sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

LITERATURA EM FOCO


As capas mais bonitas da minha estante

Depois de um tempo você descobre que não é possível sair de uma livraria, virar à esquina e sair lendo o livro que acabou de comprar. É preciso senti-lo antes. Tocar-lhe a capa, espiar as orelhas, sentir o cheiro das páginas, aspirar o que quer que seja que emana de seu seio. Em um ritual de aproximação. Para ir se chegando para perto, até virar cúmplice. Porque leitura tem a ver com cumplicidade também. Aquele permitir-se envolver-se pelo que o outro diz para assim começar a apreender seus mistérios. Decifrando-os ou não.

Em outubro de 2014, o blog Armazém de Cultura publicou uma lista com as capas de livros mais bonitas da estante da blogueira Beatriz Farias. Senti empatia imediata pela postagem da Beatriz (que você pode conferir aqui), afinal para quem curte o objeto livro para além da experiência de leitura, o cuidado gráfico com a edição costuma ser um deleite a parte na apreciação da obra. 

Não raro eu mesma, leitora compulsiva, me apaixono perdidamente por capas de livros de modo que sou facilmente fisgada pela tentação de passar longos minutos admirando a edição impressa entre uma virada de página e outra. 

Inspirada pela seleção da Beatriz, que além de indicar belas capas dá dicas bacanudas de leitura, dei uma geral nas prateleiras de casa a fim de extrair preciosidades entre dicas de capas e seus respectivos conteúdos. O resultado é a seleção #ascapasmaisbonitasdaminhaestante que você confere a seguir:

"O que deu para fazer em matéria de história de amor" – Elvira Vigna (Companhia das Letras, 2012)

“Preciso descobrir como, sem nunca termos sido próximos, conseguiremos nos separar”. (p.98)

Elvira Vigna, por si só, já vale a leitura. Mas se sua narrativa deliciosa, cujo ritmo flui como se estivéssemos navegando pelos pensamentos da narradora, vier vestida em uma edição bonita como essa da Companhia das Letras, então melhor ainda. O que sempre mais me tocou na capa concebida por Elisa V. Randow foi a tipografia escolhida para o título da obra (e que título, hein Elvira?) e o nome da autora. Parece uma anotação feita à mão em um documento, como um diálogo certeiro com o romance que nos entrega o caminho feito pela narradora ao reconstituir uma história de amor a partir de dados do passado que não se encaixam em romances tradicionais. Mas quem disse que só de romances “felizes para sempre navegando em mar de rosas” vivem as legítimas histórias de amor? Gosto também das cores e da forma como as letras ocupam toda a capa, impressa em um papel com textura. Um deleite à parte para os sentidos.

"Livro" – José Luís Peixoto (Companhia das Letras, 2012)

 “Se acaba conforme começa é porque não acaba nunca”. (p.281-282)

Descobri o português José Luís Peixoto através de Lilian Dorea, a Hillé do blog Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, que de tanto falar sobre o autor me chamou a atenção para a sua obra. Quando vi a capa primorosa que a Companhia das Letras preparou para a edição brasileira de “Livro”, não tive dúvidas de que queria ler/ter a versão impressa. Na capa, assinada por Flávia Castanheira, letras de vários tamanhos agrupam-se delineando as formas labirínticas pelas quais a vida passa. E marca. Entre encontros, desencontros, reencontros transbordam amor, tristeza, busca, vida. Tudo o que é dizível, mas também indizível, como os caminhos em branco entre os corredores de letras. Uma capa muitíssimo bem pensada, na sua simplicidade refinada, para apresentar a obra de um dos autores de prosa mais luminosa da atualidade.

"O apanhador no campo de centeio" – J.D. Salinger (Editora do Autor, 2012)

“... como é que a gente pode saber o que é que vai fazer, até a hora em que faz o troço?” (p.205) 

A primeira vista pode parecer que esqueci a proposta dessa postagem, mas não, não me enganei. Acho mesmo que essa capa merece estar aqui. Ok, ela é sem graça? Ela é sem graça. Mas ainda acho que essa edição do clássico “O apanhador no campo de centeio” vem embalada em uma capa tão despretensiosa que chega a ser bonita. Tipografia simples, título em português e inglês e o nome do autor. Tudo em um fundo azul. Sempre tive a impressão de que essa capa se permitia ser displicente por não precisar mais provar para ninguém o ouro que reveste. Combina com o adorável “aborrecente” Holden Caulfield, legítimo representante de gerações e mais gerações de jovens em formação. 

"Um, nenhum e cem mil" – Luigi Pirandello (Cosac Naify, 2012)

"Assim eu queria estar só. Sem mim. Quero dizer, sem aquele 'mim' que eu já conhecia ou pensava conhecer. Sozinho com um certo estranho que eu já sentia obscuramente não poder afastar para longe, que era eu mesmo: o estranho inseparável de mim." (p.29)
Capa/Contracapa
Sobrecapa

Talvez esta seja a edição mais luxuosa da minha estante (embora as imagens digitalizadas acima não façam jus à edição física). Um Pirandello de capa dura cinza embalado por uma sobrecapa branca que traz o nome do dramaturgo italiano – Prêmio Nobel de Literatura em 1934 – seguido do título da obra e em detalhe o óleo “Paisagem Urbana” (1921) de Mario Sironi. O mérito dessa edição vai além do belo trabalho de Fábio Miguez, que assina o projeto gráfico da Coleção Prosa do Mundo da Cosac Naify. Trata-se de um livro que além da grande ficção “Um, nenhum e cem mil” conta com a apresentação de Alfredo Bosi e um apêndice com a entrevista publicada n’O Jornal de 11 de dezembro de 1927 que Pirandello concedeu a Sergio Buarque de Hollanda no Rio de Janeiro, na ocasião da turnê do Theatro d’Arte de Roma. Uma edição definitiva que nos entrega o que há de melhor na literatura mundial em termos de humor refinado, reflexivo e crítico em uma embalagem de luxo.

"Onde o reggae é a lei" – Karla Freire (Edufma, 2012)


Sem dúvida a capa mais incrível da minha estante, esta belezura – reparem que são fotos frente e verso compondo capa e contracapa! - convida com eficiência à leitura da pesquisa da jornalista Karla Freire sobre o processo de consolidação do reggae em São Luís-MA, analisando a história do gênero na cidade, os agentes envolvidos até, entre outros aspectos, a apreensão da mídia, do empresariado e do governo no emprego desse fenômeno de identificação cultural para o turismo e outros fins. 

Apesar do livro ter sido publicado pela EDUFMA, por resultar da dissertação de mestrado da autora em Ciências Sociais, a produção editorial é da Pitomba! Livros e discos, que sob a batuta perspicaz de Bruno Azevêdo concebe edições lindíssimas. As fotos que estampam a capa e a contracapa do livro da Karla chamam-se “Tarde de reggae em São Luís” (1995) e são de autoria do fotógrafo Carles Solís.  O casal – à época do registro – são Laodicéia Daltro e Aécio Barros. 

Confessem: o olhar expressivo da Laodicéia, seu abraço no parceiro de dança e a expressão de entrega ao ritmo de Aécio não compõem um dos registros mais lindos e vigorosos que ‘cês já viram de um casal dançando? Digno de capa de livro mesmo!

"Jogo de Varetas" e "As mãos" – Manoel Ricardo de Lima (7Letras, 2012)

“Falou algo sobre uns objetos perdidos perto de uma memória e mesmo sem cutucar a minha saúde tão gasta, já, me provocara um encanto muito grande naquele pedaço de campo que conseguia tocar com o olho.”
(Jogo de Varetas, p.18)

“Estávamos assim, sempre juntos, sorrindo, quase felizes, alegres, mas havia nela algo de muito só, e em mim, algo de tristeza, e muita dor. Nosso melhor acordo, o que sempre espreitava nossos sorrisos, se dava em silêncio.”
(As mãos, p.25)

A contracapa de "As Mãos" (amarelo) dialoga com a capa de "Jogo de Varetas" (azul) e vice-versa

Manoel Ricardo de Lima foi a melhor surpresa da oitava edição da Feira do Livro de São Luís para mim. Um cara comedido, professor, cuja fala inteligente, marcada por um diálogo contundente entre poesia, filosofia e literatura me prendeu a atenção e emocionou durante uma das mesas com autores mais bonitas da feira em 2014. Quando Manoel ergueu seus exemplares de “As mãos” (novela) e “Jogo de Varetas” (contos) e comentou o processo de edição dos livros publicados simultaneamente pela 7Letras, fiquei encantada. As edições em capa dura foram pensadas pela artista Raquel Caiano para dialogarem entre si, com a capa de uma se completando na contracapa da outra e vice-versa. Irresistível, assim como a prosa (e poesia em “Geografia Aérea”) de Manoel Ricardo de Lima.

"As valsas invisíveis" – Eduardo Trindade (Livro Pronto, 2008)


"Com que amarra possível
feita de mil teias impossíveis
Chegarei à ilha desconhecida?"
(p.81)


Uma das capas mais delicadas da minha estante estampa uma pintura feita pelo próprio autor, o poeta gaúcho Eduardo Trindade. Na imagem, vejo o próprio Eduardo com seu jeito gentil de ofertar poesia como quem estende uma flor. O convite para se embalar pelas valsas do Edu já foi feito pelo blog há alguns anos aqui

"Auto da Compadecida" – Ariano Suassuna (Agir, 2005)

“Não sei, só sei que foi assim.” (p.20)


Quando bate saudade de Ariano Suassuna, nada melhor que visitar Chicó e João Grilo nessa alegre edição da Agir. Com projeto gráfico de Ricardo Gouveia de Melo e ilustrações de Romero de Andrade Lima, a 35ª edição da obra-prima do mestre paraibano é de encher os olhos. Considerada um marco na história do teatro brasileiro, a peça “Auto da Compadecida” de 1955 segue popular sem perder seu frescor e crítica. Nesta edição há ainda o artigo “Tradição popular e recriação no ‘Auto da Compadecida’” assinado por Braulio Tavares. Um livro indispensável em qualquer prateleira de literatura brasileira que se preze.

"Meus Desacontecimentos: a história da minha vida com as palavras" – Eliane Brum (LeYa, 2014)

“Escrevo para não morrer, mas escrevo também para não matar.” (p.70)

De longe minha repórter preferida, Eliane Brum se entrega sem pudor nesse aguardado livro biográfico que narra sua relação com a palavra escrita. A linda capa é de Eiji Kozaka e nos antecipa a Eliane pequenina deparando-se com as primeiras letras a fim de significar sua existência. De todos os livros da brilhante repórter e escritora, “Meus Desacontecimentos” para mim é o mais pungente. Porque nos traz Eliane Brum em primeira pessoa como nunca antes. Tanto para quem está acostumado à escrita luminosa da repórter que sempre convoca à leituras lúcidas da realidade quanto para quem não a conhece, “Meus Desacontecimentos” fornece uma dose fortíssima de lirismo à flor da pele. É lindo, mas exige que seus leitores sejam fortes, ou no mínimo se permitam página após página se fortalecer diante de uma narrativa de vida tão intensa.

"Persépolis" – Marjane Satrapi (Companhia das Letras, 2007)

“É o medo que nos faz perder a consciência. É ele também que nos transforma em covardes.”


Lançado pelo selo Quadrinhos na Cia, a capa da HQ "Persépolis” assinada por Mariana Newlands ostenta o traço marcante da iraniana Marjane Satrapi. E já na capa expõe a atmosfera do livro que narra a trajetória de Satrapi, que cresce em meio a revolução islâmica assistindo de perto aos horrores da guerra política e religiosa no Irã. Gosto especialmente da expressão de liberdade e desafio da Marjane na capa, uma representação condizente com o espírito da protagonista do livro, da criança dada às discussões políticas à adulta forjada por conflitos de identidade cultural entre a indignação com a repressão e o desejo de honrar seus princípios e costumes. 

"O futuro tem o coração antigo" – Celso Borges (2013)

“Como se sabe que o tempo passou?
Alguma coisa já não é mais a mesma.” 


Celso Borges é um sujeito inquieto que está sempre se valendo de variadas expressões artísticas para dar vazão ao que anseia dizer. Em “O futuro tem o coração antigo” o projeto gráfico de Luiza de Carli é o maior aliado da experiência proposta por Celso de pensar a cidade de São Luís-MA através de um terno exercício do olhar. E nesse sentido a bela capa com tipografia “datilografada em uma Hermes Baby cor de laranja” é o portal para uma edição primorosa, impressa em cartão Hörlle e offset de alta gramatura para melhor reproduzir as imagens que dialogam com o poema. Ao leitor, o livro lega um passeio sensorial pela cidade de Celso, que não só dele, é de todos. O poeta compartilha sua visão lançando luz sobre a evolução – ou seria involução? – da cidade durante a passagem do tempo. As fotos que ilustram o livro resultam de um outro exercício do olhar: foram produzidas por uma turma do curso técnico em Artes Visuais do IFMA – Campus Centro Histórico utilizando uma técnica conhecida como pinhole, que cria uma atmosfera onírica com as fotografias captadas por câmeras confeccionadas com latas e reveladas em preto e branco. E vão além: estabelecem o diálogo visual entre a São Luís captada pela nova geração com as São Luíses da vida de Celso Borges.

"Estórias Abensonhadas" – Mia Couto (Companhia das Letras, 2012)

“Poesia não sara quem a vida não consola” (p.144)

A capa do meu Mia Couto preferido foi concebida por Rita da Costa Aguiar sob a deliciosa fotografia de José Manuel Navia. Gosto especialmente desta capa pelo retrato a preenchê-la por completo em diálogo com o título e o nome do autor nos tons da fotografia. Gosto dessa mesa vazia iluminada por um sol de fim de tarde - ou será começo de dia? Seja como for, a imagem me transporta imediatamente para dentro dela, como quem deseja sentar-se a essa mesa na companhia de Mia Couto para ouvi-lo narrar seus incríveis contos abensonhados. 

"O Código dos Cavaleiros" – Leonardo Schabbach (Mutuus, 2011)

"Alguém tão preocupado em controlar seus movimentos de modo a demonstrar segurança é alguém que não está verdadeiramente no controle."

A marca na textura rupestre, o desenho das letras, o tom misterioso. Tudo na capa de “O Código dos Cavaleiros” elaborada por Henrique Abrantes me remete à atmosfera medieval dos contos de cavalaria. E não é por acaso: a história do escritor Leonardo Schabbach narra as aventuras de Lino, um jovem camponês sedento por uma vida de heroísmo e glória que sonha ser cavaleiro. O mérito de “O Código dos Cavaleiros” está no excelente elo criado pelo autor entre a ficção e a realidade, amparado em um texto quase cinematográfico, dada a riqueza com que as cenas são descritas promovendo com facilidade a visualização da história. Texto crítico, inteligente e divertido em uma bela edição preparada pela editora carioca Mutuus. Ensaios em Foco indicou em resenha completa aqui.

"A poesia das coisas simples" – Moacyr Scliar (Companhia das Letras, 2012)

“As pessoas que amam o livro, amam-no não só por seu conteúdo, pelas histórias que conta ou pelas ideias que expõe; as pessoas que amam o livro, amam-no também como objeto”


Contra uma epígrafe como essa do grande escritor gaúcho Moacyr Scliar não há argumentos. Sendo assim, o esmero com a edição de “A poesia das coisas simples”, publicada após o falecimento do autor, não decepciona as pessoas que amam o objeto livro. Assinada por Victor Burton e Angelo Allevato Bottino, a capa em azul celeste com quatro delicados pássaros em pleno movimento de voo é de uma delicadeza imensa. E honra a excelente seleção de crônicas reunidas no volume, que traz o olhar sempre inteligente de Scliar sobre leitura, livros, literatura, personagens e pessoas. Uma leitura comovente, sóbria e culta sobre o universo das coisas simples mais indispensáveis desta vida. 

"Noel Rosa, uma biografia" - João Máximo e Carlos Didier (Editora Universidade de Brasília, 1990)

“Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo.”
(Trecho do samba “Feitiço da Vila” de Noel Rosa com melodia de Vadico, p. 329)


Esta rara edição da biografia de Noel Rosa é uma relíquia de família que peguei emprestada da estante de papai para enriquecer essa lista de capas bonitas. O exemplar de tamanho incomum (21x27cm) e mais de 500 páginas ostenta uma bela ilustração do biografado na capa. Trata-se de uma edição comemorativa publicada à época do 80º aniversário de nascimento de Noel Rosa (1910 – 1937) e ainda hoje considerada a mais completa e importante obra sobre o maior mito da música brasileira dos anos 30. A capa, assim como o projeto gráfico, a diagramação e arte-final são de Resa e Nanche Las-Casas. 

"Fim" – Fernanda Torres (Companhia das Letras, 2013)

“‘Idoso’, palavra odienta. Pior, só ‘terceira idade’.” (p.13)


A bem-sucedida estreia de Fernanda Torres na literatura com “Fim” não me surpreendeu. O romance tem o humor irônico, irreverente e inteligente da afiada Fernanda em um texto fluente e surpreendente. A capa para um livro desse naipe não poderia deixar a desejar: assinada por Alceu Chiesorin Nunes estampa uma senhora (e incrível, diga-se de passagem, já que eu fiquei um tempão analisando de perto os detalhes até me convencer de que era uma foto mesmo) fotografia de Cássio Vasconcellos denominada Enseada #2 (Guarujá, 2007). 

"Lagoena: o portal dos desejos" – Laísa Couto (Editora Draco, 2014)

“As lágrimas que caem dos seus olhos, menina destinada, são preciosas: têm inocência pura e amizade verdadeira; esta é a melhor prova que pode existir de um sentimento sincero. Apenas uma gota bastará, e o antídoto estará pronto." (p.151)

O universo fantástico criado pela escritora Laísa Couto vem belamente retratado na cuidadosa edição de “Lagoena: o portal dos desejos”, cuja capa apresenta a obstinada protagonista Rheita envolta na atmosfera de mistério que ronda sua história. Para saber mais sobre o processo de concepção desta belíssima capa, Ensaios em Foco conversou com Erick Santos, editor responsável pela publicação de "Lagoena: o portal dos desejos" pela Editora Draco, que falou ainda sobre a capa do ponto de vista editorial.

1. Qual a importância, do ponto de vista editorial, da capa de um livro?

Erick Santos: A capa é a embalagem do produto "livro", e esse é um conceito que acho importante demais e sempre guia as minhas decisões como editor e como desenhista. Acredito que quando se trabalha em um mercado de nicho como o de literatura fantástica, e ainda mais um autor nacional sem o apoio de filmes e seriados para alavancar as vendas, é essencial que seja comercial, ou seja, clara em sua mensagem e sendo o mais honesta e chamativa sobre o conteúdo. A capa é a primeira coisa que a pessoa vê em uma livraria virtual e, se tiver uma boa exposição, nas livrarias físicas. O objetivo inicial é que a pessoa pegue o livro na mão, para aí entrar o trabalho de quarta capa, orelha e querer folhear o conteúdo. O nosso esforço é para que esse processo aconteça sempre.

2. Como foi o processo de concepção da capa de "Lagoena: o portal dos desejos" para chegar à imagem ali representada?

E.S.: Converso sempre com o autor para entender a visão dele da própria história, e nesse caso a visão da Laísa sempre ajudou muito. Quando conheci Lagoena, entendia que o conceito principal era a entrada em um mundo mágico, e a autora sempre usou essa imagem em suas divulgações quando publicava o material na internet. Quis partir desse ponto para trazer a personagem Rheita encarando essa passagem e o perigo que isso representa. A ilustração do Frank William é muito feliz pelo ótimo uso de cores e a criação de um clima mágico que remete a esse tipo da história. O logo é do Diego Guerra, também autor da casa, que a partir de conversas uniu a forma da chave, que abre portas, com uma tipologia que lembrasse fantasia. Essa montagem de ideias e colaborações que trouxe o resultado final e ficamos satisfeitos, acho que é uma capa bem mágica.

3. Quais elementos são levados em conta - público, gênero... - na hora de definir a arte da capa?

E.S.: O público é importante porque a história de Lagoena é primeiramente infantojuvenil, mas também pode ser aproveitada por leitores adultos . E é aí que temos que ter a delicadeza de não torná-la muito infantil, pois a busca da magia e o senso de perigo que essa passagem a um outro mundo representa é algo que faz parte da curiosidade, talvez o tal do escapismo que qualquer idade possa aproveitar. O gênero fala por si e exige que elementos mágicos ou estranhos estejam na capa, e por isso a busca por uma imagem que tente traduzir a riqueza de um texto ficcional é tão difícil. Acreditamos que Lagoena é uma história fascinante e a ideia da capa é ser um convite a explorar esse mundo mágico e ao mesmo tempo sombrio. 



Para quem ficou com os olhinhos brilhando diante desse banquete visual e não vê a hora de ter em mãos um exemplar de uma dessas belezuras, aqui vai uma dica preciosa: Ao pôr do sol do domingo (22/02), o Movimento Sebo no Chão (Praça da Igreja de Nazaré, Cohatrac) realizará o primeiro Sebo das Mulheres, com atrações femininas, e a escritora Laísa Couto estará presente com seu "Lagoena: o portal dos desejos" para aquele bate-papo bacana com os leitores. ;)