segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MÚSICA EM FOCO

Arte é também estranhamento. Apreciar é também superar o que nos transtorna

Capa - EP "Instante"
Da primeira vez que ouvi “Instante”, EP da cantora maranhense Nathalia Ferro, não gostei. Estranhei-o da capa à voz da moça e confesso que ocupada com tal estranhamento, mal dediquei atenção às letras. Tampouco adicionei o arquivo à lista de reprodução para ouvi-lo novamente, com quem sabe melhor humor. Ocupei-me rapidamente de outros álbuns e o esqueci.

Acontece porém, que o som de Nathalia sorrateiramente tornou a me alcançar os ouvidos e eu, desarmada, aceitei-o surpresa, como se nunca o tivesse escutado antes. Assisti-a ao vivo pela primeira vez na participação especial que a cantora fez no show de lançamento do disco da Pedeginja, em novembro. Ao interpretar “Grilos”, música de seu EP composta por Paulo César Linhares (Pedeginja), tão segura chamou-me a atenção positivamente. A moça de voz incomum e interpretação cênica tem presença de palco e vivacidade no olhar. Prende a atenção. Por isso, considerei sua participação muito acertada no show da Pedeginja. Mas logo em seguida, esqueci-a novamente.

Atraída mais uma vez pela Pedeginja, vi Nathalia ao vivo pela segunda vez na dobradinha que a cantora fez com a trupe na Praça Nauro Machado pelo Projeto Praia Grande Cultural, na noite da quarta-feira 11/12. Dessa vez, para cantar músicas de seu disco, Nathalia Ferro subiu ao palco depois da Pedeginja. E novamente seu desempenho no palco me prendeu a atenção.

Resultado: depois de ouvir “Grilos” ao vivo duas vezes fiquei o que? Isso mesmo: fiquei grilada. No dia seguinte mesmo fui até o soundcloud para ouvir o disco com calma. E: gostei. Baixei-o na Musicoteca e tenho ouvido sem parar desde então, curiosa comigo mesma e a relação que podemos estabelecer com a apreciação daquilo que nos escapa a um entendimento fácil.

Não tenho certeza sobre o que exatamente me fez desgostar para em seguida, após um novo contato com a música, mudar de ideia sobre o trabalho de Nathalia Ferro, mas creio que a empatia gerada pela apresentação ao vivo tem grande parte nisso. E ter dado uma segunda chance à audição, com calma e atenção, também fez bem. Porque a arte não é só o que nos conforta ou consola através de palavras, sons e imagens belas ou suaves, muito embora eu curta muito a suavidade. Arte é também o que nos confronta, tira do eixo, mostra outro jeito de ser/pensar/agir/sentir/estar no mundo. O efeito que as expressões artísticas provocam em nós envolve muitos fatores, entre eles nossa capacidade de lidar com o estranhamento com o que por algum motivo é diferente do esperado ou se vale de códigos cujos sentidos não fazem parte do nosso repertório. E pensar que a arte transborda justamente para nos ampliar olhar e repertório. Vencida essa fase, vale apreciar o trabalho artístico ao seu modo e identificar o que agrada ou não, o que entra para a lista de preferências ou não. Com respeito, crítica e uma justificativa que faça sentido, nem que seja só para você.

Graças a possibilidade de fazer esse movimento, ressignifiquei minha relação com a música de Nathalia Ferro apresentada em seu EP “Instante” e nos shows que a moça tem feito pela cidade e agora posso comentar minha impressão de seu trabalho com mais dignidade.

“Instante” (2013) reúne cinco canções, duas delas de autoria da própria Nathalia, uma de Paulo César Linhares e duas em parceria com Rommel Ribeiro e André Grolli, respectivamente. Como compositora, Nathalia Ferro canta versos carregados de sutileza (“No instante infinito/em que eu te dei a minha mão/ construí um esconderijo/ pra onde fujo desde então” – Jardim), mas também de duras decisões (“E me satisfaz/ te negar o que em mim nasceu/ Unicamente pra ser teu./ Porque eu sou má/ E você aprendiz/ Eu escolho não ser sua/ Pra gente ser feliz.”Entre os dedos). Em parceria, explora metáforas perspicazes (“Enfeita de dourado meu dedo/ jura que é meu homem/ Que é sangue do meu sangue/ que é meu dono, que é feliz/ mas não me prende assim,/como se eu não fosse/ já mais parte de mim,/ faz parte de mim./ Não me rouba assim,/ de graça nem de leve/ Não me tira de mim” – Sangue do meu sangue, parceria com André Grolli) e constrói reflexões (“Sinto que o instante/ e toda a espera/ não me levam a nada,/ nada, não. /Apenas ardem como eu e você./ A gente já não passa de um instante,/ a gente já não passa de um instante...” – Instante, parceria com Rommel Ribeiro).

Musicalmente, o EP conta com uma banda bastante competente capaz de executar arranjos arrojados que estão bem conciliados com a voz ora empregada de forma meiga, ora agressiva de Nathalia Ferro, cuja interpretação bastante sincera pulsa em cada faixa e pouco se distancia de suas apresentações ao vivo, o que foi um ponto que me conquistou.

Promissora, talentosa e intensa, Nathalia Ferro reúne atributos interessantes ao não fornecer um som de fácil digestão, pelo menos não a uma primeira visualização/audição (para alguns). Porque arte é também provocar, testar capacidades de transpor aparências e fazer leituras que desvelam a capa da superficialidade.

A partir dessa minha pequena experiência, fica perceptível que se não há como nos mantermos inteiramente atentos aos sinais captados por pura impossibilidade de estar permanentemente atento a tudo, pelo menos é interessante não descartarmos o que o estranhamento nos impedir de apreender mais detidamente em um primeiro contato. Até porque pode ser que nem sempre nos seja concedida a sorte de esbarrar de novo com algo potencialmente interessante.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MÚSICA EM FOCO

Marcos Lamy lança "Eu Tô é Tu" no Sesc Som Poente

O movimento de se pôr diariamente do sol evoca muitas interpretações. Demarca a passagem do dia para a noite, o fim do expediente de trabalho (para alguns), o convite para um happy hour. Poeticamente, sugere o término de um ciclo para o começo de outro.  E é por um começo solar para os novos artistas maranhenses que o "Sesc Som Poente", projeto de difusão de música autoral do Serviço Social do Comércio - Sesc/MA, realiza uma vez por mês show's de entrada gratuita no Sesc Deodoro. Música nascente no sol poente.

A última edição 2013 do projeto lança na sexta-feira (20/12) a partir das 18h, o EP "Eu Tô é Tu" do maranhense Marcos Lamy em show com participação especial do conterrâneo Tiago Máci. Disponibilizado para download no segundo semestre desse ano, o disco com seis faixas é o primeiro registro de estúdio de Lamy, que integrou a extinta banda Nova Bossa ao lado de músicos como Phill Veras, Hermes Castro e André Queiroz. 

Na entrevista abaixo, Marcos Lamy fala um pouco sobre sua experiência musical, a fase solo, o processo de composição e produção do disco, além da sua relação com o cenário musical local.

1) "Eu Tô é Tu" é teu primeiro registro de estúdio após a dissolução da Nova Bossa, que não chegou a lançar discos. Como você avalia a experiência musical adquirida com o quarteto e complementada agora na tua fase solo?

Marcos Lamy: A Nova Bossa foi onde eu descobri o que eu queria fazer, e também o que significa fazer música, com todos os prós e contras. Apesar de não termos lançado nenhum CD completo tivemos muita experiência em estúdio, pois além das 6 músicas que lançamos na internet, começamos a gravar um CD de 17 músicas que nos tomou muito tempo, mas nunca foi concluído. Já na fase solo eu tive a experiência de mudança de ares, pois apesar de ter gravado metade com Adnon Soares (que gravava a Nova Bossa) gravei a outra metade com Memel Nogueira e Os Mingongos o que foi uma experiência totalmente nova pra mim.

Lado A - Vermelho (Ilustrações por Jéssica Góis; 
Foto referência por Taciano Brito)
2) O EP apresentado com lados Vermelho e Azul lembra uma concepção comum aos discos de vinil, que traz lados A e B. Em "Eu Tô é Tu", a divisão se justifica por agrupar composições de duas fases diferentes da tua carreira, produzidas em estúdios diferentes também. O lado Vermelho traz uma pegada mais regional, com "Baião da Rosa" enquanto o lado Azul é mais intimista com "O que não é de mim", parceria com Hermes Castro. Tratam-se perceptivelmente de dois estados de espírito diferentes. Você sente, avaliando teu processo de composição, que essas fases se alternam ou que houve uma substituição de uma pela outra?

Lado B - Azul (Ilustrações por Gabriel Hislla)
M.L.: Acho que o processo de composição é uma eterna caminhada, você nunca chega a um fim, nunca fica pronto, e nem necessariamente se trata de uma evolução, mas de seguir em frente. Não diria que eu me alterno entre as propostas até porque até certo ponto elas são as mesmas, o que acontece é que a vida continua e a gente acaba ouvindo coisas novas, conhecendo novas pessoas, e isso vai se transmitir na composição. Uma constante na minha carreira como músico por exemplo é o Hermes Castro, que era meu parceiro de banda na Nova Bossa, e participou da gravação do meu disco intensamente tanto no lado A como B, e agora me acompanha na guitarra nos meus shows, além de que eu participei um pouco do projeto solo dele e pretendo continuar participando. E pra 2014 nós temos algumas outras coisas em conjunto engatilhadas.

3) Tuas letras possuem alguma inquietação, mesmo quando poetizam o afeto ("chega um pouco mais pra perto/ que hoje eu tô com aquela paz/ que tem ânsia de carinho" - E Tem Mais), cantam o amor ("...mas se prestar atenção/ vai ver que eu sou tão grato/ que sinto como se devesse um grande amor" - E Tem Mais), abordam a religiosidade ("... eu sei já é/ um deus daqui que vem/ pra abençoar o povo todo a pé/ que ninguém da tua prole poupou fé" - Boto Fé) ou refletem sobre a vida ("seguro seria se sempre você ficasse no mesmo lugar" - Minhas Mãos). Mas existe também uma busca por paz nas canções ("um beijo e a noite inteira brilha/ estrela e a noite inteira brilha/ que você iluminou" - Baião da Rosa; "e se eu descobrir/sem querer ir/ só pra sentir paz" - Me Leva Longe). O que o inquieta e tranquiliza, nesse movimento contínuo de se expressar através da arte, comunicando-se com o mundo pela música?

M.L.: O que me inquieta é a possibilidade das coisas não darem certo. Apesar de nós (artistas ludovicenses) vivermos num estado de luta constante pelo nosso espaço, e por respeito, vivemos também um momento de grande esperança de que a gente tem poder pra mudar as coisas. O que me deixa angustiado são os muitos momentos em que a gente percebe o quão desestruturada é a nossa classe, e também o quão desrespeitada. Já o que me traz tranquilidade é ver que existe uma quantidade razoável de pessoas envolvidas nisso até o ultimo fio de cabelo, e ver que essas pessoas estão em extrema sintonia. Perceber o quanto os artistas daqui tem estado dispostos a ajudar uns aos outros tem me deixado muito feliz.

4) Na edição de setembro do Sesc Som Poente, você fez uma participação especial no show do Tiago Máci e em novembro vocês fizeram um show no Amsterdam Pub. Como tem sido o diálogo/parceria com o trabalho do Máci, que volta ao Som Poente em dezembro, desta vez como participação especial no teu show? Gostaria que você comentasse também a relação musical com Os Mingongos e os músicos que participaram da gravação/produção do EP.

M.L.: Máci é um artista sensacional, e o que tenho por ele é uma enorme admiração. A gente teve um contato maior depois que ele gravou uma música com João Simas, e passou a ser acompanhado pelos Mingongos. Nós estamos escrevendo uma música juntos e temos trocado ideia com muita frequência. É muito massa sentir os artistas daqui crescendo, e ver quanta coisa boa pode ser produzida se as pessoas derem uma chance. Máci é um caso de um cara que cresceu muito em pouco tempo, as músicas dele estão cada vez melhores. Quanto aos músicos que gravaram comigo, no lado B foi só o Adnon, eu e Hermes. No lado A foi onde surgiram Os Mingongos, que a princípio eram [André] Grolli [bateria], Simas [guitarra], e Marlon Silva [baixo], que depois foi substituído por Eduardo Monteiro, além da participação de Darkliwson Brandão na percussão, Hermes Castro e Jessica Góis nas vozes e da produção de Memel Nogueira.

5) Por fim, o que o público pode esperar do show de lançamento do disco "Eu Tô é Tu"?

M.L.: Arranjos bem diferentes do disco. Além de ter a diferença do ao vivo, eu e Os Mingongos gostamos muito de brincar e improvisar nos ensaios, alguns desses improvisos foram adotados, além de músicas que não estão no disco e eu já venho tocando em outros shows. E tem a participação de Tiago Máci.

SERVIÇO:
O quê? "Sesc Som Poente" apresenta Marcos Lamy e Os Mingongos, lançando o disco "Eu Tô é Tu". Participação especial de Tiago Máci
QUANDO? 20/12, a partir das 18h
ONDE? Área de Vivência do SESC Deodoro (Centro)
QUANTO? Entrada Franca

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

BEATLES EM FOCO

 LiverPaul celebra os 50 anos do álbum "With The Beatles" com show no Teatro da Cidade

22 de novembro é comemorado dia da música. A auspiciosa data marca em 2013 o cinquentenário de lançamento do álbum "With The Beatles", o segundo disco do quarteto inglês The Beatles. 

Importante para a música mundial, "With The Beatles" foi o álbum que levou o som inovador de John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison para o topo das paradas britânicas, ganhando o mundo nos anos seguintes. No Brasil, o disco - que conta com oito faixas dos Beatles e seis cover's -  foi lançado em 1964 com o nome "Beatlemania". 

Para celebrar o aniversário do disco cuja repercussão cunhou o termo beatlemania  pelo mundo, a banda maranhense LiverPaul sobe ao palco do Teatro da Cidade de São Luís na noite da sexta-feira (22) para um show-tributo.

Formada por Fernanda Sombra (voz), Junior Lima (guitarra e voz), Lucas Sobrinho (guitarra e voz), Paulo Silva (baixo) e Daniel Aranha (bateria), a LiverPaul homenageia os Beatles desde 2009, quando três músicos beatlemaníacos resolveram levar para o palco a experiência de tocar os sucessos do quarteto inglês.

Na breve entrevista abaixo, a vocalista Fernanda Sombra conta um pouco da formação da LiverPaul e do show de sexta-feira.

1) A LiverPaul surgiu originalmente com o nome de "Dr.Beatles" em 2009, com o intuito de tocar músicas da aclamada banda inglesa The Beatles, e mudou para o nome atual no ano seguinte, após um tributo ao Paul McCartney. Como a obra do famoso quarteto de Liverpool chegou aos integrantes da banda e motivou-os a formar um cover?

A banda surgiu de um encontro de beatlemaníacos. Nesse encontro eu (FernandaSombra) e o Lucas conhecemos o Lima e alguns meses depois resolvemos montar uma banda. Nós três tivemos contato com a música dos rapazes de Liverpool na infância e juntamente com o Paulo, outro fanático que conhecemos uns anos depois, a LiverPaul fechou o time beatlelógico. Mas contamos também com o Daniel na bateria, mas ele, apesar de já conhecer os Beatles, ainda está no processo de inserção na beatlemania.    

2) Como o repertório é escolhido e quais cuidados vocês dedicam à execução dele? Diferentemente da formação dos Beatles, a LiverPaul conta com uma mulher entre os integrantes. De qual tipo de cover a LiverPaul mais se aproxima: do que busca prestar um tributo apresentando-se de forma semelhante ao homenageado; o que promove releituras e uma reelaboração da obra original; ou ainda um pouco de cada?

LiverPaul
A escolha do repertório é bem complicada, por sermos fãs, temos muita dificuldade para escolher uma e deixar de tocar outra, já que o repertório completo da banda é enorme. Mas nesse show em especial, não tivemos dificuldade pois é um tributo a um disco específico, o segundo da banda. Nós tentamos ser o mais fiel possível em relação aos arranjos e tudo mais. Mas em relação ao figurino e integrantes, não obedecemos à risca, pois nos preocupamos mais com o resgate da sonoridade e não com o cabelo que eles usavam, por exemplo. E o fato de ser a mulher da banda está mais associado à banda que o Paul formou depois dos fim dos Beatles, Wings, já que a LiverPaul foi pensada originalmente como uma banda tributo ao McCartney. E os Wings contam com uma mulher na formação também. 

3) Em 2012, a LiverPaul participou da etapa maranhense da BeatleWeek Brasil, evento que percorre o país com exposição de objetos e curiosidades sobre os Beatles e apresentações culturais com bandas cover's, jogos e outras atrações. Como é a experiência de imersão na beatlemania para quem não se contenta somente em apreciar o trabalho dos Beatles ou tomá-los como influência para uma nova produção musical, mas deseja homenageá-los dedicando-se exclusivamente à execução de seu repertório? Gostaria que contassem um pouco sobre a preparação de vocês, como são os ensaios e o sentimento de representar no palco uma banda tão significativa para a cultura mundial.

Pra gente é uma honra tocar Beatles por tudo que a banda representa no cenário mundial por mais de 50 anos. Tocamos apaixonadamente, pois nada melhor do que tocar o que gosta para fazer bem feito. 

Para saber mais sobre a LiverPaul, acesse a página da banda no Facebook.

SERVIÇO:
O quê? Show LiverPaul – Tributo aos 50 anos do álbum “With the Beatles”.
Quando? 22 de novembro de 2013, às 20h.
Onde? Teatro da Cidade de São Luís (Rua do Egito, Centro. Antigo Cine Roxy).
Quanto: Ingressos antecipados à venda na Loja Nonsense (Oficce Tower - Renascença) a R$ 15,00. A venda na bilheteria do Teatro da Cidade será feita a partir da quarta-feira (20/11).

domingo, 17 de novembro de 2013

PEDEGINJA EM FOCO

A festa da colheita da Pedeginja

O palco do Teatro da Cidade de São Luís recebeu na noite da última sexta-feira (15) o show de lançamento do disco “Contos Cotidianos”, da banda maranhense Pedeginja. O espetáculo apresentado pela trupe composta por dez músicos, com a participação especial da cantora Nathalia Ferro, superou a expectativa de festa proposta pela banda com uma animadíssima celebração do primeiro registro fonográfico do grupo. Abaixo, meu relato afetivo sobre a experiência musical.

O grande jornalista Zema Ribeiro já descreveu com precisão cirúrgica o que foi o show em seu blog, consagrando a maturidade do álbum de estreia “Contos Cotidianos” com a crítica “A Pedeginja já brota madura”.

Comentando com o amigo André Bandeira sobre a ótima crítica do Zema, considerei que pouco teria a escrever depois do muito que foi dito e com o qual concordo em grande parte. Fora que acompanho a banda desde as primeiras músicas disponibilizadas na internet, assisti a várias apresentações ao vivo em festivais como Mulambo (2011), Projeto BR 135 (2012), Sesc Amazônia das Artes (2013), entre outros. Já ‘tô naquela de cantar as músicas, cumprimentar os músicos, abraçar o Paulo. Já tenho uma relação afetiva com a banda. Agora é tarde, estou lambuzada com o som da Pedeginja, penso comigo. Pois eis que Bandeira, inspirado pelo show de sexta e ainda sob efeito dos versos de Paulo César Linhares, aconselhou-me então “mostre que ‘a poesia em seu peito tem abrigo para além da reta razão’ ”, citando um trecho de "Talvez" (Paulo César Linhares). Dá para resistir? Não, não dá. Pus-me a escrever então, o relato que me cabe.

Antes de chegar na festa da colheita celebrada com o show de sexta, a hoje trupe vem semeando e cultivando e regando e podando sua árvore sonora há algum tempo. O fruto maduro apresentado agora resulta de um tempo de maturação que pode ser acompanhado à olhos vistos nos últimos três anos. E isso é muito bonito de perceber.

A Pedeginja chegou até mim lá atrás, em 2011, através da indicação de uma menina chamada Jéssica Mendes, que não por acaso está nos agradecimentos no encarte do disco: Jéssica fui uma das grandes incentivadoras para que a banda se levasse a sério. Pois bem, amizade de twitter, Jéssica já era para mim uma figura admirável pelo notável desempenho acadêmico no curso de Medicina da UFMA e dona de uma veia literária fantástica, espalhada pelos vários blogs que ela conseguia manter. Uma pessoa a se considerar. Pois então levei super em consideração a sugestão do perfil @antitetica e fui espiar o link do então myspace da banda. “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), a tal certidão de nascimento da banda de nome curioso, me agradou rapidamente. E desde então torci por um show ao vivo para que pudesse conhecer o desempenho de palco da Pedeginja (porque sou um bocado enjoada com o abismo que às vezes há entre o desempenho ao vivo e o de estúdio).

Logo que tive oportunidade de vê-los ao vivo, constatei que a Pedeginja era um arraso. Apresentação alegre, músicos entrosados, tecnicamente competentes, com presenças bem marcadas e uma interação saudável com o público. Tinham um ar profissional, passavam segurança na execução dos cover’s e originalidade no repertório próprio. Chamava a minha atenção o respeito pelo público. E isso é importante sempre. Sejam iniciantes, sejam veteranos. Com todos esses atributos, a Pedeginja surgia então ao público na sua melhor primavera, oferecendo música em flor.

Acompanhar a transformação da flor no saboroso fruto para ser degustado com ouvidos atentos que é o “Contos Cotidianos” é uma imensa alegria. Como jornalista, como admiradora do trabalho e como amiga, que me considero por sempre ser tratada com imensa gentileza pelos músicos. 

#apedeginjachegou
Os vocalistas Jéssica Góis e Jovi Miranda
O sucesso do show de lançamento do disco de estreia da Pedeginja, repercutido pelos tantos depoimentos que vem surgindo na rede desde sexta, é uma vitória dos integrantes da banda, que honram a boa música, respeitam suas influências, preocupam-se com a conciliação da estética com a técnica e são talentosíssimos no que se propõem a fazer. 

Paulo César Linhares
Nathalia Ferro e Jovi Miranda
Curiosamente, ouvi o disco antes do show e assim como quando tudo começou na minha relação com a banda, esperei ansiosa pelo ao vivo, com a diferença de que agora o sentimento era de uma expectativa boa, uma torcida para que tudo desse certo. Pois no show de sexta, o disco esteve lá sim. Redondinho, limpo, bem amarrado, com os ruídos inescapáveis do que é ao vivo, só que incrivelmente melhor. Porque havia o calor da presença da trupe, haviam os sorrisos e olhares que os músicos trocavam entre si e dedicavam à plateia, havia a dança contagiante do elétrico trompetista Bigorna ladeado por seus competentes companheiros dos metais, os também dançantes Davi Neves e Paulo Vinícius, havia a alma da bateria que é André Grolli, os prodigiosos Pedro Vinícius e Sandoval Filho, o intergaláctico teclado de Dney Justino, a sensível gaita de Pedro dos Anjos, os charmosos Jovi Miranda e Jéssica Góis, a grande presença do Paulo e ainda a acertada participação de Nathalia Ferro, que preencheu o palco com sua presença teatral em uma visceral interpretação dividida com Jovi Miranda. 

E antes que este relato afetivo pareça parcial demais (se já não parece), acrescento a 'ginja' do bolo a fim de fundamentar meus elogios: o show foi prestigiado por ninguém menos que Zé Chave, o incrível personagem da cena cultural local que não hesita em acompanhar as bandas tocando seu ritmado molho de chaves durante o show, seja lá do seu lugarzinho na plateia ou mesmo do palco, quando a banda o convida para uma participação especial. Esqueça tudo o que você sabe sobre penetras como termômetro de festa de sucesso. Em São Luís, quem mede se o evento vale a pena ou não é a presença de Zé da Chave, fabuloso termômetro do nível de prestígio de um evento local.

Empanturrada com o banquete sonoro da Pedeginja, só posso sugerir que as pessoas comprem o disco, ouçam com atenção, estejam nos show's e fiquem à vontade na festa da trupe. Porque agora não tem mais para onde correr: #apedeginjachegou. 

Zé da Chave é convidado ao palco para encerrar o show com chave (literalmente) de ouro (no sentido figurado, só pra constar).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

LANÇAMENTO EM FOCO

Pedeginja lança primeiro disco, “Contos Cotidianos”, com expectativa de festa no Teatro da Cidade

Quando os primeiros acordes de “Tire seu cavalo da chuva”, canção composta por Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius, foram lançados na internet demarcando a existência de uma tal banda chamada Pedeginja nos idos de 2010, talvez seus idealizadores não imaginassem quantas cores, flores, amores e rock’s preencheriam os dias pelos três anos seguintes, nem quantas pessoas se juntariam para extrair poesia do cotidiano. 

Inicialmente formada por Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais), a banda maranhense Pedeginja hoje é uma verdadeira trupe composta por dez integrantes - André Grolli (bateria), Sandoval Filho (baixo), Pedro Vinícius (guitarra), Davi Neves (sax alto), Paulo Vinícius (sax tenor), Romildo Bigorna (trompete), Dney Justino (teclado), Jéssica Góis (voz), Jovi Miranda (voz) e Paulo César Linhares (guitarra e voz). E é esta turma que deve subir ao palco do Teatro da Cidade de São Luís na noite da sexta-feira (15/11) para festejar o lançamento do primeiro disco da banda em um show com participação especial da cantora Nathalia Ferro.

Parte da trupe (da esq. para dir.): Sandoval Filho, Jéssica Góis, Paulo César Linhares (ao fundo), Pedro Vinícius, André Grolli (ao fundo), Jovi Miranda. 
“Contos Cotidianos” conta com dez faixas autorais e chega ao público como um registro de estúdio que marca o amadurecimento da banda, construído durante uma trajetória de apresentações em festivais e mostras culturais como o Sesc Amazônia das Artes (2013). No disco, estão canções já conhecidas do público como “Tire seu cavalo da chuva”, “Talvez”, “Salsa de um ex-amor”, entre outras. 

Musicalmente, destacam-se os arranjos que ganharam ares festivos com a incorporação dos metais à banda e o casamento da solar voz de Jovi Miranda, que parece cantar sorrindo, com o delicado vocal feminino de Jéssica Góis. As conhecidas intervenções poéticas de Paulo César Linhares também estão presentes em “Contos Cotidianos”, que celebra com crítica e humor temas da atualidade. Das mais de dez mil poesias propostas por um olhar atento à condução de cada dia (“Vou poetar o que vejo/ e tantas vezes nem vejo/ na condução de cada dia./ É tanta coisa, é tanta gente/ que é cenário perfeito pra mais de/ dez mil poesias”, "Condução" – Paulo C. Linhares) à reflexão sobre as rupturas de conceitos propostas por este mundo hiper-pós-moderno (“Vovó exalta que esse mundo anda solto/ que a juventude exala sexo pelos poros./E que a família já não é mais a trindade/ tem pai com pai e mãe com mãe,/ bem à vontade/ Mas, desde quando esse mundo não foi/ Virado assim ou mais”, "Vovó de férias no séc.XXI", Paulo C. Linhares), sem escapar ainda das inevitáveis dores de amor (“Por mais que a chaga/ de ser seu melhor amigo/ e a sua fama de mulher sem coração/ me digam não/ hei de mostrar que a poesia/ em seu peito tem abrigo/ para além da reta razão.”, "Talvez" – P.C.L) e o divertido alerta sobre o mentiroso que mora em cada um de nós (“... pernas curtas são bem vindas/ quando vestem 'sainhas'./ Todos tem um pouco,/ pode acreditar, ó/ de um mentiroso./ Se disser "eu não"/ É como confessar.”, "Pernas curtas" – P.C.L). Isso tudo sem esquecer da faixa inicial, "Conto de um Pé-de-Ginja" que brinca com a história do nome da banda. Alguém disse aos meninos que a "ginja" seria uma fruta típica local, daí que a ideia de nomear a banda como "pé de ginja" caberia perfeito à proposta de fazer algo legitimamente maranhense se não fosse por um detalhe: a ginja é uma cereja portuguesa, sem ligação com o Maranhão ("Duma mentira mal contada,/ ou dum conto com pontos de menos/ se fez uma grande trupeada./ Um pé-de-ginja furou os azulejos/ e lombrou o azul colonial ludovicense/ Com a pujança de seus ramos multiformeados." P.C.L). Verdade ou mentira, o nome pegou e ressignificado pela banda resultou na divertida faixa que abre o disco e pode ser escutada como um convite para a festa sonora que é "Contos Cotidianos".

Na entrevista a seguir, a Pedeginja fala sobre o processo de produção do disco, a formação da trupe e as expectativas para o show de lançamento do "Contos Cotidianos".

1) A Pedeginja surgiu no cenário da música maranhense em 2010, quando disponibilizou para audição na internet a canção "Tire o seu cavalo da chuva" (Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius). Desde então, a banda se apresentou em festivais, mostras culturais e abriu shows de nomes como Marcelo Camelo e Paralamas do Sucesso. Em 2013 lança seu primeiro disco de estúdio, intitulado "Contos Cotidianos" reunindo dez canções próprias. Como a experiência de palco e interação com público encaminhou a banda para a gravação de um disco com repertório próprio e como foi a criação desse repertório nesses três anos de existência?

Pedeginja: A Pedeginja surgiu junto com outras bandas de São Luís que tinham a proposta autoral como foco. Desde o primeiro show, ainda em 2010, cantamos nossas próprias músicas misturadas às nossas influências sonoras. A vivência de palco e a interação com o público foram dois elementos fundamentais para o amadurecimento da banda. Diferentemente de outros grupos que surgem nos cenários culturais com o lançamento de um álbum, a Pedeginja teve de caminhar durante três anos para reunir condições artísticas e estruturais para lançar o primeiro disco. “Contos Cotidianos” é um trabalho que tenta ser fiel às coisas que foram construídas na nossa vivência de palco.

Tanto é assim, que o disco acaba tendo uma pitada de ao vivo, mesmo sendo todo gravado em estúdio. Reproduzimos os cacoetes, os lalaiás e as intervenções de modo semelhante ao que acontece nos shows. 

O repertório foi consequência desse processo. Durante os três anos, alguns interesses mudaram, e algumas ideias envelheceram, de modo que não foram pro álbum. É um disco que, de certa forma, presenteia quem acompanhou toda a trajetória e também deixa dicas dos nossos interesses futuros.

2) Paulo César Linhares assina nove, das dez faixas do disco. Como o processo de criação dessas composições se relaciona com a identidade da banda e como os principais intérpretes - Jéssica Góis e Jovi Miranda - interagem com o repertório?

Pedeginja: Dentre as faixas do álbum, a única que não tem a assinatura do Paulo César é “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), que é a certidão de nascimento da banda. As outras nove canções foram todas criadas entre 2011 e 2012, enquanto forjávamos nossa identidade. A formação do Paulo César compositor e da Pedeginja são coisas concomitantes, não foi uma situação imposta ou programada.  Ele ia apresentando as composições nos ensaios e nós selecionávamos aquilo que achávamos interessante para a banda. Muita coisa ficou pra depois ou foi descartada mesmo. Não quer dizer que o Paulo César seja o nosso compositor perpétuo e exclusivo, estamos sempre abertos a canções escritas por outros integrantes, mas as coisas aconteceram dessa maneira.

De toda forma, apesar das composições terem partido das vivências do Paulo César, até que chegassem ao público, muita coisa da banda foi incorporada. Antes de uma música nova ser tocada em show, se passam vários ensaios, nos quais toda a banda sente o clima da música. A música chega crua e só sai depois de agregar um tanto de cada um. Assim que a identidade da banda foi se construindo, da seleção do repertório até o modo como as músicas são tocadas. 

O Jovi Miranda, por ser integrante da banda desde a formação inicial, teve uma participação mais intensa nisso tudo. Mas a Jéssica, que entrou só em 2012, acabou contribuindo no processo de gravação do disco, quando as músicas foram rearranjadas. Então quando o Jovi e a Jéssica cantam, já estão habituados e confortáveis com a música. A música que eles cantam já tem um pouco deles também. 

3) Desde seu surgimento, a banda passou por mudanças na formação original. Alguns músicos saíram e novos foram incorporados, incluindo um trio de metais, uma voz feminina e um gaitista. O que a incorporação desses novos integrantes e elementos sonoros trazidos por eles trouxe para o som da Pedeginja e agregou ao que a banda gosta de produzir?

Pedeginja: A banda começou com Pedro Vinícius e Rômulo Pacheco, mas com a saída de Rômulo e a entrada do Paulo César é que as coisas ganharam forma. Quando a banda se apresentou pela primeira vez em 2010 tinha a formação possível. No primeiro show tocamos com Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais). Formação que se manteve mais ou menos constante até 2012. Nesse período só ocorriam alterações quando os metais eram reforçados pela presença de Jairo Ponte (trompete) e Paulo Vinícius (Saxofone Alto).

Em 2012 as coisas começaram a mudar com a entrada da Jéssica nos vocais e a saída do Jairo Ponte – que teve de retornar a Fortaleza. Mas foi em 2013, já durante as gravações do disco, que a banda experimentou uma mudança maior: o Dinho Linhares deixou a banda; o Sandoval Filho, ex-baterista, assumiu o baixo; André Grolli entrou na bateria; nos metais houve a entrada de Davi Neves (saxofone tenor) e Romildo Bigorna (trompete); e Dney Justino surgiu com seus teclados. Além disso, o Pedro dos Anjos, antes no saxofone, passou a ser responsável pela gaita. 

Cada músico que entra ou sai altera a energia da banda e o modo como nos relacionamos. Mas no caso, a presença desses novos integrantes foi resultado do amadurecimento da proposta, que de certa forma já demandava muitos elementos. Se antes não conhecíamos ou não tínhamos condições de ter tantas pessoas tocando conosco, hoje temos a felicidade de formar essa trupe. É um desafio manter tanta gente tocando junta, mas por enquanto, ninguém fala em diminuir a banda. (riso!)

4) Quais as principais referências da banda - musicais, poéticas... - para compor e tocar?

Pedeginja: A Pedeginja aglutina muitas influências, coisas mais ou menos aparentes. Bebemos na fonte da música brasileira. Cartola, Paulinho da Viola, Chico, Caetano, Mutantes, Secos e Molhados, Clube da Esquina, Luiz Melodia e Wilson Simonal são alguns nomes que fizeram parte da nossa formação musical. Mas a sonoridade é influenciada de forma mais forte pelos artistas contemporâneos, e aí seria até desonestidade deixar de citar Marcelo Camelo, Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acaju, Mombojó, Tulipa Ruiz, Bárbara Eugênia, The Strokes, Franz Ferdinand, Lucas Santanna, Nova Bossa...

Pra compor tem um pouco de poesia moderna (Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira...); de cotidiano e dor de cotovelo também.

5) Em "Conto de um Pé-de-Ginja", o Paulo poetiza a história do nome da banda e acaba fazendo uma apresentação através da metáfora da árvore (a banda), seus ramos (influências/referências/intenções) e seus frutos (o som). Essa música em si é uma amostra da banda, com seus temas, som festivo e as intervenções poéticas do próprio Paulo em diálogo com os vocais da Jéssica e do Jovi. Quando vocês descobriram que a tal Ginja não era uma fruta típica maranhense e portanto, não representava algo local como a banda gostaria, por que resolveram manter o nome e como o contorno da situação influenciou no som que a banda queria fazer?

Pedeginja: A origem do nome das bandas acaba tendo sempre as piores histórias, né? Mas foi divertido manter um pé-de-ginja que não é ludovicense, não é maranhense, não é brasileiro e se tornou um pouco de tudo isso. O fracasso do nome em ser tipicamente maranhense acabou prenunciando também sobre o som da banda.

Na falta de melhores opções, ressignificar foi uma boa saída. “Pedeginja” (tudo junto e sem acento) é como ter um pé aqui em São Luís e em Portugal; no colonizado e no colonizador; no violão e na guitarra; no indie rock e na mpb; no pop e no underground. Gostamos de ter essa liberdade. 

6) Por fim, o que o público pode esperar do show de lançamento do "Contos Cotidianos"?

Pedeginja: Estamos muito contentes com o lançamento, preparando as coisas pra todo mundo curtir o melhor que a banda pode oferecer. Queremos fazer do Teatro da Cidade de São Luís uma festa.  Vamos tocar as 10 faixas do disco, algumas reescrituras, duas músicas novas e ainda vai ter espaço pra participação especialíssima de Nathalia Ferro. É a Pedeginja que vem chegando!

SERVIÇO

O que: Show de lançamento do disco "Contos Cotidianos" da Pedeginja
Quando: 15 de Novembro de 2013, às 19h30
Onde: Teatro da Cidade de São Luís (Rua do Egito, Centro. Antigo Cine Roxy)
Quanto: Ingressos antecipados na bilheteria do Teatro e com os membros da banda a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Os discos serão vendidos no local a R$ 15,00.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

BIBLIOBAIRRO EM FOCO


HappyD São Luís marca primeira ação educativa da BiblioBairro - Anil

A ensolarada manhã do domingo (20/10) foi particularmente especial para os voluntários da BiblioBairro. Há três semanas, o blog Design Culture propôs à sua colunista maranhense Mariany Carvalho a realização em São Luís do HappyD, evento recreativo com oficinas e sorteio de brindes em comemoração ao dia das crianças agendado para acontecer em outras três cidades brasileiras – Recife, Belo Horizonte e São Paulo – durante o mês de outubro. Pois Mary não perdeu tempo, não só aceitou a proposta como sugeriu que ela fosse desenvolvida em parceria com o projeto Biblioteca do Bairro, que desde janeiro deste ano vem organizando a criação de uma biblioteca comunitária no bairro do Anil e pretende promover ações educativas na comunidade em que está inserido. Foi basicamente assim que nasceu a oportunidade de promover a primeira ação da BiblioBairro no Anil, desembocando na deliciosa manhã de ontem.

Passava um pouquinho das 9h e a União de Moradores do Cruzeiro do Anil já contava com um salão decorado com balões e dizeres coloridos, uma mesa com presentes embalados para sorteio no corredor de entrada, cadeiras plásticas arrumadas em círculo e uma mesa com lanches posicionada próximo ao palco. Apesar de toda a arrumação, a manhã de atividades do HappyD começava meio tímida: três garotinhas sentadas comportadamente se entreolhavam curiosas enquanto os voluntários aprontavam os últimos detalhes e Mary, apreensiva com o atraso do público infantil, se mostrava ansiosa. Queria começar logo a brincar com as tintas, confessava risonha.

Enquanto os minutos de espera se passavam, os últimos preparativos eram feitos: uma grande lona azul atapetou o chão a fim de ser ocupada pela oficina de desenho. E as menininhas pontuais foram convidadas a escolher entre canetinhas coloridas e gizes de cera, por quais traços e cores dariam início ao preenchimento das muitas folhas em branco a disposição. Aos poucos, alguns voluntários mais desinibidos ganharam as ruas próximas e partiram para um convite corpo a corpo. E a comunidade respondeu: muitos pais começaram a chegar de mãos dadas com crianças sorridentes e curiosas. Algumas chegavam tímidas, os olhinhos desconfiados estudando o ambiente para descobrir o que estava rolando enquanto outras se enturmavam rápido, os olhinhos faiscantes ávidos por preencher de cor as folhas em branco restantes. Assim, rapidamente as páginas ganharam traços coloridos e o ambiente, gargalhadas contagiantes.

A manhã de atividades contou com a participação de cerca de 20 crianças, distribuídas entre oficinas de desenho e pintura. As estudantes de Educação Artística da UFMA (atual curso de Artes Visuais) Meiryele Cantanhede e Andrea Chaves orientaram os pequeninos na manipulação de tintas e na pintura de uma tela em conjunto. O objetivo era dar orientações sobre a confecção das tintas através de uma sensibilização sobre como as cores podem estar relacionados às sensações de frio e quente e até mesmo ao humor das pessoas.

Ao final das oficinas, duas telas foram pintadas coletivamente e muitos desenhos foram produzidos. As crianças foram incentivadas pela voluntária Adriane Sousa a comentar o que haviam desenhado e por fim, todos os desenhos foram expostos formando um grande painel na parede.

Enquanto o lanche era servido, a criançada se espalhava muito à vontade pelo salão. Depois de recarregar as energias com muito suco, bolo e bolachas sortidas, alguns meninos brincavam de um lado com aviões de papel feitos por um dos pais que acompanhavam a ação enquanto outras crianças brincavam orientadas por Adriane Sousa.

Para encerrar o HappyD, todos retornaram à lona azul para aguardar pelo sorteio dos presentes, demarcados com a devida classificação etária. Para as crianças de até 3 anos bonecas, bolas e cordas de pular, para aquelas que tinham por volta dos cinco anos carrinhos, jogos educativos, pecinhas de montar, raquetes e bolinhas para jogar tênis. Para as crianças maiores foram sorteados ainda exemplares do livro infantil “Vila Tulipa”, doados por esta blogueira, autora do livro (cof cof).

Enquanto a voluntária Adriane Sousa comandava a animação da garotada puxando o coro de “começa!” e incentivando o clima de suspense antes do sorteio regendo uns vinte pares de mãozinhas, os voluntários organizavam as fichas e davam início ao sorteio. Muitos gritos de “êêê!” e palmas depois, todas as crianças abraçadas aos seus brinquedos se reuniram aos pais, voluntários e amigos do projeto em frente ao painel para o registro fotográfico.

Para mim, que acompanhei a manhã como amiga da BiblioBairro e escritora, foi uma experiência fantástica. Não só por levar meu livro para novos leitores, poder abraçá-los e compartilhar com eles esse momento mágico que é leitura. Mas por poder participar de uma manhã encantadora com pessoas efetivamente engajadas em ações que melhorem a vida em comunidade através da educação, cultura e arte. Se as crianças já são naturalmente capazes de dar um show de alegria e criatividade, quando incentivadas a se expressarem com atividades artísticas, lúdicas, sensíveis e educativas, elevam o potencial de ternura da infância a um nível contagiante e carregam o aprendizado por toda a vida. 

Parabéns ao Blog Design Culture pela idealização do HappyD e aos voluntários da BiblioBairro pela realização da ação em São Luís. Para uma primeira experiência com a realização de um evento, a turma demonstrou ter muito mais do que só boa vontade. Tratam-se de jovens organizados, sensíveie potencialmente promotores de ações que fazem a diferença.


   





domingo, 6 de outubro de 2013

#7FeliS EM FOCO


Biblioteca Comunitária do bairro do Anil é tema de palestra neste domingo na 7ª Feira do Livro de São Luís

Inquieta com a falta de uma biblioteca em seu bairro e ciente de que muitos problemas de sua comunidade esbarravam não só em serviços públicos deficientes, mas também na ausência de mobilização da própria comunidade a estudante de Design Mariany Carvalho resolveu arregaçar as mangas, recrutar voluntários que compartilhassem do mesmo sentimento e fazer alguma coisa pelo bairro onde mora. Foi mais ou menos assim que surgiu a ideia de criar uma biblioteca comunitária no bairro do Anil, em São Luís. Do desejo de unir acesso à cultura à melhoria de vida de uma comunidade. 

Felizmente, a iniciativa ganhou corpo e hoje (06) às 17h, Mariany e os voluntários da BiblioBairro apresentarão a palestra "Bibliotecas no Bairro do Anil: a literatura transformando a comunidade" com mediação de Cássia Furtado no Auditório da Associação Comercial do Maranhão (Praça Benedito Leite). A palestra integra a programação da 7ª Feira do Livro de São Luís, que termina hoje.

Para saber mais sobre o processo de criação da BiblioBairro e a importância de ações que promovam mudanças positivas através do acesso à educação e cultura, o blog conversou com os voluntários da Biblioteca do Bairro na entrevista abaixo. 

Quem quiser aproveitar o último dia da #7FeliS, fica a dica para conferir a palestra, conhecer Mary e a propositiva turma da BiblioBairro.

Ensaios em Foco: Como, quando, por quem e por que surgiu a ideia de desenvolver o projeto de uma biblioteca comunitária?
BIBLIOBAIRRO: O projeto Biblioteca do Bairro - BiblioBairro Anil surgiu em janeiro de 2013 quando Mariany Carvalho, atualmente voluntária do projeto, decidiu pôr em prática a iniciativa após perceber uma necessidade não só sua, mas também de muitos outros moradores da comunidade: a necessidade de um espaço cultural no bairro, onde a população pudesse desfrutar dos livros e inseri-los no seu cotidiano. Esta ideia, na verdade, foi uma forma de promover uma transformação no bairro, que sofre atualmente com uma série de problemas sociais que encontram solução através da educação.

E&F: Como foi o processo de identificação dessa necessidade no bairro e quais foram as observações constatadas durante a pesquisa com os moradores?
BIBLIOBAIRRO: Conversando com pessoas de todas as idades que moram na região foi possível notar a insatisfação com a situação do bairro, que vem se prolongando ao longo dos anos sem soluções efetivas e nenhuma mobilização para que isto se modifique. Os jovens, em especial, são os mais inquietos quanto às potencialidades que a comunidade tem, mas que atualmente se afoga em descaso. Além disso, muitas mães e pais em busca de uma educação melhor para os filhos reclamam da ausência de bibliotecas e outros espaços de estudo para usufruto dos filhos. Durante os quatro meses de entrevistas, os voluntários puderam avaliar de perto e entender essas necessidades, conhecendo melhor a comunidade e divulgando o projeto, que teve ótima aceitação.

E&F: Quantas pessoas estão envolvidas na mobilização da criação dessa biblioteca, quais as formações delas e o que é necessário para participar? 
BIBLIOBAIRRO: Atualmente a BiblioBairro conta com a participação de 12 voluntários, além do apoio das Agentes Comunitárias de Saúde - ACS's da região e de alguns parceiros que tivemos o prazer de conhecer durante nossa trajetória. Os participantes do projeto são das mais diversas formações - Relações Públicas, Design, Ciência da Computação, Artes Visuais, entre outros -, e para participar basta apenas ter afinidade pelo projeto e disponibilidade para ajudar. Os interessados devem entrar em contato conosco através do telefone, facebook ou email.

E&F: Como foi a receptividade das pessoas consultadas e como tem sido a participação dos moradores no projeto?
BIBLIOBAIRRO: Os moradores gostaram muito da iniciativa e dão grande apoio para que a BiblioBairro possa ser implantada de fato. Alguns moradores, incluindo as ACS's que moram na região, também ajudam bastante na venda de rifas, na divulgação e na realização de ações, por exemplo. 

E&F: Com quais recursos vocês pretendem manter o espaço? Já há uma sede?
BIBLIOBAIRRO: Por enquanto o projeto ainda não possui uma sede, e consegui-la tem sido nossa prioridade. Para o nosso projeto estas têm sido as maiores dificuldades: espaço físico e manutenção da iniciativa. Apesar de ser um projeto de grande importância para a sociedade, nem sempre é fácil encontrar apoio financeiro para tal. Pretendemos manter o projeto através da colaboração de patrocinadores e também através de pequenas atividades beneficentes, como rifas, brechós e bazares.

E&F: Por que vocês acreditam que esse seja um projeto pelo qual vale a pena se mobilizar, sobretudo sob caráter voluntário?
BIBLIOBAIRRO: Acreditamos que a chave pra resolução de muitos problemas sociais no nosso bairro, cidade ou país está na consciência crítica que cada pessoa pode desenvolver e, consequentemente, nas ações que podem ser realizadas a fim de que a realidade melhore. A BiblioBairro é um projeto que vale a pena ser apoiado e estimulado por atingir o setor que é o principal agente de transformação de uma sociedade: a educação. Ser um voluntário, doador, parceiro ou patrocinador de projetos como este são maneiras de fazer parte dessa transformação positiva em uma comunidade.