sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

MÚSICA EM FOCO


Às vésperas de mais um fim de ano (e não de mundo como muitos alardearam e outros tantos acreditaram e/ou torceram), o blog despede-se deste 2012 intenso presenteando os leitores com um dos temas que mais foram abordados por aqui nos últimos tempos: música.

Listo onze discos de artistas de épocas e estilos diferentes, mas que tem em comum uma indiscutível qualidade musical. De mestres como Baden Powell, Tom Jobim e Leila Pinheiro aos nomes promissores de uma talentosa geração atual, como Vinícius Castro, Tibério Azul e Phill Veras. De presente, alguns discos com links disponíveis para download autorizado ou audição on line. Afinal, Papai Noel tarda, mas não falha! ;)

Um ótimo fim de ano a todos os leitores e um 2013 de menos elucubrações caóticas e mais vida simples.

Continuem conosco!

Talita Guimarães

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“À Vontade” (1963) – Baden Powell

Um dos maiores mestres do violão na música brasileira, Baden Powell derrama, muito à vontade - como o título do álbum destaca - todo o seu talento sob as cordas do instrumento neste disco de 1963. Pérolas como “Berimbau”, “Consolação”, “Garota de Ipanema” e “O Astronauta” em versões que privilegiam o registro instrumental compõem  este precioso terceiro álbum de uma discografia de quase cinco dezenas de discos do mestre Baden. Para ouvir como se não houvesse amanhã.

“Tom canta Vinícius” (1990) – Tom Jobim

Grande disco gravado a vivo no Centro Cultural Banco do Brasil (RJ) em janeiro de 1990, reúne a música e a poesia do Poetinha interpretadas por ninguém menos que Tom Jobim muitíssimo bem acompanhado da voz de Paula Morelenbaum, o cello de Jacques Morelenbaum, voz e violão de Paulo Jobim e ainda voz e flauta de Danilo Caymmi. Entre os registros, “Modinha”, “Derradeira Primavera”, “Soneto de Separação”, “Você e eu”, “Eu sei que vou te amar”, entre outros. Entre uma faixa e outra, o disco conserva as intervenções poéticas de Tom no show, declamando poemas que não foram musicados. Disco para a estante dos fundamentais.

“Sem Poupar Coração” (2009) – Nana Caymmi

Dona de uma das vozes mais bonitas da música brasileira e extensa discografia, Nana Caymmi encanta mais uma vez com seu canto pungente e sentimental em seu mais recente disco: “Sem Poupar Coração”. Com a marca inconfundível de sua sofisticação, Nana percorre um repertório repleto de poesia formado por canções como “Caju em Flor”, “Sem poupar coração”, “Senhorinha”, “Diamante Rubi”, “Bons momentos”, entre outras. Emocionante.

“Aquele Amor Nem Me Fale” (2010) – Mariano Marovatto 

Mariano Marovatto tem um jeito sutil de cantar. A voz sussurrada, que confere alguma fragilidade à música com toques bossa-novistas que permeiam todo o disco, sopra de leve a poesia deste carioca doutorado em Literatura Brasileira pela PUC - Rio e apresentador ao lado de Maurício Pacheco do programa “Segue o Som”, exibido nas madrugadas de sábado para domingo na TV Brasil. Em “Aquele Amor Nem Me Fale”, Marovatto expõe sua veia musical com composições que mesclam o canto sussurrado dos mestres da Bossa Nova aos anseios da geração atual em um movimento de aparente resgate que nada mais é que a expressão de um modo de vida que nunca deixou de existir – comum à zona sul carioca - e poder ser cantado, tanto pelos cariocas da gênese do movimento bossa-novista quanto pelos músicos contemporâneos. Um disco, contudo, para ouvir devagar e aprender a apreciar.  

Para ouvir online e/ou baixar "Aquele Amor Nem Me Fale" clique aqui

“Raízes” (2011) – Leila Pinheiro

Disco afetivo e significativo para a carreira da paraense Leila Pinheiro, “Raízes” (2011) nasce da necessidade da artista retornar à sua região natal para cantar a poesia dos compositores amazônicos. As composições reunidas no disco são preciosidades musicais de uma região marcada pela natureza exuberante e inspiradora, executado com primor pela sempre excelente intérprete Leila acompanhada de grandes músicos como Marco Bosco (percussão, efeitos e programações), Paulo Calasans (teclados e programações), Petch Calasans (baixo elétrico e silent bass) e Júnior Meireles (guitarra, violões e cavaquinho). O mérito do disco está no importante registro para a música do norte do país, com a captura de sons da floresta, rituais indígenas gravados na comunidade ribeirinha Nossa Senhora do Livramento em Manaus-AM e ainda o canto de Zeneida Lima gravado ao ar livre, aos pés de uma árvore em pleno município de Soure, na Ilha de Marajó (PA). Um grande disco para a música brasileira e uma justa homenagem à cultura amazônica.

“Boa Parte de Mim Vai Embora” (2011) – Vanguart

Aguardado segundo disco da banda cuiabana Vanguart, “Boa Parte de Mim Vai Embora” extrai dos términos de relacionamentos amorosos a poesia contida na dor de precisar seguir em frente, só que desta vez sozinho. Avassalador pelo conjunto poético, o álbum foi concebido pela banda em meio às experiências pessoais do vocalista Hélio Flanders e do baixista Reginaldo Lincoln, ambos em processo de separação em seus respectivos relacionamentos. Por conta disso, as letras estão fortemente carregadas de experiências genuínas, vividas pelos músicos e muito bem interpretadas pela voz arrastada de Hélio que alonga as sílabas conferindo alguma dor aos versos, acompanhado dos competentes Douglas Godoy (bateria), David Dafré (guitarra e vocais), Luiz Lazzaroto (piano, teclados, rhodes e vocais), Reginaldo Lincoln (voz, baixo e vocais) e ainda o violino de Fernanda Kostchak. Um grande disco sobre, como intenciona a banda e cumpre com louvor, recomeços.

“Bandarra” (2011) – Tibério Azul 

Tibério Azul respira poesia. Seu primeiro disco solo comprova isso. Cantado inteiramente com o irresistível sotaque do músico pernambucano, “Bandarra” é um álbum que passeia graciosamente por temas caros ao artista, como virtudes e princípios norteadores da vida de Tibério. Ao fim de uma audição atenta, “Bandarra” – que quer dizer “caminho que vai dar no sol” – joga luz sobre ensinamentos inestimáveis acerca do amor, do trabalho, da forma de sentir a vida e a poesia pulsante ao redor. Um raro disco para iluminar caminhos.

"Bandarra" disponível para download aqui

“Jogo de Palavras” – Vinícius Castro 

Inteligente, divertido e crítico. Assim é o disco de estreia de Vinícius Castro, recifense radicado no Rio de Janeiro, que vem se destacando pelos interessantes projetos que desenvolve nas áreas de produção musical, audiovisual e literária. Co-idealizador ao lado do cineasta Daniel Terra do “Som na Sala” – canal no youtube que mensalmente apresenta um convidado especial cantando músicas inéditas em vídeos gravados na sala de estar do recifense – Vinícius é um artista versátil que compõe, canta, toca, produz e arranja. Em “Jogo de Palavras” apresenta 13 canções inéditas que brincam com os sentidos e significados de forma poética e perspicaz. Um nome para conhecer e acompanhar!

"Jogo de Palavras" disponível para download aqui.

“Breve Leveza” (2012) – Luiza Sales 

Disco de estreia da carioca Luiza Sales, “Breve Leveza” é, como o nome propõe em parte, um disco para flutuar. Mas há de se pensar sobre a brevidade do efeito da voz de Luiza sobre os ouvintes. Efeito esse que leva mais tempo do que o título do disco sugere, para se dissipar. Artista escolhida para inaugurar o selo Radio Hill Rio do produtor norte-americano Dan Garcia, Luiza Sales percorre um belo repertório composto por músicas de sua autoria e de parceiros da nova geração de músicos como Vinícius Castro e Yuri Villar, além de incluir no disco músicas em homenagem aos compositores Rosa Passos e Djavan. “Breve Leveza” é um grato lançamento do ano que finda e um grande começo para uma artista talentosa que deve crescer muito no cenário musical brasileiro nos próximos anos.

Para ouvir o disco on line e conferir vídeos de Luzia Sales, clique aqui.

“Ordinarius” (2012) – Ordinarius 

Fundado em 2008, “Ordinarius” é um sexteto vocal que se propõe, neste disco de estreia, a interpretar clássicos da música brasileira com versões devidamente pensadas para a música vocal. O resultado é um disco homônimo primoroso que privilegia grandes composições do cancioneiro brasileiro com interpretações de altíssimo nível. Entre as músicas deste primeiro disco estão “Brejeiro”, “Canto de Ossanha”, Todo Sentimento”, “Balada do Louco”, entre outros. Vale destacar que o grupo, formado por Augusto Ordine, André Miranda, Fernanda Gabriela, Gustavo Campos, Luiza Sales e Maíra Martins, foi o segundo colocado no Concurso Nacional de Grupos Vocais do Brasil Vocal, no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB/RJ. Trata-se portanto, de um dos reconhecidamente melhores grupos vocais do país.

Para ouvir o disco on line, clique aqui.

“Valsa e Vapor” (2012) - Phill Veras 

Primeiro EP do maranhense Phill Veras, “Valsa e Vapor”, produzido e disponibilizado pelo portal Musicoteca, dá uma pequena amostra do potencial deste rapaz de 21 anos – sim, pequena, diante do talento do jovem músico já demonstrado em shows solo ou acompanhado de sua antiga banda, a também talentosa Nova Bossa. Com apenas cinco canções registradas em disco, Phill desponta como bom letrista e um intérprete na medida certa das próprias composições – sabe conferir doçura e vigor às músicas como poucos nomes da nova geração. Temos aqui um artista promissor que merece a devida atenção.

Download disponível do EP "Valsa e Vapor" na Musicoteca.

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