domingo, 13 de março de 2016

MÚSICA EM FOCO - Sobre disco de estreia da Telúricos


Experimentando a mente com Telúricos 

Por Talita Guimarães

Capa do disco Experimente a mente (2015)
Arte: Joubert Ribeiro
Certa vez, de passagem pela Beira Mar no Centro de São Luís-MA, vi um volante de ônibus fincado no solo do Rio Anil em plena maré vazante. A imagem, fortemente simbólica, imediatamente resgatou em minha memória os seguintes versos da música “Almanaque” de Chico Buarque: “Quem tava no volante do planeta que meu continente capotou?”. Ao ouvir Experimente a mente (2015) da banda maranhense Telúricos, me dei conta de que é uma geração com os pés fincados na experiência em Terra, através de um sentir profundo da vida, que vai tomar o volante do planeta e dar um rumo para o que há de melhor a ser sentido e criado.

É nesse contexto de inquietação e inspiração que os Telúricos surgem no seio do Sebo no Chão, um dos movimentos mais interessantes e efervescentes do cenário artístico atual de São Luís-MA, no bairro do Cohatrac.  Influenciados pelos desdobramentos do Tropicalismo nas artes – música, cinema, literatura e artes visuais – a banda originalmente formada por Giovanne Chaves (Voz, Guitarra e Sintetizador), Allan Oliveira (Voz, Guitarra e Sintetizador), Hugo Rodriguez (Baixo), Vinicius Medeiros (Bateria) e Petrus Hermann (sintetizador) em novembro de 2014 propõe com repertório autoral um diálogo entre o rock psicodélico setentista e o atual; buscando em grupos como os Novos Baianos, por exemplo, uma referência não só musical e estética, mas também de modo de vida. 

Telúricos em formação original:
 Giovanne Chaves, Allan Oliveira, Hugo Rodriguez, Vinicius Medeiros e Petrus Hermann
Foto: 
Joubert Ribeiro
Já de início, a primeira faixa do disco de estreia da Telúricos dá o serviço: “Abre o sinal” (Allan Oliveira/Giovanne Chaves/Tairo Lisboa) é um manifesto contemporâneo em resposta ao poeta que certa vez afirmou que o sinal estava fechado para a juventude. A julgar por todo o rebuliço protagonizado pelos jovens que não param de romper barreiras e desconstruir limites a cada geração, o sinal não só tá aberto, como já não é o que delimita até onde a juventude é capaz de ir, se quiser e precisar.

O interesse pela Semana de Arte Moderna, importante marco de exaltação à inovação artística em 1922 no Brasil, é referência explícita na menção a Oswald de Andrade e no declarado convite a experimentar a vida pulsante através dos sentidos humanos no baião “Antropo-fagizan-do” (Giovanne Chaves).

“Bossa safada ou rock acanhado” (Felipe Sampaio/Giovanne Chaves) brinca com o que há de rock na bossa e vice-versa, literalmente compondo uma experiência sonora antropofágica. A faixa conta com o inconfundível trompete ensolarado de Bigorna, jovem músico talentoso do cenário ludovicense.

Em “Vila opaca” (Giovanne Chaves/Allan Oliveira), o disco alegre agrava o tom para uma poesia pungente que fala do drama social da Vila Apaco, localidade arrasada por uma enxurrada que ficou a esperar intervenção do governo em termos de regularização das moradias de inúmeras famílias prejudicadas por uma adutora rompida. 

O caso da Vila Apaco lembrado sensivelmente pelos músicos tem ligação direta com o Movimento Solrealista, cujo manifesto maior é o longa-metragem Luíses-Solrealismo Maranhense (2013), produzido pelos jovens cineastas do Éguas Coletivo Audiovisual, que também fazem no filme o registro da situação do lugar. Não por acaso, o Éguas bebe na mesma fonte surreal e tropical que os Telúricos. Ambos compartilham o olhar sensível e atento para a realidade ao redor, expressando o que pensam a respeito através de um contundente fazer artístico.

Na sequência, “A pedra de Barros” (Giovanne Chaves) atenua o tom pesado da crítica social na faixa anterior com um rock leve e poético, que remete a Raul Seixas e ao poeta Manoel de Barros com sua relação prenhe de neologismos e subversões com as palavras e seus sentidos.

“Tevê” (Giovanne Chaves/Felipe Sampaio/Hugo Rodríguez) é uma pérola de Experimente a mente com versos inspirados como “Lá em casa tem uma menina/ que fala pelos cotovelos/ quando o braço dela se aproxima/ é de se arrepiar os cabelos”, que não só faz uma crítica midiática pertinente convidando ao desprendimento das tecnologias quanto joga perspicazmente com a apreensão sensorial do conteúdo e do objeto, como o eriçar dos pelos que pode tanto ser fruto das notícias aterradoras quanto do contato da pele com a tela de um televisor ligado.

Quase fechando o disco, tem-se ainda o lamento “Contato amargo” (Allan Oliveira), talvez a faixa mais intimista do disco e “Marcha não súbita ao fim” (Giovanne Chaves/Vinicius Medeiros) canção onírica que reflete sobre o sentido de pertencimento ideológico e a ausência de representatividade política sentida pelas gerações mais jovens. As ações humanas e suas relações com o tempo e o espaço também fazem parte da leitura suscitada pela letra.

Para um disco de estreia, Experimente a mente (2015) da banda Telúricos entrega um consistente manifesto solrealista que convida a abrir os poros, sair para a rua e se alimentar de toda luz, calor e energias vitais que movem nossa mente, nem sempre aproveitada em sua capacidade devida.  

O convite foi feito e o sinal está aberto. Que Telúricos sentem a frente do volante do planeta e nos conduzam por caminhos de som e luz!

“Então vamos correr por aí
Vamos viver
A vida é um leito, um tobogã
Desliza e cai toda manhã
Então vamos correr
Vamos viver
O que virá depois? O que virá?
E o que fará você do que virá
Se nada for?”
“Marcha não súbita ao fim”
 (Giovanne Chaves/Vinicius Medeiros)

AGENDA
São Luís-MA - 10.04.2016, Pôr do Sol.
Sim, a boa notícia é que a banda vai tocar no lançamento do meu livro Recorte! no Sebo no Chão (Praça da Igreja Nossa Senhora de Nazaré, Cohatrac)! Oportunidade daora de curtir a Telúricos ao vivo, sacar o Sebo e me dar um abraço. ;)

Para curtir, ouvir, ver e contatar
Telúricos
Fanpage: Os Telúricos
Soundcloud:  Telúricos
Youtube: Os Telúricos
E-mail: osteluricos@gmail.com  


quarta-feira, 9 de março de 2016

LITERATURA EM FOCO - Agenda de lançamento do meu livro "Recorte!"


Atenção estimados leitores deste blog para o anúncio a seguir!

Como já falamos por aqui, este ano lanço meu segundo livro chamado Recorte! pela PoD Editora do Rio de Janeiro. Trata-se de um apanhado de crônicas, contos, breves narrativas e poemas escritos entre 2010 e 2014 em dois cadernos pessoais. Neles, registrei cenas, diálogos e reflexões extraídas do cotidiano em minhas andanças por São Luís. Também escrevi sobre amigos e para amigos, sempre inspirada por pessoas e gestos gentis. Uma amostra inédita do que são esses "recortes" (e que não estão no livro porque foram selecionados e ilustrados exclusivamente para isso) pode ser conferida na coluna semanal Recorte! publicada todas as quintas-feiras no blog-amigo Armazém de Cultura.

Clique para ampliar
Eis que o movimento em torno do lançamento do livro finalmente começou e está intenso. Lá no facebook já tem uma fanpage daora chamada Recorte - O livro. Todos estão convidados a curtir para acompanhar todas as novidades, curiosidades, agenda, links pra coluna homônima no Armazém de Cultura e conteúdo especial. 

Para quem já quer ler o livro, a boa notícia é que a venda já começou com entrega para todo o Brasil pelo site da editora

Especialmente hoje divulgamos a agenda-amor de lançamento com as datas para São Luís-MA e São Paulo-SP em abril. Participaremos - eu e o livro - de uma série de eventos e encontros que por si só já são muito maravilhosos e só nos enchem de alegria por estarmos envolvidos. 

Desde já deixo meus agradecimentos especiais para todos os envolvidos na feitura desse livro tão especial e querido: meu pais Carmen e João, meus dindos Dayse Guimarães e Serginho Pinheiro (em memória), Luiz Claudio Furtado (PoD Editora), Talissa Guimarães e Meiri Farias. Grata também a todos que estão nos acolhendo para os eventos de lançamento e rodas de conversa, em especial a Meiri Farias (sim, de novo, porque ela é uma diva incansável!), Beatriz Farias (Armazém de Cultura), Melina Campanini (Sistema Municipal de Bibliotecas-SP), Maria Angélica Martins Costa (Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima),  João Gilberto Cândido Monteiro (Biblioteca Pública Cassiano Ricardo), Carol Calado (NAFONTE Coworking) e Diego Pires (Movimento Sebo no Chão).

Abaixo, vocês conferem todas as datas, horários e locais nos banners-coração que, vejam só, podem ser salvos e compartilhados com vossos amigos e familiares nas redes sociais e what'sapps da vida! ;)

Quero abraçar todo mundo lá, hein! Apareçam!