quarta-feira, 20 de novembro de 2013

BEATLES EM FOCO

 LiverPaul celebra os 50 anos do álbum "With The Beatles" com show no Teatro da Cidade

22 de novembro é comemorado dia da música. A auspiciosa data marca em 2013 o cinquentenário de lançamento do álbum "With The Beatles", o segundo disco do quarteto inglês The Beatles. 

Importante para a música mundial, "With The Beatles" foi o álbum que levou o som inovador de John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison para o topo das paradas britânicas, ganhando o mundo nos anos seguintes. No Brasil, o disco - que conta com oito faixas dos Beatles e seis cover's -  foi lançado em 1964 com o nome "Beatlemania". 

Para celebrar o aniversário do disco cuja repercussão cunhou o termo beatlemania  pelo mundo, a banda maranhense LiverPaul sobe ao palco do Teatro da Cidade de São Luís na noite da sexta-feira (22) para um show-tributo.

Formada por Fernanda Sombra (voz), Junior Lima (guitarra e voz), Lucas Sobrinho (guitarra e voz), Paulo Silva (baixo) e Daniel Aranha (bateria), a LiverPaul homenageia os Beatles desde 2009, quando três músicos beatlemaníacos resolveram levar para o palco a experiência de tocar os sucessos do quarteto inglês.

Na breve entrevista abaixo, a vocalista Fernanda Sombra conta um pouco da formação da LiverPaul e do show de sexta-feira.

1) A LiverPaul surgiu originalmente com o nome de "Dr.Beatles" em 2009, com o intuito de tocar músicas da aclamada banda inglesa The Beatles, e mudou para o nome atual no ano seguinte, após um tributo ao Paul McCartney. Como a obra do famoso quarteto de Liverpool chegou aos integrantes da banda e motivou-os a formar um cover?

A banda surgiu de um encontro de beatlemaníacos. Nesse encontro eu (FernandaSombra) e o Lucas conhecemos o Lima e alguns meses depois resolvemos montar uma banda. Nós três tivemos contato com a música dos rapazes de Liverpool na infância e juntamente com o Paulo, outro fanático que conhecemos uns anos depois, a LiverPaul fechou o time beatlelógico. Mas contamos também com o Daniel na bateria, mas ele, apesar de já conhecer os Beatles, ainda está no processo de inserção na beatlemania.    

2) Como o repertório é escolhido e quais cuidados vocês dedicam à execução dele? Diferentemente da formação dos Beatles, a LiverPaul conta com uma mulher entre os integrantes. De qual tipo de cover a LiverPaul mais se aproxima: do que busca prestar um tributo apresentando-se de forma semelhante ao homenageado; o que promove releituras e uma reelaboração da obra original; ou ainda um pouco de cada?

LiverPaul
A escolha do repertório é bem complicada, por sermos fãs, temos muita dificuldade para escolher uma e deixar de tocar outra, já que o repertório completo da banda é enorme. Mas nesse show em especial, não tivemos dificuldade pois é um tributo a um disco específico, o segundo da banda. Nós tentamos ser o mais fiel possível em relação aos arranjos e tudo mais. Mas em relação ao figurino e integrantes, não obedecemos à risca, pois nos preocupamos mais com o resgate da sonoridade e não com o cabelo que eles usavam, por exemplo. E o fato de ser a mulher da banda está mais associado à banda que o Paul formou depois dos fim dos Beatles, Wings, já que a LiverPaul foi pensada originalmente como uma banda tributo ao McCartney. E os Wings contam com uma mulher na formação também. 

3) Em 2012, a LiverPaul participou da etapa maranhense da BeatleWeek Brasil, evento que percorre o país com exposição de objetos e curiosidades sobre os Beatles e apresentações culturais com bandas cover's, jogos e outras atrações. Como é a experiência de imersão na beatlemania para quem não se contenta somente em apreciar o trabalho dos Beatles ou tomá-los como influência para uma nova produção musical, mas deseja homenageá-los dedicando-se exclusivamente à execução de seu repertório? Gostaria que contassem um pouco sobre a preparação de vocês, como são os ensaios e o sentimento de representar no palco uma banda tão significativa para a cultura mundial.

Pra gente é uma honra tocar Beatles por tudo que a banda representa no cenário mundial por mais de 50 anos. Tocamos apaixonadamente, pois nada melhor do que tocar o que gosta para fazer bem feito. 

Para saber mais sobre a LiverPaul, acesse a página da banda no Facebook.

SERVIÇO:
O quê? Show LiverPaul – Tributo aos 50 anos do álbum “With the Beatles”.
Quando? 22 de novembro de 2013, às 20h.
Onde? Teatro da Cidade de São Luís (Rua do Egito, Centro. Antigo Cine Roxy).
Quanto: Ingressos antecipados à venda na Loja Nonsense (Oficce Tower - Renascença) a R$ 15,00. A venda na bilheteria do Teatro da Cidade será feita a partir da quarta-feira (20/11).

domingo, 17 de novembro de 2013

PEDEGINJA EM FOCO

A festa da colheita da Pedeginja

O palco do Teatro da Cidade de São Luís recebeu na noite da última sexta-feira (15) o show de lançamento do disco “Contos Cotidianos”, da banda maranhense Pedeginja. O espetáculo apresentado pela trupe composta por dez músicos, com a participação especial da cantora Nathalia Ferro, superou a expectativa de festa proposta pela banda com uma animadíssima celebração do primeiro registro fonográfico do grupo. Abaixo, meu relato afetivo sobre a experiência musical.

O grande jornalista Zema Ribeiro já descreveu com precisão cirúrgica o que foi o show em seu blog, consagrando a maturidade do álbum de estreia “Contos Cotidianos” com a crítica “A Pedeginja já brota madura”.

Comentando com o amigo André Bandeira sobre a ótima crítica do Zema, considerei que pouco teria a escrever depois do muito que foi dito e com o qual concordo em grande parte. Fora que acompanho a banda desde as primeiras músicas disponibilizadas na internet, assisti a várias apresentações ao vivo em festivais como Mulambo (2011), Projeto BR 135 (2012), Sesc Amazônia das Artes (2013), entre outros. Já ‘tô naquela de cantar as músicas, cumprimentar os músicos, abraçar o Paulo. Já tenho uma relação afetiva com a banda. Agora é tarde, estou lambuzada com o som da Pedeginja, penso comigo. Pois eis que Bandeira, inspirado pelo show de sexta e ainda sob efeito dos versos de Paulo César Linhares, aconselhou-me então “mostre que ‘a poesia em seu peito tem abrigo para além da reta razão’ ”, citando um trecho de "Talvez" (Paulo César Linhares). Dá para resistir? Não, não dá. Pus-me a escrever então, o relato que me cabe.

Antes de chegar na festa da colheita celebrada com o show de sexta, a hoje trupe vem semeando e cultivando e regando e podando sua árvore sonora há algum tempo. O fruto maduro apresentado agora resulta de um tempo de maturação que pode ser acompanhado à olhos vistos nos últimos três anos. E isso é muito bonito de perceber.

A Pedeginja chegou até mim lá atrás, em 2011, através da indicação de uma menina chamada Jéssica Mendes, que não por acaso está nos agradecimentos no encarte do disco: Jéssica fui uma das grandes incentivadoras para que a banda se levasse a sério. Pois bem, amizade de twitter, Jéssica já era para mim uma figura admirável pelo notável desempenho acadêmico no curso de Medicina da UFMA e dona de uma veia literária fantástica, espalhada pelos vários blogs que ela conseguia manter. Uma pessoa a se considerar. Pois então levei super em consideração a sugestão do perfil @antitetica e fui espiar o link do então myspace da banda. “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), a tal certidão de nascimento da banda de nome curioso, me agradou rapidamente. E desde então torci por um show ao vivo para que pudesse conhecer o desempenho de palco da Pedeginja (porque sou um bocado enjoada com o abismo que às vezes há entre o desempenho ao vivo e o de estúdio).

Logo que tive oportunidade de vê-los ao vivo, constatei que a Pedeginja era um arraso. Apresentação alegre, músicos entrosados, tecnicamente competentes, com presenças bem marcadas e uma interação saudável com o público. Tinham um ar profissional, passavam segurança na execução dos cover’s e originalidade no repertório próprio. Chamava a minha atenção o respeito pelo público. E isso é importante sempre. Sejam iniciantes, sejam veteranos. Com todos esses atributos, a Pedeginja surgia então ao público na sua melhor primavera, oferecendo música em flor.

Acompanhar a transformação da flor no saboroso fruto para ser degustado com ouvidos atentos que é o “Contos Cotidianos” é uma imensa alegria. Como jornalista, como admiradora do trabalho e como amiga, que me considero por sempre ser tratada com imensa gentileza pelos músicos. 

#apedeginjachegou
Os vocalistas Jéssica Góis e Jovi Miranda
O sucesso do show de lançamento do disco de estreia da Pedeginja, repercutido pelos tantos depoimentos que vem surgindo na rede desde sexta, é uma vitória dos integrantes da banda, que honram a boa música, respeitam suas influências, preocupam-se com a conciliação da estética com a técnica e são talentosíssimos no que se propõem a fazer. 

Paulo César Linhares
Nathalia Ferro e Jovi Miranda
Curiosamente, ouvi o disco antes do show e assim como quando tudo começou na minha relação com a banda, esperei ansiosa pelo ao vivo, com a diferença de que agora o sentimento era de uma expectativa boa, uma torcida para que tudo desse certo. Pois no show de sexta, o disco esteve lá sim. Redondinho, limpo, bem amarrado, com os ruídos inescapáveis do que é ao vivo, só que incrivelmente melhor. Porque havia o calor da presença da trupe, haviam os sorrisos e olhares que os músicos trocavam entre si e dedicavam à plateia, havia a dança contagiante do elétrico trompetista Bigorna ladeado por seus competentes companheiros dos metais, os também dançantes Davi Neves e Paulo Vinícius, havia a alma da bateria que é André Grolli, os prodigiosos Pedro Vinícius e Sandoval Filho, o intergaláctico teclado de Dney Justino, a sensível gaita de Pedro dos Anjos, os charmosos Jovi Miranda e Jéssica Góis, a grande presença do Paulo e ainda a acertada participação de Nathalia Ferro, que preencheu o palco com sua presença teatral em uma visceral interpretação dividida com Jovi Miranda. 

E antes que este relato afetivo pareça parcial demais (se já não parece), acrescento a 'ginja' do bolo a fim de fundamentar meus elogios: o show foi prestigiado por ninguém menos que Zé Chave, o incrível personagem da cena cultural local que não hesita em acompanhar as bandas tocando seu ritmado molho de chaves durante o show, seja lá do seu lugarzinho na plateia ou mesmo do palco, quando a banda o convida para uma participação especial. Esqueça tudo o que você sabe sobre penetras como termômetro de festa de sucesso. Em São Luís, quem mede se o evento vale a pena ou não é a presença de Zé da Chave, fabuloso termômetro do nível de prestígio de um evento local.

Empanturrada com o banquete sonoro da Pedeginja, só posso sugerir que as pessoas comprem o disco, ouçam com atenção, estejam nos show's e fiquem à vontade na festa da trupe. Porque agora não tem mais para onde correr: #apedeginjachegou. 

Zé da Chave é convidado ao palco para encerrar o show com chave (literalmente) de ouro (no sentido figurado, só pra constar).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

LANÇAMENTO EM FOCO

Pedeginja lança primeiro disco, “Contos Cotidianos”, com expectativa de festa no Teatro da Cidade

Quando os primeiros acordes de “Tire seu cavalo da chuva”, canção composta por Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius, foram lançados na internet demarcando a existência de uma tal banda chamada Pedeginja nos idos de 2010, talvez seus idealizadores não imaginassem quantas cores, flores, amores e rock’s preencheriam os dias pelos três anos seguintes, nem quantas pessoas se juntariam para extrair poesia do cotidiano. 

Inicialmente formada por Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais), a banda maranhense Pedeginja hoje é uma verdadeira trupe composta por dez integrantes - André Grolli (bateria), Sandoval Filho (baixo), Pedro Vinícius (guitarra), Davi Neves (sax alto), Paulo Vinícius (sax tenor), Romildo Bigorna (trompete), Dney Justino (teclado), Jéssica Góis (voz), Jovi Miranda (voz) e Paulo César Linhares (guitarra e voz). E é esta turma que deve subir ao palco do Teatro da Cidade de São Luís na noite da sexta-feira (15/11) para festejar o lançamento do primeiro disco da banda em um show com participação especial da cantora Nathalia Ferro.

Parte da trupe (da esq. para dir.): Sandoval Filho, Jéssica Góis, Paulo César Linhares (ao fundo), Pedro Vinícius, André Grolli (ao fundo), Jovi Miranda. 
“Contos Cotidianos” conta com dez faixas autorais e chega ao público como um registro de estúdio que marca o amadurecimento da banda, construído durante uma trajetória de apresentações em festivais e mostras culturais como o Sesc Amazônia das Artes (2013). No disco, estão canções já conhecidas do público como “Tire seu cavalo da chuva”, “Talvez”, “Salsa de um ex-amor”, entre outras. 

Musicalmente, destacam-se os arranjos que ganharam ares festivos com a incorporação dos metais à banda e o casamento da solar voz de Jovi Miranda, que parece cantar sorrindo, com o delicado vocal feminino de Jéssica Góis. As conhecidas intervenções poéticas de Paulo César Linhares também estão presentes em “Contos Cotidianos”, que celebra com crítica e humor temas da atualidade. Das mais de dez mil poesias propostas por um olhar atento à condução de cada dia (“Vou poetar o que vejo/ e tantas vezes nem vejo/ na condução de cada dia./ É tanta coisa, é tanta gente/ que é cenário perfeito pra mais de/ dez mil poesias”, "Condução" – Paulo C. Linhares) à reflexão sobre as rupturas de conceitos propostas por este mundo hiper-pós-moderno (“Vovó exalta que esse mundo anda solto/ que a juventude exala sexo pelos poros./E que a família já não é mais a trindade/ tem pai com pai e mãe com mãe,/ bem à vontade/ Mas, desde quando esse mundo não foi/ Virado assim ou mais”, "Vovó de férias no séc.XXI", Paulo C. Linhares), sem escapar ainda das inevitáveis dores de amor (“Por mais que a chaga/ de ser seu melhor amigo/ e a sua fama de mulher sem coração/ me digam não/ hei de mostrar que a poesia/ em seu peito tem abrigo/ para além da reta razão.”, "Talvez" – P.C.L) e o divertido alerta sobre o mentiroso que mora em cada um de nós (“... pernas curtas são bem vindas/ quando vestem 'sainhas'./ Todos tem um pouco,/ pode acreditar, ó/ de um mentiroso./ Se disser "eu não"/ É como confessar.”, "Pernas curtas" – P.C.L). Isso tudo sem esquecer da faixa inicial, "Conto de um Pé-de-Ginja" que brinca com a história do nome da banda. Alguém disse aos meninos que a "ginja" seria uma fruta típica local, daí que a ideia de nomear a banda como "pé de ginja" caberia perfeito à proposta de fazer algo legitimamente maranhense se não fosse por um detalhe: a ginja é uma cereja portuguesa, sem ligação com o Maranhão ("Duma mentira mal contada,/ ou dum conto com pontos de menos/ se fez uma grande trupeada./ Um pé-de-ginja furou os azulejos/ e lombrou o azul colonial ludovicense/ Com a pujança de seus ramos multiformeados." P.C.L). Verdade ou mentira, o nome pegou e ressignificado pela banda resultou na divertida faixa que abre o disco e pode ser escutada como um convite para a festa sonora que é "Contos Cotidianos".

Na entrevista a seguir, a Pedeginja fala sobre o processo de produção do disco, a formação da trupe e as expectativas para o show de lançamento do "Contos Cotidianos".

1) A Pedeginja surgiu no cenário da música maranhense em 2010, quando disponibilizou para audição na internet a canção "Tire o seu cavalo da chuva" (Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius). Desde então, a banda se apresentou em festivais, mostras culturais e abriu shows de nomes como Marcelo Camelo e Paralamas do Sucesso. Em 2013 lança seu primeiro disco de estúdio, intitulado "Contos Cotidianos" reunindo dez canções próprias. Como a experiência de palco e interação com público encaminhou a banda para a gravação de um disco com repertório próprio e como foi a criação desse repertório nesses três anos de existência?

Pedeginja: A Pedeginja surgiu junto com outras bandas de São Luís que tinham a proposta autoral como foco. Desde o primeiro show, ainda em 2010, cantamos nossas próprias músicas misturadas às nossas influências sonoras. A vivência de palco e a interação com o público foram dois elementos fundamentais para o amadurecimento da banda. Diferentemente de outros grupos que surgem nos cenários culturais com o lançamento de um álbum, a Pedeginja teve de caminhar durante três anos para reunir condições artísticas e estruturais para lançar o primeiro disco. “Contos Cotidianos” é um trabalho que tenta ser fiel às coisas que foram construídas na nossa vivência de palco.

Tanto é assim, que o disco acaba tendo uma pitada de ao vivo, mesmo sendo todo gravado em estúdio. Reproduzimos os cacoetes, os lalaiás e as intervenções de modo semelhante ao que acontece nos shows. 

O repertório foi consequência desse processo. Durante os três anos, alguns interesses mudaram, e algumas ideias envelheceram, de modo que não foram pro álbum. É um disco que, de certa forma, presenteia quem acompanhou toda a trajetória e também deixa dicas dos nossos interesses futuros.

2) Paulo César Linhares assina nove, das dez faixas do disco. Como o processo de criação dessas composições se relaciona com a identidade da banda e como os principais intérpretes - Jéssica Góis e Jovi Miranda - interagem com o repertório?

Pedeginja: Dentre as faixas do álbum, a única que não tem a assinatura do Paulo César é “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), que é a certidão de nascimento da banda. As outras nove canções foram todas criadas entre 2011 e 2012, enquanto forjávamos nossa identidade. A formação do Paulo César compositor e da Pedeginja são coisas concomitantes, não foi uma situação imposta ou programada.  Ele ia apresentando as composições nos ensaios e nós selecionávamos aquilo que achávamos interessante para a banda. Muita coisa ficou pra depois ou foi descartada mesmo. Não quer dizer que o Paulo César seja o nosso compositor perpétuo e exclusivo, estamos sempre abertos a canções escritas por outros integrantes, mas as coisas aconteceram dessa maneira.

De toda forma, apesar das composições terem partido das vivências do Paulo César, até que chegassem ao público, muita coisa da banda foi incorporada. Antes de uma música nova ser tocada em show, se passam vários ensaios, nos quais toda a banda sente o clima da música. A música chega crua e só sai depois de agregar um tanto de cada um. Assim que a identidade da banda foi se construindo, da seleção do repertório até o modo como as músicas são tocadas. 

O Jovi Miranda, por ser integrante da banda desde a formação inicial, teve uma participação mais intensa nisso tudo. Mas a Jéssica, que entrou só em 2012, acabou contribuindo no processo de gravação do disco, quando as músicas foram rearranjadas. Então quando o Jovi e a Jéssica cantam, já estão habituados e confortáveis com a música. A música que eles cantam já tem um pouco deles também. 

3) Desde seu surgimento, a banda passou por mudanças na formação original. Alguns músicos saíram e novos foram incorporados, incluindo um trio de metais, uma voz feminina e um gaitista. O que a incorporação desses novos integrantes e elementos sonoros trazidos por eles trouxe para o som da Pedeginja e agregou ao que a banda gosta de produzir?

Pedeginja: A banda começou com Pedro Vinícius e Rômulo Pacheco, mas com a saída de Rômulo e a entrada do Paulo César é que as coisas ganharam forma. Quando a banda se apresentou pela primeira vez em 2010 tinha a formação possível. No primeiro show tocamos com Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais). Formação que se manteve mais ou menos constante até 2012. Nesse período só ocorriam alterações quando os metais eram reforçados pela presença de Jairo Ponte (trompete) e Paulo Vinícius (Saxofone Alto).

Em 2012 as coisas começaram a mudar com a entrada da Jéssica nos vocais e a saída do Jairo Ponte – que teve de retornar a Fortaleza. Mas foi em 2013, já durante as gravações do disco, que a banda experimentou uma mudança maior: o Dinho Linhares deixou a banda; o Sandoval Filho, ex-baterista, assumiu o baixo; André Grolli entrou na bateria; nos metais houve a entrada de Davi Neves (saxofone tenor) e Romildo Bigorna (trompete); e Dney Justino surgiu com seus teclados. Além disso, o Pedro dos Anjos, antes no saxofone, passou a ser responsável pela gaita. 

Cada músico que entra ou sai altera a energia da banda e o modo como nos relacionamos. Mas no caso, a presença desses novos integrantes foi resultado do amadurecimento da proposta, que de certa forma já demandava muitos elementos. Se antes não conhecíamos ou não tínhamos condições de ter tantas pessoas tocando conosco, hoje temos a felicidade de formar essa trupe. É um desafio manter tanta gente tocando junta, mas por enquanto, ninguém fala em diminuir a banda. (riso!)

4) Quais as principais referências da banda - musicais, poéticas... - para compor e tocar?

Pedeginja: A Pedeginja aglutina muitas influências, coisas mais ou menos aparentes. Bebemos na fonte da música brasileira. Cartola, Paulinho da Viola, Chico, Caetano, Mutantes, Secos e Molhados, Clube da Esquina, Luiz Melodia e Wilson Simonal são alguns nomes que fizeram parte da nossa formação musical. Mas a sonoridade é influenciada de forma mais forte pelos artistas contemporâneos, e aí seria até desonestidade deixar de citar Marcelo Camelo, Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acaju, Mombojó, Tulipa Ruiz, Bárbara Eugênia, The Strokes, Franz Ferdinand, Lucas Santanna, Nova Bossa...

Pra compor tem um pouco de poesia moderna (Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira...); de cotidiano e dor de cotovelo também.

5) Em "Conto de um Pé-de-Ginja", o Paulo poetiza a história do nome da banda e acaba fazendo uma apresentação através da metáfora da árvore (a banda), seus ramos (influências/referências/intenções) e seus frutos (o som). Essa música em si é uma amostra da banda, com seus temas, som festivo e as intervenções poéticas do próprio Paulo em diálogo com os vocais da Jéssica e do Jovi. Quando vocês descobriram que a tal Ginja não era uma fruta típica maranhense e portanto, não representava algo local como a banda gostaria, por que resolveram manter o nome e como o contorno da situação influenciou no som que a banda queria fazer?

Pedeginja: A origem do nome das bandas acaba tendo sempre as piores histórias, né? Mas foi divertido manter um pé-de-ginja que não é ludovicense, não é maranhense, não é brasileiro e se tornou um pouco de tudo isso. O fracasso do nome em ser tipicamente maranhense acabou prenunciando também sobre o som da banda.

Na falta de melhores opções, ressignificar foi uma boa saída. “Pedeginja” (tudo junto e sem acento) é como ter um pé aqui em São Luís e em Portugal; no colonizado e no colonizador; no violão e na guitarra; no indie rock e na mpb; no pop e no underground. Gostamos de ter essa liberdade. 

6) Por fim, o que o público pode esperar do show de lançamento do "Contos Cotidianos"?

Pedeginja: Estamos muito contentes com o lançamento, preparando as coisas pra todo mundo curtir o melhor que a banda pode oferecer. Queremos fazer do Teatro da Cidade de São Luís uma festa.  Vamos tocar as 10 faixas do disco, algumas reescrituras, duas músicas novas e ainda vai ter espaço pra participação especialíssima de Nathalia Ferro. É a Pedeginja que vem chegando!

SERVIÇO

O que: Show de lançamento do disco "Contos Cotidianos" da Pedeginja
Quando: 15 de Novembro de 2013, às 19h30
Onde: Teatro da Cidade de São Luís (Rua do Egito, Centro. Antigo Cine Roxy)
Quanto: Ingressos antecipados na bilheteria do Teatro e com os membros da banda a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Os discos serão vendidos no local a R$ 15,00.