não nos visitavam. Houve música para todos os gostos em eventos de variadas proporções.

Com base nas experiências vividas durante esse ano, urge que todos nós - público, artistas e produções - pensemos sobre as condições que não só São Luís, mas outras cidades maranhenses, oferecem para a realização de eventos – da logística à qualificação de pessoal. Para que o estado finalmente consolide uma vida cultural – da qual tem fome - respeitando artistas e públicos e entre em definitivo no circuito que produz, expõe, atrai e exporta arte e conhecimento.

Neste contexto, Ensaios em Foco publica abaixo uma carta aberta divulgada por Saulo Galtri, jornalista e estudante de Canto Erudito na Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa, em que relata sua experiência com o I Festival de Música Barroca de Alcântara e levanta questões importantes que não devem ser deixadas de lado ao fim de cada evento.

Porque arte é estado de espírito e respeito é fundamental.


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São Luís, 04 de dezembro de 2011

A cidade de Alcântara recebe até segunda-feira (5), o I Festival de Música Barroca realizado pela empresa de consultoria cultural Equinox do Brasil por meio de recursos oriundos de apoiadores e grandes patrocinadores como o Banco do Nordeste e a Petrobrás. Foram convocados 30 artistas e músicos do Brasil e do exterior para fazer 14 apresentações e realizar ações didáticas durante o evento. Além da cidade histórica que batiza o evento, a igreja Imaculada Conceição em Bacabeira e a Catedral da Sé em São Luís foram escolhidas para abrir e encerrar as atividades do evento respectivamente.

Olhos afoitos, expectativa e curiosidade foram o que se viu expresso no rosto da população carente de Alcântara que por um curto espaço de tempo se viu menos distante pela baía que a separa de São Luís. Estou longe de querer fazer aqui um discurso assistencialista, mas naquele dia uma janela no tempo se abria pra um público que é rico de história, mas pobre de oportunidades como em muitos outros lugares do Maranhão. Porém embora eu tenha citado o aspecto positivo acima, o I Festival de Música Barroca de Alcântara me remeteu a muitas reflexões sobre gestão cultural.

A Equinox do Brasil atua com a promoção de algumas cidades históricas brasileiras estabelecendo roteiros de eventos musicais, atividades audiovisuais além do turismo histórico. Com o I Festival de Música Barroca de Alcântara, a empresa pretende inserir a cidade em sua vitrine de destinos culturais, entretanto, é necessário que exista a construção de uma estrutura organizacional local para a realização de um evento desta proporção.

Uma cidade que pretende se tornar roteiro cultural deve oferecer ao público que vai prestigiar um evento, bons serviços em hotelaria, gastronomia e todo tipo de serviço que envolve este tipo de atividade, ou seja, devem existir qualificação e capacitação profissional para garantir o sucesso do evento que pretende ser realizado.

Além de todos os requisitos elencados acima, faz-se necessário recrutar para a organização de um festival de música, uma equipe de produção (staff) que tenha conhecimento sobre música, para que enfim se possa ter uma linha de trabalho que vá garantir a integridade de instrumentos e principalmente dos músicos.

Como integrante de um grupo participante do festival tive que solicitar e enfatizar em vários momentos questões que já haviam sido asseguradas pela organização: horário para transporte, alimentação e hospedagem; durante todo o meu tempo de contato com a produção eu só enxergava dificuldades impostas pela organização. Cheguei ao cúmulo de ouvir que a água da hospedaria era de uso exclusivo dos hóspedes e que não era recomendado que nós, após uma manhã inteira de viagem, tomássemos banho.

Grupos masculino e feminino separados em quartos diferentes, era hora de se aprontar para a primeira apresentação. Chegando ao recinto percebo que já havia outra pessoa ocupando o espaço por conta da presença de vestidos e malas por todo canto. Iniciava então mais uma sessão de constrangimento: como lidar com um ambiente cheio de pertences alheios? Quem se responsabilizaria caso houvesse o sumiço de algum pertence do hóspede? A produção evidentemente despreparada, não soube responder e ainda entrava nos quartos sem respeitar a privacidade de quem tomava um banho ou se trocava.

Após alguns minutos na referida hospedaria, questionei ao mesmo staff onde eu e os demais integrantes do grupo poderíamos encontrar água, iniciava então mais um momento de justificativa; iniciei então o meu discurso de convencimento pra que todos pudessem ter acesso a água potável. Depois de certo tempo, foram cedidas algumas garrafas de água com um contragosto evidente no rosto do staff.

Depois de toda esta série de inconvenientes com a organização do evento eu, assim como muitos outros, me encontrava cansado físico e mentalmente; aquilo que era pra ser prazeroso havia se tornado um grande transtorno, mas ainda assim a tarefa foi cumprida, levamos música a quem realmente interessava: o público.

O retorno pra casa seria melhor – era o que todos pensavam otimistas - quando mais uma vez um membro da produção informou que em vez de retornar de ferry-boat conforme acordado anteriormente, retornaríamos em uma lancha atravessando a baía de São Marcos em um horário excepcional às 21h.

É de conhecimento de todos que utilizam embarcações que, todo tipo de movimentação na baía se encerra antes das 18h por questão de segurança; como é de conhecimento também de quem utiliza este transporte, a influência dos ventos na navegabilidade no período que corresponde aos meses com terminação em ‘BRO’ (setembro, outubro, novembro e dezembro); Por este motivo o clima de tensão era notório.

Como era de se esperar, todos foram obrigados a retornar nesta lancha caso quisessem voltar para São Luís ainda no sábado. Sem alternativa e não querendo recorrer ao serviço da hospedaria hostil, todos embarcaram. Foram aproximadamente 50 minutos de mar revolto, à noite em um horário, repito: incomum e inseguro para a viagem.

Fica aqui todas as minhas considerações pro Grupo Equinox e toda equipe executante do festival para que se qualifiquem e que busquem orientação qualificada e principalmente que sejam atenciosos de maneira igualitária com as atrações da terra, porque o respeito deve prevalecer sempre.

Atenciosamente,

Saulo Galtri
Jornalista e Estudante de Música

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

RECORTE EM FOCO

Achava aquele trabalho desgastante, como todo serviço o é sempre que a pessoa tem certeza de que não nasceu para aquilo. Mas a hora dela ia chegar, pensava esperançosa, entre uma tarefa e outra.

A vantagem do trabalho mecânico é que você não precisa pensar. Se você encara isso pelo ângulo de que não é obrigado a pensar muito no trabalho enquanto o executa, é mesmo uma vantagem.

A tal moça estava em horário de expediente. Parada na porta da loja de shopping, estrategicamente posicionada entre a vitrine – entendamos: sem tapar a visão dos produtos expostos – e o canto da porta de entrada da loja – sem atrapalhar o trânsito de clientes que entravam e saiam do estabelecimento.

Custei a entender que era uma funcionária. Acho que detive meu olhar na moça porque enquanto esperava na fila do quiosque de sorvete em frente a loja, notei que vestia roupas de corte quase infantil. Uma espécie de macacão jeans azul escuro com uma calça legue cor-de-rosa por baixo.

Já ia desviar o olhar quando a mágica aconteceu. Uma senhora com uma criança de colo se aproximou para espiar a vitrine. Os olhinhos do bebê encontraram os da moça de uniforme, até poucos instantes atrás perdidos entre passantes e sorvetes. O braço esquerdo da moça, até então oculto para mim, ergueu-se em direção ao bebê mostrando-lhe um grande balão cor-de-rosa. A criança sorriu e espalmou a mãozinha na bexiga. Por uma fração de segundo, o sorriso da moça teve a mesma cor que o da bebezinha.

Gosto de pensar que houve uma ligação ali, fugaz, mas seguramente doce. E no momento seguinte, a moça estava só novamente, parada no mesmo lugar, o olhar distante.

A fila do sorvete era devagar, mas eu quase apreciei que aquele momento passasse em câmera lenta. É que fixei o olhar na cena e assisti a uma sequência inestimável. A moça entrou na loja e voltou em silêncio, com outro balão na mão. Pouco depois entregava-o sorrindo a uma garotinha que arriscava os primeiros passos naquele corredor. Viu-a se afastar com o balão, o andar cambaleante, refletiu um pouco e tornou a entrar na loja. Retornou pouco depois com um balão azul, que dessa vez foi entregue a um menino grande o suficiente para se aproximar dela, pedir o balão com os olhos e um mover de sobrancelhas e soltar um obrigado entre risos, os olhinhos vidrados na bexiga de ar.

Aproximei-me de receber meu sorvete e a vi pela última vez: dois balões dessa vez, rosa em uma mão, laranja na outra.

Não cheguei a ver os sorrisos que geraram, pois a essa altura eu já seguia o sentido oposto, entretida com o sorvete, mas não o suficiente para deixar de pensar comigo sobre o que acabara de presenciar.

É que a vida é encanto e a mágica que nossos olhos são capazes de captar mora no segundo em que nosso coração se aquece.

Talvez a moça não tenha nascido para o comércio, mas sim para ser encantadora de balões coloridos que atraem crianças e sorrisos.

É que a gente custa a descobrir para que nasce e às vezes, quando não é levado a pensar muito, passa pela vida sem descobrir.

Por ora, torço para que a moça dos balões veja o próprio reflexo na vitrine da loja em frente e una ao olhar até então perdido, esse sorriso que colore o dia e encanta silenciosamente crianças.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CINEMA EM FOCO


“O Palhaço”: porque a vida precisa encantar para fazer sentido

Ao final dos 90min de exibição de “O Palhaço” solidifiquei um pensamento que vem se formando a algumas semanas em minha mente: a vida não precisa de grandes explicações, mas precisa encantar para fazer sentido. Parece contraditório, mas não o é de todo. É que em algum momento da vida qualquer um de nós pode passar pela crise existencial que acomete Benjamim, o palhaço que fora do picadeiro é melancólico, pensativo, triste. O personagem não tem carteira de identidade, mas isso é só uma metáfora para a busca que Benjamim empreende a fim de conferir sentido a própria existência. E é nessa fase que nos damos [ou devemos dar] conta de que alguns significados em torno da vida são muito pessoais e cabem somente a nós conferi-los. Como uma combinação interna mesmo, isso de se acertar consigo mesmo.

No filme, Benjamim (Selton Mello) é o palhaço Pangaré, que viaja pelo país junto com a trupe do Circo Esperança e atua ao lado do pai Valdemar, o palhaço Puro Sangue (Paulo José). Aos poucos, a rotina de pendências do circo fora do picadeiro vai mexendo com Benjamim de modo que as dificuldades em manter o circo em atividade começam a pesar sob os ombros do palhaço. O questionamento que conduz o filme é silencioso e nos aparece através dos olhares que o personagem lança às pessoas, às coisas, ao que ouve e quando é incitado a falar, como um conflito interno que passa a habitar o peito de Benjamim e o leva a querer procurar outra forma de vida. Como se fosse necessário sair do universo que habitamos para enxergá-lo de longe e perceber o que realmente nos falta e nos é essencial.

É com um enredo simples, sem grandes embates entre os personagens, que “O Palhaço” comove, porque ao meu ver é uma singela pintura da vida, essa trama cheia de altos e baixos, risos e choro, certezas e incertezas e conexões das mais imprevisíveis. Nesse sentido, vale destacar a decisão acertada da direção de não promover no filme reviravoltas fantásticas em busca de arrematar a trama com um incrível final feliz alcançado por alguma lição de moral. Fora a produção do filme em si, com participações especiais que conferem ar de agradável surpresa às cenas que seriam triviais, como quando a trupe tem de ir à delegacia prestar esclarecimentos ao delegado e quem nos surge por trás da cadeira é um Moacyr Franco felinamente caracterizado para parecer com o gato Lincoln, cuja foto em cima da mesa compõe a cena de modo divertido. Ou quando o atendente da loja de eletrodomésticos é ninguém menos que Jorge Loredo, o eterno Zé Bonitinho. E assim, as sequências começam a arrancar risos não só mais pelo enredo, mas pelo precioso elenco que reúne e que faz parte significativamente da história do humor nacional.

E se até então falei pouco sobre o elenco é porque precisava guardar um parágrafo especialmente destinado aos atores que deram vida à essa história tão doce e comovente. A começar por Selton Mello, que dirige e protagoniza o longa dando ao Benjamim a expressão tocante de quem sorri como quem tenta espantar uma angústia muito íntima, difícil de compartilhar. Passando pelo Puro Sangue interpretado por ninguém menos que Paulo José, um dos atores brasileiros mais competentes na arte de comover, alterando a expressão do drama ao humor com muita sutileza. E a cativante trupe que reúne pessoas diferentes e que consegue pinçar da realidade personagens bem verossímeis como a mulher sedutora, mas pouco confiável, o casal leal que cria a filha com doçura, a senhora conselheira e amável, o casal jovem, cujo rapaz se deslumbra com aventuras amorosas pelas cidades em que passam e ainda os irmãos que estão sempre combinando um discurso para pedir adiantamento de salário, entre outros. O resultado é uma reunião de artistas que convivem quase como uma família e são capazes de se emocionar cada qual ao seu jeito, mas com as mesmas coisas: a partida de um dos integrantes do grupo, seu retorno e a estréia da mais nova artista.

Por tudo isso, creio que o mérito de “O Palhaço” está nos detalhes que remetem à vida real, como quando acompanhamos como as escolhas feitas por Benjamim alteram sua vida e o fazem enxergar quem ele realmente é, ensinando que o fato da vida por vezes nos escapar ao entendimento não passa de só mais um artifício para que descubramos outros olhares e significados. Porque cada um de nós traz consigo um pouco do espírito de Pangaré, esse sujeito que nasce para encantar as gentes, mas também merece ser encantado vez em quando.

Fotos retiradas do Google Images

domingo, 13 de novembro de 2011

TWITTERATURA EM FOCO


Um sarau para tuiteiros amantes de literatura



A necessidade de manifestar-se através da arte acompanha o homem desde muito cedo. Independente dos meios que o ser humano dispunha para tal, a expressão artística se transformou com o passar do tempo e hoje é notoriamente capaz de preencher qualquer espaço ao alcance da criatividade humana. Das cavernas à internet.

Mas isso não é tudo, afinal não basta dispor de um espaço, é preciso saber usá-lo, seja como produtor e/ou espectador. Intencionalmente ou não, um novo mural para a literatura surgiu nos últimos anos e com características bem peculiares que chamaram a atenção de leitores, escritores e estudiosos, estes últimos que por sua vez, debruçaram-se sobre o fenômeno que uniu a literatura – enquanto arte da palavra - a um novo espaço de difusão de mensagens na internet, o microblog Twitter.

Ensaios em Foco conversou com Renan Pacheco, um dos organizadores do II Sarau Literário via Twitter e co-autor da monografia “Twitteratura: a arte de escrever em até 140 caracteres” para saber mais sobre o evento que pretende mobilizar na próxima terça-feira, 15 de novembro, o maior número possível de apreciadores da exposição literária que o Twitter pode proporcionar.

Como surgiu a ideia de organizar um Sarau Literário no Twitter?

Renan Pacheco: O I Sarau Literário via Twitter aconteceu em junho de 2011. A ideia surgiu quando eu estava lendo os tweets literários, buscando exemplos pro meu estudo, e vi que estava perdendo muitos tweets literários por não estar online no momento em que eles foram publicados, porque muitos eu sabia que não ia encontrar. Outros dois motivos foram a vontade de me reunir com esse povo bonito do Twitter e, depois, usamos o sarau para nosso estudo.

Como foi a experiência com a primeira edição e qual a expectativa para a segunda?

R.P.:A experiência foi ótima! Nós imaginávamos '100' como um número superexcelente a ser alcançado, em número de participantes. Tivemos mais de 300, nunca na minha vida 2h passaram tão rápido, tamanho o meu prazer vendo aqueles textos curtos aparecendo aos montes no meu computador. Lembrando que alcançamos os Assuntos do Momento do Brazil, foi demais!
A expectativa pro segundo é difícil dizer. Manter as expectativas em baixa é o melhor, mas nosso objetivo é alcançar os números do primeiro, mas se não conseguirmos não terá problema.


Qual a intenção da organização em incentivar a manifestação literária no microblog?

R.P.: Intenção? Organizar o que já existe e que é muito bonito. A Literatura no Twitter (Twitteratura) existe todos os dias, nós só organizamos um dia para todos lerem e serem lidos.

Por que foi escolhido o dia em que se comemora a Proclamação da República para a realização da segunda edição?

R.P.: Como a ideia é recente, nós não tínhamos uma data. O primeiro foi lançado sem prestarmos atenção em datas, queríamos fazer o mais rápido possível. No segundo, organizamos as ideias por mais tempo, e buscamos uma data para ser fixa. Acrescentando a isso, um desejo pessoal de resgatar o amor dos brasileiros por nosso país. Lembrei de como foi no ano passado a Proclamação da República, sem nenhum tipo de comemoração (como temos no 7 de setembro). Unindo tudo isso, temos o II Sarau Literário via Twitter.

Há uma ligação entre os eventos de modo que os tweets devem fazer referência à data?

R.P.: Não, o Sarau não deve ter tema, não esse. Nós queremos uma participação em massa. Não esperamos que se crie poemas para o sarau, mas que as pessoas tweetem o que elas já tweetam, mas num horário em que serão lidas por mais gente, e poderão ler os dos outros também.

Gostaríamos que convidasses os leitores do blog para o evento e comentasses porque acreditas que esse tipo de iniciativa é importante para o estímulo à produção literária e circulação de ideias.

R.P.:Aqueles que ainda não entenderam como funcionará, ou que graça tem um sarau via twitter, não tenho como explicar. Só participando para entender como é esse evento. É único, não há nada parecido. Mesmo para aqueles que não queiram escrever, venham, leiam, retweetem, e degustem Literatura da tela do seu computador. Não há custos, como também não há prêmios. Eu e a Dani [Daniele Souza Freitas, integrante da organização do Sarau e co-autora do trabalho "Twitteratura: a arte de escrever em até 140 caracteres"] não ganhamos nada, diretamente. O que ganhamos é o que você ganhará participando: Twitteratura em quantidade, e qualidade.

Sendo assim, #ficaadica: II Sarau Literário via Twitter, dia 15 de novembro das 19h às 21h. Para participar basta compartilhar textos literários no microblog utilizando a hashtag #SarauBrasil. E o convite se estende a quem pretende somente ler a produção reunida no evento, afinal, como avisam os organizadores: "Cada RT é um aplauso!".


Para visitar o blog do II Sarau Literário via Twitter clique aqui.

Para ler a monografia "Twitteratura: a arte de escrever em até 140 caracteres" de autoria de Daniele Souza Freitas e Renan Osvaldo Pacheco clique aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

RECITAL EM FOCO

Projeto Música e Memória apresenta violonista Márcio Boás

A Escola de Música do Estado do Maranhão (Emem) e o Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM) apresentam, na próxima quinta-feira (27/10), o violonista Márcio Boás em recital de violão integrante do Projeto Música e Memória.

O recital contará com as participações especiais do tenor Saulo Galtri (Capela Brasileira) (foto à esquerda), a Orquestra de Câmara da EMEM, as bailarinas Sandra Oka e Tatia
ne Soares, além dos violonistas Mosaniel Ribeiro e Roberto Fróes.

O Projeto Música e Memória é uma parceria firmada entre a Emem e o MHAM, com recitais realizados sempre na última quinta-feira do mês no Teatro Apolônia Pinto, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão, a partir das 19:30h. A entrada é franca.

Sobre o violonista - Márcio Aragão Boás começou a estudar violão em 2003 com um violonista do seu bairro. Em 2004, matriculou-se na Escola Extensionista de Canto Coral (ECCO), no Palacete Gentil Braga, onde teve aulas de violão, teoria musical e história da música, com os professores Daniel Bertholdo, ZéliaMathias e Alberto Dantas. No ano seguinte, ingressou na Escola de Música do Estado do Maranhão “Lilah Lisboa de Araújo” (EMEM). Durante esse período participou do Madrigal da EMEM como cantor e regente (2005-2009), e da Orquestra de Violões. Foi um dos fundadores da Camerata Mohana de Violões, juntamente com Daniel Bertholdo e Adam Cantanhede. Com esta realizou várias apresentações pela cidade de São Luís, fazendo um trabalho de divulgação da música erudita e da música brasileira para a formação de quarteto e trio de violões. Como solista participou de vários recitais, desde o seu primeiro ano na escola, assim como em outros espaços de concerto da cidade. Participou do Festival Nacional de Violão do Piauí em 2009, onde participou de master-classes de violonistas renomados como Fábio Zanon, Ana Vidovic, Marco Pereira, Sebastião Tapajós e Gilson Antunes. É aluno do último período do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Maranhão, onde realiza pesquisas sobre Musicologia Histórica e Etnomusicologia. Dentre seus professores de violão, destacam-se Antonio de Jesus e Roberto Froes, sendo este último grande contribuidor para seu amadurecimento e crescimento técnico e interpretativo.

Depois de formado pela EMEM e pela UFMA, pretende conciliar a vida de pesquisador, músico solista e de grupo, com a carreira de professor de música.


O que: Projeto Música e Memória (Recital de Violão com Márcio Boás)
Onde: Teatro Apolônia Pinto (Museu Histórico e Artístico do Maranhão) - Rua do Sol, 302, Centro, São Luís-MA
Quando: 27/10/2011, a apartir das 19h30




quarta-feira, 12 de outubro de 2011

INFÂNCIA EM FOCO



"...cuidado para não desperdiçar, na criança, os bens inestimáveis cujo esplendor nunca mais conhecerá" (Célestin Freinet)


O educador francês, autor da citação acima, dizia que as crianças precisam de pão e rosas. Defendia que a educação precisa estar intimamente conectada às mentes e aos corações dos pequeninos para lhes fazer real sentido. Gosto especialmente de Freinet pelo cuidado com que sua obra, direcionada a educadores de toda ordem, fala da infância.


Neste 12 de outubro, Ensaios em Foco presta uma singela homenagem à infância. Para nunca deixarmos de alimentar o que nos resta de infantil, com pão, rosas e a poesia do que nos dizem os pequeninos.



O ônibus corta a estrada e o menino, sentado ao lado de uma senhora de meia idade, corre o dedo indicador pela janela. Imagina na verdade acompanhar com a ponta do dedo um avião que corta o céu bem lentamente. E o menino vai acompanhando o pássaro de aço escorregando o dedinho pelo vidro, a mãe alheia à cena. Subitamente ele congela, olhos fixos no voo, dedo colado ao vidro. Uma virada rápida para a mulher ao seu lado e uma pergunta certeira:


"Ali já é o céu?".

Feliz dia das crianças!

domingo, 24 de julho de 2011

FUTEBOL EM FOCO COM CAROL RIOS

Como nasce um jogador de futebol


por Carol Rios


Não é raro encontrar um pai que trace um futuro promissor para o filho no futebol. Menos raro ainda um filho que compartilhe desse sonho (pelo menos no Brasil). Mas quais serão os reais motivos dessas pretensões? O que se passa na cabeça de um garotinho que, acompanhado dos pais, se dirige a uma escolinha de futebol? Será que o sonho que ele tenta realizar realmente lhe pertence? E mais: será que os jovens que ingressam tão cedo nessa carreira estão preparados para tamanha responsabilidade?

Ultimamente podemos ser agraciados com jovens que brincam com a bola, que passeiam em campo, que nos deliciam com o futebol arte e que por conta disso, são recebidos com euforia pelos torcedores e até dispõem de fã clube. Cada vez mais cedo, esses jovens conhecem a fama e carecem do controle dos pais para que esse sucesso não “suba à cabeça” tornando-se apenas momentâneo. Então me questiono mais uma vez: será mesmo a paixão pelo futebol que move esses “profissionais”, a vontade de seguir o exemplo de um grande craque ou serão os bens materiais que essa carreira pode proporcionar que lhes enche os olhos?

O início da carreira de jogador é cheia de privações e obriga os atletas a amadurecerem cada vez mais cedo. Eles são submetidos a testes que por vezes resultam em frustrações, às vezes precisam mudar de cidade e até de estado. Ficam alojados no clube, longe dos pais e demais familiares. Além disso, há casos em que, por conta das adversidades, acabam optando por abandonar os estudos, fora aqueles que “mentem” a idade (o famoso “gato”) para que sejam aceitos. Tudo isso em prol de um sonho que, acredito eu, vai muito além de jogar bola e ser reconhecido, é o desejo de viver dignamente. É um direito legítimo, mas acredito que existam algumas questões pontuais que precisam ser analisadas para que esse desejo e essa carreira continuem saudáveis.

Embora o prazer de estar em campo, o privilégio de enfrentar ou defender a mesma camisa de um grande jogador e o sonho de defender a seleção estejam presentes em boa parte das falas dos jovens craques, estou inclinada a acreditar que o que move esses atletas é, principalmente, o desejo de ascender socialmente. Não condeno este tipo de pensamento, é natural que a pessoa queira melhorar sua condição e proporcionar uma vida mais confortável para seus familiares, mas o que me causa estranheza é o momento em que esse desejo se torna soberano sobre todos os outros. Mais lamentável ainda quando isso contribui para uma espécie de arrogância do atleta.

A princípio são os pais que detêm maior controle sobre essa questão, cabendo a eles orientar o filho, jovem atleta, mas os clubes também devem ter sua parcela de contribuição. Uma situação problemática é quando a renda do filho (ainda menor) excede a dos pais, e esse passa a se sentir pressionado e aqui é preciso muito discernimento dos “orientadores”. É importante também que os pais não negligenciem a educação, que também deve ser objeto de incentivo por parte de clubes, empresários e mesmo governos (nas escolas, por exemplo, condicionar uma bolsa de um atleta ou a participação num time a um bom desempenho escolar). É preciso, ainda, cuidado com a exposição da mídia e acompanhamento médico do atleta (psicólogo, nutricionista, etc.). Em síntese, é essencial que o atleta tenha conhecimento de seus direitos e deveres, ele deve ter consciência de suas responsabilidades, deve se reconhecer enquanto profissional. Esta é a base do atleta, logo, sua carreira está condicionada a ela, seu comportamento é moldado aqui e dependendo de como se dá esse processo ele se tornará mais suscetível ou não à ganância.

O que defendo é que os torcedores têm o direito de ver jogadores dedicados, identificados com o clube, que realmente “suam a camisa” (profissionais compromissados). Por que não desenvolver esse sentimento em nossos atletas? Lanço, ainda, uma última pergunta: Será mesmo o Brasil o país do futebol, apesar do recorrente desejo de nossos atletas de construírem sua carreira fora do país e de por vezes se encontrarem desassistidos em sua terra natal?



Saudações Coloradas! :D
Agradeço a sugestão do tema a Cath Rios e Jonas Neto

terça-feira, 19 de julho de 2011

MÚSICA EM FOCO

Geração Nova Bossa – Qualquer semelhança é mera coincidência.

Por Talita Guimarães

Um cantinho, um violão. Som baixo, que canta o sol, o céu, o mar e não escapa à poesia dos apaixonados. O cenário das cantorias e composições advindas da Bossa Nova é incontestável. O gênero, que comemorou 50 anos recentemente e em 2011 celebra os 80 anos de João Gilberto, um de seus ícones mais representativos, influenciou profundamente a música brasileira e se mantém como referência para muitos artistas ainda hoje.

A presença de elementos bossa-novistas, como os citados acima, foi a primeira referência que me veio à mente quando entrei no Teatro Alcione Nazareth na noite de 9 de julho, um sábado. O palco havia sido transformado em uma sala de estar, com direito a sofá, poltrona, mesinha de centro com flores e livros, uma jarra de água e seis taças. Em cada cantinho, sim, tínhamos violões. Mas havia também uma bateria e um teclado. Cenário montado para a apresentação do grupo musical formado pelos jovens Phill Veras, Marcos Lamy, Hermes Castro e André de Queiroz, ou simplesmente Nova Bossa.

No quarteto todos tem 20 anos de idade e compartilham uma amizade que nasceu em função do gosto em comum pela música. “Qualquer outra razão pra que fiquemos juntos parece pequena perto do que a música significa pra gente, nossa amizade é baseada na música, a gente se conheceu por causa disso”, afirma Marcos Lamy explicando que a essência da Nova Bossa é a música.

No repertório, predominantemente autoral, surgem canções com referências vocais e de conteúdo que bebem na fonte do movimento da década de 50, mas com um novo olhar, adequado aos anseios e ao jeito de ser da juventude atual. Em entrevista dada na época do I Mulambo Festival, a banda informou que o processo de composição parte da necessidade de expressar o que se sente. Quanto aos temas que mais os motivam a compor, Lamy pondera: “Não acho que exista um tema, às vezes existe, acontece da gente compor uma música querendo dizer especificamente algo e tentar fazer isso de forma explícita. Mas na maior parte das vezes o que acontece é uma ânsia de compor algo, escrever algo, sem necessariamente querer dizer uma coisa conscientemente. Esse tema, maior parte das vezes surge depois da vontade de compor, e às vezes nem surge", conta.

Amores, paixões e sentimentos poeticamente cantados estão presentes nas composições nova-bossistas, que cantadas como na “sala de casa” lembram porque o cantar baixinho virou marca da Bossa Nova – como as rodas de violão eram realizadas nos apartamentos, alguns vizinhos incomodados com a cantoria sempre pediam para que diminuíssem o “barulho”, o que aos poucos, acostumou a voz dos cantores do gênero ao tom mais baixo. Durante o show de sábado, até mesmo o comportamento dos rapazes no palco, na forma de conversar com o público, remetia a uma timidez clássica, que promoveu o ar intimista do show.

Mas se as considerações aqui expostas fazem a apresentação da Nova Bossa parecer uma espécie de tributo ao legado de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Baden Powell, João Gilberto, entre outros, é preciso cuidado, pois segundo os integrantes, não é. Apesar também do nome do jovem quarteto poder soar como influência direta, é interessante notar que a inversão das palavras sinaliza sutilmente a que a música produzida pelos garotos de São Luís veio. E de fato, se seguimos as composições do grupo, assim como o decorrer de seus shows, aos poucos vamos notando que as influências de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Los Hermanos estão bem mais presentes. Além do fato do repertório conter canções próprias que redesenham as referências que trazemos na mente, levando-nos gradualmente para a essência musical do quarteto em questão.

Ensaios em Foco destaca agora alguns dos elementos que fazem da Nova Bossa um expoente em potencial não de uma nova Bossa Nova, mas de um perfil musical que ganha corpo na cidade e retrata, ainda que sobre influências das gerações passadas, um sentimento jovem que até pouco tempo tinha sede por uma cena cultural local que atendesse às suas preferências musicais.

1. A Nova Bossa é composta por jovens de uma geração que cresceu com a presença da tecnologia, assim, a difusão de um trabalho musical não fica mais restrita às tertúlias realizadas nas salas de estar de músicos amigos ou em apresentações noturnas esporádicas em bares. A ausência de um registro fonográfico não é empecilho para a difusão das composições do grupo, que através de sites como Myspace, Youtube, Letras.uol e Vagalume, divulga canções autorais para um vasto público. Tal fato é comprovado pelo coro que acompanhou a Nova Bossa nas canções autorais tocadas no show do dia 09, no Teatro Alcione Nazareth, no Centro de Criatividade Odylo Costa, Filho.

2. As letras retratam sentimentos comuns aos jovens poetas, com recortes de amores que vão desde a idealização da mulher, passando por amores não-correspondidos, até hinos ao divertimento.


3. As influências presentes na bagagem musical dos rapazes vão além da Bossa Nova, com referências ao rock, e à MPB.


4. Estiveram no repertório apresentado no show do dia 09 canções de Belchior, Gilberto Gil, Chico Buarque e Adriana Calcanhoto.


5. O quarteto faz rodízio entre vozes e instrumentos, sem a figura de um líder ou de um único vocalista. Todos trocam de instrumentos e há espaço para vocal de todos na maior parte das canções. O único que não chegou a cantar a maior parte de uma canção foi André de Queiroz, que compensa alternando-se entre instrumentos de cordas e bateria. Em relação às vozes, Phill Veras e Marcos Lamy são os que mais cantam nas músicas disponibilizadas para audição no Myspace, mas no show de sábado, Hermes Castro teve grande participação, colocando voz inclusive em trechos que o público acostumado ao Myspace esperaria ser de Lamy ou Veras. Independente disso, o resultado que seguiu foi bastante agradável.


6. O lançamento de um cd com canções da Nova Bossa – previsto para breve, uma vez que o grupo já entrou em estúdio - virá registrar um repertório que já está na ponta da língua do público que tem acompanhado as apresentações da banda. Demonstrando que em tempos de internet e recursos avançados de difusão cultural, o registro fonográfico já não é mais o único cartão de visita da obra de um artista, mas um presente ao público que já o conhece desde seus primeiros passos.

Ensaios em Foco conversou por e-mail com Marcos Lamy que contou entre outras coisas, sobre a formação do grupo, as preferências musicais, influências e o processo de gravação do primeiro cd, além de opinar sobre o estudo de música: “Aulas de música ajudam muito porque nos dão novos recursos, mas também existem pessoas que se prendem muito a técnica e perdem de vista o aspecto artístico da música”. Entre os quatro integrantes somente Phill Veras cursa a licenciatura em Música oferecida pela UFMA. Lamy estuda Ciências Sociais, Hermes Castro, Engenharia Civil e André de Queiroz, Medicina.

1) Por que o nome “Nova Bossa”, que entre outras interpretações pode sugerir uma reformulação do gênero musical que marcou a forma de cantar de uma geração?
Na verdade quando pensamos o nome a o que nos veio primeiro foi a noção do novo e não necessariamente a relação com o estilo, muito embora seja uma influência, mas não diria que é a principal. A gente ouve muito mais Chico, Caetano, Gil do que Tom ou Vinicius.


2) Considerando a formação musical de cada integrante do grupo, quais os artistas ou estilos musicais com os quais vocês mais se identificam e tomam por referência para formar o que hoje é a essência da Nova Bossa?
Nossa intenção é ter como referência qualquer coisa que nos agrade, a gente ouve muita coisa nova, vive conhecendo bandas e estilos, mas é claro que existem alguns artistas que foram muito importantes nas nossas vidas, tanto no aspecto musical quanto em outras mil coisas. Artistas como os que eu já citei, ou Beatles, Cazuza, Djavan, Los Hermanos, são artistas que mudaram nossa vida de várias formas, mas existem mil outras coisas que escutamos menos mas que são importantíssimos pra nossa musicalidade.


3) A concepção da apresentação feita no sábado, 09, no Teatro Alcione Nazareth, teve como proposta aproximar o público do lado mais intimista da Nova Bossa, em uma apresentação que tivesse mais a “cara” do grupo, como você explicou durante a apresentação. Podemos entender que o cenário do show buscou retratar uma Nova Bossa mais à vontade com a própria musicalidade - preferências e escolhas?
Sem dúvida, como eu disse no show a gente se limita muitas vezes a fazer um repertório de musicas que nos agradem e agradem o publico do show especifico. Nesse ultimo show a gente resolveu tocar todas as musicas que a gente costuma deixar de fora, e fazer muitas musicas só voz e violão, porque na verdade nós não somos uma banda muito de estúdio, a gente gosta de fazer musica com banda, mas não acho que sejamos isso essencialmente, acho que um violão e algumas vozes é muito mais a nossa cara.


4) Realizar um show em teatro, para público sentado, como o do dia 09, é diferente de tocar para “animar”, ainda que o repertório autoral da Nova Bossa passeie bem entre as canções mais lentas e as mais animadas, como “Deixa vir o verão” ou “Vida vingará”, por exemplo. Qual formato de show vocês mais gostam e qual retrata melhor o conforto da banda em relação ao próprio repertório?
Como eu disse acho que tocar sentado contempla melhor nosso repertorio, mas também é muito bom tocar com banda em pé, é uma energia diferente, até o reconhecimento parece mais explícito.


5) Havia ali uma representação de uma sala de estar. Vocês costumam se reunir para tocar e cantar nas residências dos integrantes do grupo?
Sempre, é assim que compomos, é assim que muitas vezes ensaiamos e foi assim que a banda se formou.


6) Como tem sido a experiência com a gravação do cd? Podem adiantar algo sobre a seleção das canções, quantas faixas entrarão e a previsão de lançamento?
Gravar um cd é muito bom, mas também muito cansativo. A gente tem um produtor (Adnon Soares) que é muito bom e torna as coisas bem mais fáceis e prazerosas, pois não imagino como seria fazer o arranjo de algumas músicas sem ele. O cd vai ter 18 músicas entre elas “Deixa vir o Verão” e “Ao deixar”, mas ainda não tem previsão de lançamento.


7) Em 2010, a Nova Bossa abriu o show da Garibaldo e o Resto do Mundo e participou do I Mulambo Festival, que contou com atrações locais e o show da pernambucana Mombojó. Como vocês enxergam o espaço para a Nova Bossa na cena cultural ludovicense, do surgimento da banda até o momento atual?
Acho que ainda somos um grupo muito no começo, mas estou feliz com nosso progresso já temos um publico que acompanha sempre, que por mais que não seja muito grande da pra encher nossos shows e ajudar bastante na publicação das nossas coisas, além disso é um publico muito carinhoso com a gente e próximo, que faz questão de acompanhar todos nossos passos. Em relação ao reconhecimento dos músicos daqui, ainda tem muita gente que não conhece, mas vários dos que conhecem nos dão muito apoio.


8) Como conciliam os estudos com a música? Nenhum de vocês teve interesse em seguir faculdade de Música?
O Fellipe faz o curso da UFMA, e o resto de nós tem também interesse em estudar música, mas não acho isso essencial, que fique claro que isso é um opinião minha e não da banda, acho que aulas de musica ajudam muito porque nos dão novos recursos, mas também existem pessoas que se prendem muito a técnica e perdem de vista o aspecto artístico da música.

E quem tiver interesse em conhecer o som dessa turma, basta acessar o myspace ou o canal no youtube. Para quem não quer perder a próxima oportunidade de ouvi-los ao vivo, aí vai a dica: dia 23 de julho, a partir das 20h30 acontece no Espaço Let It Beer a prévia do II Mulambo Festival, que desta vez recebe Marcelo Camelo acompanhado da banda Hurtmold no palco principal e contará com os shows da Nova Bossa, Pedeginja, Garibaldo e o Resto do Mundo, Farol Vermelho, Djalma Lúcio e Dj Alladin na área externa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

JORNALISMO EM FOCO

"Nada é tão exaltante como um canteiro de obras, sobretudo se nele se constroem homens." (Célestin Freinet - educomunicador francês)


Chegou ao fim, caros leitores, a saga acadêmica em prol da graduação. Colei grau no último dia 28 e desde então sou Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. A defesa da monografia aconteceu no dia 17 de junho, ao lado do amigo Saulo Galtri com quem desenvolvi o trabalho “Educomunicação e Intervenção Social: análise das práticas educomunicativas do Programa Mais Educação”. A apresentação contou, obviamente, com a presença da nossa querida orientadora, a Profª Msc Josenilma Dantas e com uma banca formada pelos prezados professores Flávia Moura (UFMA) e Erick Brito (Fac São Luís) que nos assistiram atentamente e por fim fizeram observações críticas e muito construtivas sobre nosso trabalho. Obtivemos aprovação com a nota 10.

Mais antes disso tudo, não posso desprezar os eletrizantes acontecimentos que nos encaminharam a uma gratificante conclusão do curso - em um histórico rápido: mudança no projeto de pesquisa, dificuldades em obter livros, assalto à mão armada com direito à meliante invadindo a casa da orientadora durante uma reunião em que revisávamos o texto e levando nossa mono no notebook da professora, crises nervosas (minhas) com o prazo, dificuldades em campo para obter informações, entre outras coisinhas que agora parecem distantes, finalmente vencidas.


Por tudo isso, monografar foi uma das experiências mais enriquecedoras, mas também difíceis e desgastantes, que já tive. Todo o processo de produção, desde a escolha do tema, passando pelas leituras que pareciam intermináveis, as discussões sobre os rumos do trabalho, além da redação, revisão e pesquisa de campo ensinaram muito e não somente sobre o campo estudado – educomunicação – mas principalmente sobre a comunicação como interação humana capaz de nos aproximar e afastar das pessoas. Desenvolver um trabalho de conclusão de curso é testar nossa capacidade de manter o foco em um objetivo pessoal, mas que afeta diretamente todos aqueles que nos amam e se preocupam conosco, além de todas as pessoas que nos cercam.

Aprendi muito com os teóricos da comunicação, psicologia, educação e educomunicação lidos no último ano. As leituras são indispensáveis. Mas não são a única forma de desenvolver um bom trabalho e de crescer profissionalmente. O contato humano ainda é o meio mais engrandecedor de aprendizagem. Tanto no tema pesquisado quanto no cultivo dos relacionamentos. Afinal, o contato mantido com o amigo com quem desenvolvi a monografia, com a orientadora, com os entrevistados, os amigos, a família e os colegas de trabalho durante os últimos meses sofreu nítida alteração e ensinou muito sobre amor, amizade, paciência, tolerância, respeito, fé e confiança.

O contato diário com Saulo para as leituras compartilhadas e a redação da mono me incluiu na rotina de sua casa, com sua mãe e na dele em minha casa, com minha família. Foram muitos fins de semana totalmente destinados à produção, que além de importantes para o trabalho, fortaleceram a amizade com Saulo. Afinal, a gente passa a gostar mais das pessoas quando as conhece melhor por um simples motivo: o convívio e o enfrentamento de obstáculos nos ensina sobre companheirismo e torna-nos capazes de entender, respeitar e admirar as pessoas. Isso é o que há de mais bonito nas relações humanas pautadas pela comunicação saudável, que sabe que silenciar e observar também é uma forma de comunicar e absorver informações que constroem conhecimento.

Com a orientadora, tive a satisfação de contar com a voz da experiência profissional, que se dispôs a nortear todo o nosso trabalho e esteve sempre ao nosso lado, ensinando muito e abrindo nossos olhos para os percalços. Jô buscou sempre nos alertar do quão importante é saber equilibrar sonho e realidade. Sonhos para seguirmos acreditando no caminho que queremos seguir. Realidade para enxergar que nem sempre as coisas são como queremos e existem muitos deveres a serem cumpridos antes dos resultados que desejamos.

Antes que este texto se transforme em uma nova versão dos agradecimentos do TCC, gostaria apenas de dizer que a tão almejada formação profissional – principalmente em Jornalismo – só se solidifica de fato quando há uma harmonização entre nossos valores pessoais e o conhecimento específico da profissão que escolhemos. Primeiro porque precisamos acreditar em nossas escolhas para trabalhar incansavelmente em nosso ofício de formação e segundo porque o profissional que buscamos ser nada mais é do que nós mesmos – cidadãos - dando nossa contribuição às pessoas da sociedade em que vivemos e ajudamos a construir.

Com a conclusão da graduação chega ao fim um ciclo importante sim, mas que não encerra a busca por conhecimento. Pelo contrário, abre caminho para desafios maiores, cujos sonhos flutuam mais alto, ainda que sigam sutilmente ligados a um fio que os [e nos] conecta a realidade.


Ensaios em Foco - O blog não foi atualizado em junho porque todas as atenções estavam voltadas para a conclusão do curso, com a apresentação de resumo do TCC na Semana de Comunicação da UFMA, defesa pública da monografia e colação de grau.


A partir deste mês de julho, volto a postar com mais frequência, tendo prevista a atualização da coluna Futebol em Foco com Carol Rios e uma colaboração de Gildson Souza, além de uma postagem especial sobre música com direito a entrevista. Aguardem mais um pouquinho e continuem conosco!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CAFÉ LITERÁRIO EM FOCO

"O riacho da infância corre ainda
pelo chão da memória e nele banho
uma saudade que me vem infinda [...]"



(Versos do livro "De lavra e de palavra ou Campoemas" de José Chagas)





Na última terça-feira de abril (26), o Café Literário promovido pelo Centro de Criatividade Odylo Costa, Filho homenageou o poeta José Chagas. A ocasião, nobre pela iniciativa, contou com a presença do homenageado, os comentários de Sebastião Moreira Duarte que analisou a produção poética de Chagas e toda a expressão de Leda Nascimento que declamou poemas do livro “Os Canhões do Silêncio” (1979).

Quando foi convidado a falar, o poeta que assistia a tudo atentamente, soltou uma das frases que mais repercutiu nos dias que seguiram ao Café. Chagas avisou ao público que a versificação não o interessava mais e que por isso não publicaria mais poemas. Aproveitou então a oportunidade de estar em público para declamar poemas inéditos, cujo interesse em vê-los publicados não pareceu mais ser prioridade.

Eu, que gosto bastante de sua obra, entendi o que o poeta quis nos dizer: o poema não é importante, mais vale viver a poesia. Eis aqui justamente um dos motivos que me fez gostar de Chagas desde a primeira vez que o li. Suas crônicas carregam histórias cuja percepção que as concebe é poesia pura e a palavra ali é – pra mim – a forma que o poeta encontra de compartilhar a poesia que capta no ar e sente transbordar. E se na prosa, já é possível sentir a veia poética de José Chagas, quando conhecemos seus versos, percebemos se tratar de um poeta nato, cuja obra comove e inspira.

Hoje, aos 86 anos, Chagas avisa não querer mais o poema e é voltando à infância que ele tem o cuidado de se justificar, contando ao público presente no Café Literário, que quando criança costumava viver a poesia muito antes de conhecer a palavra. Pois bem, agora o poeta volta a viver a poesia e somente a poesia. Ensina com isso que é preciso retornar ao momento de admiração com o mundo, permitir-se sentir as emoções da vida, observar o luar, as estrelas, o pôr-do-sol e tudo aquilo que sabemos alimentar os bons e velhos poetas.

Aplaudimos sua fala, sorrindo para sua sinceridade e constatando que seu ar sereno deseja contemplar a poesia. Concordamos até. O poeta vive e isso basta. Ainda assim penso que agradecer não é demais, àquele que não só vive a poesia como dedicou boa parte da vida em compartilhá-la, usando a palavra que hoje dispensa, mas que graças a ela os une à sua percepção poética, sensível, certeira.

Porque mesmo que todos possamos viver a poesia, nunca será demais, muito menos dispensável, sentir a vida que pulsa nos poemas de José Chagas.



"Ninguém ouvia/ o pedido das pedras/ o clamor das ruínas/ no silêncio magoado dos dias [...]"



"Ninguém é futuro/ tudo já é passado/ e o tempo é um muro/ que só dá para um lado [...]"



"[...] está só sentindo/ a emoção interna/ de um cantar infindo/ que jamais se externa [...]"



"Talvez um sonho grave/ essa voz de prece/ que de tão suave/ no ar se esvanece [...]"



"E o silêncio exerce/ seu papel de mito/ servir de alicerce/ ao que não foi dito [...]"



"Cada um atravessa a si mesmo/ para o outro lado do tempo/ pois toda pessoa é uma travessia/ entre o hoje e o ontem [...]"



" [...] que olho sem memória/ não avista senão/ a forma ilusória/ da própria visão [...]"



"Nunca se sabe/ onde se acha/ o vento/ quando ele não se acha/ no seu ofício/ de soprar [...]"



"Quando tudo está em silêncio/ é difícil dizer se o tempo/ é feito de som ou se o som/ é que é feito de tempo"



"[...] porque o silêncio é em si mesmo/ a pura harmonia da vida/ e o pior cego/ é o que jamais/ percebe isso [...]"



"Ver é ouvir/ olhar é sentir a orquestração/ do que nos contorna [...]"



(Versos do livro "Alcântara - Negociação do Azul ou A castração dos anjos")

quinta-feira, 21 de abril de 2011

JORNALISMO EM FOCO

Sobre o que realmente deixamos a desejar

- Considerações sobre uma crítica midiática que sinaliza o exercício que falta aos estudantes de jornalismo.

por Talita Guimarães

Não raro esbarramos em pessoas que mesmo nunca tendo cursado faculdades de comunicação, afirmam-se críticas da mídia, sobretudo do jornalismo. Acusam veículos de comunicação de manipuladores da realidade, julgam as reportagens tendenciosas, chamam jornalistas de seres despidos de ética profissional. Ao lançarem suas críticas à imprensa, mostram-se pessimistas em relação aos meios. Não crêem em jornalismo-verdade.

Tudo bem. O mundo não é mesmo um amor e o jornalismo tampouco merece ser inquestionável. Concordemos que a crítica seja necessária. Mas tenhamos calma. Alguns críticos simplesmente apelam para os mesmos argumentos. Batem numa tecla que o jornalista e sociólogo Perseu Abramo no ensaio “Padrões de manipulação na grande imprensa” advertia: “Não é todo material que toda a imprensa manipula sempre” (2003, p. 25). Com razão, não é. E pessoalmente, não aplaudo criticidade quando consigo perceber que não passa de uma desconfiança apoiada em argumentos de senso comum. Apoio sim que a população seja mais crítica com o conteúdo que recebe, mas com bom senso. E convenhamos que taxar toda uma classe profissional de sem ética não tem nada a ver com ter bom senso.

Apesar disso tudo, vislumbro o motivo que impulsiona algumas dessas pessoas a olharem com tanta desconfiança para a imprensa. E desde já esclareço que não embarco na onda de pôr todos os jornalistas no mesmo barco dos sem ética, mas reconheço que há uma turma que nem sempre se porta com humildade. E aqui cabe explicar o porquê. Desde meados do curso de Jornalismo - cujo período regular de aulas concluí em dezembro passado e agora trabalho “apenas” na monografia - senti falta de um exercício que testasse minha capacidade de atuar como jornalista e me desse alguma segurança em começar a trabalhar. Tudo porque falava-se muito em especialista de generalidades e isso tinha o perigoso potencial de incutir nas cabeças dos estudantes que éramos à época que podíamos mesmo falar sobre tudo. Uma vez jornalistas detentores de um arsenal de técnicas de produção estaríamos gabaritados para passear por qualquer área do conhecimento. Teríamos o poder de reelaborar discursos científicos tornando-os compreensíveis, acessíveis a toda a população. Cumpriríamos a nobre função de esclarecedores da realidade. O ideal iluminista de esclarecimento dos fatos estava no papo.

Salvo o alerta sutil de que teríamos que pesquisar sobre alguns assuntos antes de discorrer sobre os mesmos, o que realmente parecia fixar do discurso todo era a parte de que ainda podíamos tudo.

Não por acaso, fui uma estudante encucada com essa facilidade em percorrer todo tipo de assunto. Mais por medo de não dar conta do que por detectar uma falha grave na grade curricular do curso, comecei a questionar se a formação que recebia realmente me assegurava o título de especialista de generalidades, porque pessoalmente não conseguia acreditar que fosse realmente conseguir trabalhar com desenvoltura em algumas áreas. Fora que tinha interesse em aprimorar as habilidades que possuía em um campo com que me identificasse, delimitando uma única área de conhecimento para explorar o máximo que pudesse.

Quando minha monografia finalmente ganhou forma e o raciocínio estabelecido se desenhou claro à minha frente, enxerguei um exercício que faltou a mim e aos meus colegas de curso. Nunca fomos questionados quanto à forma como apreendíamos o mundo. Quem éramos, quais as referências, vivências e experiências que carregávamos conosco, que interesses e anseios tínhamos em relação à profissão. Questões que hoje saltam claras como saberes necessários à prática docente – que entendi graças às leituras de algumas obras de Paulo Freire – e que mais do que lançados sob nós, podiam ter surgido na sala de aula ou na fala dos professores ou ainda como estalo nosso para indagar durante os incontáveis debates travados em aula, quando os aspirantes a especialistas de generalidades divagavam por argumentos rasos apoiados na concepção de que podiam opinar sobre tudo.

Na prática, não cabe reclamar a falta de quem questionasse a nossa capacidade de falar sobre tudo, quem tivesse a ousadia de desafiar nossa frágil apreensão jovem, ainda em formação. Talvez tivéssemos nós mesmos que chegar a essa conclusão. Afinal, muitas de nossas leituras nas aulas teóricas alertavam pra isso na tentativa de abrir nossos olhos quanto a nossa forma própria de apreender o mundo, perceber o que estava ao redor e sair contando por aí. Além de sabermos que nunca, sob hipótese alguma, podíamos desprezar contextos e referências que envolvessem os fatos que tivéssemos de noticiar.

Em todo caso, gostaria sinceramente que estudantes de jornalismo fossem alertados de seus limites por mensagens garrafais de boas vindas, debates acalorados durante todo o curso e discursos inflamados em congressos de platéias lotadas de focas. Nossa aptidão para o curso devia ser submetida a uma roda em que uma cadeira disposta a nossa frente exigiria que cada um de nós a descrevesse do ponto em que a via, como nas faculdades de arquitetura, quando os futuros profissionais estudam objetos sobre vários ângulos e suas capacidades de reproduzi-los são postas a prova. Porque precisamos de uma dinâmica que nos fizesse sentir o arrepio dos múltiplos olhares, do entender diferente de fulano ou de sicrano e por isso noticiar sob outro ângulo. Discutiríamos o que é verdade, afinal. Presenciaríamos o terreno minado do caminhar sobre tudo.

Porque nisso, a desconfiança dos críticos do começo do texto tem fundamento: jornalistas não podem tudo. E precisam ser alertados disso.


ABRAMO, Perseu. Padrões de manipulação na grande imprensa. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.

domingo, 17 de abril de 2011

FUTEBOL EM FOCO COM CAROL RIOS

A válvula de escape

Por Carol Rios


O futebol é uma espécie de mundo paralelo à realidade, um espaço próprio, isto é, cheio de peculiaridades; seus habitantes são os torcedores que ali são tão somente torcedores, despidos de problemas e eventuais responsabilidades do mundo terreno. Dessa forma, não há que se pensar em conjugação dos dois mundos, o que desautoriza alegações como “o time ganhando ou perdendo minha situação econômica continua a mesma” ou, ainda, “eles estão enricando e eu continuo na pindaíba”. Ora, amados leitores, torcer é amar incondicionalmente e mais: desinteressadamente! Sim, queridos, a relação “torcedor – clube de futebol” não é movida a interesses, pelo menos não no que diz respeito ao torcedor (os clubes, como bem sabemos, usam de artifícios para lucrar com a paixão do torcedor, lucros que pelo menos teoricamente são revertidos em investimentos no clube, mas isso é assunto para outro post, tratemos agora apenas do indivíduo amante do futebol).


Dessa forma, reitero que futebol é movido a sentimentos, logo, ao adotar um time o sujeito não pretende ser agraciado com fama ou fortuna, seu desejo apenas é otimizar aqueles tão esperados noventa minutos, estar ao lado de amigos e familiares, abrir uma cerveja, berrar, tirar sarro do adversário, vibrar! Que outra explicação pode haver para um Nhozinho Santos lotado apesar da estrutura insatisfatória, do constante desrespeito ao torcedor (evidente, por exemplo, na desorganização na venda dos ingressos) e da incerteza de um bom futebol dentro de campo a ser apresentado?


Torcida boliviana faz festa para receber o time a cada início de partida*


Já fiz parte desse último cenário e, independente do resultado da partida, foram momentos mágicos aqueles. Impossível não se impressionar com um público que vibrou os noventas minutos, ignorou a chuva e mais, um público que te acolheu. Daqui apreendemos duas características da esfera do futebol: a identidade e a lembrança. A partir do momento que você se intitula torcedor de determinado time você assume uma identidade e a reconhece nos demais torcedores, sendo compreensível assim que pessoas que até então não se conheciam vibrem juntas no estádio, troquem palpites, se abracem na comemoração de um gol, lamentem juntas uma falta, calculem juntas o resultado necessário para avançar para a próxima fase. Além disso, nesse mesmo cenário figura a lembrança: quando falo de momentos mágicos falo também de momentos inesquecíveis, momentos que marcam a infância, momentos ao lado dos pais, lembranças do gol do título, do craque que marcou uma geração, de um sacrífio para acompanhar um jogo ou ainda de uma história que vira motivo de riso.



Em goleada, a comemoração da torcida não tem hora para acabar*


Portanto, defendo que torcer pelo futebol é algo desvinculado de qualquer tipo de interesse, é algo que sequer pode ser mensurado. Podem ainda persistir perguntas como: Seu time foi campeão? O que você ganhou com isso? ou Você continua sofrendo por esse time? Para quê essas lágrimas? Entretanto, para mim, formulá-las não faz sentido, que dirá procurar respostas. Digo apenas que há coisas que carecem de explicação, basta vivê-las. A verdade é que, independente de interferir ou não na sua vida, o verdadeiro torcedor (o autêntico cidadão do Futebol) continuará a sofrer e sorrir pelo seu time, como bem descrevem Samuel Rosa e Nando Reis:


“[...] A bandeira no estádio é um estandarte/A flâmula pendurada na parede do quarto/O distintivo na camisa do uniforme/Que coisa linda é uma partida de futebol [...]"


"[...] Se ele [meu time] perder, que dor, imenso crime/Posso chorar, se ele não ganhar/Mas se ele ganha, não adianta/Não há garganta que não pare de berrar [...]”


(Skank, "É uma partida de futebol"/ Composição: Samuel Rosa e Nando Reis)



Saudações Coloradas! :D


Fotos e legendas: Talita Guimarães

*Torcida do Sampaio Corrêa-MA em jogos da Série D do Brasileirão 2010

terça-feira, 12 de abril de 2011

EDUCAÇÃO EM FOCO

Sobre o papel da escola no diagnóstico do bullying

por Talita Guimarães

Por ser novo na escola e não conhecer ninguém. Por ser bom aluno e não fazer bagunça com a turma do fundão. Por ser gordinho e ter fama de comilão. Por andar diferente, se vestir diferente, falar diferente, sorrir diferente, pensar diferente. Por não ser igual.

Mas afinal, quem é igual a quem?

Nada justifica o bullying. E não justifica porque o fato de ter motivação prévia não diminui o efeito em quem sofre bullying. Podemos sim, percorrer o histórico do agressor e entender os motivos que o levam a agir de tal forma. Entender quem são os homens, onde vivem e como vivem é fundamental para entender suas atitudes, mas não para justificá-las e nunca para aceitá-las como naturais, incontornáveis. Temo que as investigações amplamente televisionadas da vida do atirador de Realengo, por exemplo, alimentem a busca por justificativas para tão aterradora atitude, distorcendo fatos, disseminando preconceitos e dando margem - e ideia - para novos paranóicos.

Entendo que quando o assunto é bullying, devemos considerar um ponto primordial: quando ainda na educação básica conhecemos e entendemos quem são nossos alunos, antecipamo-nos à descoberta tardia e irremediável de um agressor. Primeiro porque o educador, em seu papel fulcral na formação do ser humano, age efetivamente na assistência escolar que cada criança demanda, sobretudo a que vive em situação de risco; segundo porque precisamos ensinar às nossas crianças que quando somos capazes de entender o outro pelo meio em que vive, passamos a respeitar suas atitudes. Ensinamento esse que mais do que coibir o bullying antecede a necessidade de entender crimes brutais, demostrando real potencial de evitá-los.

Tudo porque considero o respeito um valor que está acima da educação familiar. E que precisa sim ser reforçado com discussões na escola, principalmente porque cada família ensina sua criança a se portar e pensar de determinada forma e é na escola que todas essas formas entram em conflito pela primeira vez. Onde as crianças se deparam cara a cara com o diferente e assumem posteriormente papéis de agressor e vítima.

Sugiro que no lugar de repreender o estudante que implica com o colega, o educador se posicione no sentido de mostrar àquele agressor em potencial que não existem motivos aceitáveis para perseguir quem quer que seja. Acredito que o professor sensível – e que trabalha em condições decentes - transforma imprevistos em conhecimento. Aproveita o fato de ter um aluno acima do peso para convocar a família e trabalhar educação alimentar dentro da escola, com todos. Descobre as habilidades do tímido e o enturma ao grupo. Promove inclusão, consolida a cidadania.

Nada disso é sonho, paixão, utopia. Exemplos de educação vitoriosa pelo país não faltam. Cabe a nós, cidadãos, arregaçarmos as mangas, tomarmos partido e agirmos em prol de uma educação plena, exigindo do governo o suporte necessário a uma educação pública de qualidade e dos inúmeros profissionais formados todos os anos, um trabalho compromissado. Só dessa forma alcançaremos o patamar da educação que transforma a sociedade hipócrita, sensacionalista e doentia que temos, em uma comunidade verdadeiramente humana.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CULTURA EM FOCO


Ensaios em Foco recebe mais uma vez a colaboração de Gildson Souza, que retorna ao blog para falar sobre o caráter subjetivo da interpretação da produção cultural. Citando a famosa produção de Chico Buarque como exemplo, Gildson lança questionamentos sobre a capacidade que os múltiplos olhares lançados sob uma mesma obra têm de transformá-la em várias obras diferentes.


Isto ou aquilo?


por Gildson Souza


"A música é como uma filha que caiu no mundo". Essa foi a resposta do cantor e compositor Chico Buarque na ocasião em que lhe foi perguntado qual era sua intenção por trás da letra de determinada música. Uso essa pequena história para ilustrar para vocês, leitores, o que venho tratar nesse post. Muitos de vocês provavelmente já discutiram com algum amigo com o intuito de descobrir o real significado da letra de alguma música (quase sempre daquelas recheadas de metáforas e referências obscuras =P). E é sobre isso que venho tratar, desse leque de opções que algumas obras, e isso inclui não somente músicas, mas também quadros, poemas, atuações teatrais etc, causam nas pessoas que tem um contato com elas.


Sem dúvida, uma obra que causa certa "polêmica", como a que ocorre nessa discussão, chama muito mais a atenção e interesse do espectador do que algumas cujo objeto de interesse já está mais exposto, com suas devidas exceções, é claro. No entanto, o que pode vir a acontecer com uma música cujo tema foi deturpado e usado de maneira imprópria, para outros fins? (O que aconteceu com muitas músicas do Chico). Que consequências uma peça que foi interpretada de forma errônea pelo público e pela crítica pode causar? (Como o que aconteceu no caso do peça "Roda-Viva"). Com o passar do tempo e do interesse de algumas classes sociais que dominam boa parte das informações que circulam e chegam aos ouvidos da população, coisa que aconteceu de maneira muito maciça tempos atrás, essa crítica, exaltação, ode ou observação feita pelo artista que produziu tal expressão artística pode vir a se perder definitivamente.


Por outro lado, uma ambiguidade ou uma lacuna deixada pelo autor e que pode vir a ser preenchida pelo subjetivo do espectador é uma experiência que pode vir a fazer essa pessoa a formular novos pensamentos acerca da realidade. Claro que ele pode seguir a mesma lógica do autor, mas até que isso ocorra, várias e várias ideias sondaram sua cabeça de modo que, ou ele vai ampliar seu conhecimento ao ser atingido em cheio pelo raciocínio do criador da obra ou vai expandir seu conhecimento a partir das novas ideias geradas pela dúvida que a música, peça ou quadro lhe causou.


Enfim... se tratando de conhecimento e produção cultural, até errando se acerta.

domingo, 3 de abril de 2011

INTERCÂMBIO EM FOCO

Cidadã do mundo

Por Talita Guimarães

Ela tem 17 anos. É técnica em Eletrotécnica formada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão - IFMA. Atualmente cursa Engenharia Civil também no IFMA. E para quem pensa que se trata de uma jovem comum, estudante entre tantos estudantes, alertamos: não é mesmo. No currículo da goiana de Ceres-GO que já mora no Maranhão há oito anos, constam informações que a torna exemplo entre os jovens de sua idade. Características e atitudes que reconhecidas pelo Programa Jovens Embaixadores 2011 fizeram de Bárbara de Andrade César (foto à esquerda*) uma dos 36 jovens embaixadores (foto abaixo à direita*) com idades entre 15 e 18 anos de 24 estados brasileiros que partiram rumo aos Estados Unidos no começo deste ano para um intercâmbio de três semanas.


Entre as atividades em solo americano, os jovens brasileiros visitaram museus, monumentos históricos, organizações e tiveram a chance de conviver com famílias norte-americanas e outros jovens a fim de conhecer a cultura local e apresentar um pouco da cultura brasileira também em um intercâmbio bastante significativo. "Pode parecer clichê ou 'perfeito' demais para o entendimento das pessoas, mas participar do Jovens Embaixadores é uma experiência realmente marcante e divisora de águas", garante Bárbara.


Jovens Embaixadores encontram Hillary Clinton, Secretária de Estado dos Estados Unidos


Além disso, os intercambistas participaram de reuniões com autoridades como Hillary Clinton e prestaram trabalho voluntário junto a organizações locais. "Ver que existem outras pessoas além de você que se importam com um mundo melhor e que querem algo diferente do que veem diante de seus olhos é algo revitalizador, como uma força que nos impulsiona a querer continuar mudando para melhor e querer fazer a diferença", ressalta a estudante.


Quando questionada quanto ao que muda depois da experiência de representar o país em um programa de intercâmbio social, Bárbara não hesita: "Conhecer uma cultura diferente da sua te faz ver que existe um grupo de pessoas que vive de um modo totalmente diferente do seu e do que você estava acostumado a ver e isso mostra que você pode mostrar seu jeito de viver sem desrespeitar a forma como eles vivem", ensina.


Quanto ao futuro, a jovem pretende seguir com os trabalhos voluntários e os estudos."Acho que quando a gente faz uma coisa porque gosta, tem sempre um jeitinho de conciliar tudo. Gosto dos trabalhos que faço voluntariamente e espero poder disseminar esses trabalhos, poder 'contagiar' mais pessoas", afirma.

Na entrevista abaixo, Bárbara César conta ao Ensaios em Foco com bom humor e simpatia o que significa ser uma Jovem Embaixadora, desde o anúncio dos jovens contemplados passando pelo nervosismo com o embarque, a assinatura de exclusividade do uso de imagem com a Rede Globo e o aprendizado gerado pela viagem. Por fim, opina sobre a postura que os jovens brasileiros devem assumir a fim de tornar o mundo um lugar melhor.

1) Bárbara, o programa seleciona estudantes da rede pública brasileira criteriosamente. Analisam aspectos como desempenho escolar, capacidade de liderança e envolvimento com voluntariado, além, é claro, da fluência em língua inglesa. Para você, qual a importância dos jovens brasileiros terem esse perfil no cenário de desenvolvimento atual do país?

Bárbara César - Eu costumo dizer que a única forma de se conseguir alguma coisa na vida é estudando. Por isso, acredito ser de extrema importância, independentemente do cenário de desenvolvimento do nosso país, que jovens como eu estudem e corram atrás do que desejam – dentro da lei, claro. Inclusive, o estudo de uma língua estrangeira universal, como o inglês, ajuda bastante no desenvolvimento de uma pessoa, já que abre portas para um mundo totalmente diferente com culturas totalmente contrárias à sua. Já a questão do trabalho voluntário, esta deve ser uma atividade que nos dá prazer em realizá-la e nos traz felicidade ao ver o resultado positivo no final de tudo, haja vista que traz impactos sociais e por vezes econômicos para as pessoas à nossa volta.

2) Como surgiu o seu interesse em participar de projetos de responsabilidade social?

B.C. - Eu sempre gostei de ajudar as pessoas que precisam, da forma que eu posso. Acho que é impossível alguém viver isolado, é sempre bom ter alguém por perto. Se eu tenho certas habilidades que favorecem outra pessoa que não as possui, por que não ajudá-la? Dá mesma forma, o contrário. E é assim que se constrói as relações inter-pessoais. É por isso que decidi voluntariar. Hoje sou voluntária na Pastoral da Criança e no Nexa-MA (Núcleo de Ex-Achievers) e isto me traz uma satisfação imensa, além de eu ter a chance de conhecer pessoas incríveis e de habilidades admiráveis.

3) Ser bilíngue é um diferencial que conta a favor no mercado de trabalho. Por conta disso, o intercâmbio para aprimorar outro idioma é bastante procurado. Como você vê a experiência do Jovens Embaixadores do ponto de vista do intercâmbio, já que o programa vai além da imersão na língua, mas propõe uma relação mais estreita entre países.


B.C. - Deus abençoe a pessoa que criou este programa! Brincadeiras a parte, o Jovens Embaixadores é um programa extremamente eficiente quanto à troca de informações entre os dois países. Mais do que um programa de intercambio, que permite o aperfeiçoamento da língua inglesa aos estudantes brasileiros, o Programa Jovens Embaixadores faz uma ponte entre Brasil e EUA e tenta construir um relacionamento amigável e admirável entre os dois países. Tanto é que o intercâmbio não é somente daqui para lá, mas há também Jovens Embaixadores dos EUA que vêm ao nosso país e aprendem mais sobre nossa cultura e costumes.

4) Conte-nos um pouco da preparação para o Jovens Embaixadores.

B.C. - Até o dia do resultado a tensão é máxima! Nervosismo e suor frio, até que anunciam o seu nome... ou não! (eu já passei por ambas situações) Na primeira, felicidade máxima, sensação de “será que é comigo mesmo?”. É bom nem esperar a ficha cair, porque isto só vem a acontecer na hora do embarque e olhe lá! Durante o tempo tortuoso de espera do embarque, há muita coisa a ser feita! Principalmente quando se é menor de idade! Muitos documentos a serem assinados, autenticados, autorizações de tudo quanto é tipo e até contrato com a Rede Globo! Tornamo-nos exclusivos! O passaporte é o de menos. Rapidinho a Polícia Federal resolve. Quando chega na hora da entrevista do visto bate aquele nervosismo de novo, menos intenso um pouco, mas incomoda do mesmo jeito, enfim acaba ocorrendo tudo bem (afinal de contas, você está com a Embaixada dos EUA no Brasil e, acredite isto significa MUITO!). Até que você chega ao aeroporto de Guarulhos e o responsável pelas autorizações diz que deu problema na sua, que não está registrada por autenticidade. O desespero bate à sua porta, mas aí nos 45 do último tempo você acha aquela autorização do juiz que estava perdida no meio de tantas outras e aí tudo se resolve. Enfim, você se vê num vôo internacional rumo à terra do Obama.

5) Entre as experiências vividas durantes as três semanas de intercâmbio, quais foram mais marcantes para você?

B.C. - Ah, é muito difícil enumerar por ordem de preferência as experiências mais marcantes da minha vida. Posso dizer, com firmeza, que foram os 21 dias mais cheios de emoções e risadas e choros e comidas diferentes e pessoas incríveis de toda a minha vida. Mas, já que são ossos do ofício... Marcou-me muito a experiência que tivemos em um “Food Bank” em Seattle – WA. Trata-se de uma espécie de banco de distribuição de alimentos não perecíveis às pessoas necessitadas das redondezas. Voluntariamos lá e fizemos vários amigos (coisa que acontecia em qualquer lugar que íamos, risos).

6) Qual postura você considera importante para os estudantes que pretendem ser Jovens Embaixadores do Brasil?

B.C. - Acho que para ser um Jovem Embaixador, além dos pré-requisitos exigidos pelo Programa, o candidato deve ter a mente aberta para novas ideias, novos hábitos e culturas diferentes da sua, já que estar num país estrangeiro envolve tudo isso e mesmo que você não goste de determinada comida ou pense de determinada forma sobre um povo, você deve provar a comida e respeitar aqueles costumes, da mesma forma que gostaria de ser respeitado e não tentar impor seus hábitos a ninguém, mas sim tentar mostrar como as pessoas fariam no seu país, para justamente poder trocar informações e estreitar as relações entre Brasil e EUA.


Mais!

Para saber mais sobre o Jovens Embaixadores, acesse o site oficial do programa.

Para assistir a reportagem feita pelo Caldeirão do Hulk sobre o intercâmbio Brasil-EUA 2011 clique aqui.

Para conferir o relato da experiência de Bárbara César no portal do IFMA clique aqui.


*Fotos cedidas do Arquivo Pessoal de Bárbara César