terça-feira, 29 de dezembro de 2015

FORMAÇÃO EM FOCO – Sobre as palestras do Conecta Música (Festival BR135) - DIA 1 / Parte 2


CONECTA MÚSICA


QUINTA-FEIRA (10.12.2015) – Cine Praia Grande
Palestra “Jornalismo Cultural” com ZEMA RIBEIRO e ROBERTA MARTINELLI. 
Mediação: Andrea Oliveira.


PARTE 2 - Jornalistas comentam observação da mediadora e respondem perguntas do público


Após os jornalistas Roberta Martinelli (TV Cultura) e Zema Ribeiro (Blog Homem de Vícios Antigos) comentarem sobre suas respectivas trajetórias e experiências no Jornalismo Cultural, a participação foi aberta ao público para que fizessem perguntas. A mediadora Andréa Oliveira aproveitou o trecho da fala de Martinelli sobre as estratégias criativas adotadas pela apresentadora e sua equipe para apresentar o piloto do programa Cultura Livre e comentou que esta situação é comum a todos os meios. 

"Isso acontece no impresso e na TV, ou seja, você apresentar o que tá acontecendo de fato é muito complicado. A mesma coisa que o realizador de um show de um artista, às vezes é muito difícil ele conseguir trazer um público porque ele ainda não é conhecido. Isso nos faz pensar o seguinte: a ideia do BR desde lá o circo de fazer isso de ir formando uma plateia para que as pessoas saibam quem faz essa cena, quem que tá fazendo música, quem que tá fazendo literatura. Os grandes jornais perderam esse timing de sempre querer a grande notícia e aí acha que não vai ter leitura, acha que não vai ter público para esse novo. Taí o grande papel desse formador de opinião que vem aí por caminhos enfim, mas que consegue ter espaço, consegue ter um público que vai crescendo e que tem uma voz, uma voz de prazer, que seja ouvida e diz 'olha isso é bom, isso é bacana'. Acho que isso legitima esse papel de vocês de estarem atuando nesses mercados, de descobrir o local dessas redes, o papel da internet de ocupar espaço e trazer esses artistas e fazer rede, mudar essa cena, descentralizar, criar vários centros”, analisa Andréa Oliveira. 

"Todas as pessoas que trabalham com música, que eu vejo, são pessoas muito teimosas", avalia Roberta Martinelli comentando como a presença de um repórter como Leonardo Lichote na equipe d'O Globo faz diferença na cobertura de cultura. "O Globo hoje em dia cobre música muito mais ativo nisso que a Folha já, porque tem esse cara lá, que é o cara que fica enchendo o saco pra convencer que vale a pena", diz Martinelli. 

A jornalista lembra ainda dos novos modos de produção pensados pelo setor musical para sustentar o cenário independente. "A música saiu na frente nesse sentido de inventar novos modos. As gravadoras já não tem tanta importância. Existem? Existem, mas não são mais nada do que eram. E os músicos inventaram modos de viver, gravar e de lançar, cada um do seu jeito.", afirma a apresentadora do Cultura Livre citando artistas independentes como o rapper Emicida, que fez e vendeu as próprias mixtapes e depois criou a gravadora independente Laboratório Fantasma, ou ainda Tiê, que apesar de ser artista da Warner, tem uma lojinha onde vende produtos relacionados a sua música. 

Para Roberta, os meios de comunicação tradicionais estão ficando para trás em relação aos novos modos de produção e circulação. "Quando eu vou divulgar o programa na televisão: 'gente, hoje onze e meia tem Cultura Livre na TV Cultura.' Por que as pessoas vão assistir o programa na hora que eu quero? Sendo que um minuto depois tá no youtube", questiona a jornalista que se interessa muito mais em acompanhar como se dá a interação com o público pela internet, acompanhando a programação postada e compartilhando os vídeos do que em se preocupar com os pontos de audiência que o programa obtém na TV.

Martinelli é também bastante crítica ao modo como o Jornalismo Cultural é posto a prova o tempo inteiro nos meios de comunicação, com a profissão de apresentadora ainda envolta em muito preconceito. "Você tem que provar o tempo inteiro que você tá falando sério", conta a jornalista, que fala a partir da experiência própria em precisar continuamente reconquistar o espaço do Cultura Livre na grade mantendo seu formato original, com ela a frente da curadoria e da apresentação. "Falaram ‘Não, esse ano você vai ser só apresentadora, vamos chamar um cara pra fazer a curadoria.’ E aí eu falei ‘É? Que ótimo, vai ser incrível, mas eu não vou ser a apresentadora disso. O programa é meu, a curadoria é minha e é minha condição pra ficar aqui senão eu vou embora.’ E é isso assim. Eu fico falando que eu falo isso, mas uma hora vai dar errado e eu vou embora", desabafa Martinelli que não vê sentido em se colocar em uma posição de obediência à imposição de um conteúdo que ela não acredita ser relevante. "Acho que tudo isso constrói o que o programa é no final das contas, que é um espaço de resistência", afirma com convicção.

Diante da recusa dos veículos em lidar com os novos tempos, Martinelli crê que uma hora não haverá mais jeito e todos terão de se reinventar. "A gente vai inventar novos meios de fazer, mas é importante que a gente faça isso e que a gente espalhe isso, porque quando eu lembro a primeira vez que a Tulipa foi no Cultura Livre em 2009, ela não tinha lançado nenhum disco e ela levou uma música que tinha gravado em casa. Era ‘Só sei dançar com você’ e aí ela mostrou a música e eu ‘noossa’ e hoje a Tulipa é o que ela é, entendeu e aí eu viro e falo ‘tá vendo gente?’ era isso, entendeu um pouco? Óbvio que muitos dos artistas que eu levei no Cultura Livre, já fiz sei lá quantos programas de rádio, 200 de televisão, muitos desses talvez não fiquem pra sempre fazendo isso e tudo bem também. Mas naquele momento eu acho que eram pessoas importantes lá, então estão lá. É um espaço de resistência. Eu acho que o Jornalismo Cultural é resistência. É fazer isso e brigar e brigar e brigar. Enche o saco, mas tem que brigar.”, defende Martinelli ao que Zema Ribeiro concorda.

"Tem um pouco a ver com uma equação de teimosia, liberdade e paixão. Fazer o Jornalismo Cultural onde quer que seja, a gente precisa bancar algumas ideias porque esses grandes veículos perderam o bonde da história no sentido que eles ficam presos ao que tá estabelecido. Muito fácil fazer uma resenha de um disco do Caetano, mas fazer uma resenha do primeiro disco da Tulipa, do primeiro disco da Tiê ou do quarto disco do Curumin, quando sair, já vai ser um pouco mais difícil", diz o jornalista. "O jornalismo precisa ter essa intuitividade pra fazer essas apostas, tentar colocar algo novo e nesse sentido você precisa estar ali enfronhado no que você tá fazendo. Você não pode simplesmente cumprir ordens de um chefe de redação ou mesmo dos diretores de uma gravadora que vão dar as ordens por meios que não os mais éticos, digamos assim, que venham de forma enviesada pelo jabá obrigando fulano ou beltrano a escrever sobre esse ou aquele disco porque precisa vender, porque foi uma aposta de gravadora tal, porque precisa, porque tá na trilha da novela. Então essa equação de teimosia, liberdade e paixão é importante demais pra quem faz ou quer fazer jornalismo cultural.", avalia Zema Ribeiro.

Em seguida, o público começou a fazer perguntas. 

- Uma jornalista na plateia comentou sobre a geração que cresce com a TV em segundo plano, já acessando conteúdo direto na web e perguntou como essa geração vai ver a comunicação, o jornalismo cultural e a comunicação das redes sociais.

Para Martinelli, a experiência de contato com o público revela que as pessoas produzem mesmo conteúdo e estão cada vez mais próximas do que consomem também. O próprio Cultura Livre recebe muita mensagem de crianças, como o caso do garoto de onze anos que conheceu o programa pelo youtube e há dois anos comparece com a avó para assistir a gravação. O garoto em questão estuda música e já mostrou uma composição para Chico Cesar em um dos bastidores do programa. 

“Posso deixar o Cultura Livre rolando ali numa janela e outra janela tem isso, tem aquilo, então é tudo muita coisa. Essa geração que vem eu acho que é mais ainda muito-muita-coisa. É celular, é ipad, é tudo. Eu acho que nisso o jornalismo vai ficar muito mais amplo e muito mais aberto, porque todo mundo é celebridade de si mesmo no final das contas. Todos nós aqui hoje postando uma foto somos jornalistas deste momento no final das contas. Então acho que vai ficar mais ainda aberto, mais jornalistas livres menos meios de comunicação. Eu acho que vai ser cada vez melhor.”, fala Martinelli, comentando ainda que contrariando a expectativa de que conteúdo para internet  tem que ser curto, são os vídeos maiores, com íntegras de entrevistas que obtém maior número de visualização e que as pessoas mais gostam de ver no canal do Cultura Livre.

Autor de entrevistas longas, Zema concorda. “Me preocupa um pouco essa coisa da redução, tudo tem que ser muito curto. Trabalhando em assessoria eu já escutei ‘não escreve mais de cinco linhas no facebook senão as pessoas não leem'. E eu disse olha, aí eu dou murro em ponta de faca mesmo, 'eu acho que se interessar pra pessoa, ela vai ler até o fim'."  E nesse ponto da palestra, uma senhora na plateia se manifestou agradecendo aos dois por publicarem entrevistas longas pois considera importante ter acesso ao material na íntegra. 

- Em seguida, uma profissional da área de Relações Públicas comentou a experiência de assessorar a banda Fúria Louca, única banda local escalada para o festival Metal Open Air em 2012. Diante do trabalho de divulgação da banda na imprensa e nas redes sociais, reflete sobre como alcançar uma audiência qualificada.

Para falar de público de interesse e audiência, Roberta Martinelli comenta a experiência relatada pela moça da plateia mencionando a repercussão do texto "Kiko Dinucci e o medo do pop" em que há o debate sobre os artistas independentes não acessarem um público massivo. Recorda que Kiko Dinucci declarou se considerar bem sucedido dentro do contexto em que produz porque seu público, ainda que insuficiente para lotar um estádio, é um público qualificado que prestigia sua agenda de shows em espaços menores, como os do SESC, e com quem ele consegue conversar ao fim do show, por exemplo. 

Trazendo para sua experiência com o Cultura Livre, Roberta comenta que o entendimento é semelhante. "No meu programa, por exemplo, eu adoraria ter 50 pontos de audiência. Adoraria que ficasse passando toda hora na televisão em todos os lugares, né? Você chega em qualquer lugar do mundo e tá ligado na globo lá, tá tudo passando, todo mundo sabe. Adoraria que o Cultura Livre tivesse essa audiência, de verdade, mas eu não vou fazer nada que vá contra o que eu acredito pra que isso aconteça", afirma a jornalista que não poupa críticas aos programas competitivos comuns na TV aberta em que as bandas se expõem tocando em cima de playback por um contrato com uma gravadora como prêmio. "Quem quer um contrato com uma gravadora? Desculpa, talvez eles queiram, por isso estão lá. Acho que as grandes emissoras comerciais que fazem isso acabam fazendo um desserviço pra um monte de gente. Não sei quanto importa se aparecer lá, quanto agrega. Falar com uma audiência pequena, falar com poucos ouvintes, com poucos telespectadores, mas que queiram realmente te ouvir talvez seja mais eficaz que falar com muita gente, mas se muita gente quiser te ouvir também seria incrível”, responde Martinelli.

Segundo Zema é preciso ter clareza que não vão surgir novamente fenômenos como Roberto Carlos ou Frank Sinatra. "Acho que essa coisa do medo de ser pop, a gente tem que ter clareza de que não vai surgir nunca mais, acho que eu tenho certeza de dizer, nunca mais vai surgir um novo Roberto Carlos que vai vender milhões de discos e se manter na ativa por 50, 60 anos. Nunca mais vai ter outro Frank Sinatra fazendo show no Maracanã com 170 mil pessoas, até porque nem cabe mais, né depois da reforma diminuiu", comenta bem-humorado para na sequência mencionar a entrevista recente que fez com a jornalista e ativista Nana Queiroz, autora do livro "Presos que menstruam" na qual a entrevistada afirma que ao editar a revista virtual AzMina, ela enquanto imprensa pode até ser o quarto poder, mas que funciona fiscalizado continuamente pelo quinto poder, que é representado pelos seus leitores. "Os leitores dela, embora poucos, estão lá dizendo ‘olha vocês não vão fazer merda!’ ", cita o jornalista.

"Nesse sentido eu fico contente com o depoimento da Helena em agradecer a gente por postar coisas compridas. Eu me lembro da experiência com a Chorografia do Maranhão, que eu e Ricarte [Almeida Santos] fizemos 52 entrevistas ao longo de mais de dois anos com instrumentistas de Choro que vivem em São Luís, e os que são daqui e estão radicados lá fora. A gente publicava duas páginas inteiras n’O Imparcial e depois botava a íntegra disso no blog, às vezes com extra porque o jornal às vezes cortava por um motivo ou por outro" e prossegue "Essa coisa do nicho, se é importante aparecer na televisão e no jornal sem fazer esse recorte de público, será que um porcento da audiência do jornal da Mirante de meio dia vai comprar o disco de vocês.... Eu acabo atuando dos dois lados da moeda. Faço blog, mas por outro lado eu faço assessoria também pra artistas, pra festivais, pra shows e tal e aí muitas vezes acontece de você, sei lá, cria uma fanpage prum projeto duma temporada de shows, mas aquilo não satisfaz um patrocinador por exemplo. Mil likes no facebook não vai... Eles querem ver o impresso, o recortezinho, a página do jornal, quantos centímetros aquilo gerou de mídia espontânea e coisa e tal. Muitos projetos nem aceitam colocar verba pra mídia e aí eu acho que nesse sentido é importante ocupar também esse espaço. Mas acho que é preciso a gente saber pra quem a gente tá falando, embora isso não seja tão fácil."


- Um estudante de Jornalismo elogia o olhar voltado para a cena local no blog do Zema, comenta sobre o trabalho musical de Papete e pergunta sobre a delicadeza/sensibilidade do jornalista que trabalha com cultura em não atrapalhar o trabalho do artista, mencionando o caso do desentendimento entre o repórter Douglas Pinto e um integrante do grupo Iluminara durante uma apresentação do Sonora Brasil, no Teatro Alcione Nazaré há alguns meses. 

"Eu acho que isso é interessante destacar nessas discussões que o BR 135 e o Conecta Música tem promovido ao longo desses anos de atividade. Acho que um não sobrevive sem o outro e aí a questão é  respeitar os limites", Zema Ribeiro responde à questão evocando ainda o trabalho da gravadora Marcus Pereira, tão importante para a música no Brasil quanto o trabalho de Fernando Faro. "E aí eu queria citar o exemplo, Faro é aquele big close no entrevistado. Ele não aparece fazendo as perguntas e é também uma referência pra o que eu faço por exemplo em termo de entrevista. Eu não faço vídeo, não mexo com tecnologia e tal, meu lance é texto", afirma.

Para Zema, Marcus Pereira foi um pesquisador importantíssimo. "Escrevia na contracapa, salvo engano do Fonte Nova, que era um disco do Chico Maranhão depois dos anos 80, que ele dizia o seguinte ‘a gente encontra nas prateleiras das lojas de discos 100 discos de um universo de 20 mil possíveis’. Quer dizer, eu acho que as coisas não mudaram. Você mudou o formato de comercializar e consumir música, mas as coisas nesse sentido não mudaram do ponto de vista dos grandes meios de comunicação que a gente sabe que ainda tem um alcance importante, então o papel do jornalista cultural seria esse de apontar caminhos, apontar tendências, sem ser pretensioso.", fala o jornalista, crítico de quem espetaculariza o ofício. "Tem muito jornalista cultural e muita gente que quer enveredar pelo jornalismo cultural que acredita muito no glamour. Ah, o jornalismo cultural é o cara ganhar ingresso pra ir no show, é o cara sair pra jantar com o artista depois do espetáculo e não é bem assim. Outros confundem a própria atividade jornalística com arte. Às vezes muito raramente se consegue chegar a esse status e aí a gente consegue citar uns poucos nomes a nível de planeta, mas tem gente que se acha a última bolacha do pacote, às vezes se acha mais importante que o próprio artista e não é. É o cara que vai na frente da picada com um facão abrindo os caminhos pra que mais gente possa conhecer aquele disco obscuro de Chico Maranhão ou algum nome novo que tá surgindo.”, argumenta.

Para Roberta Martinelli o respeito tem que vir em primeiro lugar na relação entre a imprensa e os artistas. “Eu comecei fazendo rádio, quando eu fui pra televisão eu fiquei muito assustada porque televisão, acho que é o lugar mais escroto que existe com artistas. É muito difícil. A televisão se acha muito importante. Os artistas precisam de você, eles tão lá, tipo você tá fazendo um favor pra eles e essa é um pouco a postura das pessoas que trabalham em televisão. Não sei se todas, mas muitas com as quais eu trabalhei esses anos sempre foi assim. No começo fiquei muito preocupada porque eu já fazia o Cultura Livre há dois anos na rádio e sempre tive muito cuidado com todos os artistas", conta recordando com indignação de um episódio em que um jovem artista do cenário paulista foi constrangido por um técnico que se recusou a preparar o som da forma como a banda precisava. Quando Roberta notou que o músico estava contrariado, perguntou o que havia acontecido e ele respondeu já com lágrimas nos olhos que o som não ia funcionar como a banda gostaria. No mesmo instante Roberta foi até o técnico esclarecer o que estava acontecendo e providenciar o som que a banda precisava. 

No repertório dos jornalistas não faltam exemplos de situações em que o respeito é o limite para evitar que o trabalho de um prejudique a atuação do outro. Roberta Martinelli, por exemplo, citou ainda a vez em que precisou entrevistar Gal Costa após um show e se sentiu muito mal em incomodar a artista, que apesar de conceder a entrevista sem reclamar, demonstrou bastante cansaço. "Saber que eu estava incomodando e que ela não queria tá lá, que ela já tinha dado entrevista e feito o show, realmente me deixou um pouco atormentada", confessou Martinelli, que recentemente passou por outra situação em que o respeito pelo artista falou mais alto na hora de produzir conteúdo. A ocasião em que a equipe do Cultura Livre foi agendada por um assessor para entrevistar Elza Soares em um horário que a artista estaria ensaiando com a banda. Ao chegar com a equipe no local, a artista, pega de surpresa, avisou que concederia a entrevista após o ensaio, ao que a equipe respeitou e aguardou.

Uma estudante de jornalismo e compositora falou do conflito existente em ser das duas áreas e perguntou como conciliar o gosto pessoal com o trabalho jornalístico. 

"É difícil, eu tô aprendendo também como é que faz.", Roberta respondeu. "Mas quando eu comecei a fazer o Cultura Livre eu não esperava que fosse ser o que ele é sendo que ele nem é tanta coisa, mas no mundinho que ele criou e as coisas que vem acontecendo, tudo isso pra mim é uma grande surpresa porque eu não achei que era pra ser assim, eu nunca pensei muito o que ia acontecer. Eu ainda me preocupo muito com as coisas e tenho muito cuidado com isso, mas eu me preocupo também em mostrar, eu acho que eu não tô fazendo nada disso, é obvio que é ótimo ganhar salário, mas eu não tô fazendo isso por dinheiro. Minha escolha foi bem clara. Eu aprendi depois de trabalhar em alguns lugares que eu não gostava, que eu preferia fazer as coisas que eu acreditava, que isso me trazia um retorno muito maior que qualquer coisa que pudesse acontecer.", afirma a jornalista, que estimulou a estudante a encontrar o seu caminho conciliando as duas áreas nas quais é interessada. "Acho que quando você faz uma coisa, por exemplo, com tanta paixão né, você investe tanto, você é tão teimoso que alguma coisa retorna. Não é possível! Porque tanta coisa, tanta entrega, tanta teimosia, tanto trabalho que eu acho que alguma hora, de alguma maneira isso volta. Pra algumas pessoas que não voltam, mas pra algumas volta. E é isso, tentar mostrar o que você tem e qual é a tua, o que você agrega a isso, como você pode falar desse conteúdo. Porque todo mundo pode fazer. Engraçado que eu falo que o Cultura Livre é um programa que poderia ser feito por qualquer pessoa, mas ele fui eu que fiz e eu acredito muito nele e banco muito. Insisto muito, mas é isso. É uma luta diária, você tem que começar a fazer o blog e mostrar o que 'cê quer e o jeito que 'cê escreve e como você vai dar o seu toque, o   que de você tem diferente pra que as pessoas comecem [a acompanhar]. É um trabalho de formiguinha que nem é o trabalho da música, que é uma conquista diária que vai aumentando, aumentando, demora.”

Para Zema, o caminho é de acreditar e arriscar. "Particularmente, em relação a assessoria por exemplo, é meio que ter algum tipo de afinidade. Cada um é livre pra fazer o que quiser, mas eu acho que se você não gosta da banda ou não gosta do artista, não assessore, porque você vai precisar vender, lógico que bastante entre aspas aí, aquele produto. Se você é jornalista e tá cumprindo papel de assessor, de fazer aquele grupo, aquele artista chegar nos meios de comunicação, você tá com um pé na publicidade, então eu acho que o jornalista tem que ter uma preocupação com a verdade, que a publicidade não tem tanto às vezes. Publicidade importa em vender. Ela vai dizer que determinado alimento não causa câncer, que a Vale tem responsabilidade social, enfim monte de abobrinha que a gente acha bonitinho na televisão e acaba acreditando. Acho que no campo artístico e no campo jornalístico tem que ter essa sintonia entre as partes e essa verdade, senão não é jornalismo. É publicidade", conclui o jornalista e blogueiro.



Com agradecimentos especiais às irmãs Beatriz e Meiri Farias 
(Blog Armazém de Cultura - SP) por toda gentileza e apoio 
na decupagem dos áudios da cobertura do Conecta Música.

2 comentários:

Renata Teixeira disse...

A internet mudou mesmo a forma atual da comunicação. Nunca mais fiquei acordada até tarde para ver um programa na TV, deixo para ver depois, em horário que a cabeça tá funcionando. (Sou matutina que só!)

Talita eu leio o Ensaios em Foco com um bloco na mão. Vou anotando os nomes de bandas, cantores, livros... para conhecer. E só tive surpresa boa!

Concordo com o Zema, tudo o que é interessante a gente lê até o fim e ainda fica com gostinho de quero mais. Texto bom é que nem chocolate pra mim - não quero que acabe nunca!

Sobre o que a Roberta comentou sobre a televisão ser rude com os artistas, a gente sempre brincou em casa que nunca queria ser "famoso" para não ter que ir no Faustão/Gugu/Eliana/Fátima e afins!!! Imagina ter um contrato de trabalho que diz que você tem que atender aos convites de aparecer nesses programas! Ninguém merece tamanha tortura!

Fazer o que amamos não é fácil, mas é o que tem que ser feito!

Talita Guimarães disse...

Ê, Renata, que bacana saber que você curte as dicas que encontra por aqui.
O Cultura Livre é uma ótima fonte de dicas musicais. Super recomendo. Assim como o blog do Zema, linkado no texto.
Obrigada pela visita e pelo comentário! Muito feliz que você gosta de ler os textos até o final, o Conecta Música rendeu postagens longuíssimas! Aproveite!
Abração!