terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

MÚSICA EM FOCO

Da música de brinquedo a Trobar Nova
Ensaios em Foco conferiu o mais recente álbum da banda Pato Fu e o show da turnê internacional Trobar Nova de Adriana Calcanhotto, e traz ao blog duas dicas de boa música brasileira.
por Talita Guimarães

Que Pato Fu sempre se destacou pela musicalidade diferenciada em arranjos e composições bem trabalhadas, não é novidade. Formada por Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo desde 1992, a banda apresenta a cada álbum canções arrojadas que mesclam ao rock alternativo doses certeiras de experimentação e ousadia.

No último álbum lançado, Música de Brinquedo (2010), a ousadia da banda foi o atributo que os críticos musicais mais destacaram. Por um simples motivo: todas as faixas foram gravadas com instrumentos de brinquedo. E nesse sentido, as doze canções – todas covers de grandes sucessos como “Sonífera Ilha”, “Todos estão Surdos”, “Rock And Roll Lullaby”, “Frevo Mulher” e “Love Me Tender” – agradam pais e filhos, adultos e crianças. Aos adultos, clássicos que embalaram gerações. Às crianças, grandes canções com sonoridade infantil e o divertido vocal dos pequenos Nina Takai e Matheus D’Alessandro, ambos de seis anos.

O resultado é um disco que relê canções conhecidas com aguçada sensibilidade, delicadeza e apuro musical. Além do surpreendente efeito alcançado com instrumentos de brinquedo. “Primavera” (Cassiano/Sílvio Rochael) ganhou um arranjo incrivelmente doce e com o vocal das crianças virou canção capaz de ninar sonhos de pais e filhos. Já “Pelo Interfone” (Ritchie/Bernardo Vilhena) impressiona pela semelhança com a versão consagrada na voz de Ritchie. Além do divertido andamento dado a “Ska” (Herbert Vianna), à dançante “Frevo Mulher” (Zé Ramalho) e a linda “Ovelha Negra” (Rita Lee). Além dos clássicos “Love Me Tender” (Elvis Presley/ Vera Matson), “Rock And Roll Lullaby” (Barry Mann/ Cynthia Weil), “Live and Let Die” (Paul McCartney/Linda McCartney) e “My Girl” (Smokey Robinson/Ronald White). Sim, esta última é aquela linda canção que embala os jovens protagonistas do filme “Meu Primeiro Amor”.

O mérito de Música de Brinquedo é reunir canções conhecidas dos adultos em versões que dificilmente se ouvirá por aí. Trata-se de mais um excelente trabalho musical da banda. Para quem já curte Pato Fu, vale acrescentar o álbum às preferências. Para quem ainda não conhece, ou nunca se interessou pelo trabalho da banda, Música de Brinquedo merece ser conferido.

E de um registro fonográfico que vale apreciar, passamos para uma turnê que está simplesmente imperdível. Trata-se de Trobar Nova, a turnê internacional com que Adriana Calcanhotto percorreu a Europa em 2010 e chegou aos palcos brasileiros neste início de ano. Depois de Salvador-BA e Natal-RN, foi a vez de São Luís-MA receber o show, apresentado no Ginásio do Colégio Upaon Açu no último sábado (12/02).

Acompanhada do violão do carioca Davi Moraes, Adriana Calcanhotto subiu ao palco munida de uma elegância fora de série e ao entoar os primeiros versos encantou o público que lotou o ginásio do Upaon Açu em uma noite de sábado chuvosa, mas não o bastante para encobrir o coro que acompanhou a doce voz da artista durante toda a apresentação.

Não faltam motivos para conferir Trobar Nova. Primeiro que Adriana Calcanhotto reúne uma generosa seleção de sucessos que fazem o público cantar do começo ao fim. Segundo que o ar intimista criado no show - Adriana precisa apenas de sua voz acompanhado da “orquestra” Davi Morais e uma iluminação bem colocada - potencializa a poesia contida em cada letra cantada. Terceiro que a artista conversa com o público e permite pequenos silêncios para suspirarmos enquanto alguém mais espontâneo lhe grita “Você é o máximo!” ou responde com um “Eu tô aqui!” ao verso “Onde será que você está agora?” da canção “Metade”. E se você ainda quer um quarto motivo, lá vai: a cada cidade, ela dedica uma surpresa no repertório. Em São Luís, posso dizer que “Eu sei que vou te amar” foi uma grata surpresa, assim como a homenagem a Augusto de Campos com a poesia musicada “Sem Saída”.

A verdade é que existem artistas cuja obra é capaz de nos tocar por toda a vida, ainda que nunca tenhamos estado em contato com a figura cuja arte nos inspira. Por isso, vamos vivendo à base de álbuns e recortes. Músicas ao vento. Mas quando nos é dada a chance de ouvir ao vivo canções que embalam nossas vidas há anos, vale muito aproveitar, deixando-se encantar um pouco mais pela música que a vida pode nos presentear para, quem sabe, depois sentir que é a música quem nos dá mais vida de presente.

De resto, é flutuar.

3 comentários:

Í.ta** disse...

que ótimo tu descreveres assim esses dois trabalhos. gosto muito da banda e da calcanhotto também.

beijos!

Mary Carvalho disse...

Já ouvi algumas músicas do novo cd do Pato Fu, achei a ideia interessantíssima e difícil de acreditar como eles conseguiram. Quanto ao show, não pude ir, mas imagino ter sido nota mil!

Abraços!

Gildson Souza disse...

Tenho o CD do Pato Fu aqui em casa. Muito massa ele ;)