domingo, 17 de novembro de 2013

PEDEGINJA EM FOCO

A festa da colheita da Pedeginja

O palco do Teatro da Cidade de São Luís recebeu na noite da última sexta-feira (15) o show de lançamento do disco “Contos Cotidianos”, da banda maranhense Pedeginja. O espetáculo apresentado pela trupe composta por dez músicos, com a participação especial da cantora Nathalia Ferro, superou a expectativa de festa proposta pela banda com uma animadíssima celebração do primeiro registro fonográfico do grupo. Abaixo, meu relato afetivo sobre a experiência musical.

O grande jornalista Zema Ribeiro já descreveu com precisão cirúrgica o que foi o show em seu blog, consagrando a maturidade do álbum de estreia “Contos Cotidianos” com a crítica “A Pedeginja já brota madura”.

Comentando com o amigo André Bandeira sobre a ótima crítica do Zema, considerei que pouco teria a escrever depois do muito que foi dito e com o qual concordo em grande parte. Fora que acompanho a banda desde as primeiras músicas disponibilizadas na internet, assisti a várias apresentações ao vivo em festivais como Mulambo (2011), Projeto BR 135 (2012), Sesc Amazônia das Artes (2013), entre outros. Já ‘tô naquela de cantar as músicas, cumprimentar os músicos, abraçar o Paulo. Já tenho uma relação afetiva com a banda. Agora é tarde, estou lambuzada com o som da Pedeginja, penso comigo. Pois eis que Bandeira, inspirado pelo show de sexta e ainda sob efeito dos versos de Paulo César Linhares, aconselhou-me então “mostre que ‘a poesia em seu peito tem abrigo para além da reta razão’ ”, citando um trecho de "Talvez" (Paulo César Linhares). Dá para resistir? Não, não dá. Pus-me a escrever então, o relato que me cabe.

Antes de chegar na festa da colheita celebrada com o show de sexta, a hoje trupe vem semeando e cultivando e regando e podando sua árvore sonora há algum tempo. O fruto maduro apresentado agora resulta de um tempo de maturação que pode ser acompanhado à olhos vistos nos últimos três anos. E isso é muito bonito de perceber.

A Pedeginja chegou até mim lá atrás, em 2011, através da indicação de uma menina chamada Jéssica Mendes, que não por acaso está nos agradecimentos no encarte do disco: Jéssica fui uma das grandes incentivadoras para que a banda se levasse a sério. Pois bem, amizade de twitter, Jéssica já era para mim uma figura admirável pelo notável desempenho acadêmico no curso de Medicina da UFMA e dona de uma veia literária fantástica, espalhada pelos vários blogs que ela conseguia manter. Uma pessoa a se considerar. Pois então levei super em consideração a sugestão do perfil @antitetica e fui espiar o link do então myspace da banda. “Tire seu cavalo da chuva” (Rômulo Pacheco/Pedro Vinícius), a tal certidão de nascimento da banda de nome curioso, me agradou rapidamente. E desde então torci por um show ao vivo para que pudesse conhecer o desempenho de palco da Pedeginja (porque sou um bocado enjoada com o abismo que às vezes há entre o desempenho ao vivo e o de estúdio).

Logo que tive oportunidade de vê-los ao vivo, constatei que a Pedeginja era um arraso. Apresentação alegre, músicos entrosados, tecnicamente competentes, com presenças bem marcadas e uma interação saudável com o público. Tinham um ar profissional, passavam segurança na execução dos cover’s e originalidade no repertório próprio. Chamava a minha atenção o respeito pelo público. E isso é importante sempre. Sejam iniciantes, sejam veteranos. Com todos esses atributos, a Pedeginja surgia então ao público na sua melhor primavera, oferecendo música em flor.

Acompanhar a transformação da flor no saboroso fruto para ser degustado com ouvidos atentos que é o “Contos Cotidianos” é uma imensa alegria. Como jornalista, como admiradora do trabalho e como amiga, que me considero por sempre ser tratada com imensa gentileza pelos músicos. 

#apedeginjachegou
Os vocalistas Jéssica Góis e Jovi Miranda
O sucesso do show de lançamento do disco de estreia da Pedeginja, repercutido pelos tantos depoimentos que vem surgindo na rede desde sexta, é uma vitória dos integrantes da banda, que honram a boa música, respeitam suas influências, preocupam-se com a conciliação da estética com a técnica e são talentosíssimos no que se propõem a fazer. 

Paulo César Linhares
Nathalia Ferro e Jovi Miranda
Curiosamente, ouvi o disco antes do show e assim como quando tudo começou na minha relação com a banda, esperei ansiosa pelo ao vivo, com a diferença de que agora o sentimento era de uma expectativa boa, uma torcida para que tudo desse certo. Pois no show de sexta, o disco esteve lá sim. Redondinho, limpo, bem amarrado, com os ruídos inescapáveis do que é ao vivo, só que incrivelmente melhor. Porque havia o calor da presença da trupe, haviam os sorrisos e olhares que os músicos trocavam entre si e dedicavam à plateia, havia a dança contagiante do elétrico trompetista Bigorna ladeado por seus competentes companheiros dos metais, os também dançantes Davi Neves e Paulo Vinícius, havia a alma da bateria que é André Grolli, os prodigiosos Pedro Vinícius e Sandoval Filho, o intergaláctico teclado de Dney Justino, a sensível gaita de Pedro dos Anjos, os charmosos Jovi Miranda e Jéssica Góis, a grande presença do Paulo e ainda a acertada participação de Nathalia Ferro, que preencheu o palco com sua presença teatral em uma visceral interpretação dividida com Jovi Miranda. 

E antes que este relato afetivo pareça parcial demais (se já não parece), acrescento a 'ginja' do bolo a fim de fundamentar meus elogios: o show foi prestigiado por ninguém menos que Zé Chave, o incrível personagem da cena cultural local que não hesita em acompanhar as bandas tocando seu ritmado molho de chaves durante o show, seja lá do seu lugarzinho na plateia ou mesmo do palco, quando a banda o convida para uma participação especial. Esqueça tudo o que você sabe sobre penetras como termômetro de festa de sucesso. Em São Luís, quem mede se o evento vale a pena ou não é a presença de Zé da Chave, fabuloso termômetro do nível de prestígio de um evento local.

Empanturrada com o banquete sonoro da Pedeginja, só posso sugerir que as pessoas comprem o disco, ouçam com atenção, estejam nos show's e fiquem à vontade na festa da trupe. Porque agora não tem mais para onde correr: #apedeginjachegou. 

Zé da Chave é convidado ao palco para encerrar o show com chave (literalmente) de ouro (no sentido figurado, só pra constar).

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