segunda-feira, 4 de novembro de 2013

LANÇAMENTO EM FOCO

Pedeginja lança primeiro disco, “Contos Cotidianos”, com expectativa de festa no Teatro da Cidade

Quando os primeiros acordes de “Tire seu cavalo da chuva”, canção composta por Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius, foram lançados na internet demarcando a existência de uma tal banda chamada Pedeginja nos idos de 2010, talvez seus idealizadores não imaginassem quantas cores, flores, amores e rock’s preencheriam os dias pelos três anos seguintes, nem quantas pessoas se juntariam para extrair poesia do cotidiano. 

Inicialmente formada por Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais), a banda maranhense Pedeginja hoje é uma verdadeira trupe composta por dez integrantes - André Grolli (bateria), Sandoval Filho (baixo), Pedro Vinícius (guitarra), Davi Neves (sax alto), Paulo Vinícius (sax tenor), Romildo Bigorna (trompete), Dney Justino (teclado), Jéssica Góis (voz), Jovi Miranda (voz) e Paulo César Linhares (guitarra e voz). E é esta turma que deve subir ao palco do Teatro da Cidade de São Luís na noite da sexta-feira (15/11) para festejar o lançamento do primeiro disco da banda em um show com participação especial da cantora Nathalia Ferro.

Parte da trupe (da esq. para dir.): Sandoval Filho, Jéssica Góis, Paulo César Linhares (ao fundo), Pedro Vinícius, André Grolli (ao fundo), Jovi Miranda. 
“Contos Cotidianos” conta com dez faixas autorais e chega ao público como um registro de estúdio que marca o amadurecimento da banda, construído durante uma trajetória de apresentações em festivais e mostras culturais como o Sesc Amazônia das Artes (2013). No disco, estão canções já conhecidas do público como “Tire seu cavalo da chuva”, “Talvez”, “Salsa de um ex-amor”, entre outras. 

Musicalmente, destacam-se os arranjos que ganharam ares festivos com a incorporação dos metais à banda e o casamento da solar voz de Jovi Miranda, que parece cantar sorrindo, com o delicado vocal feminino de Jéssica Góis. As conhecidas intervenções poéticas de Paulo César Linhares também estão presentes em “Contos Cotidianos”, que celebra com crítica e humor temas da atualidade. Das mais de dez mil poesias propostas por um olhar atento à condução de cada dia (“Vou poetar o que vejo/ e tantas vezes nem vejo/ na condução de cada dia./ É tanta coisa, é tanta gente/ que é cenário perfeito pra mais de/ dez mil poesias”, "Condução" – Paulo C. Linhares) à reflexão sobre as rupturas de conceitos propostas por este mundo hiper-pós-moderno (“Vovó exalta que esse mundo anda solto/ que a juventude exala sexo pelos poros./E que a família já não é mais a trindade/ tem pai com pai e mãe com mãe,/ bem à vontade/ Mas, desde quando esse mundo não foi/ Virado assim ou mais”, "Vovó de férias no séc.XXI", Paulo C. Linhares), sem escapar ainda das inevitáveis dores de amor (“Por mais que a chaga/ de ser seu melhor amigo/ e a sua fama de mulher sem coração/ me digam não/ hei de mostrar que a poesia/ em seu peito tem abrigo/ para além da reta razão.”, "Talvez" – P.C.L) e o divertido alerta sobre o mentiroso que mora em cada um de nós (“... pernas curtas são bem vindas/ quando vestem 'sainhas'./ Todos tem um pouco,/ pode acreditar, ó/ de um mentiroso./ Se disser "eu não"/ É como confessar.”, "Pernas curtas" – P.C.L). Isso tudo sem esquecer da faixa inicial, "Conto de um Pé-de-Ginja" que brinca com a história do nome da banda. Alguém disse aos meninos que a "ginja" seria uma fruta típica local, daí que a ideia de nomear a banda como "pé de ginja" caberia perfeito à proposta de fazer algo legitimamente maranhense se não fosse por um detalhe: a ginja é uma cereja portuguesa, sem ligação com o Maranhão ("Duma mentira mal contada,/ ou dum conto com pontos de menos/ se fez uma grande trupeada./ Um pé-de-ginja furou os azulejos/ e lombrou o azul colonial ludovicense/ Com a pujança de seus ramos multiformeados." P.C.L). Verdade ou mentira, o nome pegou e ressignificado pela banda resultou na divertida faixa que abre o disco e pode ser escutada como um convite para a festa sonora que é "Contos Cotidianos".

Na entrevista a seguir, a Pedeginja fala sobre o processo de produção do disco, a formação da trupe e as expectativas para o show de lançamento do "Contos Cotidianos".

1) A Pedeginja surgiu no cenário da música maranhense em 2010, quando disponibilizou para audição na internet a canção "Tire o seu cavalo da chuva" (Rômulo Pacheco e Pedro Vinícius). Desde então, a banda se apresentou em festivais, mostras culturais e abriu shows de nomes como Marcelo Camelo e Paralamas do Sucesso. Em 2013 lança seu primeiro disco de estúdio, intitulado "Contos Cotidianos" reunindo dez canções próprias. Como a experiência de palco e interação com público encaminhou a banda para a gravação de um disco com repertório próprio e como foi a criação desse repertório nesses três anos de existência?

Pedeginja: A Pedeginja surgiu junto com outras bandas de São Luís que tinham a proposta autoral como foco. Desde o primeiro show, ainda em 2010, cantamos nossas próprias músicas misturadas às nossas influências sonoras. A vivência de palco e a interação com o público foram dois elementos fundamentais para o amadurecimento da banda. Diferentemente de outros grupos que surgem nos cenários culturais com o lançamento de um álbum, a Pedeginja teve de caminhar durante três anos para reunir condições artísticas e estruturais para lançar o primeiro disco. “Contos Cotidianos” é um trabalho que tenta ser fiel às coisas que foram construídas na nossa vivência de palco.

Tanto é assim, que o disco acaba tendo uma pitada de ao vivo, mesmo sendo todo gravado em estúdio. Reproduzimos os cacoetes, os lalaiás e as intervenções de modo semelhante ao que acontece nos shows. 

O repertório foi consequência desse processo. Durante os três anos, alguns interesses mudaram, e algumas ideias envelheceram, de modo que não foram pro álbum. É um disco que, de certa forma, presenteia quem acompanhou toda a trajetória e também deixa dicas dos nossos interesses futuros.

2) Paulo César Linhares assina nove, das dez faixas do disco. Como o processo de criação dessas composições se relaciona com a identidade da banda e como os principais intérpretes - Jéssica Góis e Jovi Miranda - interagem com o repertório?

Pedeginja: Dentre as faixas do álbum, a única que não tem a assinatura do Paulo César é “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), que é a certidão de nascimento da banda. As outras nove canções foram todas criadas entre 2011 e 2012, enquanto forjávamos nossa identidade. A formação do Paulo César compositor e da Pedeginja são coisas concomitantes, não foi uma situação imposta ou programada.  Ele ia apresentando as composições nos ensaios e nós selecionávamos aquilo que achávamos interessante para a banda. Muita coisa ficou pra depois ou foi descartada mesmo. Não quer dizer que o Paulo César seja o nosso compositor perpétuo e exclusivo, estamos sempre abertos a canções escritas por outros integrantes, mas as coisas aconteceram dessa maneira.

De toda forma, apesar das composições terem partido das vivências do Paulo César, até que chegassem ao público, muita coisa da banda foi incorporada. Antes de uma música nova ser tocada em show, se passam vários ensaios, nos quais toda a banda sente o clima da música. A música chega crua e só sai depois de agregar um tanto de cada um. Assim que a identidade da banda foi se construindo, da seleção do repertório até o modo como as músicas são tocadas. 

O Jovi Miranda, por ser integrante da banda desde a formação inicial, teve uma participação mais intensa nisso tudo. Mas a Jéssica, que entrou só em 2012, acabou contribuindo no processo de gravação do disco, quando as músicas foram rearranjadas. Então quando o Jovi e a Jéssica cantam, já estão habituados e confortáveis com a música. A música que eles cantam já tem um pouco deles também. 

3) Desde seu surgimento, a banda passou por mudanças na formação original. Alguns músicos saíram e novos foram incorporados, incluindo um trio de metais, uma voz feminina e um gaitista. O que a incorporação desses novos integrantes e elementos sonoros trazidos por eles trouxe para o som da Pedeginja e agregou ao que a banda gosta de produzir?

Pedeginja: A banda começou com Pedro Vinícius e Rômulo Pacheco, mas com a saída de Rômulo e a entrada do Paulo César é que as coisas ganharam forma. Quando a banda se apresentou pela primeira vez em 2010 tinha a formação possível. No primeiro show tocamos com Paulo César e Pedro Vinícius (guitarras), Dinho Linhares (Baixo), Pedro dos Anjos (Saxofone Tenor), Sandoval Filho (Bateria) e Jovi Miranda (vocais). Formação que se manteve mais ou menos constante até 2012. Nesse período só ocorriam alterações quando os metais eram reforçados pela presença de Jairo Ponte (trompete) e Paulo Vinícius (Saxofone Alto).

Em 2012 as coisas começaram a mudar com a entrada da Jéssica nos vocais e a saída do Jairo Ponte – que teve de retornar a Fortaleza. Mas foi em 2013, já durante as gravações do disco, que a banda experimentou uma mudança maior: o Dinho Linhares deixou a banda; o Sandoval Filho, ex-baterista, assumiu o baixo; André Grolli entrou na bateria; nos metais houve a entrada de Davi Neves (saxofone tenor) e Romildo Bigorna (trompete); e Dney Justino surgiu com seus teclados. Além disso, o Pedro dos Anjos, antes no saxofone, passou a ser responsável pela gaita. 

Cada músico que entra ou sai altera a energia da banda e o modo como nos relacionamos. Mas no caso, a presença desses novos integrantes foi resultado do amadurecimento da proposta, que de certa forma já demandava muitos elementos. Se antes não conhecíamos ou não tínhamos condições de ter tantas pessoas tocando conosco, hoje temos a felicidade de formar essa trupe. É um desafio manter tanta gente tocando junta, mas por enquanto, ninguém fala em diminuir a banda. (riso!)

4) Quais as principais referências da banda - musicais, poéticas... - para compor e tocar?

Pedeginja: A Pedeginja aglutina muitas influências, coisas mais ou menos aparentes. Bebemos na fonte da música brasileira. Cartola, Paulinho da Viola, Chico, Caetano, Mutantes, Secos e Molhados, Clube da Esquina, Luiz Melodia e Wilson Simonal são alguns nomes que fizeram parte da nossa formação musical. Mas a sonoridade é influenciada de forma mais forte pelos artistas contemporâneos, e aí seria até desonestidade deixar de citar Marcelo Camelo, Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acaju, Mombojó, Tulipa Ruiz, Bárbara Eugênia, The Strokes, Franz Ferdinand, Lucas Santanna, Nova Bossa...

Pra compor tem um pouco de poesia moderna (Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira...); de cotidiano e dor de cotovelo também.

5) Em "Conto de um Pé-de-Ginja", o Paulo poetiza a história do nome da banda e acaba fazendo uma apresentação através da metáfora da árvore (a banda), seus ramos (influências/referências/intenções) e seus frutos (o som). Essa música em si é uma amostra da banda, com seus temas, som festivo e as intervenções poéticas do próprio Paulo em diálogo com os vocais da Jéssica e do Jovi. Quando vocês descobriram que a tal Ginja não era uma fruta típica maranhense e portanto, não representava algo local como a banda gostaria, por que resolveram manter o nome e como o contorno da situação influenciou no som que a banda queria fazer?

Pedeginja: A origem do nome das bandas acaba tendo sempre as piores histórias, né? Mas foi divertido manter um pé-de-ginja que não é ludovicense, não é maranhense, não é brasileiro e se tornou um pouco de tudo isso. O fracasso do nome em ser tipicamente maranhense acabou prenunciando também sobre o som da banda.

Na falta de melhores opções, ressignificar foi uma boa saída. “Pedeginja” (tudo junto e sem acento) é como ter um pé aqui em São Luís e em Portugal; no colonizado e no colonizador; no violão e na guitarra; no indie rock e na mpb; no pop e no underground. Gostamos de ter essa liberdade. 

6) Por fim, o que o público pode esperar do show de lançamento do "Contos Cotidianos"?

Pedeginja: Estamos muito contentes com o lançamento, preparando as coisas pra todo mundo curtir o melhor que a banda pode oferecer. Queremos fazer do Teatro da Cidade de São Luís uma festa.  Vamos tocar as 10 faixas do disco, algumas reescrituras, duas músicas novas e ainda vai ter espaço pra participação especialíssima de Nathalia Ferro. É a Pedeginja que vem chegando!

SERVIÇO

O que: Show de lançamento do disco "Contos Cotidianos" da Pedeginja
Quando: 15 de Novembro de 2013, às 19h30
Onde: Teatro da Cidade de São Luís (Rua do Egito, Centro. Antigo Cine Roxy)
Quanto: Ingressos antecipados na bilheteria do Teatro e com os membros da banda a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Os discos serão vendidos no local a R$ 15,00.

Nenhum comentário: