domingo, 3 de abril de 2011

INTERCÂMBIO EM FOCO

Cidadã do mundo

Por Talita Guimarães

Ela tem 17 anos. É técnica em Eletrotécnica formada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão - IFMA. Atualmente cursa Engenharia Civil também no IFMA. E para quem pensa que se trata de uma jovem comum, estudante entre tantos estudantes, alertamos: não é mesmo. No currículo da goiana de Ceres-GO que já mora no Maranhão há oito anos, constam informações que a torna exemplo entre os jovens de sua idade. Características e atitudes que reconhecidas pelo Programa Jovens Embaixadores 2011 fizeram de Bárbara de Andrade César (foto à esquerda*) uma dos 36 jovens embaixadores (foto abaixo à direita*) com idades entre 15 e 18 anos de 24 estados brasileiros que partiram rumo aos Estados Unidos no começo deste ano para um intercâmbio de três semanas.


Entre as atividades em solo americano, os jovens brasileiros visitaram museus, monumentos históricos, organizações e tiveram a chance de conviver com famílias norte-americanas e outros jovens a fim de conhecer a cultura local e apresentar um pouco da cultura brasileira também em um intercâmbio bastante significativo. "Pode parecer clichê ou 'perfeito' demais para o entendimento das pessoas, mas participar do Jovens Embaixadores é uma experiência realmente marcante e divisora de águas", garante Bárbara.


Jovens Embaixadores encontram Hillary Clinton, Secretária de Estado dos Estados Unidos


Além disso, os intercambistas participaram de reuniões com autoridades como Hillary Clinton e prestaram trabalho voluntário junto a organizações locais. "Ver que existem outras pessoas além de você que se importam com um mundo melhor e que querem algo diferente do que veem diante de seus olhos é algo revitalizador, como uma força que nos impulsiona a querer continuar mudando para melhor e querer fazer a diferença", ressalta a estudante.


Quando questionada quanto ao que muda depois da experiência de representar o país em um programa de intercâmbio social, Bárbara não hesita: "Conhecer uma cultura diferente da sua te faz ver que existe um grupo de pessoas que vive de um modo totalmente diferente do seu e do que você estava acostumado a ver e isso mostra que você pode mostrar seu jeito de viver sem desrespeitar a forma como eles vivem", ensina.


Quanto ao futuro, a jovem pretende seguir com os trabalhos voluntários e os estudos."Acho que quando a gente faz uma coisa porque gosta, tem sempre um jeitinho de conciliar tudo. Gosto dos trabalhos que faço voluntariamente e espero poder disseminar esses trabalhos, poder 'contagiar' mais pessoas", afirma.

Na entrevista abaixo, Bárbara César conta ao Ensaios em Foco com bom humor e simpatia o que significa ser uma Jovem Embaixadora, desde o anúncio dos jovens contemplados passando pelo nervosismo com o embarque, a assinatura de exclusividade do uso de imagem com a Rede Globo e o aprendizado gerado pela viagem. Por fim, opina sobre a postura que os jovens brasileiros devem assumir a fim de tornar o mundo um lugar melhor.

1) Bárbara, o programa seleciona estudantes da rede pública brasileira criteriosamente. Analisam aspectos como desempenho escolar, capacidade de liderança e envolvimento com voluntariado, além, é claro, da fluência em língua inglesa. Para você, qual a importância dos jovens brasileiros terem esse perfil no cenário de desenvolvimento atual do país?

Bárbara César - Eu costumo dizer que a única forma de se conseguir alguma coisa na vida é estudando. Por isso, acredito ser de extrema importância, independentemente do cenário de desenvolvimento do nosso país, que jovens como eu estudem e corram atrás do que desejam – dentro da lei, claro. Inclusive, o estudo de uma língua estrangeira universal, como o inglês, ajuda bastante no desenvolvimento de uma pessoa, já que abre portas para um mundo totalmente diferente com culturas totalmente contrárias à sua. Já a questão do trabalho voluntário, esta deve ser uma atividade que nos dá prazer em realizá-la e nos traz felicidade ao ver o resultado positivo no final de tudo, haja vista que traz impactos sociais e por vezes econômicos para as pessoas à nossa volta.

2) Como surgiu o seu interesse em participar de projetos de responsabilidade social?

B.C. - Eu sempre gostei de ajudar as pessoas que precisam, da forma que eu posso. Acho que é impossível alguém viver isolado, é sempre bom ter alguém por perto. Se eu tenho certas habilidades que favorecem outra pessoa que não as possui, por que não ajudá-la? Dá mesma forma, o contrário. E é assim que se constrói as relações inter-pessoais. É por isso que decidi voluntariar. Hoje sou voluntária na Pastoral da Criança e no Nexa-MA (Núcleo de Ex-Achievers) e isto me traz uma satisfação imensa, além de eu ter a chance de conhecer pessoas incríveis e de habilidades admiráveis.

3) Ser bilíngue é um diferencial que conta a favor no mercado de trabalho. Por conta disso, o intercâmbio para aprimorar outro idioma é bastante procurado. Como você vê a experiência do Jovens Embaixadores do ponto de vista do intercâmbio, já que o programa vai além da imersão na língua, mas propõe uma relação mais estreita entre países.


B.C. - Deus abençoe a pessoa que criou este programa! Brincadeiras a parte, o Jovens Embaixadores é um programa extremamente eficiente quanto à troca de informações entre os dois países. Mais do que um programa de intercambio, que permite o aperfeiçoamento da língua inglesa aos estudantes brasileiros, o Programa Jovens Embaixadores faz uma ponte entre Brasil e EUA e tenta construir um relacionamento amigável e admirável entre os dois países. Tanto é que o intercâmbio não é somente daqui para lá, mas há também Jovens Embaixadores dos EUA que vêm ao nosso país e aprendem mais sobre nossa cultura e costumes.

4) Conte-nos um pouco da preparação para o Jovens Embaixadores.

B.C. - Até o dia do resultado a tensão é máxima! Nervosismo e suor frio, até que anunciam o seu nome... ou não! (eu já passei por ambas situações) Na primeira, felicidade máxima, sensação de “será que é comigo mesmo?”. É bom nem esperar a ficha cair, porque isto só vem a acontecer na hora do embarque e olhe lá! Durante o tempo tortuoso de espera do embarque, há muita coisa a ser feita! Principalmente quando se é menor de idade! Muitos documentos a serem assinados, autenticados, autorizações de tudo quanto é tipo e até contrato com a Rede Globo! Tornamo-nos exclusivos! O passaporte é o de menos. Rapidinho a Polícia Federal resolve. Quando chega na hora da entrevista do visto bate aquele nervosismo de novo, menos intenso um pouco, mas incomoda do mesmo jeito, enfim acaba ocorrendo tudo bem (afinal de contas, você está com a Embaixada dos EUA no Brasil e, acredite isto significa MUITO!). Até que você chega ao aeroporto de Guarulhos e o responsável pelas autorizações diz que deu problema na sua, que não está registrada por autenticidade. O desespero bate à sua porta, mas aí nos 45 do último tempo você acha aquela autorização do juiz que estava perdida no meio de tantas outras e aí tudo se resolve. Enfim, você se vê num vôo internacional rumo à terra do Obama.

5) Entre as experiências vividas durantes as três semanas de intercâmbio, quais foram mais marcantes para você?

B.C. - Ah, é muito difícil enumerar por ordem de preferência as experiências mais marcantes da minha vida. Posso dizer, com firmeza, que foram os 21 dias mais cheios de emoções e risadas e choros e comidas diferentes e pessoas incríveis de toda a minha vida. Mas, já que são ossos do ofício... Marcou-me muito a experiência que tivemos em um “Food Bank” em Seattle – WA. Trata-se de uma espécie de banco de distribuição de alimentos não perecíveis às pessoas necessitadas das redondezas. Voluntariamos lá e fizemos vários amigos (coisa que acontecia em qualquer lugar que íamos, risos).

6) Qual postura você considera importante para os estudantes que pretendem ser Jovens Embaixadores do Brasil?

B.C. - Acho que para ser um Jovem Embaixador, além dos pré-requisitos exigidos pelo Programa, o candidato deve ter a mente aberta para novas ideias, novos hábitos e culturas diferentes da sua, já que estar num país estrangeiro envolve tudo isso e mesmo que você não goste de determinada comida ou pense de determinada forma sobre um povo, você deve provar a comida e respeitar aqueles costumes, da mesma forma que gostaria de ser respeitado e não tentar impor seus hábitos a ninguém, mas sim tentar mostrar como as pessoas fariam no seu país, para justamente poder trocar informações e estreitar as relações entre Brasil e EUA.


Mais!

Para saber mais sobre o Jovens Embaixadores, acesse o site oficial do programa.

Para assistir a reportagem feita pelo Caldeirão do Hulk sobre o intercâmbio Brasil-EUA 2011 clique aqui.

Para conferir o relato da experiência de Bárbara César no portal do IFMA clique aqui.


*Fotos cedidas do Arquivo Pessoal de Bárbara César

2 comentários:

Bárbara disse...

Ahhh, ta ótimo, Talita! Valeu pelo apoio! =)

Héron Máximo disse...

Baaaaade! Você por aqui...!
(Post muito bom)