quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MÚSICA EM FOCO

Marcos Lamy lança "Eu Tô é Tu" no Sesc Som Poente

O movimento de se pôr diariamente do sol evoca muitas interpretações. Demarca a passagem do dia para a noite, o fim do expediente de trabalho (para alguns), o convite para um happy hour. Poeticamente, sugere o término de um ciclo para o começo de outro.  E é por um começo solar para os novos artistas maranhenses que o "Sesc Som Poente", projeto de difusão de música autoral do Serviço Social do Comércio - Sesc/MA, realiza uma vez por mês show's de entrada gratuita no Sesc Deodoro. Música nascente no sol poente.

A última edição 2013 do projeto lança na sexta-feira (20/12) a partir das 18h, o EP "Eu Tô é Tu" do maranhense Marcos Lamy em show com participação especial do conterrâneo Tiago Máci. Disponibilizado para download no segundo semestre desse ano, o disco com seis faixas é o primeiro registro de estúdio de Lamy, que integrou a extinta banda Nova Bossa ao lado de músicos como Phill Veras, Hermes Castro e André Queiroz. 

Na entrevista abaixo, Marcos Lamy fala um pouco sobre sua experiência musical, a fase solo, o processo de composição e produção do disco, além da sua relação com o cenário musical local.

1) "Eu Tô é Tu" é teu primeiro registro de estúdio após a dissolução da Nova Bossa, que não chegou a lançar discos. Como você avalia a experiência musical adquirida com o quarteto e complementada agora na tua fase solo?

Marcos Lamy: A Nova Bossa foi onde eu descobri o que eu queria fazer, e também o que significa fazer música, com todos os prós e contras. Apesar de não termos lançado nenhum CD completo tivemos muita experiência em estúdio, pois além das 6 músicas que lançamos na internet, começamos a gravar um CD de 17 músicas que nos tomou muito tempo, mas nunca foi concluído. Já na fase solo eu tive a experiência de mudança de ares, pois apesar de ter gravado metade com Adnon Soares (que gravava a Nova Bossa) gravei a outra metade com Memel Nogueira e Os Mingongos o que foi uma experiência totalmente nova pra mim.

Lado A - Vermelho (Ilustrações por Jéssica Góis; 
Foto referência por Taciano Brito)
2) O EP apresentado com lados Vermelho e Azul lembra uma concepção comum aos discos de vinil, que traz lados A e B. Em "Eu Tô é Tu", a divisão se justifica por agrupar composições de duas fases diferentes da tua carreira, produzidas em estúdios diferentes também. O lado Vermelho traz uma pegada mais regional, com "Baião da Rosa" enquanto o lado Azul é mais intimista com "O que não é de mim", parceria com Hermes Castro. Tratam-se perceptivelmente de dois estados de espírito diferentes. Você sente, avaliando teu processo de composição, que essas fases se alternam ou que houve uma substituição de uma pela outra?

Lado B - Azul (Ilustrações por Gabriel Hislla)
M.L.: Acho que o processo de composição é uma eterna caminhada, você nunca chega a um fim, nunca fica pronto, e nem necessariamente se trata de uma evolução, mas de seguir em frente. Não diria que eu me alterno entre as propostas até porque até certo ponto elas são as mesmas, o que acontece é que a vida continua e a gente acaba ouvindo coisas novas, conhecendo novas pessoas, e isso vai se transmitir na composição. Uma constante na minha carreira como músico por exemplo é o Hermes Castro, que era meu parceiro de banda na Nova Bossa, e participou da gravação do meu disco intensamente tanto no lado A como B, e agora me acompanha na guitarra nos meus shows, além de que eu participei um pouco do projeto solo dele e pretendo continuar participando. E pra 2014 nós temos algumas outras coisas em conjunto engatilhadas.

3) Tuas letras possuem alguma inquietação, mesmo quando poetizam o afeto ("chega um pouco mais pra perto/ que hoje eu tô com aquela paz/ que tem ânsia de carinho" - E Tem Mais), cantam o amor ("...mas se prestar atenção/ vai ver que eu sou tão grato/ que sinto como se devesse um grande amor" - E Tem Mais), abordam a religiosidade ("... eu sei já é/ um deus daqui que vem/ pra abençoar o povo todo a pé/ que ninguém da tua prole poupou fé" - Boto Fé) ou refletem sobre a vida ("seguro seria se sempre você ficasse no mesmo lugar" - Minhas Mãos). Mas existe também uma busca por paz nas canções ("um beijo e a noite inteira brilha/ estrela e a noite inteira brilha/ que você iluminou" - Baião da Rosa; "e se eu descobrir/sem querer ir/ só pra sentir paz" - Me Leva Longe). O que o inquieta e tranquiliza, nesse movimento contínuo de se expressar através da arte, comunicando-se com o mundo pela música?

M.L.: O que me inquieta é a possibilidade das coisas não darem certo. Apesar de nós (artistas ludovicenses) vivermos num estado de luta constante pelo nosso espaço, e por respeito, vivemos também um momento de grande esperança de que a gente tem poder pra mudar as coisas. O que me deixa angustiado são os muitos momentos em que a gente percebe o quão desestruturada é a nossa classe, e também o quão desrespeitada. Já o que me traz tranquilidade é ver que existe uma quantidade razoável de pessoas envolvidas nisso até o ultimo fio de cabelo, e ver que essas pessoas estão em extrema sintonia. Perceber o quanto os artistas daqui tem estado dispostos a ajudar uns aos outros tem me deixado muito feliz.

4) Na edição de setembro do Sesc Som Poente, você fez uma participação especial no show do Tiago Máci e em novembro vocês fizeram um show no Amsterdam Pub. Como tem sido o diálogo/parceria com o trabalho do Máci, que volta ao Som Poente em dezembro, desta vez como participação especial no teu show? Gostaria que você comentasse também a relação musical com Os Mingongos e os músicos que participaram da gravação/produção do EP.

M.L.: Máci é um artista sensacional, e o que tenho por ele é uma enorme admiração. A gente teve um contato maior depois que ele gravou uma música com João Simas, e passou a ser acompanhado pelos Mingongos. Nós estamos escrevendo uma música juntos e temos trocado ideia com muita frequência. É muito massa sentir os artistas daqui crescendo, e ver quanta coisa boa pode ser produzida se as pessoas derem uma chance. Máci é um caso de um cara que cresceu muito em pouco tempo, as músicas dele estão cada vez melhores. Quanto aos músicos que gravaram comigo, no lado B foi só o Adnon, eu e Hermes. No lado A foi onde surgiram Os Mingongos, que a princípio eram [André] Grolli [bateria], Simas [guitarra], e Marlon Silva [baixo], que depois foi substituído por Eduardo Monteiro, além da participação de Darkliwson Brandão na percussão, Hermes Castro e Jessica Góis nas vozes e da produção de Memel Nogueira.

5) Por fim, o que o público pode esperar do show de lançamento do disco "Eu Tô é Tu"?

M.L.: Arranjos bem diferentes do disco. Além de ter a diferença do ao vivo, eu e Os Mingongos gostamos muito de brincar e improvisar nos ensaios, alguns desses improvisos foram adotados, além de músicas que não estão no disco e eu já venho tocando em outros shows. E tem a participação de Tiago Máci.

SERVIÇO:
O quê? "Sesc Som Poente" apresenta Marcos Lamy e Os Mingongos, lançando o disco "Eu Tô é Tu". Participação especial de Tiago Máci
QUANDO? 20/12, a partir das 18h
ONDE? Área de Vivência do SESC Deodoro (Centro)
QUANTO? Entrada Franca

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