segunda-feira, 21 de outubro de 2013

BIBLIOBAIRRO EM FOCO


HappyD São Luís marca primeira ação educativa da BiblioBairro - Anil

A ensolarada manhã do domingo (20/10) foi particularmente especial para os voluntários da BiblioBairro. Há três semanas, o blog Design Culture propôs à sua colunista maranhense Mariany Carvalho a realização em São Luís do HappyD, evento recreativo com oficinas e sorteio de brindes em comemoração ao dia das crianças agendado para acontecer em outras três cidades brasileiras – Recife, Belo Horizonte e São Paulo – durante o mês de outubro. Pois Mary não perdeu tempo, não só aceitou a proposta como sugeriu que ela fosse desenvolvida em parceria com o projeto Biblioteca do Bairro, que desde janeiro deste ano vem organizando a criação de uma biblioteca comunitária no bairro do Anil e pretende promover ações educativas na comunidade em que está inserido. Foi basicamente assim que nasceu a oportunidade de promover a primeira ação da BiblioBairro no Anil, desembocando na deliciosa manhã de ontem.

Passava um pouquinho das 9h e a União de Moradores do Cruzeiro do Anil já contava com um salão decorado com balões e dizeres coloridos, uma mesa com presentes embalados para sorteio no corredor de entrada, cadeiras plásticas arrumadas em círculo e uma mesa com lanches posicionada próximo ao palco. Apesar de toda a arrumação, a manhã de atividades do HappyD começava meio tímida: três garotinhas sentadas comportadamente se entreolhavam curiosas enquanto os voluntários aprontavam os últimos detalhes e Mary, apreensiva com o atraso do público infantil, se mostrava ansiosa. Queria começar logo a brincar com as tintas, confessava risonha.

Enquanto os minutos de espera se passavam, os últimos preparativos eram feitos: uma grande lona azul atapetou o chão a fim de ser ocupada pela oficina de desenho. E as menininhas pontuais foram convidadas a escolher entre canetinhas coloridas e gizes de cera, por quais traços e cores dariam início ao preenchimento das muitas folhas em branco a disposição. Aos poucos, alguns voluntários mais desinibidos ganharam as ruas próximas e partiram para um convite corpo a corpo. E a comunidade respondeu: muitos pais começaram a chegar de mãos dadas com crianças sorridentes e curiosas. Algumas chegavam tímidas, os olhinhos desconfiados estudando o ambiente para descobrir o que estava rolando enquanto outras se enturmavam rápido, os olhinhos faiscantes ávidos por preencher de cor as folhas em branco restantes. Assim, rapidamente as páginas ganharam traços coloridos e o ambiente, gargalhadas contagiantes.

A manhã de atividades contou com a participação de cerca de 20 crianças, distribuídas entre oficinas de desenho e pintura. As estudantes de Educação Artística da UFMA (atual curso de Artes Visuais) Meiryele Cantanhede e Andrea Chaves orientaram os pequeninos na manipulação de tintas e na pintura de uma tela em conjunto. O objetivo era dar orientações sobre a confecção das tintas através de uma sensibilização sobre como as cores podem estar relacionados às sensações de frio e quente e até mesmo ao humor das pessoas.

Ao final das oficinas, duas telas foram pintadas coletivamente e muitos desenhos foram produzidos. As crianças foram incentivadas pela voluntária Adriane Sousa a comentar o que haviam desenhado e por fim, todos os desenhos foram expostos formando um grande painel na parede.

Enquanto o lanche era servido, a criançada se espalhava muito à vontade pelo salão. Depois de recarregar as energias com muito suco, bolo e bolachas sortidas, alguns meninos brincavam de um lado com aviões de papel feitos por um dos pais que acompanhavam a ação enquanto outras crianças brincavam orientadas por Adriane Sousa.

Para encerrar o HappyD, todos retornaram à lona azul para aguardar pelo sorteio dos presentes, demarcados com a devida classificação etária. Para as crianças de até 3 anos bonecas, bolas e cordas de pular, para aquelas que tinham por volta dos cinco anos carrinhos, jogos educativos, pecinhas de montar, raquetes e bolinhas para jogar tênis. Para as crianças maiores foram sorteados ainda exemplares do livro infantil “Vila Tulipa”, doados por esta blogueira, autora do livro (cof cof).

Enquanto a voluntária Adriane Sousa comandava a animação da garotada puxando o coro de “começa!” e incentivando o clima de suspense antes do sorteio regendo uns vinte pares de mãozinhas, os voluntários organizavam as fichas e davam início ao sorteio. Muitos gritos de “êêê!” e palmas depois, todas as crianças abraçadas aos seus brinquedos se reuniram aos pais, voluntários e amigos do projeto em frente ao painel para o registro fotográfico.

Para mim, que acompanhei a manhã como amiga da BiblioBairro e escritora, foi uma experiência fantástica. Não só por levar meu livro para novos leitores, poder abraçá-los e compartilhar com eles esse momento mágico que é leitura. Mas por poder participar de uma manhã encantadora com pessoas efetivamente engajadas em ações que melhorem a vida em comunidade através da educação, cultura e arte. Se as crianças já são naturalmente capazes de dar um show de alegria e criatividade, quando incentivadas a se expressarem com atividades artísticas, lúdicas, sensíveis e educativas, elevam o potencial de ternura da infância a um nível contagiante e carregam o aprendizado por toda a vida. 

Parabéns ao Blog Design Culture pela idealização do HappyD e aos voluntários da BiblioBairro pela realização da ação em São Luís. Para uma primeira experiência com a realização de um evento, a turma demonstrou ter muito mais do que só boa vontade. Tratam-se de jovens organizados, sensíveie potencialmente promotores de ações que fazem a diferença.


   





domingo, 6 de outubro de 2013

#7FeliS EM FOCO


Biblioteca Comunitária do bairro do Anil é tema de palestra neste domingo na 7ª Feira do Livro de São Luís

Inquieta com a falta de uma biblioteca em seu bairro e ciente de que muitos problemas de sua comunidade esbarravam não só em serviços públicos deficientes, mas também na ausência de mobilização da própria comunidade a estudante de Design Mariany Carvalho resolveu arregaçar as mangas, recrutar voluntários que compartilhassem do mesmo sentimento e fazer alguma coisa pelo bairro onde mora. Foi mais ou menos assim que surgiu a ideia de criar uma biblioteca comunitária no bairro do Anil, em São Luís. Do desejo de unir acesso à cultura à melhoria de vida de uma comunidade. 

Felizmente, a iniciativa ganhou corpo e hoje (06) às 17h, Mariany e os voluntários da BiblioBairro apresentarão a palestra "Bibliotecas no Bairro do Anil: a literatura transformando a comunidade" com mediação de Cássia Furtado no Auditório da Associação Comercial do Maranhão (Praça Benedito Leite). A palestra integra a programação da 7ª Feira do Livro de São Luís, que termina hoje.

Para saber mais sobre o processo de criação da BiblioBairro e a importância de ações que promovam mudanças positivas através do acesso à educação e cultura, o blog conversou com os voluntários da Biblioteca do Bairro na entrevista abaixo. 

Quem quiser aproveitar o último dia da #7FeliS, fica a dica para conferir a palestra, conhecer Mary e a propositiva turma da BiblioBairro.

Ensaios em Foco: Como, quando, por quem e por que surgiu a ideia de desenvolver o projeto de uma biblioteca comunitária?
BIBLIOBAIRRO: O projeto Biblioteca do Bairro - BiblioBairro Anil surgiu em janeiro de 2013 quando Mariany Carvalho, atualmente voluntária do projeto, decidiu pôr em prática a iniciativa após perceber uma necessidade não só sua, mas também de muitos outros moradores da comunidade: a necessidade de um espaço cultural no bairro, onde a população pudesse desfrutar dos livros e inseri-los no seu cotidiano. Esta ideia, na verdade, foi uma forma de promover uma transformação no bairro, que sofre atualmente com uma série de problemas sociais que encontram solução através da educação.

E&F: Como foi o processo de identificação dessa necessidade no bairro e quais foram as observações constatadas durante a pesquisa com os moradores?
BIBLIOBAIRRO: Conversando com pessoas de todas as idades que moram na região foi possível notar a insatisfação com a situação do bairro, que vem se prolongando ao longo dos anos sem soluções efetivas e nenhuma mobilização para que isto se modifique. Os jovens, em especial, são os mais inquietos quanto às potencialidades que a comunidade tem, mas que atualmente se afoga em descaso. Além disso, muitas mães e pais em busca de uma educação melhor para os filhos reclamam da ausência de bibliotecas e outros espaços de estudo para usufruto dos filhos. Durante os quatro meses de entrevistas, os voluntários puderam avaliar de perto e entender essas necessidades, conhecendo melhor a comunidade e divulgando o projeto, que teve ótima aceitação.

E&F: Quantas pessoas estão envolvidas na mobilização da criação dessa biblioteca, quais as formações delas e o que é necessário para participar? 
BIBLIOBAIRRO: Atualmente a BiblioBairro conta com a participação de 12 voluntários, além do apoio das Agentes Comunitárias de Saúde - ACS's da região e de alguns parceiros que tivemos o prazer de conhecer durante nossa trajetória. Os participantes do projeto são das mais diversas formações - Relações Públicas, Design, Ciência da Computação, Artes Visuais, entre outros -, e para participar basta apenas ter afinidade pelo projeto e disponibilidade para ajudar. Os interessados devem entrar em contato conosco através do telefone, facebook ou email.

E&F: Como foi a receptividade das pessoas consultadas e como tem sido a participação dos moradores no projeto?
BIBLIOBAIRRO: Os moradores gostaram muito da iniciativa e dão grande apoio para que a BiblioBairro possa ser implantada de fato. Alguns moradores, incluindo as ACS's que moram na região, também ajudam bastante na venda de rifas, na divulgação e na realização de ações, por exemplo. 

E&F: Com quais recursos vocês pretendem manter o espaço? Já há uma sede?
BIBLIOBAIRRO: Por enquanto o projeto ainda não possui uma sede, e consegui-la tem sido nossa prioridade. Para o nosso projeto estas têm sido as maiores dificuldades: espaço físico e manutenção da iniciativa. Apesar de ser um projeto de grande importância para a sociedade, nem sempre é fácil encontrar apoio financeiro para tal. Pretendemos manter o projeto através da colaboração de patrocinadores e também através de pequenas atividades beneficentes, como rifas, brechós e bazares.

E&F: Por que vocês acreditam que esse seja um projeto pelo qual vale a pena se mobilizar, sobretudo sob caráter voluntário?
BIBLIOBAIRRO: Acreditamos que a chave pra resolução de muitos problemas sociais no nosso bairro, cidade ou país está na consciência crítica que cada pessoa pode desenvolver e, consequentemente, nas ações que podem ser realizadas a fim de que a realidade melhore. A BiblioBairro é um projeto que vale a pena ser apoiado e estimulado por atingir o setor que é o principal agente de transformação de uma sociedade: a educação. Ser um voluntário, doador, parceiro ou patrocinador de projetos como este são maneiras de fazer parte dessa transformação positiva em uma comunidade.